quarta-feira, 9 de março de 2011

mais sobre a campanha no Mediterrâneo




Mais sobre a campanha no Mediterrâneo (Balcãs e norte da África)



fonte: LEWIN, Ronald. “Churchill – O Lord da Guerra” [Churchill as Warlord]
Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979 (trad. Cel. Álvaro Galvão)


“Quando se examinava a restauração da Grécia, depois da Primeira Guerra Mundial, Hankey registrou em seu diário uma observação de Lloyd George: 'pela posição geográfica que ocupa e pelo controle de suas ilhas, em caso de guerra a amizade grega pode ser valiosa para uma potência marítima cujas vias de comunicação no Mediterrâneo oriental foram particularmente abertas aos ataques dos submarinos emboscados naquelas ilhas. Ele próprio disse que nunca se sabe quando este ratinho vai roer a corda que amarra o Império Britânico.' Agora, no momento em que Hitler desencadeia a estratégia que descrevera a Mussolini em novembro, Churchill não se depara com um ratinho mordiscante, mas com um tigre saltador, com o pulo de um matador voraz. Wavell previra isto em uma apreciação incrivelmente exata sobre a missão do comando do Oriente Médio, enviada ao CIGS [Chief of the Imperial General Staff, i.e. General Sir Alan Brooke] em 31 de julho de 1940: '... fique a Itália ostensivamente hostil ou nominalmente neutra, a nossa única possibilidade de enfrentar a intenção alemã de dominar o sudeste da Europa reside em obter o controle do Mediterrâneo, o mais cedo possível e, pelo menos, de forma tão completa quanto na Grande Guerra. Talvez seja muito tarde, se não conseguirmos o domínio do Mediterrâneo no primeiro ou segundo mês de guerra.” (p. 85)


“No inverno de 1940-41 existiam indícios abundantes de que já era tarde. Em outubro, Hitler praticamente deu liberdade ao Duce para agir na Grécia, mas em novembro confessou haver cometido 'um erro imperdoável', em meados de dezembro, expediu uma ordem para uma invasão da Grécia, Operação Marita, que poderia ser ampliada se necessário, para a ocupação total do país. Em meados de fevereiro, nas reuniões dos dias 10 e 11, a Comissão de Defesa examinou uma estimativa do Ministério da Guerra sobre a concentração de cerca de 30 divisões alemãs (inclusive cinco blindadas) na Romênia, cujas vanguardas poderiam atingir a fronteira grega, via Bulgária, no dia 12 de março, e alcançar Salônica uma semana mais tarde. Além disso, a transferência do Fliegerkorps X, com seus 150 bombardeiros, da Noruega para o Mediterrâneo anulara instantaneamente a crescente ascendência marítima inglesa. No dia 10 de janeiro, o navio-aeródromo Illustrious quase foi destruído, no dia 11, o cruzador Gloucester foi danificado e o Southampton afundado. Aviões operando de Bengazi e de bases em Rodes e no Dodecaneso começaram a bloquear o canal de Suez com minas magnéticas; fizeram-no com tanta eficiência que o canal fechou diversas vezes no mês de fevereiro, com graves prejuízos para o trânsito. Parecia que por todos os lados se fechava uma rede sobre o 'Mare Nostrum', antes mesmo que fosse realmente nosso.” (p. 86)



fonte: LEWIN, Ronald. “Churchill – O Lord da Guerra” [Churchill as Warlord]
Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979 (trad. Cel. Álvaro Galvão)



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frota britânica


Operation Marita
(ataque alemão à Grécia)

RAF (atuação no norte da África)

Regia Aeronauctica


Fliegerkorps X [Luftwaffe]
(atuação Sicília – Malta – norte da África)


por Leonardo de Magalhaens



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ofensivas no norte da África e Balcãs



fonte: MACKSEY, K. J. “Divisões Panzer – Os Punhos de Aço
(NY, 1968) (BRA, Renes, 1974)
trad. N. Japour


Ofensivas no norte da África e Balcãs desviam forças alemãs



norte da África

“Os vitoriosos alemães se inquietaram quando a Grã-Bretanha não cedeu em 1940 e quando a Luftwaffe foi derrotada na Batalha da Grã-Bretanha – frustrando efetivamente o plano de invasão da Inglaterra. Sem que ninguém soubesse, exceto seus colaboradores mais íntimos, Hitler já havia decidido atacar a Rússia, confiante em que, tendo a força Panzer como ponta-de-lança, poderia esmagar os russos numa campanha única e rápida. Para este fim, a Wehrmacht reorganizou-se durante todo o inverno de 1940/41, enquanto que a influência política e militar alemã se estendia por toda a Europa meridional e pelos Balcãs – o trampolim para a invasão da Ucrânia.

