sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Defesa Russa em Stalingrado - agosto / setembro 1942



Defesa Russa em Stalingrado


fonte: CHANEY Jr., Otto Preston. Zhukov. Marechal da União Soviética. Renes, 1976.


“Em meados de julho, finalmente, os alemães deram início a maciça operação na direção de Rostov e Stalingrado, a partir da concentração que fizeram em torno de Kharkov. No dia 21 de julho, o VI Exército do General Friedrich von Paulus, avançava célere na direção de Stalingrado, ao mesmo tempo em que os russos deslocavam novas unidades do noroeste, transportando-as apressadamente por via férrea e em caminhões. Poucos dias depois, já estava Rostov sob séria ameaça apesar da encarniçada resistência que as forças soviéticas vinham opondo aos avanços alemães, e em torno de Stalingrado começavam a travar-se os primeiros combates.

A 28 de julho, o Exército Vermelho se retirava de Rostov, mas a falta de combustível e de munições impediu que von Paulus explorasse a fundo o sucesso obtido. Além disso, os blindados alemães começavam a amontoar-se em Rostov, paralisados por falta de manutenção ou de peças sobressalentes, o que provocou mais uma das explosões de cólera de Hitler, que passou a insultar o Estado-Maior do Exército alemão e a lançar diatribes aos que o rodeavam, por causa dos erros que estavam sendo cometidos.”

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“Os russos esperavam ganhar tempo, a fim de poder reforçar as defesas de Stalingrado, atividade já iniciada pelos milhares de habitantes da cidade. Embora o dispositivo de defesa não fosse particularmente forte, teve o mérito de impedir que os alemães capturassem a cidade por meio de um golpe de surpresa e movimentos rápidos.

De 5 a 18 de agosto, uma investida envolvente, partida do sul, suplementou o avanço que se fazia na direção da cidade, procedente do oeste e do noroeste. No período entre 19 de agosto e 3 de setembro, a luta que se travou entre o Don e o Volga atingiu proporções de crise, no momento em que os alemães irromperam ao norte de Stalingrado, atingindo o Volga e formando um saliente com cerca de dez quilômetros de amplitude. Para impedir o cerco (e também para evitar que os alemães continuassem a atacar pelo sul), os defensores do Exército Vermelho se retiraram para o interior da cidade. Entre os dias 4 e 13 de setembro, os alemães irromperam pelo Volga, ao sul de Stalingrado, isolando, com essa manobra, o LXII Exército soviético, que se encontrava no interior da cidade, do resto da frente. Por fim, de 13 de setembro a 18 de novembro, desesperada batalha foi travada no interior da cidade, ao mesmo tempo em que a maior parte das peças de artilharia soviética foi deslocada para ponto mais afastado do Volga.

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Zhukov [Jukov] partiu do aeroporto central de Moscou a 29 de agosto e, ao chegar ao Q-G da Frente de Stalingrado, dedicou-se por completo à tarefa de planejar as defesas da ameaçada cidade. Duas semanas depois foi convocado à presença de Stalin, a fim de prestar-lhe um depoimento a respeito da situação naquela área. Zhukov declarou que o ponto fraco de toda a Frente estava na falta de reforços e no número insuficiente de peças de artilharia e de unidades blindadas - essenciais para o apoio à infantaria. Dissertou a respeito do terreno em torno de Stalingrado: aberto, cortado por ravinas profundas, que ofereciam boa cobertura ao inimigo, e totalmente desfavorável a ações ofensivas por parte do Exército Vermelho. Havendo ocupado inúmeras elevações, os alemães tinham à disposição excelentes postos de observação para peças de artilharia de longo alcance e a possibilidade de dirigir o fogo de sua artilharia em qualquer direção. Nessas condições, concluiu Zhukov, os três exércitos da Frente de Stalingrado não tinham possibilidade alguma de penetrar nas defesas inimigas.

