quinta-feira, 24 de março de 2011

A Batalha do Cabo Matapan - Guerra no Mediterrâneo





A Batalha do Cabo Matapan


28-29 março 1941



fonte: JORDAN, David. Atlas da II Guerra Mundial.
Alemanha versus Inglaterra. Volume I de III.
São Paulo: Escala, 2008.


“Em 27 de março de 1941, a Esquadra Inglesa do Mediterrâneo,
sob o comando do Almirante Cunningham, afundou três cruzadores
e dois destróieres italianos e danificou o couraçado Vittorio Veneto,
ao custo da perda de apenas uma aeronave.”


O declínio da sorte italiana no norte da África e a intervenção inglesa na Grécia arrancaram a marinha italiana de sua letargia. Inicialmente relutantes em atacar navios ingleses na e ao redor da Grécia, a entrada dos alemães no conflito ajudou as forças italianas a entrarem em ação. Em 27 de março, uma considerável força naval italiana se formou na costa da Sicília – incluindo um couraçado, o Vittorio Veneto, oito cruzadores e nove destróieres – esperando destruir as embarcações inglesas no norte de Creta.


No entanto, devido a uma falha no sistema de inteligência, os ingleses sabiam das intenções italianas e iniciaram uma ofensiva do mar de Alexandria no mesmo dia, com uma força de três couraçados e um porta-aviões, além de uma série de cruzadores e destróires. Na manhã seguinte, em uma ação conhecida como a Batalha do Cabo Matapan, um ataque de bombardeiros pegou a força italiana desprevenida, danificando o Vittorio Veneto e incapacitando o cruzador pesado Pola. Enquanto parte da esquadra de Iachino voltava para casa com o Vittorio Veneto, alguns ficaram para trás com o atingido Pola. Em uma batalha noturna, os navios de superfície ingleses atacaram o restante das forças italianas, afundando três cruzadores pesados e dois destróieres.


A vitória foi importante e deixou a esquadra italiana em postura defensiva e incapaz de interromper a evacuação inglesa da Grécia e de Creta.”

pp. 81-83




mais sobre a Batalha do Cabo Matapan


wikipedia


video

HMS Warspite


...

OPERAÇÕES NAVAIS NO MEDITERRÂNEO


Guerra de Abastecimento


“A guerra no norte da África era de muitos modos uma guerra de abastecimento, já que os navios com suprimentos tanto da Inglaterra quanto do Eixo tinham que vencer as perigosas águas do Mediterrâneo para manter seus exércitos no norte da África vivos. No entanto, a entrada da Alemanha no conflito e as posteriores vitórias do Eixo em terra na Grécia e na África do Norte alteraram o equilíbrio de modo desfavorável para a Inglaterra. Ao contrário da guerra no Atlântico, todo o Mediterrâneo estava sujeito a ataques aéreos.


Com suas vitórias, o Eixo conquistou a maior parte de bases aéreas do Mediterrâneo central – deixando as linhas de abastecimento inglesas em grande perigo. Os ingleses tinham apenas a pequena ilha de Malta, a 110 km ao sul da Sicília, como um elo vital aéreo e marítimo na área. Submarinos e aeronaves aportados em Malta poderiam virtualmente atacar qualquer rota de abastecimento do Eixo, geralmente causando danos consideráveis em remessas valiosas. Dessa forma, Malta se tornou alvo de bombardeios incessantes e vivia com a constante ameaça de invasão.


O contigente lá iria permanecer intacto, entretanto, tendo um papel fundamental no conflito do Mediterrâneo. Em reconhecimento a seu importante papel, a pequena ilha recebeu a Cruz de George, a mais alta condecoração civil, do rei George VI.

p. 80



fonte: JORDAN, David. Atlas da II Guerra Mundial.
Alemanha versus Inglaterra. Volume I de III.
São Paulo: Escala, 2008.