Contudo, para desgraça dos planos de Hitler, seu parceiro italiano, Mussolini, desejou também conquistar louros, invadindo o Deserto Ocidental do Egito em setembro (apena para ser detido pelas forças ligeiras britânicas dentro das fronteiras0), e invadindo a Grécia, através da Albânia, em novembro. Quase que imediatamente, a aventura grega transformou-se num desastre, com os italianos enredando-se em dificuldades sérias para deter a contra-ofensiva grega, que repercutiu na Albânia. Na primeira semana de dezembro, os britânicos revidaram no Egito e eliminaram todo o exército italiano. Tão violenta foi a arremetida inglesa, que na primeira semana de fevereiro toda a Cirenaica e todas as formações italianas importantes haviam sido capturadas. Nesse momento, parecia que as pequenas formações blindadas britânicas podiam avançar quase uqe livremente até a Tripolitânia. Hitler sabia que isto poderia criar uma crise política à qual seu aliado talvez não resistisse,

Assim, Hitler foi obrigado a fazer o primeiro de uma série de desvios da aventura russa. Ele concordou em sustentar a posição italiana na África do Norte com uma nova formação, designada Afrika Korps, dirigida pelo homem que comandara com tanto vigor a 7ª Panzer na França – Erwin Rommel. O Afrika Korps seria formado de duas divisões, e a primeira a partir foi a 5ª Leichtdivision (DivisãoLigeira), que desembarcou em Tripoli a 14 de fevereiro de 1941. na verdade, ela foi a primeira das futuras divisões Panzer menores, criadas bipartindo-se os efetivos de tanques da divisão Panzer original. Possuía apenas um regimento Panzer, formado de dois batalhões de tanques com 90 máquinas cada um, quando a antiga composição divisionária era de dois regimentos de trs batalhões cada um. A 15ª Panzerdivision, que devia partir opara a África depois da 5ª Leichtdivision, tinha inicialmente três batalhões de tanques em seu regimento Panzer, mas também este foi reduzido para dois – em parte devido à baixa prioridade concedida por Hitler à aventura africana.

A 24 de fevereiro, o Afrika Korps teve sua primeira escaramuça com os britânicos no deserto, que marcaria o início de um serviço ativo e ininterrupto de mais de dois anos. [...]”
(p.50)



Balcãs


“[...] Entrementes, a situação do outro lado do Mediterrâneo mudara. Em certo momento, parecia que a ocupação da Romênia, Hungria e Bulgária teria prosseguimento com a tomada da Iugoslávia. Depois disso, a conquista da Grécia seria uma questão de tempo, pois o Exército grego estava nos limites de suas possibilidades, contendo os italianos na Albânia. Por insistência dos gregos, os britânicos evitaram enviar uma Força Expedicionária em sua ajuda, o que poderia, provocar a retaliação alemã.

Todavia, em fins de fevereiro, os gregos chegaram à conclusão de que a intervenção alemã em auxílio da Itália não poderia demorar muito. Quatro divisões britânicas foram então preparadas no Egito e pôs-se em prática um planejamento conjunto anglo-grego, de modo que, em fins de março, quase três dessas divisões já estavam na Grécia e se deslocavam para proteger a fronteira desse país com a Bulgária e a Iugoslávia. Então, de repente, os militares iugoslavos recusaram a perspectiva de ocupação pacífica alemã e depuseram o governo filo-nazista.

Hitler não podia admitir aum desafio desses. Não só o seu prestígio estava em jogo, como também a segurança do flanco sul de suas tropas que em breve arremeteriam contra a Rússia. Assim, a iinfiltração pacífica teve de ceder lugar à agressão violenta, que se iniciou com um bombardeio aéreo indiscriminado de Belgrado, a capital iugoslava.

