segunda-feira, 11 de maio de 2015

Berlim abril - maio 1945 / 2





 abr – mai 1945


Berlim sob bombardeio

A invasão russa-soviética arrasa a Alemanha. Avanço do Exército Vermelho dispersa tropas alemãs, recupera territórios, domina cidades inteiras. Massacre de civis, jovens e idosos, além de estupros de mulheres, tanto jovens quanto idosas.


Cap. 18 (A Revoada dos faisões dourados)

            “Um dos sinais da queda do fascismo foi o colapso dos serviços alemães de propaganda. Em 21 de abril, a Agência de Notícias Transoceânica ficou em silêncio, assim como a Reichssender Berlim. No dia seguinte, os nacionalistas irlandeses pró-nazistas na Irland-Redaktion culparam os britânicos e americanos por reduzirem a Europa a uma zona de influência soviética. Foi sua penúltima transmissão. A emissora, em Nauen, foi capturada dois dias depois.

            Cada vez mais berlinenses assumiam o risco de escutar a BBC e chegavam a ousar discutir as notícias. Mas os cortes de energia criavam agora uma censura mais eficaz das transmissões estrangeiras do que aquela jamais conseguida pelo estado policial. Londres tinha pouca ideia da grande ofensiva soviética, mas o anúncio de que o campo de concentração de Sachsenhausen-Oranienburg tinha sido libertado logo ao norte de Berlim deu uma boa ideia do progresso do Exército Vermelho e de sua intenção de cercar a cidade. A revelação dos horrores ali encontrados foi também outro lembrete da vingança que Berlim enfrentaria. Isto não impediu que a maioria dos berlinenses se convencesse de que as histórias dos campos de concentração deviam ser propaganda inimiga.” p. 347


Ataque de nervos

            “Hitler, pelo contrário, já percebera então que a História era tudo o que lhe restava – só que sua noção de História estava fatalmente dominada pelo desejo obsessivo de imortalidade. Diversamente de Himmler [chefe das tropas SS], não tentou mudar sua imagem com concessões. No mínimo, seu apego ao derramamento de sangue e à destruição intensificou-se. Uma das principais razões de sua decisão de ficar em Berlim era muito simples. A Queda do Berchtesgaden não soava tão bem quanto a Queda de Berlim. Nem oferecia as mesmas imagens espetaculares de monumentos esmagados e prédios em chamas.

            […] Parece que, quando [Hitler] não estava nas conferências sobre a situação, passava a maior parte de seus dias e noites no bunker sentado no quarto, perdido em pensamentos, muitas vezes fitando o retrato de Frederico, o Grande. Ele se tornara o seu ícone.

            Durante quase toda a manhã de 22 de abril, Hitler exigiu febrilmente notícias do ataque de Steiner ao norte. Disse ao general Koller, chefe do estado-maior da Luftwaffe, que enviasse aeronaves para ver se as tropas de Steiner já tinham começado a deslocar-se. Entrou em contato com Himmler para pedir-lhe a mesma coisa. O Reichsführer SS não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. Ele e sua camaleônica eminência, o Gruppenführer Walter Schellenberg, ainda estavam preocupados com a ideia de contatos secretos com os aliados ocidentais através do conde Bernadotte. Himmler deu apenas uma resposta cuidadosamente otimista, a qual Hitler se agarrou como se fosse um fato.