LdeM

terça-feira, 15 de março de 2011

EUA - Congresso aprova a Lend-Lease Act



Estados Unidos



Congresso aprova a Lei de  Empréstimo e Arrendamento

(Lend-Lease Act 1941, 11 de março)


Após o célebre discurso, no qual proclamava a América como o “Arsenal da Democracia”, o Presidente Franklin Roosevelt enviou o projeto de Lei  do “lend-lease”, no qual o governo americano passaria a fornecer material bélico e outros serviços aos aliados na guerra mundial iniciada em 1939. Os aliados – naquele momento, eram os britânicos – a enfrentarem os alemães-nazistas e os italianos-fascistas – e os chineses – oprimidos e saqueados pelos japoneses-militaristas.


Discurso “Arsenal da Democracia



Roosevelt procurava manter bem diante da opinião pública que estava dividida entre ajudar as nações atacadas por forças do Eixo e manter a neutralidade. A lei de empréstimo e arredamento previa uma ajuda, não uma intervenção. A ação direta das forças armadas ainda não era 'desejo popular', visto que somente o ataque japonês em Pearl Harbour, no fim de 1941, levaria o povo norte-americano a unir-se indignado contra o ataque do 'dia da infâmia'.


Mas vejamos como estava o ânimo belicista (ou o isolacionista) do povo norte-americano no início do turbulento ano de 1941.


“Apresentando seu projeto, o Presidente interpretara corretamente o sentimento da nação. Durante dois meses o projeto foi debatido no Congresso. Quando veio a cotação final, a medida foi aprovada por 317 a 171 na Câmara e por 60 a 31 no Senado. Se o Congresso, como parece razoável presumir, refletia a opinião pública do país, restaria pouca dúvida de que o povo americano estava disposto a ajudar a Inglaterra. As noções convencionais de neutralidade estavam fora de moda; diante de uma agressão mundial o sentimento americano estava inclinado a se alinhar contra o agressor.


Com isso não se quer dizer que o povo americano no início da primavera de 1941 estivesse pronto para a guerra. Nada é mais comum neste mundo, tanto para o indivíduo como para a massa, do que nutrir desejos contraditórios. Quando o projeto do 'lend-lease' foi aprovado, muitos americanos tanto queriam evitar a guerra como ajudar as democracias, mesmo com o risco da própria guerra. A organização 'América Primeiro' ainda estava em atividade. Quando Hitler, coroando sua carreira de loucuras, lançou um ataque contra a Rússia em junho de 1941, os partidários da não-intervenção passaram rapidamente a argumentar que se por acaso existira algum perigo para os Estados Unidos, esse perigo agora tinha sido afastado. Por que não deixar que os dois colossos totalitários se destruíssem mutuamente? Poderia haver um fim mais desejável do que uma Alemanha fraca e um regime enfraquecido no Kremlin?


[...]


Do momento em que o 'lend-lease' foi promulgado, o governo partiu na direção de uma nova lei que ampliasse medidas positivas de ajuda às democracias. As forças aéreas e navais dos Estados Unidos eram enviadas para patrulhar o Atlântico; o raio de suas operações foi estendido mais para leste. No dia 9 de abril foi firmado um acordo com o ministro dinamarquês em Washington (que foi naturalmente desautorizado pelo governo cativo em Copenhague) segundo o qual era dado aos Estados Unidos ocupar a Groenlândia; três meses depois tropas americanas substituíam os ingleses na Islândia. Numa área amplamente diferente, aproveitou-se de uma reviravolta de acontecimentos militares favoráveis para declarar que o Mar Vermelho não era mais zona de combate, tornando-o assim acessível à navegação americana e aliviando a posição britânica no Egito. O Presidente, no fim de março e no princípio de abril, foi de certo modo elítico em suas referências ao problema de proteção das rotas oceânicas; mas num discurso no dia 27 de maio proclamou uma ilimitada emergência nacional, falou com franqueza das medidas que estavam sendo tomadas e declarou taxativamente que as mercadorias deviam ser entregues a qualquer preço. De outro lado, o afundamento do navio americano, o 'Robin Moor', no Atlântico pôde passar sem qualquer reclamação junto ao governo alemão.” (pp. 118-120)



fonte: PERKINS, Dexter. A Época de Roosevelt. 1932 -1945. (The New Age od Fraklin Roosevelt. 1932 -1945. University of Chicago, 1957) trad. Edilson Alkimim Cunha. Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1967.



