quinta-feira, 19 de maio de 2011

Batalha de Creta (Operation Mercury)

 


Batalha de Creta

(Luftlandeschlacht um Kreta / Battle of Crete)

20/21 maio

Unternehmen Merkur / "Operation Mercury"


Após o rápido avanço sobre a península da Grécia a partir da Iugoslávia e da Bulgária, as forças alemãs forçaram as forças britânicas a recurarem rumo ao sul, rumo a ilha de Creta. O reduzido território cretense tornou-se assim um novo ponto de retirada, uma nova Dunkirk.

Mas as forças alemãs em breve passariam a ocupar – via ataques aéreos – as áreas da ilha, isolando as forças britânicas em algumas cidades e aldeias da área litorânea. Combates entre paraquedistas alemães e tropas britânicas se registravam por toda a ilha.

Baixas consideráveis de lado a lado, com maior proporção para as baixas dos paraquedistas alemães – tanto que as operações aero-transportadas foram evitadas em outros momentos do conflito mundial.



Vejamos uma fonte italiana.


O Salto Aéreo sobre Creta

“A paternidade do Sprung nach Kreta, ou salto sobre Creta, é do general Kurt Student, veterano da aviação da Primeira Guerra Mundial. A primeira das operações aerotransportadas alemãs do segundo conflito mundial deve consolidar as conquistas do Eixo nos Balcãs, culminando na tomada de Atenas no dia 27 de abril de 1941. em 20 de maio o lançamento de paraquedistas alemães colhe de surpresa os cerca de 35.000 efetivos da guarnição inglesa na ilha (coadjuvados por duas divisões gregas), comandados pelo general Bernard Freyberg. O sucesso dessa inédita variante da Blitzkrieg – os ingleses julgam impensável que o inimigo esteja em condições de conquistar Creta sem o controle do mar – se deve à combinação de dois elementos: o bombardeio aéreo dos aeroportos seguido da chegada dos paraquedistas. Embora Freyberg tenha sido informado da operação alemã e peça reforços, os comandos ingleses negam-lhe qualquer ajuda para não comprometer o segredo de Ultra, código com o qual foram decifradas as mensagens que os alemães trocaram entre si para aperfeiçoar os detalhes do ataque. De outro lado, Freyberg só dispõe de seis tanques e de poucos aviões que não estão em condições de interceptar as tropas aerotransportadas que chegam em planadores e aviões de transporte.

Depois de dez dias de domínio dos céus por parte da Luftwaffe – que torna inútil toda possibilidade de intervenção da Royal Navy (três cruzadores e seis caça-torpedeiros afundados), e apesar das graves perdas alemãs, Student garante a vitória na batalha. Os aeroportos de Maleme e Retimo, no norte da ilha, logo caem em mãos dos alemães. Os ingleses contam cerca de 3.000 entre mortos e feridos, 18.000 soldados são evacuados no curso de operações em que a aviação alemã destrói considerável quantidade de navios britânicos e 12.000 são feitos prisioneiros. Creta é um brilhante sucesso para os estrategistas alemães, e a bandeira do Reich tremula em uma zona estrategicamente vital para a frota naval britânica, que perde assim o controle do mar Egeu. A conquista da ilha, realizada com uma operação conduzida exclusivamente pelo ar, permanece uma das mais audazes empresas militares de todo o conflito. Mas o elevado número das perdas (cerca de 4.000 mortos e outros tantos feridos) dissuadirá os alemãs de empreender novas ações aerotransportadas semelhantes em território inimigo. Pouco depois inicia-se, nas montanhas da ilha, a resistência dos guerrilheiros gregos, ajudados por alguns sobreviventes ingleses. Os alemãs abandonarão a ilha em 1944.”


(p. 93)

fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Vol. 1. SP: Larousse, 2009.


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link para o livro de Anthony Beevor
sobre a Batalha de Creta



na Wikipedia


fotos


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videos



(em idioma grego)

sobre os soldados da Commonwealth
(New Zealand movie)

(auf Deutsch)(nazi-propaganda)


(nota: mais sobre a propaganda nazista em



LdeM

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O voo de Rudolf Hess rumo à Grã-Bretanha




O voo de Hess



As negociações – explícitas e nos bastidores – entre as autoridades nazistas e o novo governo (e os não-mais-governo, o grupo dos 'apaziguadores') estão ainda para serem completamente desveladas e elucidadas. Ainda mais se confiarmos nas suposições de entrelinhas de um jornalista, historiador amador, tal como Louis Kilzer, autor de “A Farsa de Churchill” (The Churchill's Deception, 1994).