           Na conferência do meio-dia sobre a situação, contudo, Hitler soube com certeza que Steiner não avançara. As forças soviéticas também tinham rompido o anel de defesa perimetral ao norte da cidade. Começou a gritar e berrar. Agora as SS o estavam traindo, assim como o Exército. Sua raiva foi muito pior que qualquer uma das brigas com Guderian [general comandante de tropas Panzer]. Acabou deixando-se cair numa poltrona, exausto e choroso. Disse bem abertamente, pela primeira vez, que a guerra estava perdida. Keitel, Jodl, Krebs e Burgdorf ficaram abalados. Hitler prosseguiu dizendo que, como não podia morrer lutando por ser fraco demais, simplesmente daria um tiro em si mesmo para evitar que caísse nas mãos do inimigo. Tentaram convencê-lo a partir para Berchtesgaden, mas estava claro que ele já se decidira. Ordenou a Keitel, Jodl e Bormann que partissem para o sul, mas eles se recusaram. Quem mais quisesse poderia ir, disse-lhes, mas ele ficaria em Berlim até o final. Queria que fosse feito um anúncio a respeito.” pp. 348-349  (destaque meu)


Cap. 19 (A Cidade bombardeada)

            “Em 23 de abril, a estação de rádio controlada pelos nazistas em Praga afirmou que a decisão do Führer de ficar na capital do Reich dava 'à batalha um significado europeu'. Na mesma manhã, a manchete do jornal do 3º Exército de  Choque dizia: 'Pátria, alegra-te! Estamos nas ruas de Berlim!' O nacional-socialismo reivindicava uma causa internacional, enquanto o comunismo internacional tornara-se desavergonhadamente patriótico.

            Para os civis de Berlim, as causas ideológicas  não faziam mais muita diferença. A sobrevivência era o que contava sob o bombardeio. O pior estava por vir. O general Kazakov trazia canhões de sítio de 6000 mm em lagartas especialmente largas pela linha que seguia para a Schlesicher Bahnhof, a leste da cidade. Cada granada pesava meia tonelada.”  pp. 355 (destaque meu)


           


          “O 7º Departamento da 1ª Frente Bielo-Russa lançou uma blitz de propaganda sobre Berlim, com folhetos jogados de avião que diziam aos soldados alemães 'que não havia esperanças de continuar lutando'. A prisão soviética era a única maneira de lhes salvar a vida, que não valia a pena perder pelo governo fascista. Outros eram 'passes de salvo-conduto' a serem mostrados aos soldados do Exército Vermelho na hora da rendição. O departamento afirmou ter obtido sucesso porque 'quase 50% dos alemães que se renderam em Berlim' tinham um folheto e o mostravam a seus captores soviéticos. No total noventa e cinco folhetos diferentes, quase 50 milhões de cópias ao todo, foram lançados.  Outros, cerca de 1,66 milhão, foram distribuídos entre os civis alemães e os soldados que eram enviados de volta cruzando as linhas. Durante a Operação Berlim, 2.365 civis foram mandados de volta para infiltrar-se na cidade. Além disso, 2.130 prisioneiros de guerra alemães foram mandados de volta, dos quais 1.845 retornaram trazendo mais 8.340 prisioneiros. Esta tática foi considerada um sucesso tamanho que o comandante do 3º Exército de Choque ordenou a libertação em massa de prisioneiros de guerra alemães sob a supervisão dos oficiais políticos.” pp. 358-359

            “O outro general alemão importante na batalha de Berlim a surgir desta vez foi o general Helmuth Weidling, comandante do LVI Corpo Panzer. Weidling parecia mais uma versão professoral de Erich von Stroheim, só que com cabelo.

            Na manhã de 23 de abril, Weidling ligou para o bunker do Führer para fazer seu relatório. O general Krebs respondeu 'com manifesta frieza' e informou-lhe que tinha sido condenado à morte. Demonstrando notável coragem moral e física, ele apareceu em pessoa no bunker do Führer aquela tarde. Hitler ficou visivelmente impressionado, tanto que decidiu que o homem que quisera executar por covardia era o homem para comandar a defesa da capital do Reich. Foi, como observou o coronel Refior, uma 'tragicomédia' típica do regime.