Desde o início, a posição dos iugoslavos era desesperada. Toda a sua fronteira, exceto o pequeno trecho em comum com a Grécia, fora tomada. Seu exército, mal equipado e mal treinado, estava dividido, por causa da tradicional desconfiança entre croatas católicos e sérvios ortodoxos, que desunia a nação.  O único fator favorável à Iugoslávia era o seu terreno montanhoso. [...]

Os acontecimentos mostraram que a noz fora quebrada, pois os elementos croatas do Exército iugoslavo passaram oara o lado alemão sem luta e o resto do exército desmoronou, permitindo que as divisões Panzer progredissem pelos difíceis caminhos dos vales como se estivessem em exercícios de tempos de paz, e não numa operação sangrenta de guerra. Em alguns lugares havia luta, mas todas sem importância. [...] “ (pp. 52-53, 56)

O que aconteceu de consequente, foi o desgaste do material bélico alemão. “Mas provocou também inoportuno desgaste no equipamento que muito breve teria de funcionar com a máxima eficiência na Rússia.” (p. 56)



fonte: MACKSEY, K. J. “Divisões Panzer – Os Punhos de Aço
(NY, 1968) (BRA, Renes, 1974)
trad. N. Japour

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Afrika Korps imagens


(em inglês)

sobre Yugoslavia 1941-45
(em servo-croata)


(em grego)
(Batalha de Creta)(em alemão)
(filme da Nova Zelândia)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Hitler planeja a Operação Barbarossa




trechos de “Hitler”, Joachim Fest

Livro VII, cap. I


Hitler com medo da URSS e dos EUA
se ocorresse um conflito global

“Desde o verão de 1940, o medo de uma intervenção americana coloria com tons ameaçadores todas as reflexões e sobretudo vinha agravar ainda mais a angústia sentida por Hitler ante a 'fuga do tempo'. Desde a queda da França, ele tinha desperdiçado sua energia em ações diplomáticas e militares estranhamente incertas e indecisas. As tropas alemãs estavam acantonadas desde Narvik até a Sicília e, desde o início de 1941, chamadas em auxílio do enfraquecido parceiro italiano, encontravam-se até na África do Norte; mas faltava um pensamento diretor a todas essas atividades; a guerra se espalhava em direções indesejadas! Ela agora se vingava do fato de Hitler tê-la começado numa linha de frente absurdamente invertida, por assim dizer desatinadamente, sem um plano geral preestabelecido. [...] Durante o outono, e enquanto a guerra ameaçava, podia-se dizer, fugir ao seu controle, Hitler voltou a se concentrar sobre o conflito, para captá-lo num raciocínio global. [...] (p. 760)



Hitler em 1941 antes da invasão alemã da URSS


“Em outubro de 1940, na noite seguinte à entrevista com Pétain, uma carta de Mussolini o [a Hitler] informou do projeto italiano de invadir a Grécia. O que esse passo inesperado deixava prever de complicações para o flanco alemão nos Balcãs tinha levado o Führer a modificar sua rota e correr a um encontro, providenciado apressadamente, em Florença. Mussolini, que estava querendo retribuir aos alemães na mesma moeda, fazendo-os pagar pelas inúmeras surpresas desse tipo a ele impostas, e sem esquecer, de passagem, as numerosas vitórias dos alemães, tinha-se apressado, e apenas algumas horas da chegada de Hitler, em precipitar as ações e abrira as hostilidades. Mas a necessidade que teve de enviar unidades alemãs à Grécia, quando os aliados italianos se viram ante as dificuldades previstas, não impediu Hitler de continuar a preparar a execução de sua campanha ao Leste. Não reagiu de outra forma quando Mussolini se deparou com os piores contratempos na Albânia e finalmente sofreu uma derrota completa na frente norte-africana; Hitler recebia esses desastres com igual disposição de espírito, dava as diretrizes adequadas e sempre enviava divisões aos teatros de operações ameaçados, sem se deixar desviar, um instante sequer, de seu objetivo principal. A 28 de fevereiro, viu-se obrigado, partindo dos territórios de sua aliada, a Romênia, a se antecipar aos soviéticos na Bulgária: cerca de um mês mais tarde, teve de conquistar a Iugoslávia, que tentara fugir à influência alemã por instigação de um grupo de oficiais prontos para desfechar um putsch; a despeito desses contínuos comprometimentos em novos teatros de operações, não perdia de vista sua campanha contra a URSS; apenas a adiou por quatro semanas que podiam ser fatídicas. [...] (p. 764)