Segundo Kilzer, os bastidores da História são mais surpreendentes e bizarros do que a História oficial, aquela escrita pelos vencedores. Aliás, vencedores que nunca declaram, revelam tudo. Há muita informação não-autorizada, não veiculada oficialmente. Daí dizer-se 'os bastidores', onde realmente ocorrem as decisões que depois serão formalizadas para 'constar nas atas'.

A começar pela campanha da Wehrmacht na Europa Ocidental em maio e junho de 1940, quando os belgas, os holandeses e os franceses foram derrotados, e os britânicos expulsos do continente – vide a Retirada em Dunkirk (Dunkerque). Nesse momento, o Führer ainda desejava 'negociar' com os britânicos – e assim 'parar' o conflito, ao menos no Ocidente. O objetivo de Hitler era 'neutralizar' a Grã-Bretanha, não 'derrotá-la'. O ditador preferia ter uma aliada do que uma inimiga. (Mas que governo britânico aceitaria uma hegemonia alemã na Europa?)

Assim se explicaria o 'Halt!', a parada das forças blindadas antes de chegarem até a cidade de Dunkirk em 24 de maio de 1940. Enquanto os generais insistiam em aniquilar as forças britânicas encurraladas no litoral, o ditador nazista mandou parar a ofensiva – por algumas horas – alegando necessidade de reduzir a lacuna entre blindados e infantaria, ou então o terreno instável para o avanço dos panzers. Outras fontes alegam que o Führer tenha ficado surpreso com a rapidez do avanço, e começou a suspeitar que 'tudo estava fácil demais', e que poderia estender demasiadamente as colunas e assim expor os flancos aos ataques inimigos.

Já o vencedor Churchill (em suas Memórias da II Guerra Mundial) alega que o 'milagre de Dunkirk' não foi obra de Hitler – que teria deixado os britânicos escaparem simplesmente – mas devido aos esforços da RAF que enfrentou as forças da Luftwaffe de Goering, a verdadeira encarregada de arrasar os que se retiravam, e possibilitou assim a evasão das tropas britânicas (e também francesas) entre os dias 26 de maio e 04 de junho.

“Se bem que fosse um total mistério, na época – e para muitos ainda permaneça assim – a ordem de parar em Dunquerque não foi nenhum mistério para os confederados mais próximos de Hitler. Para aqueles, como Hess, era apenas uma extensão racional de sua obsessão peculiar – a mesma que ele tinha desde 1923, quando Karl Haushofer foi posto na prisão de Landsberg. Era elementar: Hitler queria preservar, e não destruir, a Grã-Bretanha. Ele estava lutando sua guerra paradoxal com esse intento.

Cursos d'água, ou estradas, ou medo do flanco sul, tudo poderia ter motivado Hitler ao mandar deterem os tanques. Mas no final das contas nada poderia desculpar a loucura militar de sua ação. Ele tinha deixado escapar o inimigo, que poderia ser derrotado com um mínimo de esforço.

Se há lógica, ela deve vir de uma formulação mais simples. Pois, por mais que desculpasse ou racionalizasse sua ordem, Hitler deixou que as forças inglesas escapassem porque ele – feitas todas as contas – não as via ainda como inimigas. De fato, não podia vê-las como tal, e jamais veria assim. Os ingleses eram nórdicos. Deveriam ser aliados.”


fonte: KILZER, Louis. A Farsa de Churchill. RJ, Revan. p. 245


para relembrar o 'milagre de Dunquerque'


É possível encontrar explicações variadas sobre o mesmo evento. Constituem-se assim as 'correntes historiográficas', segundo já abordamos antes (ver abaixo os links), nas quais as interpretações se sobrepõem aos eventos oficialmente descritos na didática de História. Os bastidores das batalhas, e das decisões políticas, não são 'apresentados' em sala de aula, ou em livros didáticos. Temos a História simplificada dos manuais.


Temos o evento e suas interpretações. Por exemplo, o milagre de Dunquerque. Aconteceu, foi registrado. Mas por que? Por que Hitler deixou os britânicos se evadirem? Para poder negociar em seguida? O ditador nazista contava com um enérgico Winston Churchill? Ou o 'milagre' aconteceu por que os aviadores britânicos resistiram aos ataques da Luftwaffe? Afinal são as duas versões mais veiculadas. A primeira – uma ajudinha de Hitler – favorecia os interesses alemães, enquanto a segunda – o sucesso da Operação Dínamo – encheu de orgulho os derrotados britânicos de volta para casa.