[…]

            A defesa da cidade fora organizada em oito setores, designados pelas letras A a H. Cada um era comandado por um general ou coronel, mas poucos deles tinham alguma experiência na linha de frente. Dentro da linha de defesa perimetral, um anel de defesa interna seguia os trilhos circulares da ferrovia urbana da S-Bahn. […]

            Weidling descobriu que esperavam que defendesse Berlim de 1,5 milhão de soldados soviéticos com cerca de 45.000 soldados da Wehrmacht e das SS, incluindo seu próprio Corpo, e pouco mais de 40.000 membros da Volksstrum. Quase todos os sessenta tanques na cidade vinham de suas próprias formações. Também supunha-se que houvesse um batalhão Panzerjagd, equipado com Volkswagens, cada um deles com trilhos para seis foguetes antitanque, mas ninguém viu nem traço deles. No distrito central do governo, o Brigadeführer Mohnke comandava mais de 2.000 homens de sua base na Chancelaria do Reich.” pp. 361-363 [trechos]


fonte: BEEVOR, Anthony. Berlim 1945: A Queda. Trad. Maria Beatriz de Medina. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.





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Der Untergang / A Queda 2007







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terça-feira, 5 de maio de 2015

Batalha de Berlim - abril / maio 1945 / 1



 







 


abril – maio 1945


 


Berlim sob bombardeio





A invasão russa-soviética arrasa a Alemanha. Avanço do Exército Vermelho dispersa tropas alemãs, recupera territórios, domina cidades inteiras. Massacre de civis, jovens e idosos, além de estupros de mulheres, tanto jovens quanto idosas.


Cap. 17 (O último aniversário do Führer)

      “O marechal Jukov [Gueorgui Zhukov, do Exército Vermelho] recordou que, naquela tarde de 20 de abril [de 1945], a 'artilharia de longa distância do 79º Corpo de Infantaria do 3º Exército de Choque abriu fogo contra Berlim'. Mas, na verdade, pouca gente na cidade tomou consciência do fato. Jukov parecia não fazer ideia de que era o aniversário de Hitler [Adolf, Chanceler do III Reich, ditador nazista]. [Jukov] estava desesperado para encontrar algo para mostrar que atacara Berlim antes de Konev [ marechal russo Ivan Konev]. Os canhões disparavam no alcance máximo e apenas os subúrbios do nordeste foram afetados.

      Quando Jukov soube ao certo de exército blindado de Konev que avançava para Berlim vindo do sul, enviou, naquela noite, uma ordem urgente a Katukov e Bogdanov, comandantes do 1º e do 2º Exércitos Blindados de Guardas. Deu-lhes 'uma missão histórica: entrar em Berlim primeiro e hastear a bandeira da vitória'. Deveriam enviar a melhor brigada de cada corpo para penetrar nos arredores de Berlim às 4horas da manhã do dia seguinte e avisar na mesma hora, para que Stalin [ditador soviético] pudesse ser informado imediatamente e o fato pudesse ser avisado à imprensa. Na verdade, a primeira de suas brigadas blindadas só chegou aos arredores da cidade na noite de 21 de abril.

      A sudeste de Berlim, enquanto isso, o marechal Konev chicoteava seus dois exércitos blindados pelo Spreewald. Seu principal interesse era o 3º Exército Blindado de Guardas, que se dirigia ao flanco sul de Berlim. O corpo blindado avançado de Ribalko tentou, ao meio-dia, invadir a cidade de Baruth, vinte quilômetros ao sul de Zossen, mas fracassou na primeira tentativa. 'O camarada Ribalko', comunicou-lhe Konev, 'está se movendo novamente como uma lesma. Uma brigada luta enquanto o exército inteiro está preso. Ordeno-lhe que cruze a linha Baruth-Luckenwalde pelo pântano, usando várias rotas, numa ordem de batalha ampliada. Informe-me do cumprimento.' A cidade foi tomada em duas horas.