Stalin olhou para o mapa, no qual estavam assinalados os locais onde se concentravam as reservas de Stavka [Quartel General], e estudou-o por alguns momentos. Depois, determinou a Zhukov e a Vasilevsky que fossem ao Estado-maior e elaborassem uma proposta para o fortalecimento das unidades em Stalingrado, bem como de toda a Frente do Cáucaso. Zhukov e Vasilevsky passaram todo o dia seguinte tentando encontrar uma fórmula capaz de propiciar a execução da manobra, sem que se tornasse necessário fragmentar as reservas que iam ser usadas. No mês seguinte, dariam por terminada a formação da reserva estratégica, que incluía vastas e bem equipadas unidades blindadas. Àquele empo, a indústria soviética havia conseguido aumentar bastante a produção de novos modelos de aviões e de munição para a artilharia.

Tendo pesado todas as possíveis alternativas, Zhukov e Vasilevsky decidiram propor a Stalin que os russos continuassem a ação defensiva, a fim de desgastar o inimigo, para depois então lançar uma contra-ofensiva de tal magnitude, que o equilíbrio estratégico na região sul pendesse decisivamente para o lado da União Soviética.”

pp. 97-98, 99, 101


fonte: CHANEY Jr., Otto Preston. Zhukov. Marechal da União Soviética. Renes, 1976.


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mais info:

Stavka

luta nas ruas


filme russo
the Battle of Stalingrad
(Сталинградская битва, 1949)



filme alemão
Stalingrad/ 1993

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seleção: LdeM

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ataque alemão à Stalingrado




Ataque alemão à Stalingrado


fonte: BEEVOR, Antony. Stalingrado. O Cerco Fatal. Trad. Alda Porto. Record, 2005.


Cap. 8 - “Alcançado o Volga”


“Em 21 de agosto de 1942, as companhias de infantaria LI do Corpo do general von Seydlitz atravessaram o Don ao amanhecer em barcos de ataque infláveis. Logo estabeleceram uma cabeça-de-ponte perto da aldeia de Luchinski. Mais e mais companhias remavam furiosamente pela imensa extensão de água. Alguns quilômetros corrente abaixo, em Vertiachi, todo um batalhão atravessou o Don em turnos em menos de setenta minutos.

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“Logo depois do meio-dia de 22 de agosto, a ponte ficou pronta, e a divisão de panzers do general Hube, 'os aríetes da corporação', começaram a atravessar. Os tanques, meias-lagartas, canhões de ataque autopropulsores, veículos de reconhecimento de oito rodas e caminhões chocalhavam, ensurdecedores, pela ponte de troncos.


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“Para os cidadãos de Stalingrado, domingo, 23 de agosto, foi 'um dia que jamais será esquecido'. A cidade-modelo de que tanto se orgulhavam, com seus jardins ao longo da margem direita do Volga e os altos prédios brancos de apartamentos, que davam ao lugar sua aparência moderna, cubista, tornou-se um inferno.

Os alto-falantes nas ruas, presos a postes de luz, começaram a repetir:
-Camaradas, soou na cidade um alarme de ataque aéreo. Atenção, camaradas, um alarme de ataque aéreo...

A população já ouvir tantos falsos alarmes de ataque aéreo, que a princípio poucos levaram esse a sério. Só depois que as baterias antiaéreas abriram fogo, as pessoas puseram-se a correr em busca de abrigo.

As que faziam piquenique no Mamaev Kurgan, o imenso túmulo de pedras tártaro num monte que dominava o centro da cidade, eram as mais expostas. Abaixo, nas longas ruas largas que corriam paralelas ao Volga, as massas de refugiados dos distritos afastados encontraram pouca proteção, fora as trincheiras em pátios internos e jardins cavadas por comitês de quarteirões para aqueles que não conseguissem chegar a tempo a um porão.

A força aérea de Richthofen começou a bombardear por turnos, 'não apenas alvos industriais, mas tudo', disse um estudante presente naquele dia. As bombas de alto poder explosivo oscilavam delicadamente ao caírem dos Heinkels em bastões. As descrições de cenas na cidade tornam difícil imaginar alguém sobrevivendo fora de um porão. (...)

O ataque aéreo a Stalingrado, o mais concentrado no Ostfront, representou a culminação natural da carreira de Richthofen desde Guernica. A força aérea da Quarta Frota Aérea fez um total de 1.600 saídas naquele dia e despejou mil toneladas de bombas com a perda de apenas três aparelhos. Segundo algumas estimativas, havia quase 600 mil pessoas em Stalingrado, e 40 mil foram mortas na primeira semana de bombardeio.