As versões simplesmente servem a um ou outro interesse. Cabe ao historiador chegar a uma versão mais 'confiável', mais embasada em provas – documentos ou testemunhos – que estejam além dos interesses de uma parte ou outra. O que é difícil – como ser imparcial? Portanto, temos de conviver com as 'versões'.


Afinal, A/ Hitler sempre desejou invadir a URSS. Mas ele não conseguiu acordo com as potências (França e Grã-Bretanha) e daí invadiu a Europa Ocidental em 1940, para neutralizar o inimigos. B/ Hitler sempre quis dominar o mundo, daí lutar ora contra França e Grã-Bretanha, ora contra URSS (e depois EUA). C/ Hitler quis apoio – ou neutralidade – da Grã-Bretanha para poder invadir a URSS – mas quando não conseguiu, então proclamou a 'guerra total' – e logo 'mundial' – que levou o ditador aos extremos da 'guerra de extermínio' e ao 'holocausto'.

Aqui, a versão C tem aspectos das versões A e B – no argumento seguinte: Hitler não conseguiu acordo com as potências ocidentais, logo radicalizou. Assim, muitos neonazistas insistem que Hitler foi levado até as últimas consequências, enquanto o o ditador teria desejado 'parar' a guerra ainda em 1940. enquanto comunistas alegam que os capitalistas ocidentais fizeram de tudo para desviar as forças nazistas contra o 'país dos proletários', a URSS.

Em caso de negociações, o III Reich teria desocupado os países ocidentais, e em seguida se dirigido para o leste. Aliás, era um movimento útil aos britânicos sob ataque: desviar a violência nazista para as estepes russas. Tanto que Stálin sempre desconfiou do 'jogo duplo' das potências ocidentais: apaziguamento com Hitler até que o Führer 'fugiu ao controle'.

Para resistir aos nazistas, os Aliados – por enquanto os britânicos – passaram a imitar métodos nazistas (com centralização, militarização, campos de concentração, serviços secretos, comandos de leite, etc), enquanto os nazistas passavam a usar as negociações de 'bastidores' - antes no currículo dos ocidentais. A Conferência de Munique seria um exemplo explícito disso: como negociar e garantir os próprios interesses. Assim a Tchecoslováquia foi sacrificada em 1938-39.


Hess: mensageiro da paz?


A imagem do demente Rudolf Hess nos julgamentos em Nuremberg, depois da guerra, é a de um insensato fanático que 'faria tudo de novo' pela 'honra' da Alemanha. Ele se dizia orgulhoso de haver trabalhado ao lado do 'grande líder' e não se arrependia. Sua missão seria evitar uma guerra entre os povos nórdicos e uni-los contra a 'bolchevização' da Europa, e do mundo.

Assim, sendo uma espécie de mártir para os neonazistas, Hess foi elevado a categoria de 'mensageiro da paz' de um regime militarista, quando as versões da suposta negociação com os britânicos foram desveladas. Hess teria agido com a aprovação do Führer para apaziguar os ânimos entre os nórdicos alemães e britânicos. Os critérios raciais para um racista estavam acima de um histórico de interesses controversos – entendia ele de geopolítica? Quando a Grã-Bretanha aceitaria uma hegemonia alemã na Europa?

Com a aprovação de Hitler, sim. Mesmo quando a primeira coisa que o líder nazista fez foi declarar a insanidade de Hess quando o voo se revelou um fracasso. Os britânicos aprisionaram Hess e foi como prisioneiro que o vice-Führer encontrou a morte um quarto de século depois.

Hess – e Hitler – precisavam afastar o enérgico e belicoso Churchill do poder. Somente assim poderiam negociar com um suposto 'Partido da paz' que seria uma alternativa ao Primeiro-Ministro Lord-da-Guerra. (É aquela imagem de Churchill que encontramos nos livros de John Lukacs e Ronald Lewin. Um Churchill que não negocia com nazistas.) Um 'partido da paz'? Sim, conservadores que poderiam voltar a 'política do apaziguamento' de 1938-1939. E assim Hitler se ocuparia apenas da 'frente leste' (já em planejamento, datada para o início de 1941, e adiada duas vezes).


