quinta-feira, 24 de maio de 2012

Holocausto : Einsatzgruppen - Deportações




Holocausto / Shoah


Einsatzgruppen
Antigo Gueto de Cracóvia
Deportações

trechos deA Lista de Schindler(Schindler's List, 1982)
de Thomas Keneally (1935- )
trad. Tati Moraes
 



Seis Einsatzgruppen tinham vindo para a Polônia com o exército invasor. A sua denominação tinha significação sutil. 'Grupos de Tarefa Especial' é uma tradução aproximada. Mas a palavra amorfa Einsatz é também rica em nuançasde desafio, de provocação, de nobre contenda. Esses esquadrões eram recrutados no Sicherheitsdienst (SDServiço de Segurança) de Heydrich. De antemão, eles sabiam que a sua tarefa era ampla. O seu líder supremo dissera seis semanas antes ao General Wilhelm Keitel que 'no Governo Geral da Polônia terá de haver uma dura luta pela existência nacional, que não permitirá restrições legais de espécie alguma'. Na elevada retórica de seus líderes, os soldados do Einsatz sabiam que uma luta pela existência nacional significava guerra aos judeus e outras raças, assim como o próprio Einsatz, Tarefa Especial de Cavaleiros, significava o cano quente de uma espingarda.

O esquadrão Einsatz destacado para ação na Kazimierz naquela noite era de elite. Deixariam aos tarefeiros da SS o trabalho sórdido de revistar as moradias em busca de anéis de diamante e casacos forrados de pele. Eles próprios tomariam parte numa atividade mais radicalmente simbólica de destruir os instrumentos da cultura judaica, isto é, as antigas sinagogas de Cracóvia.

Havia semanas que os componentes do Einsatz estavam se exercitando, assim como os Sonderkommandos SS (Esquadrões Especiais) também destacados para essa primeira Aktion em Cracóvia, e a polícia de segurança do chefe Czurda. O Exército negociara com Heydrich e os chefes de polícia mais categorizados um adiamento de operações até a Polônia passar da administração militar à civil. A transmissão de autoridade fora agora efetuada, e em todo o país os Cavaleiros de Einsatz e os Sonderkommandos receberam ordem de atacar, com um justo senso de racismo histórico e indiferença profissional, os antigos guetos judaicos.

No final da rua estava situado o apartamento de Oskar, e lá também se erguiam as fortificações rochosas do Castelo de Wawel, de onde governava Hans Frank. Para que se possa compreender a futura atuação de Oskar na Polônia, é preciso examinar a ligação entre Frank e os jovens membros da SS e da SD, e depois entre Frank e os judeus de Cracóvia.

Em primeiro lugar, Hans Frank não tinha autoridade direta sobre aqueles esquadrões especiais que iriam invadir a Kazimierz. As forças policiais de Heindrich Himmler, onde quer que atuassem, faziam sempre a sua própria lei. Frank não reprovava esse poder independente, como não concordava com ele em terreno prático. Abominava tanto quanto qualquer outro membro do Partido a população judaica e considerava a agradável cidade de Cracóvia intolerável devido à quantidade de judeus que a habitavam. Pouco tempo antes ele se queixara, quando as autoridades tinham tentado usar o Governo-Geral, e especialmente Cracóvia com o seu entrocamento de estrada de fero, como despejo de judeus das cidades da Wartheland, Lodz e Poznan. Mas não acreditava que os Einsatzgruppen ou os Sonderkommandos, com os seus métodos, pudessem trazer alguma solução para o problema. Era opinião de Frank, partilhada por Himmler (em certos estágios das divagações mentais de 'Heini'), que deveria haver um vasto campo de concentração para judeus, pelo menos na cidade de Lublin e cercanias, ou, ainda melhor, na Ilha de Madagáscar.

Os próprios poloneses sempre haviam acreditado em Madagáscar. Em 1937, o Governo polonês tinha enviado uma comissão para estudar aquela ilha de picos altos tão longe de suas sensibilidades europeias. O Ministério Colonial francês, a que pertencia Madagáscar, estava disposto a negociar, de governo para governo, essa nova colonização, pois uma Madagáscar com uma densa população judaica seria um grande mercado de exportação. Oswald Pirow, Ministro da Defesa da África do Sul, tinha atuado por um tempo como intermediário entre Hitler e a França na questão da ilha. Assim, Madagáscar, como solução, tinha um alvará respeitável. Havia um interesse financeiro da parte de Hans nessa solução e não no Einsatzgruppe. Pois aqueles reides e massacres esporádicos não podiam arrasar a população subumana da Europa Oriental. Durante o tempo da campanha em torno de Varsóvia, o Einsatzgruppe tinha enforcado judeus nas sinagogas da Silésia, haviam-nos destruídos com o suplício da água, tinham-lhes invadido os lares nas noites de Sabbath ou dias de festa, cortado os seus cachos rituais de oração, tocado fogo em seus tallis, haviam-nos fuzilado contra uma parede. O efeito fora quase nulo. Segundo Frank, havia muitos indícios na História de que raças ameaçadas em geral venciam os genocídios. O falo era mais rápido que o fuzil.