A campanha de Hitler contra a URSS

“Desde o verão de 1940, entre a Alemanha e a URSS tinham surgido numerosas dificuldades diplomáticas: para dizer a verdade, estas se explicavam em grande parte pelas tentativas inescrupulosas de Moscou para montar alguns anteparos contra o poderio assustadoramente crescente do Reich, anexando tanto os Estados bálticos quanto uma parte da Romênia e opondo uma resistência obstinada às manobras dos alemães no sentido de impor sua influência nos Balcãs. Todavia, na primavera de 1941, o embaixador da Inglaterra em Moscow, Sir Stafford Cripps, tinha 'certeza absoluta' de que a URSS jamais se deixaria envolver numa guerra contra a Alemanha, a menos que o próprio Hitler se decidisse a atacar a Rússia; mas ele temia que o Führer não desse esse prazer a seus adversários.” (p. 766)


trad. Ana Lúcia T. Ribeiro; Antonio N. Machado; Antônio Pantoja; F. M. Da Rocha Filho


fonte: FEST, Joachim. Hitler. RJ: Nova Fronteira, 1976.



Mais sobre o planejamento da Operation Barbarossa


Interessante trecho:

O término da concentração desta vasta coleção de divisões mecanizadas para a “Operação Barbarossa” estava marcado para 15 de maio. Elas avançariam para leste em quatro levas. A primeira, quando a diretiva para a “Barbarossa” fosse emitida, estaria a postos. A segunda chegaria em meados de março; a terceira, em meados de abril e quarta em fins de abril. Quando se chegasse a este ponto, já não seria possível disfarçar mais a importância do deslocamento. Mas antes que se completasse a concentração planejada, o desenvolvimento livre dos planos de Hitler para o teatro de operações do leste foi brutalmente interrompido por acontecimentos nos Balcãs.


...


por Leonardo de Magalhaens

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A campanha no norte da África (1940-41)



 
A campanha no norte da África (1940-1941)
na visão do Primeiro-Ministro britânico Churchill


 
Nossa fonte
Memórias da Segunda Guerra MundialSir Winston Churchill
RJ: Nova Fronteira, 1995.


 
No Capítulo 15 (Vitória no Deserto) do Livro II (Sozinhos)
Sir Winston Churchill descreve as ações britânicas contra os italianos no norte da África e no Mediterrâneo


Quando a Itália declarou guerra, em 10 de junho de 1940, o serviço secreto britânico calculou – corretamente, sabemos hoje – que, à parte suas guarnições na Etiópia, Eritreia e Somália, havia cerca de 215 mil soldados italianos nas províncias costeiras norte-africanas. As tropas britânicas no Egito correspondiam, talvez, a 50 mil homens. Com estes, era preciso garantir a defesa da fronteira ocidental e a segurança inteira do Egito. Por conseguinte, teríamos grandes desvantagens em campanha, e os italianos também dispunham de muito mais aviões.”
(p. 446)

Até o colapso francês, o controle do Mediterrâneo estivera dividido entre as armadas britânica e francesa. Agora, a França estava fora e a Itália havia entrado. A armada italiana, numericamente poderosa, e a Força Aérea italiana, também vigorosa, estavam alinhados contra nós. Tão impressionante se afigurava essa situação que as primeiras considerações do Almirantado contemplaram o abandono do Mediterrâneo oriental e a concentração em Gibraltar. Resisti a essa política, que, embora justificada no papel pelo poderio da armada italiana, não correspondia a minhas impressões dos valores de combatividade e parecia prenunciar a destruição de Malta. Eu estava decidido a travar batalhas nas duas extremidades. [...]
(p. 449)

Churchill aborda a tentativa italiana de conquistar o Egito em setembro de 1940 e o fracasso da ofensiva, barrada pelas defesas britânicas.