“Segundo um relato, desde outubro de 1940, Adolf Hitler e Rudolf Hess haviam estabelecido como alvo a Escócia, um grande lance para trazer uma paz anglo-germânica de forma que Hitler pudesse invadir a União Soviética. Os dois haviam mesmo preparado uma história para disfarçar, se a missão saísse errada. “Nesse caso improvável” diz-se que Hess falou, “você poderia declarar publicamente que não tinha conhecimento das minhas intenções e podia me denunciar como um traidor da causa Nacional Socialismo.” (A Farsa de Churchill, p. 309)


A propriedade rural, na Escócia, para a qual rumava o aeroplano pilotado por Hess, era pertencente ao Duque de Hamilton, um conservador, oficial na força aérea, com contatos nos círculos de poder alternativos a Churchill. Assim, justamente assim Hess e Hitler acreditaram. Pois era assim que eles deviam ver o tal 'partido da paz'. Partido Que não passaria de uma 'farsa' de Churchill para atrair os nazistas, evitar um embate direto, e melhor ainda, desviá-los para a Rússia.

Exatamente no momento em que as forças britânicas eram expulsas de todo o continente europeu (vide as derrotas na Grécia) e também no norte da África, havia a possibilidade de uma 'negociação' intermediada pelo vice-Führer em pessoa. Bastava continuar a farsa – como se o oficial Duque de Hamilton fosse mesmo um contato forte dos anti-Churchill – e assim atrair Hess para um 'conversa' na Escócia.

Enquanto continuava a bombardear a Grã-Bretanha, dia após dia, Hitler ainda esperava um acordo com os britânicos ? Ou tudo não passava de um disfarce para os preparativos de guerra contra os soviéticos? (Afinal, eram três jogadores: ao líder russo era agradável assistir ao conflito anglo-germânico, assim como seria do interesse do primeiro-ministro um embate sangrento entre III Reich e URSS. Apenas quando Hitler não venceu Stálin, em fins de 1941, é que Churchill se interessou em manter o Exército Vermelho na luta, para afastar os alemães dos territórios e interesses britânicos )

“Como sempre, os generais de Hitler não sabiam precisamente o que estava acontecendo. No fim de novembro de 1940, [o general] Halder escreveu: “É animador ver que o Führer esteja de novo se tornando interessado na operação Leão Marinho.” Em 5 de dezembro, era a operação Otto, logo rebatizada como Barbarossa, que era a primeira. A Leão Marinho, instruiu Hitler a seus generais, podia “ser deixada fora de consideração”. No dia 13, Halder sublinhou essa passagem em seu diário, depois de ouvir de Hitler: Nós não estamos procurando um conflito com a Rússia.” Cinco dias mais tarde, ele despachou a Diretriz nº 21, especificando que o próximo conflito seria com a Rússia. Entretanto, no mesmo dia ele mesclou essa decisão com uma extenuante necessidade de paz com a Grã-Bretanha. Escreveu Halder: “Ele (Hitler) está sempre pensando em fazer a paz com a Inglaterra à expensas da França.” (A Farsa de Churchill, p. 311)



E Josef Stálin? O que sabia do futuro conflito com os alemães? Afinal, o Secretário-Geral esperava a derrota da Grã-Bretanha. E sobretudo adiar qualquer ameaça nazista. Assim, enquanto esperava a invasão alemã do Egito, e do Oriente Médio – fonte de petróleo ! - o ditador russo aceitava todo informe sobre animosidades alemãs como um 'truque' dos ocidentais.

Enquanto isso, o desejo de Churchill era empurrar os alemães para as estepes russas. Uma mútua aniquilação num combate russo-germânico era plenamente cabível aos interesses britânicos. Mas todo esse desejo por uma guerra no Leste deveria ser camuflado, ainda mais depois de dezembro de 1941, quando os alemães foram detidos diante de Moscou, e os russos provaram que podiam resistir – daí o movimento de Churchill – e do presidente Roosevelt – em se colocar 'ao lado' dos russos, como veremos.

Kilzer lembra da hesitação de Churchill em abrir uma segunda frente na Europa – para assim auxiliar os russos que sofriam todo o peso bélico da Wehrmacht – o que soaria como um 'colaboracionismo' – enquanto no livro de Lewin (“Churchill – O Lord da Guerra” ) há todo um esforço para explicar as ações 'hesitantes' do primeiro-ministro como se fossem 'prudência' e 'senso estratégico'. A demora dos Aliados em abrir uma 'segunda frente' foi o motivo que confirmaria as desconfianças de Stálin que, logo após a derrota dos nazistas, se voltaria contra as potências ocidentais na chamada “Guerra Fria”.