mais sobre o Lend-Lease Act
em




videos

(english/ USA)






LdeM

quarta-feira, 9 de março de 2011

mais sobre a campanha no Mediterrâneo




Mais sobre a campanha no Mediterrâneo (Balcãs e norte da África)



fonte: LEWIN, Ronald. “Churchill – O Lord da Guerra” [Churchill as Warlord]
Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979 (trad. Cel. Álvaro Galvão)


“Quando se examinava a restauração da Grécia, depois da Primeira Guerra Mundial, Hankey registrou em seu diário uma observação de Lloyd George: 'pela posição geográfica que ocupa e pelo controle de suas ilhas, em caso de guerra a amizade grega pode ser valiosa para uma potência marítima cujas vias de comunicação no Mediterrâneo oriental foram particularmente abertas aos ataques dos submarinos emboscados naquelas ilhas. Ele próprio disse que nunca se sabe quando este ratinho vai roer a corda que amarra o Império Britânico.' Agora, no momento em que Hitler desencadeia a estratégia que descrevera a Mussolini em novembro, Churchill não se depara com um ratinho mordiscante, mas com um tigre saltador, com o pulo de um matador voraz. Wavell previra isto em uma apreciação incrivelmente exata sobre a missão do comando do Oriente Médio, enviada ao CIGS [Chief of the Imperial General Staff, i.e. General Sir Alan Brooke] em 31 de julho de 1940: '... fique a Itália ostensivamente hostil ou nominalmente neutra, a nossa única possibilidade de enfrentar a intenção alemã de dominar o sudeste da Europa reside em obter o controle do Mediterrâneo, o mais cedo possível e, pelo menos, de forma tão completa quanto na Grande Guerra. Talvez seja muito tarde, se não conseguirmos o domínio do Mediterrâneo no primeiro ou segundo mês de guerra.” (p. 85)


“No inverno de 1940-41 existiam indícios abundantes de que já era tarde. Em outubro, Hitler praticamente deu liberdade ao Duce para agir na Grécia, mas em novembro confessou haver cometido 'um erro imperdoável', em meados de dezembro, expediu uma ordem para uma invasão da Grécia, Operação Marita, que poderia ser ampliada se necessário, para a ocupação total do país. Em meados de fevereiro, nas reuniões dos dias 10 e 11, a Comissão de Defesa examinou uma estimativa do Ministério da Guerra sobre a concentração de cerca de 30 divisões alemãs (inclusive cinco blindadas) na Romênia, cujas vanguardas poderiam atingir a fronteira grega, via Bulgária, no dia 12 de março, e alcançar Salônica uma semana mais tarde. Além disso, a transferência do Fliegerkorps X, com seus 150 bombardeiros, da Noruega para o Mediterrâneo anulara instantaneamente a crescente ascendência marítima inglesa. No dia 10 de janeiro, o navio-aeródromo Illustrious quase foi destruído, no dia 11, o cruzador Gloucester foi danificado e o Southampton afundado. Aviões operando de Bengazi e de bases em Rodes e no Dodecaneso começaram a bloquear o canal de Suez com minas magnéticas; fizeram-no com tanta eficiência que o canal fechou diversas vezes no mês de fevereiro, com graves prejuízos para o trânsito. Parecia que por todos os lados se fechava uma rede sobre o 'Mare Nostrum', antes mesmo que fosse realmente nosso.” (p. 86)



fonte: LEWIN, Ronald. “Churchill – O Lord da Guerra” [Churchill as Warlord]
Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979 (trad. Cel. Álvaro Galvão)



videos

frota britânica


Operation Marita
(ataque alemão à Grécia)

RAF (atuação no norte da África)

