segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Avanço Aliado na Europa - outubro - dezembro 1944




















Avanço Aliado na Europa


outubro - dezembro 1944

        “A controvérsia iniciou-se com um desacordo técnico entre Montgomery [general britânico] e Eisenhower [general norte-americano, comandante das forças aliadas] a respeito do modo como os aliados deveriam progredir para leste. Durante o mês de agosto Montgomery começou a pressionar o Comandante Supremo em favor da sua própria proposta, no sentido de que todas as prioridades logísticas fossem atribuídas a um grupo compacto de 40 divisões, retiradas do seu 21º Grupo de Exércitos e do 12º Grupo de Bradley, o qual deveria progredir como um ataque único, passando pelo franco esquerdo das Ardenas, atravessando o Ruhr sem se deter e alcançando Berlim através do terreno limpo no norte da Alemanha. Esta força deveria ter um comando único – ele próprio, de preferência, embora estivesse disposto a aceitar Bradley [general norte-americano]. Todavia, não houve nada que convencesse Eisenhower a deter as forças americanas no seu flanco direito para facilitar um ataque de 40 divisões no flanco esquerdo. Ao invés disto, ele insistiu em uma progressão com duas pontas, uma ao longo da linha proposta por Montgomery e outra orientada para leste, pelo sul das Ardenas, com a finalidade de penetrar na Alemanha pelo Sarre.

         No dia 29 de agosto Eisenhower endereçou uma carta extensa a Montgomery e a Bradley, na qual explicava suas intenções com absoluta clareza. Foi este o cerne de uma controvérsia que se prolongou pelos meses seguintes, alcançando a intensidade máxima quando Hitler desencadeou a ofensiva das Ardenas e que ressurgiu nas últimas semanas da campanha europeia. Além disto, o que se iniciara como um desacordo legítimo entre comandantes em campanha, a respeito de uma estratégia correta, ampliou-se em discussões sobre o restabelecimento de um comando único para as forças terrestres; desta forma, uma disputa no campo de batalha alcançou os círculos da alta política e penetrou nas áreas mais sensíveis do acordo anglo-americano.

       Embora Churchill e os Chefes de Estado-Maior estivessem naturalmente a par do que sucedia, mantiveram-se afastados da disputa na sua fase inicial.

        Oficialmente, os Chefes do Estado-Maior Conjunto não foram chamados a opinar sobre a divergência de ideias. Em que pese o vulto e a gravidade da divergência, por sua própria natureza ela não constituía assunto da alçada deles. As alternativas ocorriam exclusivamente no seio de um plano de campanha cujo objetivo e forma eles já haviam aprovado, e envolvia forças enquadradas em um teatro de operações e que não poderiam ser imediatamente reforçadas por nenhuma resolução que tomassem. Os Chefes de Estado-Maior americanos e ingleses, e o Primeiro-ministro, recebiam informações pessoais sobre a discussão e acompanhavam-na com interesse, mas não estavam envolvidos de nenhuma forma no resultado. Trata-se, sem dúvida, de uma bom exemplo, no mais alto escalão, da divisão de responsabilidade entre um teatro de operações e o comando central.

        Entretanto, na medida em que corriam os meses aumentava inevitavelmente a impaciência em Londres – tendo Arnheim [i.e. o objetivo da operação Market Garden] constituído um desapontamento, continuando a Antuérpia a não poder ser utilizada como porto e com os exércitos aliados parecendo uma força impotente estendida ao longo da fronteira alemã, como resultado da estratégia de frente ampla de Eisenhower. Ao surgir a ideia de interpor um oficial competente entre o Comandante Supremo e seus exércitos, Londres teve que examinar qual a ação prática a adotar, diante de um assunto que afetaria diretamente as relações com Washington. E havia implicações mais profundas. A progressão aparentemente frouxa na Europa era mais ameaçadora para Churchill e o governo inglês do que para os americanos. A economia inglesa distendera-se ao máximo e as reservas em recursos humanos eram nulas – na verdade, depois da Normandia, foi preciso dissolver uma divisão de Infantaria para proporcionar recompletamento para outras.