O que ninguém sabianem os participantes do debate, os finamente educados rapazes do Einsatzgruppe dentro de um caminhão, os não tão distintos membros da SS em outro caminhão, os fiéis nas sinagogas, Herr Oskar Schindler a caminho de seu apartamento na Rua Straszewskiego para se vestir para o jantaro que nenhum deles sabia, e muitos planejadores do partido mal podiam esperar, era que iria ser encontrada uma resposta tecnológica: um desinfetante químico composto, Zyklon B, iria substituir Madagáscar como solução.pp. 53-55


Era um ano [1940] semelhante a todos os outros anos que se sucederam até o fim do conflito mundial, em que os judeus procuravam algum emprego considerado essencial ao esforço de guerra. Em abril, o Governador Frank tinha decretado a evacuação dos judeus de sua capital, Cracóvia. Era uma decisão curiosa, que as autoridades do Reich continuavam remetendo de volta ao Governo-Geral judeus e poloneses numa média de 10 mil por dia. Entretanto, segundo Frank informou ao seu gabinete, as condições em Cracóvia eram escandalosas. Sabia de chefes-de-divisão alemães que eram obrigados a morar em prédios de apartamentos, onde ainda havia inquilinos judeus! Até oficiais mais graduados estavam também sujeitos à mesma escandalosa indignidade. E Frank prometeu que nos próximos seis meses tornaria Cracóvia judenfrei (livre de judeus). Seria permitido um remanescente de 5 mil ou 6 mil trabalhadores judeus especializados. Todo o resto seria removido para outras cidades do Governo-Geral, Varsóvia ou Radom, Lublin ou Czestochowa. Os judeus poderiam emigrar voluntariamente para a cidade de sua escolha, desde que i fizessem até 15 de agosto. Os que ainda permanecessem na cidade após aquelas data seriam transportados de caminhão com um mínimo de bagagem para qualquer local que fosse da conveniência da administração. A partir de de novembro, declarou Hans Frank, seria possível aos alemães de Cracóvia respirarem 'puro ar alemão', caminhar pela cidade sem ver as ruas e alamedas 'fervilhando de judeus'.p. 67


Mais sobre os guettos

Os judeus de Cracóvia estavam acostumadosde uma forma que se poderia descrever melhor como congênitaà ideia de um gueto. E agora que ficara decidido, a própria palavra soava como algo ancestralmente calmante. Seus avós não tinham tido permissão de emergir do gueto de Kazimierz até 1867, quando Franz Josef assinara um decreto permitindo-lhes viver onde quisessem na cidade. Os cínicos diziam que os austríacos tinham tido necessidade de abrir Kazimierz, entalada no braço do rio tão perto de Cracóvia, a fim de que os trabalhadores poloneses pudessem encontrar acomodações próximas ao seu local de trabalho. Não obstante, Franz Josef era ainda reverenciado pelos mais velhos de Kazimierz com tanta ênfase quanto o fora no lar de Oskar Schindler, em sua infância.

Embora a liberdade tivesse chegado tão tarde, havia ao mesmo tempo, entre os judeus mais velhos de Cracóvia, uma nostalgia pelo antigo gueto de Kazimierz. Um gueto implicava esqualidez, dificuldade de moradia, compartilhar banheiros, disputas por espaço para cordas de secar roupa. Contudo, também fazia com que os judeus se dedicassem à sua especial característica: riqueza de erudição partilhada, canções e conversações em conjunto, em cafés com fartura de ideias senão de leite. Rumores tenebrosos emanavam dos guetos de Lodz e Varsóvia, mas o de Podgórze, conforme fora planejado, era mais favorecido em questão de espaço, pois, se fosse superposto num mapa do Centrum, ver-se-ia que ocupava uma área de cerca de metade do tamanho da Cidade Velha – espaço de modo algum suficiente mas que não chegava a ser um estrangulamento.

Havia também no edital uma cláusula tranquilizadora pela qual o governo se comprometia a proteger os judeus dos seus compatriotas poloneses. Desde princípios da década de 30, uma luta racial, premeditadamente organizada, prevalecera na polônia. Quando começou a depressão e os preços de produtos agrícolas caíram, o governo polonês tinha sancionado vários grupos políticos anti-semitas, do tipo que via os judeus como a causa de todos os problemas econômicos. […]

Nos primeiros dias da ocupação alemã, os conquistadores se espantaram com a presteza com que os poloneses lhes indicavam os lares de judeus e agarravam um judeu pelos cachos religiosos, enquanto um alemão cortava com uma tesoura as barbas ortodoxas ou espetava-lhe o rosto com a ponta de uma baioneta. Portanto, em março de 1941, o compromisso de proteger os moradores do gueto dos excessos nacionalistas poloneses foi recebido quase como verossímil.