No dia 17 [de setembro de 1940], o Exército italiano chegou a Sidi Barrani. Nossas baixas somaram quarenta mortos e feridos, enquanto as do inimigo foram cerca de dez vezes maiores, incluindo 150 veículos destruídos. Ali, com suas comunicações estendidas por sessenta milhas, os italianos se instalaram para passar os três meses seguintes.” (p. 451)

Então, em outubro, o Duce resolve atacar a Grécia - “irrompeu então no palco do Mediterrâneo uma nova agressão de Mussolini.” (p. 452) – o que foi outro fracasso dos fascistas italianos - “A invasão italiana da Grécia a partir da Albânia foi outro duro revés para Mussolini. O primeiro ataque foi repelido com baixas pesadas, e os gregos contra-atacaram imediatamente” (p. 453) e assim os britânicos resolvem agir na defesa das posições mediterrâneas.

Embora, no papel, ainda fôssemos largamente superados em número pela esquadra italiana, algumas melhorias acentuadas já tinham sido feitas em nossas forças no Mediterrâneo” (p. 454) e cita o ataque britânico contra a base italiana de Taranto.

(ver sobre o ataque de Taranto em


Churchill relembra a ofensiva britânica (Operation Compass) em 6 de dezembro de 1940 (com cerca de 25 mil homens) no início da batalha de Sidi Barrani (9 dezembro 1940)

Em 15 de dezembro, todos os soldados inimigos tinham sido expulsos do Egito.” (p. 456) No ataque participaram tropas inglesas, egípcias e australianas, além das coloniais – indianas, sul-africanas – sob o comando do General Archibald Wavell. Tropas da França livre (Free France) lutavam sob comando britânico. Os britânicos contavam também – nas operações ao sul - com tropas etíopes do imperador Selassie (o mesmo deposto e exilado por Mussolini em 1936)

Mais sobre a Operação Compasso em


Em seguida, os australianos da 6ª Divisão avançaram para a Cirenaica, atingindo Tubruq [Tobruk] em 6 de janeiro de 1941, atacada em 21-22 do mesmo mês, e chegando até Benghazi em início de fevereiro. Enquanto os britânicos, com seus tanques 'Mathilda' – da 7ª Divisão Blindada (7th Armoured Division) conhecida como os 'ratos do deserto' (Desert Rats) - seguem mais ao sul, na orla do deserto, passando por Makili (27 janeiro), Msus (5 fevereiro) e Baydafumm (7 fevereiro) já próxima ao litoral do Mediterrâneo.

O limite do avanço era Agheila, na fronteira da Tripolitânia. O Exército do deserto avançara “mais de duzentas milhas”, atacando “dois portos fortificados”, e fazendo “113 mil prisioneiros” e capturando “7000 canhões”. Assim “o grande Exército italiano que invadira e esperava conquistar o Egito mal existia como força militar” (p. 458) Um alívio momentâneo para os britânicos.


videos (english)






LdeM

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Norte da África - ineficiência das tropas italianas



Norte da África

Ineficiência das tropas italianas

A posição estratégica do Mar Mediterrâneo seria então disputada ao longo de 1941 até meados de 1943 pelas potências em guerra. O Eixo determinara-se a expulsar a Marinha britânicas das águas do 'Mare Nostrum' como dizia o proclamador do novo Império Romano, o Duce Mussolini.


 
A principal base marítima britânica nas águas próximas a península itálica era (e é até hoje) a ilha de Malta, famosa por seus cavaleiros medievais e mosteiros. É um porto de vital importância para reabastecimento e reparos de navios na rota Grã-Bretanha – Mediterrâneo – Canal de Suez – Índia – Cingapura. Ou seja, estava no meio da rota de comércio do Império Britânico.


 
Ao sul do Mediterrâneo e à sudoeste do Mar Vermelho estão as colônias do Norte da África – Argélia, Líbia, Egito, Sudão e Etiópia. Colônias estas em permanente estado de hostilidade visto que pertenciam a potências em combate. A Argélia proclamara-se fiel ao governo de Vichy, o governo francês colaboracionista (hostil às forças francesas livres, do General De Gaulle); enquanto Líbia (Cirenaica e Tripolitânia) permaneciam em poder italiano, bem como a Etiópia (ali entre Sudão anglo-egípcio e Somália inglesa.