        Além disto, os ingleses tinham uma finalidade tanto política como militar quando se colocavam a favor de um avanço contra Berlim pelo norte da Alemanha, comandado por Montgomery, se possível. Por exemplo, isto significaria uma rápida libertação da Holanda (por quem a Grã-Bretanha sentia grande responsabilidade) e a limpeza dos locais de lançamento das V-2, além da conquista dos portos e bases navais alemães (de interesse capital para a Inglaterra) e a presença britânica na capital germânica antes da chegada dos russos (de importância incalculável para Churchill).

        De qualquer maneira, Churchill manteve-se comedido até a última fase da guerra. Seu repúdio desdenhoso (e injusto) a Eisenhower por inépcia militar ficou circunscrito a Alanbrooke e Montgomery. Em particular, o Primeiro-ministro não era favorável à ideia de um comando geral para as forças terrestres. Em face da sua grande afinidade por Alexander, estava pronto a ventilar a ideia de chamar Tedder de volta ao Estado-Maior da Aeronáutica, em Londres, e trazer Alexander do Mediterrâneo para ser subcomandante de Eisenhower. Mas nunca fez muita força por isto. Na verdade, foi Hitler quem resolveu a controvérsia temporariamente, lançando através das Ardenas, em dezembro, o Exército Panzer reunido sigilosamente.

        Ao nascer do dia 16 de dezembro o problema deixou de ser como avançar na Alemanha para ser como deter o avanço dos alemães. Churchill escreveu a Smuts: 'Na tarde do dia 20 falei com Eisenhower pelo telefone e sugeri que ele atribuísse a Montgomery o comando das tropas situadas ao norte da penetração inimiga e a Omar Bradley tudo o que ficou ao sul, mantendo com ele o comando geral da operação. Respondeu-me que já havia expedido ordem exatamente neste sentido na parte da manhã'. Assim, as circunstâncias criaram as condições desejadas por Montgomery e seus superiores, mas Montgomery desperdiçou a oportunidade, em que pese a sua contribuição legítima para a vitória na Batalha do Bolsão [ou Bulge]. Alanbrooke chamara a sua atenção para isto.”

pp. 293-295


fonte: LEWIN, Ronald. Churchill – O Lorde da Guerra. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979.







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Comandante Supremo Eisenhower






Ofensiva das Ardenas / dezembro 1944 
 






bombas voadoras V-1 e V-2











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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Final do Governo Roosevelt e a vitória 1944-45









Final do Governo Roosevelt e a vitória sobre o Eixo


1944/1945



       “Franklin Roosevelt não veria os grandes acontecimentos que poriam fim à luta no Oriente. Ele sofreu um forte derrame cerebral e nunca recuperou a consciência, morrendo no dia 12 de abril [de 1945]. Tocou a um novo e despreparado Presidente, Harry Truman, tomar a última decisão no Extremo oriente, assumir a terrível responsabilidade do emprego da bomba atômica e, de outro lado, facilitar a capitulação final dos japoneses permitindo-lhes conservar seu Imperador.

      Os acontecimentos militares e navais de 1941-45 constituíram apenas uma parte da história da guerra. Como os narramos, tendem a salientar excessivamente o papel dos Estados Unidos na luta. Afinal de contas, a guerra foi uma guerra mundial e não uma guerra americana; é preciso encará-la numa perspectiva mundial. Ela não poderia ter sido ganha sem a ajuda dos aliados dos Estados Unidos.”

[…]

     As diferenças políticas que surgiram já foram na maior parte comentadas. Franklin Roosevelt refletia o sentimento da maioria em sua aversão por aquela coisa vaga chamada de imperialismo britânico; e às vezes arreliava o Primeiro-ministro [i.e. Churchill], provocando-lhe verdadeira indignação. Mas, na maior parte das vezes, a controvérsia era mantida em sigilo; e só uma vez a indignação de Churchill se manifestou em público, quando declarou no Parlamento que não se tornara o Primeiro-Ministro do rei para 'presidir à liquidação do império britânico'. O antiimperialismo do Presidente, conforme seus críticos de hoje afirmam frequentemente, pôs em ação forças altamente inconvenientes para o Ocidente; mas é exagero atribuir a crescente consciência de si mesmos dos povos assim chamados dependentes do mundo de hoje à influência de um único homem. Parece provável, na realidade – se não certo – que, com Roosevelt ou sem Roosevelt, o mundo contemporâneo teria contado com um nacionalismo militante entre as irrequietas populações da África e da Ásia.