Embora não houvesse grandes manifestações espontâneas de alegria entre os judeus de Cracóvia, ao arrumarem as bagagens para se mudar para Podgórze, havia uma estranha sensação de volta ao lar, assim como a impressão de ter alcançado um limite além do qual, com alguma sorte, não poderiam expulsá-los e tiranizá-los ainda mais. A tal ponto que mesmo judeus de aldeias nas cercanias de Cracóvia, de Wieliczka, Niepolomice, Lipnica, Murowana e Tyniec se apressaram em retornar à cidade, receosos de não poderem mais penetrar no gueto depois de 20 de março e se verem isolados num ambiente hostil. Pois o gueto era, pela sua própria natureza, quase por definição, habitável, ainda que sujeito a ataques intermitentes. O gueto representava estase em vez de fluxo.pp. 80-81


Ainda naquele verão, as pessoas cercadas pelos muros continuavam se agarrando à noção de que o gueto era um domínio restrito, porém permanente. Não era muito difícil acreditar nessa noção no ano de 1941. fora instalado um correio e havia até selos do gueto. Havia também um jornal, embora pouco mais contivesse do que editais de Wawel e da Rua Pomorska. Fora permitido o funcionamento de um restaurante na Rua Lwówska: o Restaurante Foerster, onde os irmãos Rosner, de volta dos perigos do campo e das paixões mutáveis dos camponeses, tocavam violino e acordeão. Por um breve espaço de tempo, parecia que as escolas iriam funcionar normalmente, que orquestras se reuniriam para concertos, que a vida judaica seria comunicada como uma organização benigna ao longo das ruas, de artesão para artesão, de professor para professor, não fora ainda definitivamente manifestada a ideia pelos burocratas SS da Rua Pomorska de que tal tipo de gueto não era apenas uma extravagância como um insulto às diretrizes racionais da História.

Assim, quando o Untersturmführer Brandt mandou chamar o presidente [do Conselho Judaico, Judenrat ] Artur Rosenzweig à Rua Pomorska para uma surra com o cabo de seu chicote de montaria, estava tentando corrigir a incurável visão do judeu de considerar o gueto como uma zona de residência permanente. O gueto era um depósito, um desvio, uma estação de ônibus cercada de muralhas. Em n1942, qualquer suposição que encorajasse outra perspectiva havia sido abolida.p. 111


fonte:A Lista de Schindler(Schindler's List, 1982)
de Thomas Keneally (1935- ) 
trad. Tati Moraes


O Capítulo 15 (p. 121) deA Lista de Schindlernarra com detalhes a sistemática da invasão, espancamentos, assassinatos e deportação para os campos de concentração (de trabalho forçado e extermínio) que caracterizou o que é denominado Holocausto (Shoah). Assim é também coerente com as datas dos outros livros citados (Treblinkae O Pianista) que situam o início do Holocausto após o fim do inverno de 1942, ou seja, após a Conferência de Wannsee.

É como se a Solução Final fosse consequência de um precipitar da guerra, não algo planejado desde sempre, desde o início do conflito em 1939. o que reforça a tese do planejamento posteriorquando da guerra totalsenso uma vingança de Adolf Hitler contra a comunidade judaica (pois o ditador nazista dissera em 1940 quese eles, os judeus, provocarem outra guerra mundial, a consequência será a aniquilação da raça judia na Europa). Em 1942 foi que Hitler se decidiu pela Solução Final, tendo o apoio de Himmler e Heydrich, como outras fontes mostram.



seleção: LdeM


mais sobre os Einsatzgruppen


mais sobre o Gueto de Cracóvia



filmeSchindler List/ 1993








quarta-feira, 16 de maio de 2012

Atentado contra Heydrich - Operação Antropoide - Consequências




Atentado contra Heydrich

(Operação Antropoide)

maio 1942

A Situação dos Territórios Ocupados


Conhecido como um dos mais frios e determinados carrascos nazistas – admirado até por Adolf Hitler – o 'Protector' Reinhard Heydrich, General das SS, pagou com a vida por todo o seu serviço de 'proteção' (entenda-se 'opressão') na Boêmia e Morávia, regiões da Tchecoslováquia ocupada durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Era tão dedicado que foi apelidado de “Açougueiro de Praga”.

O 'Protektor' Heydrich teve papel central – junto a Eichmann – para o estabelecimento do massacre organizado, o Holocausto (Shoah) contra os judeus, em Conferência em Wannsee, arredores de Berlim, em janeiro de 1942.

Adolf Eichmann, director da Secção para os Assuntos Judaicos (Judenreferat) da Gestapo, resumiu o resultado da reunião numa acta, segundo a qual Heydrich comunicou aos participantes que, baseado numa "autorização prévia" de Hitler, iria agora começar a deportação de todos os judeus europeus para a Europa de Leste. Sublinhou o facto de a “liderança na preparação da solução final da questão judaica" pertencer exclusivamente a ele, independentemente das fronteiras geográficas. A inclusão dos chamados “mestiços“ (pessoas com pais ou avós cristãos e judaicos) e de parceiros judeus em “casamentos mistos” nas deportações levantou contudo polémica.” ( Casa da Conferência de Wannsee )


Os britânicos tinham real interesse em interferir nos territórios ocupados pelos alemães e não hesitaram em colaborar com agentes tchecos para se livrarem do líder nazista que não poupava vidas humanas para implantar sua 'proteção'.

Em Londres, o governo britânico incentivou o governo tchecoslovaco no exílio (Prozatímní státní zřízení) a tramar o assassinato de Heydrich. Sua morte certamente traria retaliações, mas tanto britânicos como tchecos acreditavam que valia a pena pagar este preço. Dois homens especialmente treinados pelas Forças Especiais britânicas, Jan Kubiš and Jozef Gabčík, foram escolhidos para a operação. Depois do treinamento, eles saltaram de paraquedas de um avião Halifax do Esquadrão 138 da RAF.” (Discovery)

Com o atentado – e posterior morte, por infecção devido aos ferimentos – de Heydrich, o comando nazista não mediu esforços para aterrorizar a população dos territórios tchecos. Aldeias inteiras foram invadidas e arrasadas – com destaque para o trágico destino de Lídice, que sofreu um massacre.