Encontramos muitos destes argumentos em textos de revisionistas, de neo-nazistas e de comunistas – onde Churchill é visto como um político 'hesitante', quando não um 'negociante', um 'jogador de jogo duplo', um anticomunista numa aliança bizarra - sendo que todos diferem da versão oficial: a de que Hitler queria dominar o mundo e que encontrou pela frente a determinação de um líder carismático que o suplantou, o Lord da guerra Winston Churchill, que contou com o apoio bélico do 'arsenal da democracia', os Estados Unidos da América. Afinal, os vencedores escrevem a História.



Mai/11


Por Leonardo de Magalhaens

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mais sobre as 'correntes historiográficas'

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mais sobre o caso Hess


num site neonazista (onde Hess é um pacifista!)

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videos


(documentário inglês, mas postado por neonazista)


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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Revolta no Iraq - Blitz sobre Londres



1941

maio 


Avanço britânico para sufocar revolta dos nacionalistas no Iraq
onde Rachid Ali instala um governo com apoio dos nazistas


“Durante o ano de 1941, a preocupação com importantes fontes de petróleo transformou o Oriente Médio em um palco de guerra. Churchill estava preocupado que a Síria, sob controle do governo pró-alemão de Vichy, formaria o trampolim para a ação da Alemanha contra os campos de petróleo do Iraque. Os temores britânicos aumentaram quando as tropas alemãs se deslocaram pela Grécia e norte da África, parecendo objetivar uma conquista do Oriente Médio. Em abril de 1941, todos os medos de Churchill se tornaram realidade quando Rashid Ali liderou um golpe pró-Alemanha no Iraque – e solicitou apoio alemão para seu governo. Aviões alemães voaram para Damasco e Mosul.”



“Sob um governo pró-Inglaterra por vários anos, o Iraque era a maior fonte de petróleo do país e abrigava uma importante base da Força Aérea Real inglesa em Habbanyia. No entanto, em 3 de abril de 1941, com ajuda de agentes alemães, Rashid Ali tomou o controle do Iraque e recorreu a Hitler para obter apoio.

Rápidos em aproveitar a oportunidade, os alemães enviaram ajuda militar para o Iraque com aeronaves da Luftwaffe, que eram obrigadas a pousar na Síria, controlada por Vichy, para reabastecer. Embora a ameaça fosse, sob vários ângulos, minúscula, as forças inglesas reagiram rapidamente. No dia 17 de abril, tropas indianas reunidas às pressas pousaram no sul do Iraque para proteger os campos de petróleo da região. Encontrando pouca resistência, a brigada inglesa se deslocou para o norte, garantindo a segurança de importantes oleodutos de petróleo enquanto avançava. Em maio, a orça indiana atingiu Bagdah e Habbanyia – apenas para ser atacada por forças iraquianas. Depois de uma breve batalha, os iraquianos foram derrotados, e Raschid Ali [ declarado Primeiro-Ministro] fugiu para o exílio. O governo pró-Inglaterra de Nuri-es-Said foi reinstaurado; no entanto, as tropas inglesas permaneceram na área pelo resto da guerra para garantir a segurança dos campos de petróleo.


“Ainda preocupados que a Vichy francesa representasse uma ameaça no futuro, em junho de 1941, ingleses e forças livres francesas invadiram a Síria, partindo do Iraque e da Palestina. Depois de mais de um mês de inesperada resistência, os Aliados venceram as forças francesas de Vichy, aceitando sua rendição em Aleppo. Em setembro de 1941, forças inglesas e russas ocuparam a Pérsia [atual Iran] para proteger a importante rota de petróleo para a União Soviética.”

pp. 67-68


fonte: JORDAN, David. Atlas da II Guerra Mundial.
Alemanha versus Inglaterra. Volume I de III.
São Paulo: Escala, 2008.


mais sobre a guerra Anglo-Iraquiana

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mais em
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(game simulação)

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video sobre a perseguição aos judeus
no Iraq em junho 1941

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Bombardeio sobre a Grã-Bretanha



Entre 9 e 10 de maio de 1941 ocorreu o último grande ataque (Blitz) sobre Londres, a capital da Grã-Bretanha. Ao mesmo tempo um avião Messershmitt sobrevoava a Inglaterra, rumando não para a capital, mas para uma propriedade rural na Escócia. Enquanto uma chuva de bombas incendiava a metrópole, um dito 'negociador da paz' almejava encontrar contatos nos bastidores da política britânica.