      O 4º Exército Blindado de Guardas de Leliushenko, mais para o sul e para o oeste, encaminhava-se numa linha mais ou menos paralela para Jüterbog e depois Potsdam. Stalin ainda estava preocupado que os americanos pudessem, de repente, avançar de novo. O Stavka [comando supremo soviético], naquele dia, avisou Jukov, Konev e o marechal Rokossovski da possibilidade de encontrar os aliados ocidentais e passou as senhas de reconhecimento. Mas o que nem Konev nem o Stavka parecem ter avaliado totalmente foi que a 1ª Frente Ucraniana, que avançava pelo sudeste, cruzaria com o Nono Exército de Busse [general alemão Theodor Busse], que tentava recuar em torno do lado sul de Berlim. Naquela noite, despachou mensagens para seus dois comandantes de exércitos blindados. 'Pessoal aos camaradas Ribalko e Leliushenko. Ordeno categoricamente que penetrem em Berlim esta noite. Comuniquem a execução. Konev.'” pp. 325-327



      “O general Busse, com a maior parte do Nono Exército – o XI Corpo Panzer SS, o V Corpo de Montanha SS e a guarnição de Frankfurt an der Oder -, logo começou a retirada para sudoeste, rumo ao Spreewald, apesar das ordens do bunker do Führer de que a linha de defesa do Oder jamais deveria ser abandonada.

      A compulsão do Führer de lançar contra-ataques a esmo voltou na noite de 20 de abril, bem quando Jukov e Konev forçavam seus próprios comandantes de exércitos blindados a avançar mais depressa. Hitler disse ao general Krebs que lançasse um ataque partindo do oeste de Berlim contra os exércitos de Konev para evitar o cerco. A força que deveria 'rechaçar' o 3º e o 4º Exércitos Blindados de Guarda consistia da Divisão Friedrich Ludwig Jahn, formada de meninos dos destacamentos do Serviço de Mão-de-obra do Reich, e da chamada 'formação Panzer Wünsdorf', um grupo de meia dúzia de tanques da escola de instrução militar dali.

      Um batalhão da polícia foi enviado para a área de Strausberg naquele dia 'para pegar desertores e executá-los e fuzilar quaisquer soldados encontrados recuando sem ordem'. Mas até aqueles destacados como executores começaram a desertar no caminho para a frente. Um dos que se entregaram aos russos contou a seu interrogador soviético que 'cerca de 40.000 desertores estão escondidos em Berlim, já antes do avanço russo. Agora este número aumenta rapidamente'. Prosseguiu dizendo que a polícia e a Gestapo não podiam controlar a situação.” p. 331


Cap. 18 (A revoada dos faisões dourados)

      “No decorrer do dia [21 de abril de 1945], enquanto abaladas unidades alemãs e soldados extraviados recuavam, Hitler ainda insistia em Busse para que mantivesse uma linha que vinha se desintegrando há dois dias. O remanescente da ala esquerda de Busse, o CI Corpo, fora expulso da área de Bernau. Wolfram Kertz, do Regimento de Guarda Grossdeutschland, foi ferido perto do entrocamento da auto-estrada de Blumberg, a nordeste de Berlim. Dos 1.000 e tantos homens do Regimento de Guarda, só quarenta chegaram a Berlim. Muita coisa dependia da 'Soldatenglück', ou 'sorte de soldado'. Kertz estava encostado na parede de uma igreja quando os soldados russos o encontraram. Viram a Cruz de Cavaleiro em seu pescoço. 'Du General?', perguntaram. Chamaram uma carroça puxada a cavalo e o levaram para um quartel-general para ser interrogado. Um oficial superior perguntou-lhe se Hitler ainda estava vivo e o que sabia sobre planos de um contragolpe alemão com os americanos contra o Exército Vermelho.