O motivo de tantos cidadãos e refugiados ainda permanecerem na margem ocidental do Volga era característico do regime. O NKVD requisitara quase todas as embarcações do rio, atribuindo ao mesmo tempo prioridade muito pequena à evacuação da população civil. Depois, Stalin, decidindo que não se devia criar nenhum pânico, recusou-se a permitir que os habitantes de Stalingrado fossem evacuados pelo Volga. Segundo ele, isso obrigaria as tropas, sobretudo a milícia formada no local, a defender com mais desespero uma cidade.
-Ninguém se importava com os seres humanos – observou um dos garotos cercados atrás com as mães. - Nós também éramos apenas bucha de canhões.”

pp. 127, 129-130, 131-132



“Os defensores soviéticos de Stalingrado achavam-se numa posição perigosa, em parte porque o general Ieremenko concentrara a maior parte de suas forças disponíveis para diminuir a velocidade do Quarto Exército de panzers de Hoth, que avançava para a cidade vindo do sudoeste. Jamais imaginara que as forças de Paulus iriam entrar com tanta rapidez e ousadia à sua direita.

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Stalin ficou furioso quando soube que as tropas alemãs haviam chegado ao Volga. Proibiu a instalação de minas nas fábricas, a evacuação de maquinaria ou qualquer outra reação que 'pudesse ser tomada como uma decisão de entregar Stalingrado'. A cidade seria defendida até o fim. O Conselho Militar mandou aficar cartazes em toda a cidade proclamando um estado de sítio: 'Jamais entregaremos a cidade do nosso nascimento. Ergamos barricadas em cada rua. Transformemos cada distrito, cada quarteirão, cada prédio numa fortaleza inexpugnável.' Muitos homens entraram em pânico, entre eles o secretário do Comitê do Komsomol [Juventude Comunista] de Stalingrado, que 'abandonou seu posto' e fugiu para a margem oriental sem permissão.

Os operários não envolvidos diretamente na produção de armas para uso imediato foram mobilizados em 'brigadas especiais' de milícia, sob o comandante da 10ª Divisão de Fuzileiros da NKVD, coronel Saraiev. Distribuíram-se munições e fuzis, mas muitos homens só recebiam uma arma depois que um camarada era morto. (...)

“Os regimentos da aviação do Exército Vermelho também foram lançados na batalha em 24 de agosto, mas um Iak [Yakovlev] tinha pouca chance contra um Messerschmitt 109, e os caça-bombardeiros Shturmovik, embora blindados na superfície inferior, eram extremamente vulneráveis quando voavam com um piloto competente na cola. Os soldados alemães davam vivas embaixo quando pilotos da Luftwaffe despachavam seus inimigos 'mit Eleganz' [com elegância], como se a guerra aérea fosse uma espécie de tourada realizada para o prazer dos espectadores em terra.”


“Em 28 de agosto, caças russos também tentaram atacar a nova base da Luftwaffe perto de Kalach, mas um grupo de caça Messerschimitt 109 rechaço-os. Orgulhosos de sua vitória, os jovens pilotos bronzeados reuniram-se para o interrogatório após a missão, mas seu austero comandante – conhecido como 'o Príncipe', por causa da semelhanças com uma estátua medieval de catedral – não os parabenizou. Em vez disso, transmitiu a ordem que tanto irritara Richthofen.

-Senhores, voar por diversão e ver quem consegue derrubar mais máquinas inimigas precisa parar. Cada máquina, cada gota de combustível, cada hora de voo é insubstituível. A vida fácil em terra que andamos levando é completamente irresponsável: no ar, mais ainda. Toda bala deverá socorrer a infantaria, se não houver alvo no ar.

Murmúrios ressentidos acolheram suas palavras.