Regia Aeronauctica


Fliegerkorps X [Luftwaffe]
(atuação Sicília – Malta – norte da África)


por Leonardo de Magalhaens



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ofensivas no norte da África e Balcãs



fonte: MACKSEY, K. J. “Divisões Panzer – Os Punhos de Aço
(NY, 1968) (BRA, Renes, 1974)
trad. N. Japour


Ofensivas no norte da África e Balcãs desviam forças alemãs



norte da África

“Os vitoriosos alemães se inquietaram quando a Grã-Bretanha não cedeu em 1940 e quando a Luftwaffe foi derrotada na Batalha da Grã-Bretanha – frustrando efetivamente o plano de invasão da Inglaterra. Sem que ninguém soubesse, exceto seus colaboradores mais íntimos, Hitler já havia decidido atacar a Rússia, confiante em que, tendo a força Panzer como ponta-de-lança, poderia esmagar os russos numa campanha única e rápida. Para este fim, a Wehrmacht reorganizou-se durante todo o inverno de 1940/41, enquanto que a influência política e militar alemã se estendia por toda a Europa meridional e pelos Balcãs – o trampolim para a invasão da Ucrânia.

Contudo, para desgraça dos planos de Hitler, seu parceiro italiano, Mussolini, desejou também conquistar louros, invadindo o Deserto Ocidental do Egito em setembro (apena para ser detido pelas forças ligeiras britânicas dentro das fronteiras0), e invadindo a Grécia, através da Albânia, em novembro. Quase que imediatamente, a aventura grega transformou-se num desastre, com os italianos enredando-se em dificuldades sérias para deter a contra-ofensiva grega, que repercutiu na Albânia. Na primeira semana de dezembro, os britânicos revidaram no Egito e eliminaram todo o exército italiano. Tão violenta foi a arremetida inglesa, que na primeira semana de fevereiro toda a Cirenaica e todas as formações italianas importantes haviam sido capturadas. Nesse momento, parecia que as pequenas formações blindadas britânicas podiam avançar quase uqe livremente até a Tripolitânia. Hitler sabia que isto poderia criar uma crise política à qual seu aliado talvez não resistisse,

Assim, Hitler foi obrigado a fazer o primeiro de uma série de desvios da aventura russa. Ele concordou em sustentar a posição italiana na África do Norte com uma nova formação, designada Afrika Korps, dirigida pelo homem que comandara com tanto vigor a 7ª Panzer na França – Erwin Rommel. O Afrika Korps seria formado de duas divisões, e a primeira a partir foi a 5ª Leichtdivision (DivisãoLigeira), que desembarcou em Tripoli a 14 de fevereiro de 1941. na verdade, ela foi a primeira das futuras divisões Panzer menores, criadas bipartindo-se os efetivos de tanques da divisão Panzer original. Possuía apenas um regimento Panzer, formado de dois batalhões de tanques com 90 máquinas cada um, quando a antiga composição divisionária era de dois regimentos de trs batalhões cada um. A 15ª Panzerdivision, que devia partir opara a África depois da 5ª Leichtdivision, tinha inicialmente três batalhões de tanques em seu regimento Panzer, mas também este foi reduzido para dois – em parte devido à baixa prioridade concedida por Hitler à aventura africana.

A 24 de fevereiro, o Afrika Korps teve sua primeira escaramuça com os britânicos no deserto, que marcaria o início de um serviço ativo e ininterrupto de mais de dois anos. [...]”
(p.50)



Balcãs


“[...] Entrementes, a situação do outro lado do Mediterrâneo mudara. Em certo momento, parecia que a ocupação da Romênia, Hungria e Bulgária teria prosseguimento com a tomada da Iugoslávia. Depois disso, a conquista da Grécia seria uma questão de tempo, pois o Exército grego estava nos limites de suas possibilidades, contendo os italianos na Albânia. Por insistência dos gregos, os britânicos evitaram enviar uma Força Expedicionária em sua ajuda, o que poderia, provocar a retaliação alemã.