      Isto, sem dúvida, refletia a paranoia do Kremlin. Na verdade, os americanos ainda combatiam os alemães por toda parte, inclusive no eixo de Berlim. Suas tropas terrestres e os Mustangs da Força Aérea dos EUA lançavam ataques contínuos contra a Divisão Scharnhorst do Décimo Segundo Exército, ao norte de Dessau. Era uma reação aos ataques inesperados da Luftwaffe contra a travessia e as cabeças-de-ponte do Elba. A Peter Rettich, que comandava um batalhão da Scharnhorst, só retavam cinquenta homens em 21 de abril.” pp. 335-336


      “Hitler considerou o bombardeio soviético de Berlim uma afronta pessoal, o que, levando em conta as frases rabiscadas nas granadas soviéticas, era mesmo. Sua reação instintiva foi culpar a Luftwaffe por permitir que isso acontecesse. Ameaçou o general Koller de execução, não pela primeira vez. O fato de que a Luftwaffe tinha poucas aeronaves em funcionamento e ainda menos combustível de aviação não o preocupava. A raiva, estava convencido, dava-lhe inspiração. A tentativa dos soviéticos de cercar a cidade pelo norte expôs-lhes o flanco direito. Ele ordenaria um contra-ataque e os deixaria em frangalhos. Recordava-se de ter visto num mapa da situação o III Corpo SS Germanische, comandado pelo Obergruppenführer Felix Steiner, a noroeste de Eberswalde. Hitler recusou-se a aceitar que Heinrici [general Gotthardt H.] já alocara a maior parte de suas divisões para ajudar o Nono Exército. O corpo de Steiner, segundo o quartel-general do Grupo de Exércitos do Vístula, consistia apenas de 'três batalhões e alguns blindados'.

      Hitler, ausente da realidade, começou a falar do 'Destacamento do Exército Steiner', exagero grandioso demais até mesmo pelo seu próprio padrão. Afirmou que, de qualquer forma, poderia ser reforçado com todas as unidades do CI Corpo que havia recuado para o norte de Berlim. Pensou até na guarda pessoal da Luftwaffe de Göring, em Karinhall, mas ele já tinha partido. Cada soldado, marinheiro ou aviador que se conseguisse encontrar seria lançado à batalha e qualquer comandante que retivesse seus homens enfrentaria execução em cinco horas. Hitler já adotara como palavras divinas a observação de Frederich, o Grande: 'Quem lançar seu último batalhão na luta será o vencedor.' Isto intensificava sua fantasia de que o jogo impiedoso com a vida dos outros era a marca da grandeza.” p. 340 (destaque meu)


fonte: BEEVOR, Anthony. Berlim 1945: A Queda. Trad. Maria Beatriz de Medina. 4ª ed. 

Rio de Janeiro: Record, 2005.




 

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Der Untergang / A Queda 2007









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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Batalha de Okinawa - abril - junho 1945




fonte da imagem: http://www.circlecinema.com/archive/the-battle-of-okinawa-wwii-70th-year-remembrance-series

abril – junho 1945


Batalha de Okinawa


A ilha de Okinawa é o penúltimo alvo dos Aliados antes
da Invasão do próprio Japão. A marinha japonesa
realiza uma tentativa desesperada de salvá-la


    No início de 1º de abril de 1945, o 10º Exército dos EUA, comandado pelo Tenente-General Simon Buckner, começou a desembarcar na ilha de Okinawa – a principal ilha do grupo Ryukyu, com 106 km de comprimento e entre 4,8 e 16,1 km de diâmetro. A operação foi o maior ataque anfíbio realizado no Pacífico e envolveu quase 550.000 homens, incluindo 180.000 soldados de combate.

    Ataques de porta-aviões contra campos aéreos japoneses em Kyushu em meados de março deixaram as instalações em ruínas e destruíram cerca de 500 aeronaves, assegurando, assim, pouca interferência nos desembarques. Apenas uma leve oposição enfrentou as forças dos EUA nos primeiros dias, a localização da guarnição japonesa permanecendo um mistério até o dia 5 de abril, quando ficou claro que a parte sul de Okinawa tinha sido fortificada. Escondidos em uma formidável rede de abrigos e trincheiras, estavam cerca de 85.000 soldados japoneses comandados pelo Tenente-General Mitsuru Ushijima. Parte da força era composta por recrutas novos, mas os principais membros eram a veterana 62ª Divisão, trazida de volta da China.