 
A tensão aumentou no final de 1940, quando numerosas tropas italianas invadiram áreas sob controle britânico. Em janeiro de 1941, os britânicos passaram a contra-atacar, o que levou a um impasse nas fileiras italianas. Número não significa qualidade, e os enormes contingentes italianos se viam derrotados por tropas inglesas e coloniais (egípcios, sudaneses, somalis) em menor número, porém com armamento mais moderno.


As tropas do General Wavell avançaram do Sudão e cortaram o território de Eritreya, ao norte da área de controle italiano (conquistada na guerra da Etiópia em 1936, quando o Duce – ao lado do rei Emanuelle Vittorio - proclamou o Império.


 
As tropas comandadas pelo general inglês Cunningham, avançando do Kenya – ao sul da Etiópia - não apenas recuperam os terrenos, como também adentraram os territórios italianos. Em fevereiro de 1941 as tropas britânicas estão prontas para atacar a própria Somália italiana, num avanço de grande êxito até Modadishu (25 de fevereiro).


 
Enquanto os ingleses avançam, os etíopes desertam dos exércitos italianos, o que seguramente mostrava o baixo moral das tropas de defesa – ainda que certos combates tenham durado mais de mês, como é o exemplo de Keren, onde italianos resistiram 53 dias numa fortaleza. (Neste mesmo ano, ainda teremos o cerco de Tobruk, que seguramente elipsou esta página da bravura italiana)


Em dezembro de 1940, desencadeia-se o contra-ataque inglês. Com paenas 35.000 homens e 275 tanques, mas com uma hábil estratégia baseada no movimento, o genral Richard O'Connor contorna a trincheira inimiga, provocando a retirada italiana, que sót erminou em fevereiro de 1941, 400 km além de suas posições originais. Duas únicas divisões de O'Connor aniquilam dez divisões italianas e fazem 130.000 prisioneiros. Os italianos são rechaçados a oeste, ao longo da rodovia costeira e perseguidos pelo inimigo. A Cirenaica cai em mãos inglesas.”

fonte: FIORANI, Flavio. HISTÓRIA ILUSTRADA DA II GUERRA MUNDIAL. Larousse do Brasil, 2009.


O fato é que desmoralizadas, as tropas italianas, mesmo em maior número, se mostraram ineficientes diante das menores tropas britânicas, que avançando rápidas cortavam linhas de abastecimento e isolavam territórios. (A mesma tática que seria usada pelos alemães na Rússia, ainda em 1941, quando as tropas russas e ucranianas se rendiam em massa aos exércitos numericamente inferiores, mas pesadamente armados.)



por Leonardo de Magalhaens




quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Impasse Italiano na Grécia - 1940/41





Teatro de Guerra no Mediterrâneo

Balcãs


Impasse italiano na Grécia


Assim como as tropas italianas foram obrigadas a recuar no norte da África, para dentro de territórios do qual partiram, na Grécia o recuo foi ainda mais inglório. Partindo de posições na Albânia, os italianos avançaram no difícil terreno montanhoso da Grécia, com extrema dificuldade diante de um exército em linhas de defesa, apenas para se verem num impasse. Cercados ou divididos, os comandos italianos acabaram por retroceder, voltando para o interior da Albânia, onde passaram a sofrer contra-ataque.

Os gregos, entretanto, haviam obtido uma série de vitórias ao longo de toda frente. No dia 14 de novembro, o general Papagos, comandante-em-chefe do exército helênico, lançou um ataque no norte, com cinco divisões, e conseguiu empurrar os italianos para o interior da Albânia e ocupar, em território daquele país, a cidade de Koritza. Sem dar descanso aos italianos,os gregos prosseguiram em seu avanço e se apoderaram da cidade de Progadez. A profunda penetração dos helenos, ao norte, criou uma grave ameaça para o flanco esquerdo das tropas fascistas que combatiam na cordilheira de Pindo e na costa do mar Jônico. Em consequência, o comando italiano viu-se obrigado a ordenar uma retirada ao longo de toda frente.”

fonte: A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL / 9. Ed. Codex. 1965.