        Já se disse algumas vezes que o Presidente e o Primeiro-Ministro cometeram um dos erros capitais da guerra na conferência em tiveram em Casablanca no inverno de 1942. ali promulgaram a assim chamada doutrina da 'rendição incondicional' [unconditional surrender] que teria concorrido para o prolongamento da luta enrijecendo a resistência do inimigo. Não é fácil ver a força desse argumento. Certamente, os italianos capitularam logo quando se viram pressionados; em 1944 e 1945 contingentes italianos estavam lutando ao lado das democracias.

      Quanto à Alemanha, vale notar que a ideia de 'rendição incondicional' não impediu a formação de um complô contra Hitler que quase conseguiu assassinar o ditador no verão de 1944 [i.e. a Operação Valkíria, deflagada em 20 de julho, com participação de militares e civis da resistência alemã]. Só a sorte salvou o Führer de ter sido mortalmente ferido por uma bomba introduzida em seu próprio quartel-general e que explodiu numa conferência a qual comparecera. Mas além disso. Não era uma doutrina correta recusar negociações com esse tirano sinistro e insistir numa capitulação total enquanto ele permanecesse no poder?

         Os erros, entretanto, são inevitáveis nos grandes negócios e em duas matérias em que agiram de comum acordo, o Presidente e o Primeiro-ministro indubitavelmente erraram. Um erro, o compromisso de reduzir drasticamente o poder industrial da Alemanha 9o assim chamado plano Morgenthau), assumido em Quebec no outono de 1944, foi logo corrigido. O outro foi mais sério. Muito antes do fim da guerra, fora feito um acordo com os russos sobre as zonas de ocupação das grandes potências quando terminado o conflito. O efeito desse acordo foi entregar, praticamente, ao sereno arbítrio do Kremlin [i.e. O governo soviético] áreas que tinham sido invadidas pelas forças americanas e que poderiam ter sido preservadas para a liberdade.

         Consideramos essa espécie de coisas, entretanto, numa perspectiva hoje diversa daquela dos anos de guerra. Afinal de contas, o papel dos russos na guerra foi fundamental. Eles estiveram lutando com grandes exércitos alemães e sua colaboração foi essencial. […]

            Vez por outra ocorreram pequenas rusgas [entre ocidentais e soviéticos], mas de modo geral, o ano de 1944, o ano do desembarque aliado na França e das extraordinárias vitórias sobre os alemães, marcou o auge da cooperação com o Kremlin.”

pp. 153-157

fonte: PERKINS, Dexter. A Época de Roosevelt. 1932-1945. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1967.





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a rendição incondicional

[na Conferência de Casablanca]






Operação Valkíria







Presidente Harry Truman







Plano Morgenthau












sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Batalha do Golfo de Leyte - outubro 1944








Batalha do Golfo de Leyte


Filipinas


outubro 1944



      “A Batalha do Golfo de Leyte foi a maior batalha naval da história contemporânea, ocorrida entre 23 a 26 de outubro de 1944 nas águas em torno da ilha de Leyte, nas Filipinas, entre o Japão e os Aliados, durante a II Guerra Mundial.

      Esta batalha na verdade foi uma campanha naval dividida em quatro batalhas correlatas: Batalha do Mar de Sulu , Batalha do Estreito de Surigao , Batalha do Cabo Engaño e Batalha de Samar.

      Os Aliados invadiram a ilha de Leyte para cortar a ligação e a linhas de suprimento entre o Japão e o resto de suas colônias do Sudeste Asiático, principalmente o fornecimento de petróleo para a marinha imperial japonesa. Os japoneses então reuniram todas suas principais forças navais ainda em operação na guerra para reprimir o desembarque das tropas aliadas, mas falharam em seu objetivo, sendo derrotados e sofrendo pesadas baixas.