Força de Ataque Especial


     A batalha de infantaria por Okinawa mal tinha começado quando a Marinha Imperial Japonesa lançou sua maior operação da guerra, uma missão camicase [Kamikaze] em grande escala, envolvendo o magnífico couraçado Yamato. Aproveitando o título de 'Força de Ataque Marinha Especial', o Yamato, um cruzador e uma força de destróieres foram destacados em uma viagem sem volta para Okinawa, onde deveriam prejudicar os americanos o máximo possível antes de sua inevitável destruição.

     Yamato era o maior e mais poderoso couraçado de todos os tempos, com quase 70.000 toneladas quando completamente carregado, com tripulação de 2.500 oficiais e armado com nove armas de 460 mm com alcance de 41.150m e mais de 150 armas para a artilharia antiaérea. Voando com a bandeira do Vice-Almirante Ito, ele partiu em 6 de abril, acompanhado pelo cruzador leve Yahagi e oito destróieres. Os submarinos dos EUA avistaram o monstro quando ele passava por Kyushu, antes de entrar no mar da China Meridional. Aeronaves de reconhecimento localizaram o navio de novo na manhã de 7 de abril, e 380 aviões foram enviados  da Força-Tarefa [Task Force] 58. Nuvens baixas e chuva se mostraram uma inconveniência para os aviões, mas Yamato não tinha cobertura de caças e os bombardeiros conseguiram realizar o ataque sem interrupções.

    O couraçado gigante recebeu seus atacantes com a artilharia antiaérea e manobras ousadas para lutar por sua vida. Os aviões dos EUA cercaram o monstruoso navio, acertando tiro após tiro, mas o Yamato absorvia as balas sem qualquer efeito aparente. Gradualmente, no entanto, ele começou a ir mais devagar e o volume do fogo lançado contra os bombardeiros diminuiu notavelmente; enquanto isso, sua pequena escolta tinha perdido qualquer traço de formação: quatro dos destróieres foram afundados e Yahagi afundou às 14h. Meia hora depois, as tentativas desesperadas de contra-ataque não conseguiram mais adiar o fim, e Yamato tombou e afundou. O navio explodiu e uma coluna alta de fumaça de 320 km marcou o túmulo de um poderoso navio e quase toda sua tripulação.

    O fracasso heróico dessa última tentativa foi seguido por uma selvagem série de ataques aéreos de camicases contra os navios dos EUA, enquanto os soldados de Ushijima teimosamente lutavam por cada metro de sua ilha. Em 19 de abril, Buckner orquestrou um ataque concentrado para causar um buraco nas defesas japonesas, mas o ataque falhou, com quase 1.000 baixas. Pelo resto do mês e em maio, o 10º Exército se bateu contra a linha 'Shuri' em uma rotina de bombardeios colossais seguidos por ataques desesperados contra bloqueios e abrigos bem localizados e fanaticamente defendidos.

[…]

Ritual Suicida

    O 10º Exército avançou para o último estágio da batalha e assumiu a missão de atacar as posições japonesas. Finalmente, em 17 de junho, a guarnição japonesa foi dividida em três bolsões cercados, não mais capazes de uma defesa coerente, e alguns dos recrutas mais novos começaram a se render. Buckner transmitiu uma mensagem para Ushijima pedindo para que ele parasse a luta e salvasse a vida dos soldados sobreviventes, já que o fim era inevitável.