Como ocorre com frequência em fins de agosto, a temperatura mudou de repente. No sábado, 29 de agosto, choveu durante quase todo o dia e a noite. Os soldados ficaram encharcados e as trincheiras, cheias de água. 'Essa Rússia desgraçada' era uma reação comum em cartas para casa nessa época. Pareciam tão próximos do que achavam que era seu objetivo final, após um avanço de quase quatro meses sem trégua.”
pp. 134-135, 136; 142


fonte: BEEVOR, Antony. Stalingrado. O Cerco Fatal. Trad. Alda Porto. Record, 2005.


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mais info:


luta nas ruas

Komsomol



seleção: LdeM



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Avanço Alemão rumo a Stalingrado


 
Frente Oriental
Julho-Agosto 1942


Avanço alemão rumo a Stalingrado


fonte: BEEVOR, Antony. Stalingrado. Trad. Alda Porto. Record, 2005.


Cap. 7 -“Nem Um Passo Atrás

Em 28 de julho de 1942, enquanto Hitler continuava comemorando a captura de Rostov, Stalin sentiu que o momento de crise se aproximava. As forças soviéticas que se retiravam diante do Sexto Exército de Paulus enfrentavam aniquilação a oeste do Don. Se os alemães depois avançassem até o outro lado do Volga, quase sessenta e cinco quilômetros mais, o país seria cortado em dois. O comboio PQ-17 acabara de ser destruído no mar de Barents, e a nova linha de abastecimento anglo-americana pela Pérsia [atual Irã] logo seria ameaçada. A União Soviética enfrentava estrangulamento.

[...]

[O general] Vasilevski retornou naquela noite com o rascunho da Ordem 227, mais comumente conhecida como 'Nem Um Passo Atrás', Stalin fez várias alterações, assinando-a em seguida. A ordem deveria ser lida para todas as tropas do Exército Vermelho. 'Os alarmistas e covardes precisam ser destruídos no local. A mentalidade de retirada deve ser definitivamente eliminada. Os comandantes de exército que permitirem o abandono voluntário de posições têm de ser afastados e enviados a imediato julgamento por um tribunal militar.' Todo aquele que se entregasse era 'um traidor da Pátria'. Todo exército tinha de organizar 'de três a cinco destacamentos (até 200 homens cada)' para formar uma segunda linha e fuzilar qualquer soldado que tentasse fugir. Jukov pôs essa ordem em prática na Frente Ocidental em dez dias, usando tanques equipados com oficiais especialmente escolhidos. Eles seguiam a primeira onda de um ataque, dispostos 'a combater a covardia', abrindo fogo contra quaisquer soldados que vacilassem.

Foram construídos três campos para o interrogatório de todos que houvessem escapado da detenção ou cerco alemães. Os comandantes que permitiam a retirada deveriam ser privados do seu posto e mandados para as companhias ou batalhões penais. A primeira, na Frente de Stalingrado, começou a funcionar três semanas depois, em 22 de agosto, véspera da chegada dos alemães ao Volga.

As companhias penaisshtrafrotiteriam de desempenhar missões semi-suicidas, como a retirada de minas durante um ataque. Ao todo, uns 322.700 homens do Exército Vermelho iriam 'expiar com seu sangue os crimes que cometeram perante a Pátria'. A ideia atraiu tanto as autoridades soviéticas que os prisioneiros civis eram transferidos do gulag para unidades shtraf , quase um milhão, segundo alguns, mas isto bem pode ser um exagero. Promessas de redenção por bravura em geral acabavam revelando-se falsas, sobretudo por causa da indiferença burocrática. Os homens eram abandonados para morrer em suas fileiras. [...]”

pp. 107, 108


More Info
Sobre a destruição do comboio aliado PQ- 17

A destruição do PQ 17 provocou a suspensão de todos os comboios para a União Soviética até ao mês de Agosto quando saiu da Islândia o PQ 18 com quarenta navios providos de uma boa escolta que incluía o porta-aviões Avenger de 10.366 toneladas de deslocamento e uma dúzia de Hurricanes.http://naval.blogs.sapo.pt/37676.html

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O avanço pela estepe do Don proporcionou muitas experiências contraditórias ao Sexto Exército após as neves de inverno. O general Strecker, comandante do XI Corpo, achou-a 'quente como a África, com imensas nuvens de poeira'. Em 22 de julho, seu chefe de estado-maior, Helmuth Groscurth, registrou uma temperatura de '53 graus centígrados ao sol'.