A campanha de três meses tinha por resultado as tropas italianas no mesmo lugar de onde haviam saído, ou até mais para o interior do território albanês, pois os gregos ainda conquistavam terreno na virada de 1940/ 1941. Em condições climáticas péssimas, em pleno inverno, as tropas de ambos os lados se valiam de esforços. Enquanto os gregos combatiam os alpinas italianos, estes passaram a um novo comando com a chegada do general Ubaldo Soddu – o que mostra o descontentamento de Mussolini, sempre a pressionar por outra ofensiva. (Erro que Hitler cometeria na Rússia, no ano seguinte, ao insistir em ofensivas, quando nem sequer as defensivas eram possíveis.)


 
O fato é que ambos os lados sofreram com a rigidez do clima – gélido a ponto de incapacitar cerca de 25 mil homens em cada lado do combate! Repetiam as condições de batalha que a guerra apresentara na virada de 1939/ 40, no front russo-finlandês. Agora a figura da resistência não era mais Mannheim, mas o grego Papagos.


Em janeiro de 1941, os gregos redobraram seus ataques, apoiados por cinco esquadrilhas da RAF, enviados do Egito, pelos britânicos. Havia-se iniciado o áspero inverno balcânico, e os soldados, tanto os helenos como os italianos, deviam padecer terríveis penúrias. [...]

fonte: idem, ibidem


 
Tanto que os números mostram o grau do desastre italiano, com seus 25 mil desaparecidos, além dos 23 mil prisioneiros. Incapaz de nova ofensiva, o exército italiano era então impossibilitado de defender a própria Albânia, que sofria o ataque grego. Esta resistência grega atraiu reforço britânico – e a esperança de Churchill de abrir uma nova frente - e eis o que despertou as atenções do Führer Adolf Hitler, quando decidiu-se por interferir na 'burrada' do Duce – os nazistas também queriam manter a Grécia sob hegemonia. Estava agendada a Operação Marita.


Os reveses italianos na Grécia, Somália e Eritréia inquietavam Hitler. Ele julgou-se no dever de ir em auxílio de Mussolini antes de desencadear o ataque à Rússia. Primeiro pensou em enviar tropas de montanha para a Albânia. No entanto uma inspeção efetuada pelo general Enno von Rintelen e objeções formuladas pelos dois comandos dissuadiram-no disso. A 10 de Janeiro, em compensação o X Corpo de exército aéreo (Geisler) atacou a esquadra britânica do Mediterrâneo, afundou-lhe um cruzador e avariou grandemente o porta-aviões Illustrious.
Pouco depois o OKW e o comando superior concordaram em mandar para a Líbia (Operação "Sonnemblume") uma unidade blindada alemã (Rommel). Por outro lado estudaram durante algumas semanas a conquista de vários campos de aviação importantes, situados no norte da Grécia, a fim de lançar uma ofensiva de desopressão, cujos pormenores foram precisados pela Instrução do Führer nº 20 (Operação "Marita") e que foi definitivamente decidida em um encontro de Hitler e Mussolini, Ribbentrop e Ciano, a 19 e 20 de Janeiro de 1941.



mais sobre a Guerra Greco-Italiana


por Leonardo de Magalhaens


sábado, 8 de janeiro de 2011

Estratégia Britânica no Mediterrâneo - 1940/1941



Estratégia Britânica
no Mediterrâneo

1940/1941


fonte: Churchill – O Lord da Guerra / 1979 – Ronald Lewin

trad. Cel Álvaro Galvão


 
cap. 3 – O Ano do Gafanhoto – 1941


 
Com exceção da vitória final, o objetivo estratégico mais acalentado por Churchill durante a Segunda Guerra Mundial era transformar o Mediterrâneo em “Mare Nostrum”. Duas decisões, tomadas por ele sobre sua inteira responsabilidade e com enorme risco, lançaram as bases para a consecução do seu propósito, alcançado em 1943 e 1944; durante 1941, porém, o alicerce parecia estar se dissolvendo. Sua primeira iniciativa, e fundamental, seguiu-se à queda da França. Churchill recorda: “No fim de junho a situação parecia tão horrível que o Almirantado chegou a pensar no abandono do Mediterrâneo Oriental, para concentrar-se em Gibraltar.”