Resumir aqui a vida e a carreira cruel de Heydrich é impossível e inútil. Apresentaremos apenas alguns trechos de artigos da internet e links para vídeos e filmes.


Assim a atenção centra-se no percurso diário de Heydrich. O oficial alemão revela-se negligente com a sua própria segurança. Conforme repete por diversas vezes, um cuidado nesse aspecto seria interpretado como sinal de fraqueza. Recusa fazer-se acompanhar por guardas. Viaja sozinho, apenas na companhia do seu motorista. Despreza sistematicamente recomendações superiores no sentido de incrementar a sua segurança, e nem aceita a adopção de blindagem adequada no seu carro.

Após semanas a fio estudando os percursos de Heydrich, Gabčik e Kubiš selecionaram um ponto da estrada com as condições ideais para o ataque: tratava-se de uma curva apertada, no bairro de Kobylisy, onde o carro teria que abrandar, permitindo a intervenção dos dois comandos. Por outro lado, o local permitiria a fuga dos atacantes, que conseguiriam chegar ao centro de Praga com facilidade, misturando-se ai com a multidão. Um deles atacaria Heydrich com uma arma automática Sten modificada, enquanto o outro, munido de granadas especialmente desenhadas para o efeito, seria o homem de reserva.

Na manhã de 27 de Maio de 1942 o ataque foi levado a cabo, mas o plano complicou-se: a Sten encravou, deixando Gabčik à mercê de Heydrich. Neste momento o alemão cometeu um erro fatal. Em vez de prosseguir a viagem em segurança, ordenou ao motorista que detivesse o carro de forma a responder ao ataque. Imediatamente Kubiš arremesou uma granada que explodiu junto ao carro. Heydrich, aparentemente em boa condição, disparou a sua arma sobre os assaltantes em fuga e mandou o condutor prosseguir no encalço dos fugitivos.

Assim, enquanto corriam pelas suas vidas, os dois militares checoslovacos estavam plenamente convencidos que tinham falhado. Não podiam imaginar que Heydrich iria falecer num hospital dentro de dias, o seu corpo envenenado mortalmente por fragmentos do carro que entraram em contacto com o seu sangue.” (Visitar Praga)



Consequências do atentado


Massacre de Lídice

junho 1942


Em represália à sua morte, as aldeias de Lídice e Lezháky foram quase que literalmente varridas do mapa, tendo os seus habitantes sido horrivelmente executados ou deportados para campos de concentração – tudo porque a Gestapo reuniu indícios de que nessas aldeias estariam abrigados Kubis e Gabcik, quando na verdade os algozes do Protektor estavam abrigados na capital checa havia meses. Estes, na verdade, resistiram durante dias na Igreja de São Metódio, em Praga, depois de Petr Curda, desertor da resistência checa, revelou o seu esconderijo e de outros militares checos – após ter sido aliciado pela recompensa de 10 milhões de coroas checas oferecida a quem desse pistas do paradeiro dos assassinos de Heydrich. Kubis, Gabcik e os seus companheiros cometeram suicídio quando ficou claro que não poderiam resistir ao assalto de tropas SS contra o recinto onde estavam escondidos.” (Wikipedia)



fontes:



Wikipedia (Reinhard Heydrich)


Operação Antropoide



links

Heydrich e o Holocausto




Assassinato e funeral de Heydrich




movie 'Operation Daybreak' (1975)


Wannsee Konferenz
jan / 1942



videos / movies



'Conspiracy'


sobre o Massacre de Lídice (junho 1942)







videos


movie

Lidice (2011)



LdeM

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Holocausto - Shoah - Campos de concentração





Campos de Concentração
Campos de Extermínio

 Treblinka (cap. 5)


Com o advento da câmara de gás, o amadorismo, o artesanato, as falhas inerentes a todas as inovações estavam fadadas a desaparecer. A 'Solução Final' entrava na era do tecnicismo. A máquina vinha em socorro do homem, a técnica tomava o lugar da boa vontade. Um sistema quase perfeito acabava de ser criado. Um mundo novo desabrochava.

Existia antes da guerra, na linha Siedlec-Malknia, não longe do importante eixo ferroviário Varsóvia-Bialystok, uma estaçãozinha perdida, de nome estranho e belo: Treblinka. Levantava-se, insólita, em meio a um terreno arenoso, plano e úmido, pontilhado de pequenos bosques abertos e de pântanos. Localizada nas proximidades da linha de armistício germano-soviética estabelecida a 28 de setembro de 1939, a preparação da invasão da Rússia viera tirá-la do esquecimento, no mês de junho de 1941. Sua posição estratégica valera-lhe então a visita de um certo número de chefes militares alemães. Quis o destino que estes se fizessem acompanhar de alguns 'técnicos'. Estes deixaram-se imediatamente seduzir pela terra misteriosa e deserta. Foi assim que, em agosto de 1941, instalaram ali, próximo a uma pedreira de cascalho servida por uma ramificação especial da linha Siedlec-Malkinia, um campo de trabalho misto, para judeus e poloneses.