Chuvas repentinas, logo transformando as trilhas em lama, pouco faziam para resolver a escassez de água, principal preocupação do Landser [soldado raso] alemão naquela época. O Exército Vermelho poluía poços durante a retirada, enquanto destruía os prédios das fazendas coletivas e levava tratores e gado para a retaguarda. Os suprimentos que não podiam ser deslocados a tempo eram inutilizados. 'Os russos despejaram petróleo nos armazenamentos de grãos', escreveu um cabo para casa em 10 de agosto. 'Os bombardeiros soviéticos soltam bombas de fósforo à noite para atear fogo na estepe', comunicou uma divisão de panzers. Mas muitas colunas de fumaça preta no horizonte eram propagadas por queimas de cordite em volta de posições de artilharia.

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Para os soldados do Sexto Exército, o verão de 1942 ofereceu os últimos idílios de guerra. No campo cossaco do Don, as aldeias de casinhas caiada com telhados de colmo, cercadas por pequenos pomares de cerejeira, salgueiros e cavalos nas pradarias, proporcionavam um atraente contraste para a dilapidação geral das aldeias tomadas por fazendas coletivas. A maioria dos civis que ficara para trás, em desafio às ordens comunistas de evacuação, era amistosa. Muitos dos mais velhos haviam lutado contra os bolcheviques na guerra civil russa. Só na primavera anterior, apenas algumas semanas antes da invasão alemã, os cossacos haviam-se insurgido numa revolta em Shakhti, no norte de Rostov, declarando uma república independente. Isso foi esmagado por tropas do NKVD com rápida e previsível brutalidade.”

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Os alemães não paravam de surpreender-se com o desperdício dos comandantes russos com as vidas dos seus homens. Um dos piores exemplos ocorreu durante as batalhas defensivas a oeste do Don. Três batalhões de oficiais estagiários, sem armas nem rações, foram mandados contra a 16ª Divisão de panzers. O comandante deles, que se rendeu após o massacre, disse aos captores que quando protestara 'sobre essa missão absurda', o comandante do exército, visivelmente embriagado, berrara com ele para que a levasse adiante.

O Exército Vermelho continuava sofrendo do antigo medo da iniciativa incutido pelos expurgos. Mas dos últimos desastres no sul, que acabaram destruindo a reputação dos caçadores de bruxa stalinistas, começava a surgir uma nova cepa de comandante – enérgico, impiedoso e muito menos temerosos dos comissários e do NKVD. Os êxitos de Jukov forneceram a luz e a esperança para muitos outros oficiais em ascensão, furiosos com as humilhações sofridas pelo Exército Vermelho.”

pp. 110, 111-112


fonte: BEEVOR, Antony. Stalingrado. Trad. Alda Porto. Record, 2005.


Sobre os Expurgos




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O ataque alemão pelo flanco da direita do 62º Exército até o Don logo causou o caos. Espalhou-se em 26 de julho o rumor nos escalões da retaguarda do 64º Exército de Chuikov de que os tanques alemães estavam prestes a isolá-los. Deu-se início então a uma debandada para a ponte flutuante sobre o Don. O pânico em seguida contagiou as tropas da linha de frente. Chuikov enviou oficiais do estado-maior à margem do rio para restaurar a ordem, mas a força aérea alemã já identificara a oportunidade. Surgiram ondas dos Stukas de Richthofen e vários dos oficiais superiores de Chuikov ficaram entre os mortos.

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Apesar dos desastres e caos causados pelas más comunicações, as unidades do Exército Vermelho continuaram revidando. Davam o máximo de si na maioria das investidas rápidas à noite, pois um ataque durante a luz do dia logo provocava uma resposta da Luftwaffe. O comandante de companhia alemã que mantinha um diário na 384ª Divisão de Infantaria relatou em 2 de agosto: 'Russos resistindo com muita intensidade. São tropas novas e jovens.' E mais uma vez no dia seguinte: 'Russos resistindo com muita intensidade. Estão recebendo reforços o tempo todo. Uma das nossas companhias de sapadores evitou a batalha. Muito vergonhoso.' Seus próprios soldados começaram então a sofrer terríveis dores de estômago, talvez devido à água contaminada. 'É terrível aqui', escreveu alguns dias depois. 'Essas noites horripilantes. Cada um de nós está muito tenso. Os nervos não têm nenhuma chance.'

