terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Batalha de Iwo Jima - fevereiro - março 1945



 

Batalha de Iwo Jima


Fevereiro - março 1945

 

     Avançando rumo ao perímetro nipônico, as forças norte-americanas atacaram

a ilha de Iwo Jima, rocha de origem vulcânica em pleno oceano, mas ótima

localização para aterrisagem de grandes bombardeios, numa batalha que

durou mais de 30 dias, e que ficou famosa pela imagem patriótica dos

soldados elevando uma bandeira no alto do monte.

 

“Quando teve início a guerra com o Japão, o que nenhum estrategista

do Pentágono, como é conhecido o prédio onde funciona o comando das

forças armadas dos Estados Unidos, em Washington, poderia imaginar é

que uma ilhota vulcânica e inóspita seria palco de uma batalha decisiva.

 

Iwo Jima, cujo nome em japonês significa "ilha de enxofre" (uma referência ao

odor de enxofre que impregna a ilha, exalado pelo seu terreno vulcânico), sequer

constava nos planos elaborados pelos estrategistas norte-americanos durante os

primeiros anos da guerra. Durante muito tempo, o principal objetivo nos planos

traçados pelos estrategistas era Formosa (nome pelo qual a ilha de Taiwan era

mais conhecida no Ocidente, o nome "Formosa" foi dado pelos navegantes

portugueses, numa referência à beleza da ilha).

 

Taiwan estava sob ocupação japonesa e havia se tornado o principal objetivo

dos estrategistas norte-americanos tão logo o general Douglas Mac Arthur reconquistou

as Filipinas para os Estados Unidos (na época, as Filipinas eram uma possessão

norte-americana, que durante a guerra foi invadida e ocupada pelos japoneses).


No entanto, Taiwan apresentava sérios obstáculos para as forças norte-americanas:

era uma ilha grande, estava fortemente defendida pelos japoneses e uma grande

distância ainda a separava do Japão, o que não a tornava o local mais adequado

para servir de base para aviões norte-americanos partirem para bombardeios

contra as cidades japonesas. Foi então que o nome "Iwo Jima" foi cogitado e

passou a constar nos planos.

 

Pistas de pouso


A ideia dos estrategistas norte-americanos era transformar a ilha, então ainda

ocupada pelas forças japonesas, numa base para aviões bombardeiros. Os

japoneses haviam construído pistas de pouso em Iwo Jima. Essas eram usadas

pelos aviões japoneses (tanto bombardeiros quanto caças). O plano dos militares

norte-americanos era tomar a ilha (o que já se sabia uma tarefa difícil) e reaproveitar

as pistas construídas pelos próprios japoneses.


Construir uma pista de pouso é uma tarefa árdua e demorada, por isso, os

norte-americanos não tinham interesse em destruir as pistas de pouso construídas

pelos japoneses. Além disso, Iwo Jima estava exatamente no meio do caminho

entre as ilhas Marianas e o Japão.”

 


 
 

Finalmente, no dia 19 de fevereiro de 1945, três divisões dos fuzileiros

navais dos Estados Unidos, com pouco mais de 70 mil homens, desembarcaram

na ilha. Para transportá-los foram utilizados 68 veículos anfíbios. Quase a

metade dos fuzileiros dessas três divisões já tinha experiência em combate.

Alguns deles, como, por exemplo, o sargento de artilharia John Basilone mais

conhecido pelo apelido "Manila John" (que ele ganhou por ter servido o exército

norte-americano nas Filipinas antes de se juntar aos fuzileiros), já haviam lutado

contra os japoneses na batalha de Guadalcanal (uma das ilhas Salomão),

travada em 1942. Ele recebeu a Medalha de Honra, em reconhecimento a suas

ações em Guadalcanal, mas se recusou a receber patente de oficial e se apresentou

como voluntário para voltar a lutar no Pacífico.


Outros eram bem mais jovens, caso do recruta Anthony Muscarella, que se alistou

quando tinha apenas 14 anos (ele mentiu na idade para poder se alistar). Dois anos

depois, ele já era um veterano que havia lutado nas ilhas Marianas, apesar de seus

apenas 16 anos de idade.”

 

“O primeiro obstáculo enfrentado pelos fuzileiros navais norte-americanos em Iwo Jima

foram as própria praias da ilha. A areia preta das praias imobilizava veículos de quatro

rodas, chegando a entupi-los.