Quando, na primavera de 1942, cogitou-se de criar um grande campo de extermínio para os judeus de Varsóvia, os 'técnicos' lembraram-se da estaçãozinha perdida no meio da charneca.” (p. 77)

O sinal de partida para as deportações dos judeus de Varsóvia sendo marcado simbolicamente para o dia 9 do mês Av, data comemorativa da destruição do Templo, que naquele ano [1942] correspondia ao dia 22 de julho, os trabalhos tiveram início imediatamente.

O trabalho pesado foi confiado aos prisioneiros do campo de trabalho. […]” (pp. 77/78)


}}} ver a data 22 de julho de 1942 no romance “O Pianista” de Wladylaw Szpilman



Saindo de Varsóvia na noite de 22 de julho, o primeiro comboio chegou a Treblinka na manhã de 24. Era um belo dia de verão; uma bruma quente pesava sobre a atmosfera quando o primeiro grupo de vinte vagões deixou o ramal da pedreira para entrar em marcha vagarosa no de Treblinka.

Logo que desembarcaram, os homens foram separados das mulheres e crianças. Estas últimas, consideradas material não-recuperável, foram, depois de desnudadas, conduzidas ao 'chuveiro'. Tudo se passou muito rapidamente e sem complicações.” (p. 80, cap. 5)




fonte: STEINER, Jean François. Treblinka. Rio de Janeiro: Abril Cultural, 1976. trad. Cristiano Monteiro Oiticica


 ...

fonte: 

trechos de “O Pianista” (1946) de Wladyslaw Szpilman (Polônia)
tradução de Tomasz Barcinski (Rio de Janeiro: Record, 2003)



Treblinka

As deportações para Treblinka começaram em abril de 1942, com a cumplicidade da 'polícia judaica' (do Conselho Judaico, Judenrat). Citemos.

“Ao anoitecer fomos informados de que o toque de recolher tinha sido adiado para meia-noite, a fim de que as famílias dos 'enviados para trabalho' tivessem tempo suficiente de lhes trazer cobertores, roupas e comida para a viagem. Tal 'generosidade' dos alemães era com certeza comovente. Os policiais judaicos, por sua vez, a citavam com o intuito de adquirir nossa confiança.

Somente muito tempo depois vim a saber que os mil homens aprisionados naquela ocasião foram enviados, diretamente do gueto, para o campo de concentração em Treblinka, onde serviram de cobaias para os recém-construídos fornos crematórios e câmaras de gás.” (p. 86)



A deportação geral do Gueto de Varsóvia começa em julho de 1942. ver o Capítulo 8, O formigueiro ameaçado)

“Na rua marchava uma unidade de soldados vestidos em uniformes amarelos, até então desconhecidos para mim, comandados por um suboficial alemão. A unidade parava a cada cem passos, e um soldado se postava diante do muro.

-São tropas ucranianas... Estamos cercados! - falou choramingando e correu, escadas abaixo, sem se despedir.

Ao meio-dia, foi iniciada a operação do esvaziamento dos lares de idosos e de inválidos, bem como dos abrigos onde estavam amontoados os judeus vindos dos arredores de Varsóvia e também aqueles que tinham sido deportados da Alemanha, Tchecoslováquia, Romênia e Hungria. No meio da tarde, surgiram cartazes proclamando a deportação para o leste de todos os judeus incapacitados para o trabalho. Cada pessoa estava autorizada a levar consigo vinte quilos de bagagem, mantimentos para dois dias, e jóias. Os aptos deveriam ser aquartelados de imediato e enviados para trabalhar nas fábricas alemãs locais. Estavam isentos apenas os funcionários do Conselho [judaico] e das organizações sociais judaicas. Pela primeira vez, a proclamação não era assinada pelo Chefe do Conselho – o engenheiro Czerniak havia se suicidado com cianureto de potássio.

E foi assim que teve início a deportação de quinhentas mil pessoas – uma operação aparentemente absurda, na qual ninguém queria acreditar.” (pp. 96-97)

ver aqui os links para a Conferência de Wannsee (20 janeiro 1942)

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,408796,00.html


A participação de prisioneiros ucranianos e lituanos no Holocausto. Os ucranianos e lituanos foram integrados às tropas de extermínio.

“Em todas as guerras emergem grupos de certas nações que, por serem demasiadamente covardes para combater em campo aberto e por demais miseráveis para ter qualquer representatividade política, aceitam o papel imoral de carrascos pagos por uma das potências. Nesta guerra, esse papel foi representado pelos fascistas da Ucrânia e da Lituânia.” (p. 100)


Meu comentário: não apenas da Ucrânia e da Lituânia, mas de fascistas da Croácia, da Romênia, da Finlândia, da Bélgica, da Noruega, etc. Os nazistas tinham 'quinta colunas' (os nacionalistas, os militaristas, os anti-socialistas) em todos os países ocupados.


fonte:  SZPILMAN, Wladyslaw. O Pianista. Rio de janeiro: Record, 2003. trad. Tomasz Barcinski.


seleção de textos : LdeM

...


mais info:




video sobre a Conferência de Wannsee (1942)
http://www.youtube.com/watch?v=aCCDcMF_444
http://www.youtube.com/watch?v=U-aj3drLcuQ&feature=related