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Muitos comandantes de panzers de Hube faziam observações depreciativas sobre a estupidez do inimigo, que deixava tanques parados no descampado e assim oferecia perfeitos alvos para os Stukas ou canhões antiaéreos 88 mm, mortíferos numa função de solo. Sabiam que o T-34, no conjunto, era um veículo blindado, muito melhor do que qualquer outra coisa já produzida pela Alemanha. Por outro lado, seu visor de mira não era muito bom, poucos comandantes russos tinham binóculos decentes, menos ainda rádios. O maior ponto fraco do Exército Vermelho , contudo, era a pobreza de táticas. Suas forças de tanque não usavam o terreno corretamente e demonstravam pouca familiaridade com os princípios de disparo e movimento. E, como Chuikov logo reconheceu, eram incapazes de coordenar ataques com a aviação do Exército Vermelho.

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(...) nos últimos oito dias o Exército Vermelho enviara quase mil tanques ao outro lado do Don: só pouco mais da metade fora destruída. Esses números eram muito exagerados. O comandante do Exército Vermelho só tinha 550 tanques alocados, e muitos jamais conseguiram atravessar o Don. Grande parte da culpa disso se deve ao exagerado otimismo dos relatórios do front. Um membro da guarnição de panzers observou que 'sempre que um tanque russo era atingido, quase todo panzer na batalha alardeava a ação como uma baixa'. Mas a visão de tantos tanques russos destruídos impressionou todos que a viram. O general von Seydlitz disse que, de longe, os KVs liquidados pareciam 'uma enorme manda de elefantes'. Qualquer que seja a quantidade exata destruída, muitos alemães ficaram convencidos de que deviam estar próximo da vitória final. A hidra russa não poderia continuar para sempre criando mais cabeças para eles cortarem.”


pp. 116, 118-119


O combate fora de fato acirrado. Muitos soldados alemães não compartilhavam a confiança de Paulus nem a opinião de Hitler de que o inimigo estava liquidado. No primeiro dia, o batalhão antitanques da 371ª Divisão de Infantaria perdeu vinte e três homens. Com frequência cada vez maior, os soldados do Sexto Exército, como os da 389[ Divisão de Infantaria, ouviam os 'Urrah!' da infantaria soviética atacando. (...)

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Em nenhuma outro lugar era mais aplicável a ordem de 'nem um passo atrás' de Stalin do que na cidade com seu nome. A batalha da guerra civil, ocorrida quando a cidade ainda se chamava Tsaritsin (em tártaro, querida dizer a cidade no Tsaritsa, ou rio amarelo), era invocada junto com o mito de que a liderança de Stalin ali invertera a maré contra os exércitos brancos e salvara a Revolução. O comitê militar regional não se esquivou de usar todas as medidas para transformar a cidade numa fortaleza. A tarefa foi difícil. Stalingrado fazia uma curva de mais de trinta e dois quilômetros ao longo da alta margem ocidental do Volga. Os defensores encontrariam um amplo estirão de água exposta atrás deles, através do qual teriam de chegar todos os suprimentos e reforços.”

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Enquanto isso, do lado alemão, começou a intensificar-se uma sensação de inquietação, apesar de suas vitórias. 'Após o Don, avançaremos para o Volga', escreveu o comandante de companhia da 384ª Divisão de Infantaria que mantinha um diário. Mas reconheceu o perigo. A Alemanha simplesmente não tinha 'tropas suficientes para avançar ao longo de todo o front'. Começou a desconfiar que a guerra criara um impulso independente. Não terminaria quando eles chegassem ao grande rio que deveria assinalar seu destino final”


pp. 120-121, 125
fonte: BEEVOR, Antony. Stalingrado. Trad. Alda Porto. Record, 2005.


Seleção : LdeM

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filmes

Stalingrado / 1993

Enemy at The Gates

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