Todavia, em fins de fevereiro, os gregos chegaram à conclusão de que a intervenção alemã em auxílio da Itália não poderia demorar muito. Quatro divisões britânicas foram então preparadas no Egito e pôs-se em prática um planejamento conjunto anglo-grego, de modo que, em fins de março, quase três dessas divisões já estavam na Grécia e se deslocavam para proteger a fronteira desse país com a Bulgária e a Iugoslávia. Então, de repente, os militares iugoslavos recusaram a perspectiva de ocupação pacífica alemã e depuseram o governo filo-nazista.

Hitler não podia admitir aum desafio desses. Não só o seu prestígio estava em jogo, como também a segurança do flanco sul de suas tropas que em breve arremeteriam contra a Rússia. Assim, a iinfiltração pacífica teve de ceder lugar à agressão violenta, que se iniciou com um bombardeio aéreo indiscriminado de Belgrado, a capital iugoslava.

Desde o início, a posição dos iugoslavos era desesperada. Toda a sua fronteira, exceto o pequeno trecho em comum com a Grécia, fora tomada. Seu exército, mal equipado e mal treinado, estava dividido, por causa da tradicional desconfiança entre croatas católicos e sérvios ortodoxos, que desunia a nação.  O único fator favorável à Iugoslávia era o seu terreno montanhoso. [...]

Os acontecimentos mostraram que a noz fora quebrada, pois os elementos croatas do Exército iugoslavo passaram oara o lado alemão sem luta e o resto do exército desmoronou, permitindo que as divisões Panzer progredissem pelos difíceis caminhos dos vales como se estivessem em exercícios de tempos de paz, e não numa operação sangrenta de guerra. Em alguns lugares havia luta, mas todas sem importância. [...] “ (pp. 52-53, 56)

O que aconteceu de consequente, foi o desgaste do material bélico alemão. “Mas provocou também inoportuno desgaste no equipamento que muito breve teria de funcionar com a máxima eficiência na Rússia.” (p. 56)



fonte: MACKSEY, K. J. “Divisões Panzer – Os Punhos de Aço
(NY, 1968) (BRA, Renes, 1974)
trad. N. Japour

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videos

Afrika Korps imagens


(em inglês)

sobre Yugoslavia 1941-45
(em servo-croata)


(em grego)
(Batalha de Creta)(em alemão)
(filme da Nova Zelândia)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Hitler planeja a Operação Barbarossa




trechos de “Hitler”, Joachim Fest

Livro VII, cap. I


Hitler com medo da URSS e dos EUA
se ocorresse um conflito global

“Desde o verão de 1940, o medo de uma intervenção americana coloria com tons ameaçadores todas as reflexões e sobretudo vinha agravar ainda mais a angústia sentida por Hitler ante a 'fuga do tempo'. Desde a queda da França, ele tinha desperdiçado sua energia em ações diplomáticas e militares estranhamente incertas e indecisas. As tropas alemãs estavam acantonadas desde Narvik até a Sicília e, desde o início de 1941, chamadas em auxílio do enfraquecido parceiro italiano, encontravam-se até na África do Norte; mas faltava um pensamento diretor a todas essas atividades; a guerra se espalhava em direções indesejadas! Ela agora se vingava do fato de Hitler tê-la começado numa linha de frente absurdamente invertida, por assim dizer desatinadamente, sem um plano geral preestabelecido. [...] Durante o outono, e enquanto a guerra ameaçava, podia-se dizer, fugir ao seu controle, Hitler voltou a se concentrar sobre o conflito, para captá-lo num raciocínio global. [...] (p. 760)