HBO filme
http://www.youtube.com/watch?v=qfHHZWe7Qwc&feature=related

BBC Final Solution
http://www.youtube.com/watch?v=a6jnawYwm3E&feature=related

filme alemão (Wannseekonferenz)
http://www.youtube.com/watch?v=eGeaoUO0gfo&feature=related


Campos de Concentração / Extermínio
videos
http://www.youtube.com/watch?v=ofqK4iDVj6w&feature=related

sobre Auschwitz
http://www.youtube.com/watch?v=4BEglP6xuxs&feature=related


O fim dos ghettos
http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=590&Itemid=49


A Burocracia do Extermínio:

Eichmann in Israel - julgamento
http://www.youtube.com/watch?v=T3InADUFzX4&playnext=1&list=PL8356E8541CD01270

mais sobre Adolf Eichmann
http://www.youtube.com/watch?v=9wqSAb0ZAn8&feature=related

Eichmann (movie 2007)
http://www.youtube.com/watch?v=5x0qnEZ0nWY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=L_GjL6DXlPk&feature=related

trecho do interrogatório
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/people/e/eichmann.adolf/eichmann.006
sobre o livro Eichmann Interrogated
http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9E03EED71539F935A25754C0A965948260


Videos de Revisionistas
http://www.youtube.com/watch?v=KeMqWqdrfz4&feature=related

Judgement at Nuremberg (movie, 1961)
http://www.youtube.com/watch?v=GagXIYvnY1s

mais sobre os Julgamentos de Nuremberg
(documentário russo)
http://www.youtube.com/watch?v=FPXc8JjtidM&feature=related


filmes
 O Pianista
http://www.youtube.com/watch?v=A-GIOmbGoOM

O Menino do Pijama Listrado
http://www.youtube.com/watch?v=j3fK0p3x0RE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Shypz2_NshM&feature=fvwrel

Rosenstrasse (movie, 2003)
http://www.youtube.com/watch?v=Dyk48PH4y8s&feature=related

Ghetto (movie, 2006)
http://www.youtube.com/watch?v=7Q2vD0KaIi4&feature=related

Uprising (movie, 2001)
(o Levante do Ghetto de Varsóvia)
http://www.youtube.com/watch?v=4uIiMWxfUgI



livros

A Indústria do Holocausto
(Norman Finkelstein)
http://en.wikipedia.org/wiki/Holocaust_industry
http://www.vho.org/aaargh/port/norman.html
http://www.revistabula.com/posts/livros/historiador-denuncia-a-industria-do-holocausto


videos
http://www.youtube.com/watch?v=5BaJCRXsgt4

http://www.youtube.com/watch?v=TCKTKMFTprM


Mais Revisionismo

http://verdadehistorica.wordpress.com/category/s-e-castan/page/2/

http://www.youtube.com/watch?v=EIB-Q6sH9vY&feature=related

http://forumnacionalista.forumeiros.com/t512-revisionismo-castan



REFERÊNCIAS

ARENDT, Hannah. Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil.
Nova York: Viking Penguin, Inc., 1963; Penguin Books, 1965.

BAUMAN, Janina. Inverno na Manhã – Uma Jovem no Gueto de Varsóvia.
Rio de Janeiro, Jorge Zahar D., 2005.

BLACK, Edwin, IBM e o Holocausto. (IBM and the Holocaust, 2001)
Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2001. trad. Afonso Celso da Cunha Serra

GOLDHAGEN, Daniel Jonah. Hitler's Willing Executioners: Ordinary Germans and the Holocaust. Nova York: Alfred A. Knopf, 1996; Vintage Books, 1997.

HILBERG, Raul. The Destruction of the European Jews. Nova York: Quadrangle Books, Inc, 1961; Harper Colophon Books, 1979.

HOESS, Rudolf. Commandant of Auschwitz: The Autobiography of Rudolf Hoess. Trad. Constantine FitzGibbon. Nova York: Popular Library, 1959

REITLINGER, Gerald. The Final Solution: The Attempt to Exterminate The Jews of Europe, 1939-1945. Beechhurst Press Inc, 1958, Nova York: Perpetua, 1961.

STEINER, Jean François. Treblinka. Rio de Janeiro: Abril Cultural, 1976. trad. Cristiano Monteiro Oiticica.

SZPILMAN, Wladyslaw. O Pianista. Rio de janeiro: Record, 2003. trad. Tomasz Barcinski.

sexta-feira, 20 de abril de 2012





Posição das forças norte-americanas
no início de 1942
no cenário da Expansão Japonesa

No início da Guerra os comandantes norte-americanos precisavam tomar uma decisão crucial: qual o teatro de guerra que receberia a prioridade? Qual o ponto principal da estratégia global? A Europa-Atlântico Norte ou o Sudeste-Asiático-Pacífico?

Vejamos uma interessante fonte, o livro de Dexter Perkins,


[...] No fim do inverno de 1942 as forças inglesas foram obrigadas a evacuar a Tripolitânia numa retirada quase até a fronteira do Egito, e Mussolini se preparava quase, com a ajuda de seus amigos alemães, fazer uma entrada triunfal em Alexandria. Finalmente, nenhuma medida adequada tinha sido tomada contra os submarinos alemães que infestavam a costa do Atlântico e as águas das Antilhas. Navios eram afundados a trinta milhas de Nova York, ao largo das costas da Flórida e até nas proximidades do Canal do Panamá. Mais navios foram afundados do que construídos no período inicial da guerra.