 
Era esta a ideia do Primeiro Lorde do Mar, Almirante Pound. Entretanto, fortalecido pela reação mais positiva do Almirante Cunningham, o comandante-chefe naquela região, Churchill vetou a proposta com firmeza e decisão e conseguiu o apoio dos Chefes de Estado-Maior; estes, em 3 de julho, informaram a todos os comandantes-chefes que a esquadra ia permanecer no Mediterrâneo Oriental. Daí em diante, apesar de inúmeros desastres, em sentido absoluto, os ingleses jamais foram expulsos das rotas marítimas vitais que passavam por aquela região. Mas quando Churchill tomou sua decisão, no verão de 1940, sem dúvida praticou um ato de fé impressionante, porque os italianos ainda não haviam demonstrado a forma inepta e covarde como iriam utilizar a sua superioridade aérea e naval.


 
Nas circunstâncias do momento, a sua segunda decisão foi mais corajosa ainda. Enquanto se achava em curso a Batalha da Inglaterra, Churchill concordou em enviar para o Oriente Médio praticamente a metade do efetivo dos melhores blindados existentes no país. “O que é estranho”, anotou ele, “é que na época as pessoas envolvidas no problema permaneceram bastante calmas e joviais, mas escrever sobre o assunto agora chega a provocar arrepios.”


 
Na realidade, a proposta partiu do Ministério da Guerra. No dia 10 de agosto o General Dill, o CIGS [Chief of the Imperial General Staff] , informou a Churchill que se pretendia enviar imediatamente para o Egito um batalhão de carros de combate Cruiser, um regimento de carros de combate leves e um batalhão de carros de combate de Infantaria – ao todo 154 carros, juntamente com uma quantidade valiosa de canhões anticarro e de Artilharia de Campanha. Todavia, era Churchill, o Primeiro-Ministro, e somente Churchill, quem poderia validar a proposta; a aprovação imediata constituiu um daqueles golpes, no campo da alta estratégia, que raramente estão ao alcance de um comandante, e que ainda mais raramente são tentados. Deve-lhe ser atribuído o mesmo valor da ordem de Churchill, no dia 24 de julho de 1914, para que a esquadra saísse de suas bases no canal da Mancha e, navegando durante a noite, com as luzes apagadas, atravessasse o estreito de Dover, avançasse pela rota perigosa do Mar do Norte e se abrigasse na segurança proprocionada por Scapa Flow.


 
Além disso, foi Churchill quem exigiu que os carros de combate fossem enviados diretamente para o Egito, através do Mediterrâneo, e não pela rota do cabo da Boa Esperança como queria o Almirantado. Ele aceitava o conselho dos profissionais, embora à luz dos fatos pareça que a sua ousadia fosse mais justificada do que a cautela deles. Assim, o comboio chegou ao destino com tempo suficiente para tornar possível a destruição do exército italiano na África do Norte, onde os Matildas do batalhão de carros de Infantaria desempenharam um papel crucial.”

/p. 73

mais sobre o General John Dill (1881-1944)


 outro trecho ::


cap. 3 – O Ano do Gafanhoto – 1941


Estas decisões [de Churchill], juntamente com a incansável pressão de Churchill sobre o Ministério da Guerra e Wavell para elevarem o Exército do Nilo ao seu mais alto nível, e o reforço maciço da Esquadra do Mediterrâneo, desfalcada pela operação HATS [operation HATS, manobras da Royal Navy, de 30 de agosto a 5 de setembro de 1940], estas decisões produziram frutos prematuros, mas ilusórios. O crescente complexo de superioridade em relação à Esquadra Italiana culminou com o ataque dos aviões torpedeiros do almirante Cunningham contra Taranto, no dia 11 de novembro; com a perda de apenas dois aviões, os ingleses afundaram o encouraçado Littorio e mais dois encouraçados antigos estacionados em suas bóias de amarração. Em pouco tempo, a grande correria pela costa da África, planejada por Wavell e executada pelo General O'Connor, atingiu seu clímax em Beda Fomm – uma operação magistralmente sintetizada por Wavell na sua Ordem do Dia de 14 de fevereiro de 1941:


 
O Exército do Nilo, como nos chama o Primeiro-Ministro, em dois meses progreiu mais de 650 quilômetros, destruiu o maior exército já reunido para invadir o Egito, capturou mais de 125.000 prisioneiros e mais de 1.000 canhões, além de uma quantidade incalculável de armamento e material de todos os tipos.”

/p.74


 
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batalhas no norte da África / 1941-42


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