      A batalha foi o último grande confronto naval da II Guerra Mundial, porque após sua derrota a Marinha Imperial Japonesa não mais teve condições de colocar em combate uma força naval significativa, e sem combustível para seus navios restantes aguardou pelo fim da guerra ancorada em suas águas territoriais. Foi em Leyte que aconteceram, pela primeira vez na guerra, os ataques suicidas dos aviões kamikazes japoneses contra a frota norte-americana no teatro da Guerra do Pacífico.”


fonte: Wikipedia







      “20 de Outubro, marca o inicio da operação de recuperação das Filipinas e a maior sequência de confrontos terrestres com as forças japonesas que ocorreram durante a II Guerra Mundial.

     As Filipinas tinham uma importância determinante para o Japão e forneciam aos japoneses especialmente borracha, que era um produto estratégico, necessário para garantir a mobilidade de qualquer exército ou força aérea.

      A chegada às Filipinas das forças norte-americanas significaria o principio do fim para o Japão na II Guerra e por isso os japoneses desenvolveram todos os esforços para evitar que os norte-americanos conseguissem desembarcar. Ao tomar posições numa área central das Filipinas, a força aérea norte-americana também teria capacidade para bombardear todo o arquipélago das Filipinas.

    A operação organizada pela marinha dos Estados Unidos constituiu-se no maior desembarque anfíbio no Pacífico. No total mais de 700 navios foram utilizados.

      Foi escolhida a ilha de Leyte, pela sua posição central nas Filipinas. O desembarque nessa ilha conduziu a uma batalha pelo seu controlo.

      Também se dá o nome
Batalha de Leyte, ao conjunto de batalhas navais que resultaram do confronto entre as esquadras japonesas e norte-americanas.”


Fonte: Área Militar




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terça-feira, 23 de setembro de 2014

FEB em combate na Itália - setembro 1944


 


FEB em combate na Itália

Setembro 1944

Massarosa, Camaiore e Monte Prano


     Após os desembarques na Itália, juntamente com as forças norte-americanas, a Força Expedicionária Brasileira se deslocou para o front, onde seu 'batismo de fogo' não se faria esperar, pois logo em meados de setembro de 1944 o encontro com as forças germânicas se deu nas regiões montanhosas, onde o inimigo montara uma verdadeira linha defensiva. Foi então que as tropas brasileiras provaram o quanto eram perseverantes, e que não se intimidavam. Contudo, treinamento para combate e o armamento eram méritos das forças Aliadas, as quais a FEB se juntara.



     “A Força Expedicionária Brasileira, FEB, saiu do Brasil sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Morais com destino à Nápoles. Tendo desembarcado no território italiano, a FEB foi anexada ao 4º Corpo do Exército dos Estados Unidos, que era comandada pelo general Willis D. Crittenberger e submetido ao general Mark Clark, onde receberam alimentos, roupas e armamentos para a guerra. Os recursos da tropa brasileira eram muito escassos e velhos, tiveram ainda de receber novo treinamento e armamento para só então iniciar campanhas.

     A FEB era constituída por uma divisão de infantaria composta por 25.334 membros e tinha como lema “A cobra está fumando”. A primeira campanha da FEB se deu em setembro de 1944 no norte da cidade de Lucca, onde obteve as primeiras vitórias e tomou Massarosa, Camaiore e Monte Prano. Os primeiros problemas da FEB se deram em outubro com as batalhas em Barga. Mas a infantaria brasileira fez muito sucesso com seu desenvolvimento e conquistas na guerra, foi designada para tomar o Monte Castello sozinha e por isso teve derrotas no final de tal mês.”





    “Massarosa foi a primeira localidade liberada pelas forças brasileiras, e o foi por um ousado golpe da Seg.Cia. I/6º RI, às ordens do capitão Alberto Tavares da Silva, e transportada em auto-caminhões.