Hitler em 1941 antes da invasão alemã da URSS


“Em outubro de 1940, na noite seguinte à entrevista com Pétain, uma carta de Mussolini o [a Hitler] informou do projeto italiano de invadir a Grécia. O que esse passo inesperado deixava prever de complicações para o flanco alemão nos Balcãs tinha levado o Führer a modificar sua rota e correr a um encontro, providenciado apressadamente, em Florença. Mussolini, que estava querendo retribuir aos alemães na mesma moeda, fazendo-os pagar pelas inúmeras surpresas desse tipo a ele impostas, e sem esquecer, de passagem, as numerosas vitórias dos alemães, tinha-se apressado, e apenas algumas horas da chegada de Hitler, em precipitar as ações e abrira as hostilidades. Mas a necessidade que teve de enviar unidades alemãs à Grécia, quando os aliados italianos se viram ante as dificuldades previstas, não impediu Hitler de continuar a preparar a execução de sua campanha ao Leste. Não reagiu de outra forma quando Mussolini se deparou com os piores contratempos na Albânia e finalmente sofreu uma derrota completa na frente norte-africana; Hitler recebia esses desastres com igual disposição de espírito, dava as diretrizes adequadas e sempre enviava divisões aos teatros de operações ameaçados, sem se deixar desviar, um instante sequer, de seu objetivo principal. A 28 de fevereiro, viu-se obrigado, partindo dos territórios de sua aliada, a Romênia, a se antecipar aos soviéticos na Bulgária: cerca de um mês mais tarde, teve de conquistar a Iugoslávia, que tentara fugir à influência alemã por instigação de um grupo de oficiais prontos para desfechar um putsch; a despeito desses contínuos comprometimentos em novos teatros de operações, não perdia de vista sua campanha contra a URSS; apenas a adiou por quatro semanas que podiam ser fatídicas. [...] (p. 764)


A campanha de Hitler contra a URSS

“Desde o verão de 1940, entre a Alemanha e a URSS tinham surgido numerosas dificuldades diplomáticas: para dizer a verdade, estas se explicavam em grande parte pelas tentativas inescrupulosas de Moscou para montar alguns anteparos contra o poderio assustadoramente crescente do Reich, anexando tanto os Estados bálticos quanto uma parte da Romênia e opondo uma resistência obstinada às manobras dos alemães no sentido de impor sua influência nos Balcãs. Todavia, na primavera de 1941, o embaixador da Inglaterra em Moscow, Sir Stafford Cripps, tinha 'certeza absoluta' de que a URSS jamais se deixaria envolver numa guerra contra a Alemanha, a menos que o próprio Hitler se decidisse a atacar a Rússia; mas ele temia que o Führer não desse esse prazer a seus adversários.” (p. 766)


trad. Ana Lúcia T. Ribeiro; Antonio N. Machado; Antônio Pantoja; F. M. Da Rocha Filho


fonte: FEST, Joachim. Hitler. RJ: Nova Fronteira, 1976.



Mais sobre o planejamento da Operation Barbarossa


Interessante trecho:

O término da concentração desta vasta coleção de divisões mecanizadas para a “Operação Barbarossa” estava marcado para 15 de maio. Elas avançariam para leste em quatro levas. A primeira, quando a diretiva para a “Barbarossa” fosse emitida, estaria a postos. A segunda chegaria em meados de março; a terceira, em meados de abril e quarta em fins de abril. Quando se chegasse a este ponto, já não seria possível disfarçar mais a importância do deslocamento. Mas antes que se completasse a concentração planejada, o desenvolvimento livre dos planos de Hitler para o teatro de operações do leste foi brutalmente interrompido por acontecimentos nos Balcãs.


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por Leonardo de Magalhaens

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A campanha no norte da África (1940-41)



 
A campanha no norte da África (1940-1941)
na visão do Primeiro-Ministro britânico Churchill


 
Nossa fonte
Memórias da Segunda Guerra MundialSir Winston Churchill
RJ: Nova Fronteira, 1995.