Assim também tinha acontecido na I Guerra Mundial. 1917 tinha sido tão sombrio ou talvez ainda mais sombrio do que 1942. a ofensiva francesa sob o comando do General Nivelle em abril daquele ano tinha sido rechaçada e ocorriam motins no exército francês; no verão ocorreu a gradativa dissolução do poder russo; o outono testemunhou a derrota esmagadora dos exércitos italianos no Piave; e novembro assistiu à tomada do poder pelos bolcheviques e as primeiras iniciativas da Rússia para uma paz em separado com a Alemanha. Não obstante, um quadro mais amplo e uma perspectiva mais longa teriam uma história diferente para contar. E é um fato a ser lembrado que, pelo menos na História moderna, o poder de resistência das grandes democracias lhes granjeou uma vitória final. A margem de tempo pode não ser tão generosa no futuro; mas a consciência do perigo é mais viva nestes dias; e pelo menos pode-se dizer que os Estados Unidos não estão sujeitos a enfrentar uma nova guerra tão pouco preparados como estavam em 1917 ou mesmo em 1941.

O perigo dos japoneses era de certo modo o mais imediato e, apesar de muitos exemplos de bravura americana – a heróica defesa da fortaleza filipina em Bataan e de Wake - , havia muito pouco com que se contentar até maio e junho de 1942. nesses meses foram travadas as notáveis batalhas do Mar de Coral e de Midway, ambos novos na história da guerra marítima. Toda a ação no Mar de Coral foi levada a efeito com o auxílio de porta-aviões e nenhuma armada jamais avistara outra. Em Midway, embora os bombardeios de base terrestre na ilha de possessão americana desempenhassem um papel valoroso, mais uma vez aos porta-aviões tocou o papel principal. A batalha do mar de Coral infligiu aos japoneses pesadas perdas – perdas, entretanto, que quase foram compensadas pelas americanas; mas Midway foi de certo modo o ponto decisivo da guerra no Pacífico. Essa batalha desmantelou a força de uma frota japonesa de invasão que visava Havaí; ela pôs fim às ofensivas japonesas no Pacífico.

Entrementes a questão central tinha de ser respondida em Washington. Qual deveria ser a grande estratégia da guerra: deveria ser o maior esforço voltado contra a Alemanha ou contra o Japão? Não é que, naturalmente, alguém advogasse a inércia em um campo e empenho total no outro: a questão era relativa, mas, não obstante, de importância transcendente. Ficou decidido que em princípio a Alemanha era o inimigo mais perigoso. Esse foi o parecer dos assessores militares de maior confiança do Presidente; mas, pelo menos numa ocasião em que estiveram inclinados a enfraquecer, foram reforçados pelo próprio Presidente. Retrospectivamente, o argumento parece conclusivo para este autor: na Europa os Estados Unidos tinham aliados efetivos; na Ásia só Chiang Kaichek [na China], muito ineficiente, e o poder abalado da Grã-Bretanha. Além disso, na Europa os Estados Unidos enfrentavam uma força cujos poderosos recursos tecnológicos e engenho poderiam ser usados, com o progresso da ciência, para aterrorizar o Mundo.

Quase não é preciso dizer que o Primeiro-Ministro Winston Churchill aprovou essa decisão; na verdade, não perdeu tempo depois de Pearl Harbor atravessando o Atlântico para instar junto a Roosevelt por essa linha de ação. E desse modo foi iniciada a íntima associação desses dois homens notáveis e uma intimidade que, apesar de profundas divergências de pontos de vista (pois Churchill era fundamentalmente um tóri e imperialista e Roosevelt um liberal e anticolonialista), durou, com apenas algumas rugas ocasionais, até a morte do presidente.

Mas, admitido que a guerra na Europa tivesse prioridade, como seria atendida? Os chefes americanos nesse ponto, desde o início, tinham uma ideia clara do que queriam: uma invasão maciça do continente através do Canal da Mancha, que absorveria uma imensa quantidade de alemães, enquanto os russos os manteriam igualmente ocupados a leste. Para Churchill essa perspectiva era menos convidativa; ele se lembrava dos dias da triste guerra de trincheiras de 1914 e das perdas desconcertantes naquela guerra. Embora nunca ousasse – ou talvez desejasse – opor-se ao plano americano, era extremamente cauteloso com o que fosse programado ou resolvido, como veremos, para alarmes e excursões em outras áreas. Foi em parte por causa dele, em parte porque era impossível invadir com êxito a França em 1942, e por ser evidentemente necessário fazer alguma coisa, que a invasão da África do Norte foi decidida para o outono daquele ano.”

pp. 143-146


fonte: PERKINS, Dexter. A Época de Roosevelt. 1932-1945. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1967. trad. Edilson Alkimim Cunha



Expansão Japonesa


Enquanto a indústria e as forças armadas norte-americanas se preparavam, os japoneses avançavam na Ásia e Pacífico, até as beiradas do Mar Índico e norte da Austrália. Mas as forças japonesas mostravam debilidades.