    Ironicamente, o próprio Buckner foi morto no dia seguinte quando uma bomba japonesas explodiu e o atingiu com lascas letais de coral enquanto ele inspecionava o 8º pelotão de fuzileiros. Ushijima só viveu uma semana a mais do que ele, pois cometeu um ritual suicida com seu chefe de equipe depois de mandar um último relatório para Tóquio. “Nossa estratégia e equipamentos foram usados ao máximo e nós lutamos bravamente... mas ainda não foi nada perto do poder material do nosso inimigo”. Sua afirmação estava perfeitamente correta: o Japão estava condenado.

pp. 246-247

fonte: BISHOP, Chris & McNAB, Chris. II Guerra Mundial. Vol. 3: A Guerra no Pacífico. 1942 a 1945. trad. Tatiana Napoli. São Paulo: Escala, 2009.




mais info em

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/okinawa-derradeira-batalha-435334.shtml


http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Okinawa

http://pt.wikipedia.org/wiki/Yamato_%28coura%C3%A7ado%29

http://pt.wikipedia.org/wiki/Kamikaze


https://okinawabrasil.wordpress.com/2010/01/27/sobre-a-batalha-de-okinawa-a-historia-de-um-povo-a-banalizacao-do-mal-e-a-insustentavel-busca-pela-paz-numa-base-militar/



videos


https://www.youtube.com/watch?v=24Llp6K3XBE

https://www.youtube.com/watch?v=UXvtDi9a1Oc

https://www.youtube.com/watch?v=TwOMfzU7VBQ




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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Batalha de Montese - abril 1945



 

 

Batalha de Montese

 

Abril 1945

 

A tomada de Montese: 14 de abril de 1945.

      Buscando abreviar a guerra na Itália, na primavera de 1945 todas as forças aliadas foram mobilizadas em uma importante ofensiva, que deveria eliminar o remanescente das forças nazistas, que já exaustas e sem suprimentos sucumbiriam facilmente.

     Acatando sugestão do próprio comandante Brasileiro, Gen Mascarenha de Morais, a missão de capturar Montese foi entregue à FEB, se constituindo de vital importância a fim de abrir livre passagem às forças aliadas (5º exercito americano e 8º exercito britânico) para o Vale do rio Pó. Montese ficava próximo as províncias de Bolonha e Modena, em uma posição elevada, o que favorecia os defensores.

 

      Sem apoio das forças aliadas, pela primeira e única vez a FEB operou de forma integrada seus elementos de artilharia expedicionária, os três regimentos de infantaria e o esquadrão de reconhecimento (este mecanizado, empregando os veículos M.8 Greyhound).

       A tomada de Montese revelou aos “pracinhas” uma nova e cruel forma de guerra, a “guerra urbana” com combates dentro da cidade, envolvendo a tomada de cada casa, o que favorecia aos defensores na realização de emboscadas e armadilhas!

      Às 13:30hrs de 14 de abril as forças brasileiras adentraram na cidade e deram inicio a batalha, na qual a atuação brasileira foi exemplar, tendo cobrado 430 baixas aos brasileiros e 189 civis. Em resultado da ação dos brasileiros, no dia seguinte houve a rendição das forças alemãs e a cidade foi declarada segura no dia 16.

 

        Durante tal ação, as forças da FEB se viram sob fogo de toda a artilharia alemã, o que facilitou o avanço da 10Th Divisão de Infantaria de Montanha americana.

       Em resultado a vitória brasileira, a população de Montese renomeou uma de suas praças com o nome de Piazza Brasile como forma de homenagear seus libertadores.

       Montese se revelou a mais sangrenta batalha em que o Brasil tomou parte desde a Guerra do Paraguai, tanto que das cerca de 1.121 casas que haviam na cidade, mais de 800 foram destruídas em resultado das batalhas e resultou no maior numero de baixas da FEB.

       Depois de Montese, a FEB não se envolveria em batalhas tão violentas, porém se manteria em combate e computaria a captura da 148º Divisão de Infantaria Alemã e da 90º Divisão Panzer, dentre outras totalizando um total de 14.779 prisioneiros nos seus 9 meses de combate na Itália obtendo 20 vitórias e tido enfrentado 9 divisões nazistas e 3 italianas.

 

 


 

 

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