     No dia seguinte, as tropas do general Zenóbio, fazendo-se anteceder por rigorosas patrulhas de moto-mecanizados, continuaram o seu movimento para o Norte e, em rápida progressão, ocuparam Ghilardona - Il Vecoli – colina Santa Lucia, exatamente a orla colinosa que se estende logo ao Sul da única transversal rodoviária existente na zona de ação. O Pelotão de Reconhecimento, articulando-se na aldeia de Stiava, prolongara-lhe o flanco ocidental (esquerdo). Nesses dois dias, as nossas forças cruzaram  alguns campos minados, cingindo-se a atividade inimiga a tiros de artilharia sobre as regiões de Quiesa e Massarosa.

     As informações até então colhidas deram ao chefe do Destacamento da FEB a impressão de que somente ao Norte da linha geral Camaiore - Monte Prano - V.Valimono - M.Acuto - M.Pruno seria possível um choque com o inimigo.
     Assim, para cerrar o nosso dispositivo sobre a mencionada linha, a localidade de Camaiore, engastada nas abas de um conjunto montanhoso, despertava logo a atenção, por constituir sólida base para as ações ulteriores.

     O avanço de oito quilômetros em nosso flanco esquerdo (ocidental), para empolgar Camaiore, seguramente avivaria o ânimo ofensivo de nossas tropas.
     Decidiu, portanto, o general Zenóbio, a 18 de setembro, ocupar, sem perda de tempo, a cidade de Camaiore e deslocar o destacamento para o Norte, com o objetivo de articulá-lo em frente às elevações que pareciam caracterizar a orla exterior da posição defensiva inimiga.

     E a falada Linha Gótica da propaganda alemã feriu a memória de todos quantos ali estavam. Era, ao que se dizia, a linha de defesa mais poderosa que os alemães tinham organizado. Estendia-se do mar Tirreno ao mar Adriático apoiando-se nos terríveis obstáculos das montanhas apinianas.

     Em consequência, o chefe da Infantaria Expedicionária impulsionou sobre aquela cidade um grupamento misto especial, comandado pelo capitão Ernani Ayrosa, do I/6º R.I.    Esse pequeno grupamento partiu de Massarosa na manhã de 18 de setembro e, quando estava bem próximo de Camaiore, encontrou uma ponte destruída, o que impediu o prosseguimento da marcha nos tanques americanos.

     Diante disso, o capitão Ayrosa decidiu seguir com o restante do grupamento para Camaiore, onde penetrou sob intenso fogo de artilharia e morteiros.

     A cidade foi conquistada na jornada de 18 de setembro, sem maior oposição, em vista de os alemães só terem mantido aí escassos elementos de vigilância, que se retiraram à aproximação dos elementos avançados do grupamento misto especial.

     A posse de Camaiore foi consolidada com o reforço da 7ª Companhia/III/6º R.I. sob o comando do capitão Álvaro Felix, rapidamente transportada em jipes e caminhões.

     Remate indispensável à manobra brasileira era a posse da transversal La Rena - Fattoria (Camaiore - Lucca), visto como estabelecia e firmava uma comunicação interior, de repercussão enorme nas ações futuras.

     Lançou-se, em consequência, o Destacamento FEB, ainda na jornada de 18, à conquista das elevações que dominam essa rodovia pelo lado Norte, ou seja, a linha Meschino - Castelo - Migliano - Monssagrati – Cuco.

     Ao fim da jornada, estava a citada transversal quase toda em poder das tropas do Destacamento FEB, à exceção das alturas do flanco oriental (direito), só alcançadas e dominadas no dia seguinte, mediante o engajamento do Batalhão do major Abílio. Na noite de 19, o contato fora tomado em toda a frente e a operação realizada no flanco direito, durante o dia, assumiu o aspecto de um engajamento.

     Com as ações da jornada do dia 19 de setembro de 1944, conseguira o destacamento cerrar sobre os postos avançados da famosa Linha Gótica. Apoiavam-se esses postos nas alturas de Monte Prano, Valimono, Acuto e Pruno, e cota 540. E as informações colhidas, decorrentes da cerrada ação de contato, revigoraram a impressão de que o inimigo poderia oferecer forte resistência em posições adrede preparadas e conhecidas sob a designação de Linha Gótica.
 