Desde o Dia da Águia – Adlertag – 13 de agosto de 1940, e o último grande ataque – em 15 de setembro – as estratégias da Luftwaffe para preparar uma esperada invasão - das forças alemães no território britânico – foram rechaçadas pela resistência dos 'poucos' – os pilotos da RAF, Royal Air Force – que não mediram esforços para derrubar os caças e os bombardeiros alemães.


O último grande ataque em Londres foi em 10 de maio: 515 bombardeiros destruíram ou danificaram vários prédios importantes, como o Museu Britânico , o Palácio de Westminster e o Palácio de St. James. A incursão causou mais vítimas do que qualquer outra: 1,364 mortos e 1,616 seriamente feridos. Seis dias depois, 111 bombardeiros atacaram Birmingham; este seria o último grande ataque a uma cidade britânica por aproximadamente um ano e meio.




No plano político, o ditador alemão Hitler ainda não se decidira por uma 'guerra total' contra a Grã-Bretanha, esperando a neutralidade britânica para estabilizar a hegemonia alemã na Europa ocidental, e preparar-se para a invasão do Leste, rumo à conquista do 'espaço vital' (Lebensraum), nas estepes ucranianas e russas.

Muitos historiadores – ainda mais depois do voo de Hess – discutem se Hitler queria mesmo invadir as ilhas britânicas, ou seria tudo um modo de ameaça, ou ainda uma forma de desviar as atenções dos russos soviéticos.



(txt: Leonardo de Magalhaens)


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mais info

dia da Águia

15 september 1940


Videos sobre a Blitz





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próximo -- O Voo de Hess - 10  maio 1941

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LdeM

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Tropas alemãs ocupam a Grécia - 1941




Tropas alemãs ocupam a Grécia

abril 1941


Uma fonte britânica.

fonte: MACKSEY, K. J. Divisões Panzer – Os Punhos de Aço. RJ: Renes, 1974



“Para os alemães, a resistência grega era melhor organizada do que a dos iugoslavos, porém foi pouco mais proveitosa. Em pouco tempo as defesas gregas que protegiam Salonica foram rompidas no leste, flanqueadas da direção de Skopie, na Iugoslávia, deixando que os alemães se espalhassem por todo o norte da Grécia e permitindo-lhes atacar, pela retaguarda, o Exército Grego, já em combate na Albânia. Por volta de 16 de abril toda a frente norte entrara em colapso, quando o Exército grego se rendeu, deixando os britânicos na defesa da linha do rio Aliakmon quase que sozinhos. Esperava-se que os gregos resistissem nas montanhas da Grécia Central, com tropas que conheciam melhor aquele terreno acidentado, enquanto que os britânicos protegeram a planície costeira com suas forças mais mecanizadas, a derrubada do principal exército grego pôs por terra este plano – e, na verdade, deixou os britânicos sem outra alternativa que não a retirada rápida para o sul.”

[…]

“Os britânicos recuaram através de excelente terreno defensivo, entregando muitas posições que poderiam ter sido defendidas indefinidamente, se houvesse forças mais poderosas em disponibilidade. Nas Termópilas, onde Leônidas resistira, os britânicos também resistiram, causando grande destruição com sua artilharia de campanha e a antitanque. Toda uma companhia de 19 tanques tentava invadir o passo, ficou presa ali dentro e foi praticamente eliminada com fogo cerrado. Mas este foi o último gesto de desafio dos britânicos: divisões-de-montanha inimigas os atacaram, obrigando-os a prosseguir na retirada para o mar. No final do mês [abril] não havia em solo grego mais nenhum britânico, exceto os mortos e os que foram feitos prisioneiros.”

(pp. 56/57)

fonte: MACKSEY, K. J. Divisões Panzer – Os Punhos de Aço. RJ: Renes, 1974


….


Outra fonte, agora italiana.

fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Vol. 1. SP: Larousse, 2009.

“A decisão de Hitler de invadir a Iugoslávia para obter o pleno controle dos Balcãs, socorrer o aliado em dificuldades e afastar os ingleses da Grécia conduz ao ataque de surpresa com o qual, no dia 6 de abril, as forças do Eixo invadem o país. A operação é confiada ao XII Exército do marechal-de-campo Wilhelm List, que, partindo da Bulgária, dirige-se para Belgrado, enquanto o II Exército do general Weichs cruza a fronteira iugoslava pelo norte.