Vejamos a História Ilustrada da II Guerra sobre o avanço japonês,


“Com a tomada de Rabaul no arquipélago Bismarck (janeiro de 1942), a ocupação de Lae e Salamaua na costa setentrional da Nova Guiné (março) e de parte das ilhas Salomão, o sistema de defesa marítimo japonês chegou à sua máxima expansão. No Pacífico, a potência militar do japão se ampliou com a força de um maremoto, das fronteiras da Índia até os limites da Austrália. As praças-fortes 'brancas' (Hong Kong, Rangum, Manila, Cingapura, Java, Corregidor) caíram uma após outra. O tremendo estrépito das derrotas aliadas parece fazer soar a hora do fim da tutela dos imperialismos europeus sobre as populações asiáticas.

Em abril de 1942 a Marinha e a aviação japonesa no Ceilão (atual Sri Lanka) fazem sua última incursão para conquistar o controle sobre o oceano Índico. A operação foi um fracasso, porque o Eastern Fleet britânica abandonou a região em tempo e encontrou refúgio perto da costa africana. Um mês antes os submarinos de Tóquio tinham chegado até Madagascar. A vitória final, depois do ansiado choque decisivo com a frota americana no Pacífico, parece estar no alcance das mãos do Japão.

A Esfera de Coprosperidade Asiática

Uma vez garantido o sucesso militar, o japão pode dar continuidade a seu projeto de subjugação militar e política da área. Do conceito de 'esfera de prosperidade comum da grande Ásia oriental' que Tóquio proclamou em 1942 surgem com clareza os objetivos de dominação imperialista nessa área do mundo. Tendo surgido nos ambientes nacionalistas do Exército e da Marinha japoneses antes do conflito, a noção de 'coprosperidade' espelha a convicção do país de exercer seu domínio absoluto na Ásia. O Japão deve atestar sua superioridade moral, cultural e econômica que seus exércitos obtiveram com a força militar sobre o 'individualismo e o materialismo ocidentais'.

A 'nova ordem' desejada pela política pan-asiática de Tóquio não tarda, porém, em demonstrar-se coisa bem diversa da perspectiva da independência – embora sob tutela – ansiada por muitas populações no momento da queda de administrações que duraram séculos. Embora tenha destronado o colonialismo europeu na Birmânia, na Malásia e na Indonésia, o Japão instaura regimes fantoches aos quais confia com brutalidade a tarefa de explorar os recursos vitais para a economia imperial. A 'niponização forçada' das populações submetidas trai as expectativas de todos aqueles que saudaram a chegada de um exército do qual se esperava uma administração rigorosa e eficaz, mas que que de libertador se transforma rapidamente em rapinante força de ocupação.


Os Pontos Fracos do Japão

As fulgurantes vitórias militares japonesas se apoiam em bases frágeis. Uma das principais razões que induziram o país a entrar em guerra com o ataque de surpresa a Pearl Harbor é a necessidade de evitar o estrangulamento econômico derivado do embargo americano aos materiais estratégicos. A conquista de grandes territórios não consegue, porém, eliminar a enorme diferença de recursos entre o Japão e os Aliados, e a economia de guerra de Tóquio é afetada pro graves carências. Não só porque não foram acumuladas consideráveis reservas de matérias-primas e de materiais para gerir a defesa e a administração de enormes territórios (a dependência do Japão das importações de petróleo é calculado em cerca de 90% de suas necessidades), mas também porque, apesar da conquista das jazidas indonésias, as necessidades bélicas de Tóquio são muito superiores à disponibilidade do óleo cru exigido. Aos cerca de 1,2 milhão de soldados aquartelados na China deve-se acrescentar outro 1,5 milhão de soldados das tropas dos governos fantoches, que necessitam de suprimentos nos territórios ocupados.

No momento de seu máximo esforço, em 1943, o Japão produz menos de nove milhões de toneladas de aço (contra 12 da Grã-Bretanha e 80 milhões dos Estados Unidos). Sua produção de minérios (cobre, ferro, manganês, carvão coque) é, em média, 50 % inferior às necessidades bélicas. Aumenta o racionamento dos produtos alimentícios para uma população nacional (cerca de 73 milhões) cujas necessidades alimentares não podem ser satisfeitas pela produção agrícola nacional nem pelas 'ofensivas do arroz' que as tropas de ocupação realizam periodicamente para requisitar colheita nas áreas agrícolas chinesas.

A produção de guerra do Japão sofre com a escassez de mão de obra qualificada; nem a mobilização de mulheres e adolescentes conseguirá preencher as lacunas de seu aparato industrial. O Produto Nacional Bruto cresce um quarto durante o conflito, mas as despesas de guerra aumentam cinco vezes. No fim do conflito, a população do país se encontrará à beira da fome. O Japão olha para a guerra em termos exclusivamente militares: os comandos supremos de Tóquio não consideram que a defesa de enormes conquistas territoriais dependerá especialmente do esforço econômico e produtivo do país.

Se a principal fraqueza das instalações defensivas do Japão reside – como foi visto – em sua economia, é transparente a diferença que o separa da economia industrial mais eficiente do século, isto é, a dos Estados Unidos.

Com um exército que até aqui deu provas de uma extraordinária capacidade de combate, o Japão se verá irremediavelmente prejudicado por graves carências que, graças a um formidável aparato de segurança, são ocultadas não só da população do país, ms também da espionagem ocidental.”


pp. 160-62, 164-65


fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 2. São Paulo: Larousse, 2009. trad. Ciro Mioranza




seleção : LdeM


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batalha do Mar de Coral





batalha de Midway





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