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wikipedia ITA





fotos da FEB







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A Cobra Fumou / 2002


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Operation Market Garden / Arnhem / Operation Anvil 1944




 
Operação Market-Garden

Battle for Arnhem

Operação Anvil / Dragoon

agosto / setembro 1944


      Depois do avanço na França, a libertação de Paris, as forças Aliadas precisam avançar para o leste, rumo a fronteira alemã, onde está a Linha Siegfried, enfraquecida, mas ainda a oferecer obstáculo. Antes era preciso um porto estratégico para abastecer as tropas em avanço, e assim foi planejado a invasão de portos nos Países Baixos.

      Então os comandantes Aliados passaram a discutir onde deveria ser o próximo ataque, se concentrado ou em duas frentes. O general britânico Montgomery conseguiu aprovação para a Operação Market Garden que consistia em ataque aerotransportado (Market) e avanço blindado (Garden). Mas a operação não aconteceu tal como planejada, ao encontrar resistência e péssimas condições climáticas, para o infortúnio dos Aliados.

      Ao sul da França acontecera, em meados de agosto, o desembarque aliado planejado na Operação Anvil [também designada Dragoon] que visava unir as tropas aliadas em território francês, a ser retomado do domínio germânico.

Antuérpia [porto holandês] era importante para a execução de planos futuros e, por conseguinte, [o general norte-americano comandante da força Aliada ] Eisenhower concordou parcialmente com a proposta de [ general britânico] Montgomery. Ele comunicou a [general norte-americano] Bradley que mandasse um dos seus dois exércitos, o 1º, para o norte das Ardenas, a fim de fortalecer Montgomery no desenvolvimento do principal esforço aliado, insistindo, porém, com Bradley para que mantivesse a pressão ao sul das Ardenas e contra o Sarre, já agora definitivamente uma operação subsidiária, a fim de preparar o setor sul da linha de ataque para o cerco do [vale do rio] Ruhr.

Entrementes, uma força aliada desembarcara no sul da França, a 15 de agosto, como parte da discutida Operação Bigorna [Anvil] que Eisenhower insistira em realizar, a despeito dos protestos de [ primeiro-ministro britânico Winston ] Churchill e dos estrategistas britânicos. Depois de tomar o porto de Marselha, os soldados aliados subiram rapidamente o vale do Ródano [Rhône] e juntaram-se às forças da Operação Overlord a 15 de setembro. Nesse momento, [ general norte-americano Jacob ] Devers, Comandante do 6º Grupo de Exércitos, e que dirigia um exército francês e um americano, ficou sob o comando de Eisenhower.

Isto dava a Eisenhower três comandantes de grupo de exércitos: Montgomery, Bradley e Devers, e o controle de forças de terra que cobriam uma frente que ia da Holanda ao [Mar] Mediterrâneo e do Atlântico até quase a fronteira alemã. A 20 de setembro, Eisenhower inaugurou seu Q-G em Versalhes e estabeleceu um posto de comando avançado em Reims.”

Já então as discussões sobre a estratégia a ser adotada, se frente ampla ou frente estreita, se haviam encerrado. No começo de setembro, com os alemães aparentemente à beira do colapso e a guerra parecendo chegar ao fim, o avanço de frente ampla de Eisenhower transformou-se numa disparada. Seu objetivo era manter os alemães 'estendidos por toda parte', como dissera Eisenhower.

A 4 de setembro, Montgomery tornou a tentar mudar a forma da perseguição. Ele escreveu a Eisenhower: 'Acho que chegou o momento em que um ataque vigoroso na direção de Berlim pode chegar até lá e, assim, terminar a guerra com a Alemanha'.

Como os Aliados careciam de recursos para manter duas ofensivas vigorosas, uma pelo 21º Grupo de Exércitos e outra pelo 12º Grupo de Exércitos – o 6º Grupo de Exércitos ainda estava para unir-se a eles – Montgomery sugeriu a concentração dos efetivos disponíveis num único ataque. Evidentemente, o [vale do rio] Ruhr era um objetivo mais importante do que o Sarre. 'Se tentarmos uma solução de meio-termo e dividirmos nossos recursos de manutenção [logísticos] de modo que nenhum dos dois ataques [referindo-se ao seu e ao de Bradley] será vigoroso', advertiu ele, prolongaremos a guerra'.