Da Hungria intervém o III Exército Húngaro, enquanto o I Exército Italiano, sob o comando do general Vittorio Ambrosio, alinha-se na fronteira ítalo-iugoslava. Na aurora do dia 6 de abril a Luftwaffe de Goering bombardeia Belgrado, que também foi declarada 'cidade aberta'. Em apenas duas semanas a resistência iugoslava é aniquilada e o país é desmembrado (protetorado alemão na Sérvia e na Eslovênia, a Macedônia é cedida à Bulgária e é estabelecido um Estado fascista na Grécia sob tutela italiana.)

O XII Exército de List penetra na Grécia vindo da Bulgária e em curto tempo alcança Salônica, eliminando um expressivo contingente grego aquartelado na Trácia. A superioridade das forças do Eixo vence as tropas gregas auxiliadas por quatro divisões britânicas. Avançando para a costa ocidental da Grécia, a Wehrmacht elimina as divisões gregas na Albânia. Desbaratadas as linhas defensivas britânicas com rápidas operações de cerco, os alemães conseguem sufocar toda resistência. Aos ingleses não resta outra opção a não ser retirar-se do Pireu e do Peloponeso para Creta.

“Se os destinos da guerra no norte da África ainda eram inertes, a campanha dos Balcãs constitui um novo sucesso da Blitzkrieg. A Alemanha nazista pode assim ampliar a 'grande área' da Europa continental e acrescentar um gigantesco reservatório de gêneros alimentícios e matérias-primas ao domínio do Grande Reich.”

(pp. 92 e 94)

fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Vol. 1. SP: Larousse, 2009.



A Queda de Atenas – 27 de abril de 1941


Após a queda de Salonica (9 de abril) e o domínio sobre o passo de Termópilas (23 de abril) as tropas alemãs seguiram para o sul, fazendo recuar os britânicos, que se deslocaram para a ilha de Creta.

Em apenas quatro dias, as tropas da Wehrmacht avançam de Termópilas até a capital helênica, Atenas, onde hasteiam a bandeira com a suástica no alto da Acrópole.

É finalizada assim a invasão da Grécia iniciada por tropas italianas fascistas em 28 de outubro de 1940. Os gregos resistiram aos italianos – e chegaram a adentrar a Albânia – ao longo de três meses, até que os alemães – alegando a interferência britânica – resolveram realizar a Operação Marita e invadir a Grécia a partir da Iugoslávia e da Bulgária, em 6 de abril de 1941.

Com a ocupação da Grécia, e em seguida a invasão aérea da ilha de Creta, completa-se o domínio sobre a península balcânica, restando as tropas alemães se reposicionarem na Europa do Leste para uma iminente invasão da URSS (Países Bálticos, Ucrânia, Rússia, etc) em meados de junho de 1941, na denominada Operação Barbarossa.




seleção de trechos e comentário
por Leonardo de Magalhaens



mais info nos links






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German


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LdeM

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Avanço do Afrika Korps 1941



1941


Combates do Afrika Korps


fonte: MACKSEY, K. J. “Divisões Panzer – Os Punhos de Aço
(NY, 1968) (BRA, Renes, 1974)
trad. N. Japour



“De todos os generais das divisões Panzer, Rommel era o mais experiente no combate a tanques britânicos. Ele levara a pior em Arras, em 1940, desforrando-se próximo de Bengazi, em abril de 1941. Repelido em Tobruk, em maio, fora o primeiro a consolidar a posição em Halfaya, na fronteira egípcia, antes de se voltar novamente contra Tobruk. Uma série de escaramuças lhe dera poderosa vantagem no Passo de Halfaya, que ele começou a fortificar usando uns poucos canhões antiaéreos de 88 mm para lançar as bases da defesa antitanque. Ele estava prestes a aplicar as lições que aprendera em Arras, para dar maior vantagem as divisões Panzer na defesa. Era preciso adotar uma posição defensiva, pois a chegada da 15ª Divisão Panzer para unir-se à 5ª Ligeira tinha – ironicamente – piorado a escassez de suprimentos, o que impedia qualquer possibilidade de operações ofensivas, pelo menos temporariamente. De qualquer modo, com o passar de junho, tornou-se evidente que os britânicos estavam prestes a atacar.
[p. 57]