 
No Capítulo 15 (Vitória no Deserto) do Livro II (Sozinhos)
Sir Winston Churchill descreve as ações britânicas contra os italianos no norte da África e no Mediterrâneo


Quando a Itália declarou guerra, em 10 de junho de 1940, o serviço secreto britânico calculou – corretamente, sabemos hoje – que, à parte suas guarnições na Etiópia, Eritreia e Somália, havia cerca de 215 mil soldados italianos nas províncias costeiras norte-africanas. As tropas britânicas no Egito correspondiam, talvez, a 50 mil homens. Com estes, era preciso garantir a defesa da fronteira ocidental e a segurança inteira do Egito. Por conseguinte, teríamos grandes desvantagens em campanha, e os italianos também dispunham de muito mais aviões.”
(p. 446)

Até o colapso francês, o controle do Mediterrâneo estivera dividido entre as armadas britânica e francesa. Agora, a França estava fora e a Itália havia entrado. A armada italiana, numericamente poderosa, e a Força Aérea italiana, também vigorosa, estavam alinhados contra nós. Tão impressionante se afigurava essa situação que as primeiras considerações do Almirantado contemplaram o abandono do Mediterrâneo oriental e a concentração em Gibraltar. Resisti a essa política, que, embora justificada no papel pelo poderio da armada italiana, não correspondia a minhas impressões dos valores de combatividade e parecia prenunciar a destruição de Malta. Eu estava decidido a travar batalhas nas duas extremidades. [...]
(p. 449)

Churchill aborda a tentativa italiana de conquistar o Egito em setembro de 1940 e o fracasso da ofensiva, barrada pelas defesas britânicas.

No dia 17 [de setembro de 1940], o Exército italiano chegou a Sidi Barrani. Nossas baixas somaram quarenta mortos e feridos, enquanto as do inimigo foram cerca de dez vezes maiores, incluindo 150 veículos destruídos. Ali, com suas comunicações estendidas por sessenta milhas, os italianos se instalaram para passar os três meses seguintes.” (p. 451)

Então, em outubro, o Duce resolve atacar a Grécia - “irrompeu então no palco do Mediterrâneo uma nova agressão de Mussolini.” (p. 452) – o que foi outro fracasso dos fascistas italianos - “A invasão italiana da Grécia a partir da Albânia foi outro duro revés para Mussolini. O primeiro ataque foi repelido com baixas pesadas, e os gregos contra-atacaram imediatamente” (p. 453) e assim os britânicos resolvem agir na defesa das posições mediterrâneas.

Embora, no papel, ainda fôssemos largamente superados em número pela esquadra italiana, algumas melhorias acentuadas já tinham sido feitas em nossas forças no Mediterrâneo” (p. 454) e cita o ataque britânico contra a base italiana de Taranto.

(ver sobre o ataque de Taranto em


Churchill relembra a ofensiva britânica (Operation Compass) em 6 de dezembro de 1940 (com cerca de 25 mil homens) no início da batalha de Sidi Barrani (9 dezembro 1940)

Em 15 de dezembro, todos os soldados inimigos tinham sido expulsos do Egito.” (p. 456) No ataque participaram tropas inglesas, egípcias e australianas, além das coloniais – indianas, sul-africanas – sob o comando do General Archibald Wavell. Tropas da França livre (Free France) lutavam sob comando britânico. Os britânicos contavam também – nas operações ao sul - com tropas etíopes do imperador Selassie (o mesmo deposto e exilado por Mussolini em 1936)

Mais sobre a Operação Compasso em


Em seguida, os australianos da 6ª Divisão avançaram para a Cirenaica, atingindo Tubruq [Tobruk] em 6 de janeiro de 1941, atacada em 21-22 do mesmo mês, e chegando até Benghazi em início de fevereiro. Enquanto os britânicos, com seus tanques 'Mathilda' – da 7ª Divisão Blindada (7th Armoured Division) conhecida como os 'ratos do deserto' (Desert Rats) - seguem mais ao sul, na orla do deserto, passando por Makili (27 janeiro), Msus (5 fevereiro) e Baydafumm (7 fevereiro) já próxima ao litoral do Mediterrâneo.