Eisenhower respondeu-lhe no dia seguinte, afirmando que a frente ampla dava aos Aliados a liberdade de atacar em qualquer parte e a qualquer momento, o que obrigava o inimigo a manter-se meio desconcertado. Seu grande objetivo continuava sendo a flexibilidade, a capacidade de enfrentar qualquer resistência que os alemães conseguissem oferecer, onde quer que fosse. Mas ele reconhecia, repetiu, que Montgomery estava rumando para os alvos mais importantes e, para lhe permitir o avanço contra Antuérpia, Eisenhower dava-lhe prioridade na distribuição de suprimentos, que lhe eram entregues em quantidades cada vez maiores.

[…]

Montgomery tornou a protestar, a 7 de setembro, e pediu que Eisenhower fosse ter com ele para discutirem a questão.

Eisenhower foi ao seu encontro no dia 10. já então os alemães estavam-se acomodando na Muralha Ocidental – a Linha Siegfried, como os Aliados a chamavam. Nessas fortificações, há muito abandonadas, ao longo da fronteira alemã, os germânicos decidiram resistir.

Ali as forças aliadas ficaram sem combustível, munição e rações nas quantidades necessárias para romper as defesas da Muralha Ocidental, deixando entrever que a perseguição que moviam aos alemães ia ter de parar, à beira do Reich.

Durante sua conferência com Eisenhower, Montgomery repetiu sua crença de que os exércitos aliados careciam do poderio para todos chegarem ao Reno. Somente se parasse algumas forças e desviasse seu combustível e munição para as outras é que Eisenhower poderia esperar que os Aliados cruzassem o Reno e chegassem ao Ruhr. Evidentemente, como o avanço de Montgomery era o principal esforço aliado, seria ele quem receberia virtualmente todos os suprimentos aliados.

Como primeira etapa desse grande conceito, Montgomery propôs uma operação chamada Market Garden. Arrojada, se não francamente arriscada, era um plano para usar divisões Aerotransportadas e blindadas para atravessar o Baixo Reno nos Países Baixos.

Montgomery desejava empregar as três divisões do 1º Exército Aerotransportado aliado para espalhar um tapete de tropas ao longo de um estreito corredor pelos Países Baixos adentro e transpor o Baixo Reno. Esses soldados seriam mantidos junto por uma penetração blindada por aquele corredor. Se pudesse transpor a barreira fluvial, ele flanquearia as posições da Muralha Ocidental e estaria pronto, admitindo-se que pudesse receber os suprimentos necessários, para um avanço direto para o Ruhr.


Fazendo parte da sua perspectiva de frente estreita, Montgomery via essa operação como uma alternativa para a estratégia de frente ampla, de Eisenhower.

A aceitação da ideia de Montgomery representaria o adiamento da utilização do porto de Antuérpia. A cidade fora capturada no começo de setembro, mas antes que o porto pudesse ser usado, o trecho de mais de 80 km do estuário do [rio] Escalda teria de ser limpo. Em sua retirada da Normandia, as forças alemãs haviam controlado firmemente as costas dessa enseada e minado os acessos da baía. Se Montgomery desse mais atenção à Market Garden, não poderia dar prioridade à Antuérpia.

Eisenhower aceitou a sugestão de Montgomery não porque aprovasse o abandono do conceito de frente ampla. Longe disso, ele estava interessado em utilizar as forças aeroterrestres, que desde a invasão e os primeiros dias de junho se encontravam ociosas na Grã-Bretanha, aguardando a oportunidade de retornar à ação.

Como Eisenhower explicou a [general Chefe do Estado-Maior dos EUA George ] Marshall, ele estava sempre disposto a 'adiar a captura de portos em favor de movimento mais arrojado e mais rápido para a frente'. Mas, com o inverno chegando, ele precisava de Antuérpia e disse a Marshall que 'é absolutamente imperioso' que Montgomery tome Antuérpia logo depois da Market Garden.