“Quando os britânicos fizeram um ataque direto contra o Passo de Halfaya e desviaram os velozes e pesados tanques cruzadores pelo flanco do deserto, no dia 15 de junho, os canhões alemães de 88 mm anularam completamente esses ataque e quebraram a ponta do gancho interior. Logo após, Rommel empenhou sua própria força blindada num esforço para alcançar os tanques britânicos no momento em que estes encontravam dificuldades contra seus canhões antitanques. Mas agora era a vez de os tanques de Rommel terem problemas contra um inimigo que não se abalara e que revidava arduamente – e os alemães foram repelidos.”
[pp. 58-59]


As forças britânicas passaram a usar um novo tanque – o Crusader – visto que os Matildas eram presas fáceis para os canhões de 88 mm – que furavam a armadura quando o tiro era certeiro, em distâncias menores. Em outros tanques os tiros dos flaks 88mm resvalavam na blindagem, quando o tiro era indireto, ou em distâncias maiores. Quando o combate era tanque-tanque os Matilda resistiam aos projéteis alemães.




fonte: MACKSEY, K. J. “Divisões Panzer – Os Punhos de Aço
(NY, 1968) (BRA, Renes, 1974)
trad. N. Japour




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Afrika Korps imagens

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in German (nazi)

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Mk3 Panzer
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Panzer!

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tanks Matilda
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tanks Crusader
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flaks 88mm



LdeM

domingo, 3 de abril de 2011

Combates do Afrika Korps



1941


Combates do Afrika Korps




fonte: JORDAN, David. Atlas da II Guerra Mundial.
Alemanha versus Inglaterra. Volume I de III.
São Paulo: Escala, 2008.


A chegada de Rommel com o Afrika Korps


“Churchill retirou tropas do comando de Wavell para a defesa da Grécia – deixando apenas uma força de cobertura para defender Cirenaica. Ao mesmo tempo, Hitler enviou ajuda para seu aliado do eixo, destacando a 5ª Divisão Leve e a 15ª Divisão Panzer para a batalha no norte da África. Embora cronicamente mais fraco e mal-equipado, o grupo, que se tornou conhecido como Afrika Korps, ganharia fama sob o comando do General Erwin Rommel – um mestre na estratégia de guerra. Inicialmente, Rommel, sob o comando titular italiano, foi enviado apenas para defender a linha perto de El Agheila. Percebendo a fraqueza inglesa, no entanto, Rommel preferiu atacar em 31 de março – antes mesmo de todos os membros do Afrika Korps terem chegado ao continente. Depois de um breve embate, a 2ª Divisão Armada inglesa recuou da defensiva em Mersa Brega, abrindo caminho para o avanço de Rommel.


Com os ingleses recuando, Rommel enviou parte de sua força para a costa, na direção de Benghazi, onde a 5ª Divisão Leve atacou pelo deserto no sentido de Mechili. Apesar do fato de as forças de Rommel estarem dispersas e com falta de combustível, os ingleses não organizaram nenhum contra-ataque. Na verdade, a retirada deles se transformou em desastre quando, no dia 7 de abril, forças alemãs capturaram o próprio O'Connor e a maior parte da estrutura de comando em Darnah.


Cansados, mas ainda em boa forma, membros da 9ª Divisão australiana e da 2ª Divisão Armada recuaram para a cidade portuária de Tobruk e resistiram, numa tentativa de negar domínio sobre uma cidade portuária importante para os alemães. As forças de Rommel atacaram o bastião defensivo de Tobruk no dia 12 de abril, mas foram repelidas. Sem se preocupar, os Afrika Korps avançaram para o Egito, planejando lidar com o contigente em Tobruk quando lhes fosse conveniente.


Embora Rommel tivesse enviado forças leves para o Egito, os Afrika Korps agora estavam em situação crítica de abastecimento, dependendo de um sistema de apoio logístico que ia por todo o caminho até Tripoli. Forçado a reverter para uma postura defensiva e esperar reforços e abastecimento, Rommel prestou mais atenção no cerco de Tobruk, pois a necessidade de um portoc avançado tinha se tornado crítica. No entanto, o contigente em Tobruk, usando o poder de artilharia, se manteve firme contra todas as expectativas – tornando o trabalho de Rommel muito difícil. Ao mesmo tempo, grande parte da força britânica enviada para defender a Grécia retornou ao Egito, tendo falhado em impedir o domínio do Eixo nos Balcãs.”


fonte: JORDAN, David. Atlas da II Guerra Mundial.
Alemanha versus Inglaterra. Volume I de III.
São Paulo: Escala, 2008.
pp. 69-70

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