O limite do avanço era Agheila, na fronteira da Tripolitânia. O Exército do deserto avançara “mais de duzentas milhas”, atacando “dois portos fortificados”, e fazendo “113 mil prisioneiros” e capturando “7000 canhões”. Assim “o grande Exército italiano que invadira e esperava conquistar o Egito mal existia como força militar” (p. 458) Um alívio momentâneo para os britânicos.


videos (english)






LdeM

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Norte da África - ineficiência das tropas italianas



Norte da África

Ineficiência das tropas italianas

A posição estratégica do Mar Mediterrâneo seria então disputada ao longo de 1941 até meados de 1943 pelas potências em guerra. O Eixo determinara-se a expulsar a Marinha britânicas das águas do 'Mare Nostrum' como dizia o proclamador do novo Império Romano, o Duce Mussolini.


 
A principal base marítima britânica nas águas próximas a península itálica era (e é até hoje) a ilha de Malta, famosa por seus cavaleiros medievais e mosteiros. É um porto de vital importância para reabastecimento e reparos de navios na rota Grã-Bretanha – Mediterrâneo – Canal de Suez – Índia – Cingapura. Ou seja, estava no meio da rota de comércio do Império Britânico.


 
Ao sul do Mediterrâneo e à sudoeste do Mar Vermelho estão as colônias do Norte da África – Argélia, Líbia, Egito, Sudão e Etiópia. Colônias estas em permanente estado de hostilidade visto que pertenciam a potências em combate. A Argélia proclamara-se fiel ao governo de Vichy, o governo francês colaboracionista (hostil às forças francesas livres, do General De Gaulle); enquanto Líbia (Cirenaica e Tripolitânia) permaneciam em poder italiano, bem como a Etiópia (ali entre Sudão anglo-egípcio e Somália inglesa.


 
A tensão aumentou no final de 1940, quando numerosas tropas italianas invadiram áreas sob controle britânico. Em janeiro de 1941, os britânicos passaram a contra-atacar, o que levou a um impasse nas fileiras italianas. Número não significa qualidade, e os enormes contingentes italianos se viam derrotados por tropas inglesas e coloniais (egípcios, sudaneses, somalis) em menor número, porém com armamento mais moderno.


As tropas do General Wavell avançaram do Sudão e cortaram o território de Eritreya, ao norte da área de controle italiano (conquistada na guerra da Etiópia em 1936, quando o Duce – ao lado do rei Emanuelle Vittorio - proclamou o Império.


 
As tropas comandadas pelo general inglês Cunningham, avançando do Kenya – ao sul da Etiópia - não apenas recuperam os terrenos, como também adentraram os territórios italianos. Em fevereiro de 1941 as tropas britânicas estão prontas para atacar a própria Somália italiana, num avanço de grande êxito até Modadishu (25 de fevereiro).


 
Enquanto os ingleses avançam, os etíopes desertam dos exércitos italianos, o que seguramente mostrava o baixo moral das tropas de defesa – ainda que certos combates tenham durado mais de mês, como é o exemplo de Keren, onde italianos resistiram 53 dias numa fortaleza. (Neste mesmo ano, ainda teremos o cerco de Tobruk, que seguramente elipsou esta página da bravura italiana)


Em dezembro de 1940, desencadeia-se o contra-ataque inglês. Com paenas 35.000 homens e 275 tanques, mas com uma hábil estratégia baseada no movimento, o genral Richard O'Connor contorna a trincheira inimiga, provocando a retirada italiana, que sót erminou em fevereiro de 1941, 400 km além de suas posições originais. Duas únicas divisões de O'Connor aniquilam dez divisões italianas e fazem 130.000 prisioneiros. Os italianos são rechaçados a oeste, ao longo da rodovia costeira e perseguidos pelo inimigo. A Cirenaica cai em mãos inglesas.”

fonte: FIORANI, Flavio. HISTÓRIA ILUSTRADA DA II GUERRA MUNDIAL. Larousse do Brasil, 2009.


O fato é que desmoralizadas, as tropas italianas, mesmo em maior número, se mostraram ineficientes diante das menores tropas britânicas, que avançando rápidas cortavam linhas de abastecimento e isolavam territórios. (A mesma tática que seria usada pelos alemães na Rússia, ainda em 1941, quando as tropas russas e ucranianas se rendiam em massa aos exércitos numericamente inferiores, mas pesadamente armados.)



por Leonardo de Magalhaens