A Market Garden começou a 17 de setembro. Uma semana depois, terminou. Embora Montgmomery tivesse aberto um corredor de 104 km de profundidade nos Países Baixos e assegurado cabeças-de-ponte sobre os rios Maas e Waal, não conseguira, entretanto, transpor do Reno ou flanquear a Muralha Ocidental. Ele perdera quase 12.000 homens, mas não lograra levar ao colapso um governo alemão supostamente vacilante.

Com isso, a perseguição dos Aliados aos alemães, que perdera impulso em meados de setembro, parou definitivamente.

Uma vez mais, a despeito da evidência de que a Market Garden não demonstrara, em qualquer momento de ataque, a menor chance de êxito contra uma Alemanha que ainda não chegara ao fim, e que na verdade continuaria lutando por mais sete meses – Montgomery pediu que se desse tudo ao seu 21º Grupo de Exércitos para um avanço imediato na direção de Berlim.

Eisenhower recusou.

A 22 de setembro ele ordenou a Montgomery que aplicasse toda a energia na eliminação dos alemães do [rio] Escalda, a fim de que o porto de Antuérpia fosse aberto.”

pp. 118, 120-123

fonte: BLUMENSON, Martin. Eisenhower. Rio de Janeiro : Renes, 1976

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filme

A Bridge too far / 1977

[baseado em livro de Cornelius Ryan]






segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Libertação de Paris - agosto 1944







Libertação de Paris

agosto 1944


     Depois dos avanços das tropas Aliadas no norte da França, desde os desembarques na Normandia, com a Operação Overlord, no famoso Dia D, em 06 de junho de 1944, e o bombardeio da cidade de Caen, de junho a agosto, além dos combates no chamado 'bolsão' de Falaise, em início de agosto, finalmente a liberação de Paris na última semana de agosto é iminente, e os cidadãos franceses tomam parte nos combates dentro da cidade, para expulsar o invasor germânico, usurpadores desde a derrota de junho de 1940.

Desde 1940, a capital francesa estava ocupada pelos alemães. Tardaria até meados de agosto de 1944 para que as tropas aliadas conseguissem avançar em direção a Paris.

Já nos dias que antecederam à libertação da cidade ocorreram greves da polícia, dos correios e do metrô parisiense, o rádio suspendeu suas transmissões e, no dia 19 de agosto de 1944, o Comitê da Libertação de Paris conclamou a população a rebelar-se.

Ministérios, redações de jornais e partes da administração municipal foram ocupados. Os grupos da Resistência parisiense passaram a lutar em combates de rua, atrás de barricadas construídas às pressas.

Seu líder era o comunista convicto Henri Tanguy, conhecido como coronel Rol. Ele e seus correligionários queriam aproveitar uma rebelião geral em Paris, a fim de assumir o poder político antes que as forças francesas de Charles de Gaulle e as tropas aliadas chegassem para libertar a cidade.”


Entusiasmada com a progressão das tropas aliadas após os desembarques na Normandia em 6 de junho e na Provença em 15 de agosto de 1944, a população parisiense revolta-se. Dando seguimento ao movimento iniciado pelos funcionários do metrô, gendarmes, policiais e empregados dos correios, uma greve geral é organizada no dia 18 de agosto. Formam-se barricadas, eclodem violentos combates e a Resistência interna luta contra os 20.000 alemães que se encontram na capital.

No dia 25 de agosto, a 2ª Divisão blindada do general francês Leclerc e as tropas aliadas entram na cidade. Pela primeira vez desde 1940, a bandeira tricolor é içada no alto da Torre Eiffel. Na parte da tarde, o general von Choltitz assina a rendição dos ocupantes, ao mesmo tempo que o general de Gaulle faz a sua entrada em Paris e instala no ministério da Guerra a sede do Governo provisório da República francesa. Às 19 horas, pronuncia na varanda da Prefeitura o seu célebre discurso: “Paris ultrajado! Paris martirizado! Mas Paris libertado!”.

Apesar dos confrontos que continuarão ainda durante alguns dias, os parisienses em júbilo assistem à descida dos Champs-Élysées pelo general de Gaulle e os exércitos de liberação.”




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Batalha de Falaise




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