Kuribayashi ordenou aos seus soldados que não disparassem durante os primeiros

momentos do desembarque. Assim, para não revelar suas posições, a artilharia

japonesa permaneceu em silêncio. Logo após o desembarque, a maioria dos fuzileiros

começou a seguir em direção ao monte Suribachi. Os norte-americanos contavam

com os pesados tanques M-4 Sherman, mas subir a colina era tarefa para os fuzileiros

a pé (o que significava correr vários riscos).


Tão logo os norte-americanos avançaram uns 500 metros no interior da ilha, eles

foram surpreendidos quando os japoneses começaram a disparar com força total

usando morteiros e outras armas. Um dos que morreram no ataque foi o

sargento Basilone.

 

 

Monte Suribachi

 

Enquanto não conseguissem tomar o monte Suribachi, os norte-americanos

permaneceriam extremamente vulneráveis aos ataques inimigos. Para eles,

era de vital importância tomar o monte. Por sua localização, a elevação oferecia

uma vantagem estratégica para quem estivesse no alto: de suas encostas

era possível lançar fogo de artilharia para qualquer direção.


Poucas horas antes do amanhecer do dia 23 de fevereiro daquele ano, os

norte-americanos tomaram o monte Suribachi. Escolheu-se esse horário para

a tomada porque daria uma dupla vantagem: a escuridão permitiria que os

norte-americanos passassem pelos inimigos sem ser vistos e logo depois

poderiam enfrentá-los à luz do dia. Naquela manhã, ocorreu o momento que

seria imortalizado numa das imagens mais famosas da guerra: o hasteamento

da bandeira dos Estados Unidos no topo do Suribachi.

 

Saldo final da batalha de Iwo Jima


Os Estados Unidos saíram vitoriosos da batalha de Iwo Jima, mas a vitória

custou muitas vidas humanas. Mais de 5 mil norte-americanos morreram na ilha

(os historiadores divergem quanto ao número exato, alguns hoje falam em mais

de seis mil). O número de baixas (que inclui os feridos) entre os norte-americanos

foi ainda maior: passou de 24 mil.


No lado japonês, as perdas foram ainda maiores: cerca de 20 mil japoneses

morreram. Os norte-americanos não conseguiram fazer muitos prisioneiros:

apenas pouco mais de mil japoneses foram capturados vivos.


Quatro dias depois da tomada de Iwo Jima, teve início a invasão norte-americana

à ilha de Okinawa. Os caças norte-americanos já estavam utilizando as pistas

de voo conquistadas, que se tornou também um local para reabastecimento.

Com a tomada de Iwo Jima, pela primeira vez, todas as ilhas que compõem o

arquipélago japonês estavam sendo bombardeadas pelos aviões norte-americanos.

 

O número de civis japoneses que morreram em bombardeios aéreos foi superior ao

número de vítimas dos bombardeios aéreos da força aérea alemã sobre a Grã-Bretanha.

Durante ataques aéreos noturnos, os aviões norte-americanos lançavam bombas

incendiárias. A maioria das casas japonesas era de madeira, o que fazia o fogo

se espalhar mais depressa.”

 


 

 

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Cartas de Iwo Jima / 2006



 

 

 

 

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Conferência de Yalta / Ialta - fevereiro 1945


 
 


Fevereiro 1945

 

Conferência de Yalta

 

Realizada na Crimeia, sul da Rússia, de 4 a 11 de fevereiro, após a expulsão das tropas

germânicas, com a presença dos líderes aliados, para redefinir o mapa europeu,

e as áreas de influência, quando do fim da guerra, prevendo a derrota das

forças nazistas nos campos de batalha e no bombardeio das infraestruturas

alemãs.

 

Os três grandes líderes reuniram-se de 4 a 11 de fevereiro de 1945 em Ialta,

na Crimeia, após mais de cinco anos de guerra e milhões de mortos. Praticamente

já ocupada, a Alemanha não estava mais em condições de resistir por muitas semanas.

A Itália estava rendida, mas o Japão ainda resistia no Oceano Pacífico.

Embora a Segunda Guerra Mundial ainda não estivesse oficialmente encerrada,

Franklin D. Roosevelt, Josef Stalin e Winston Churchill, considerando-se vencedores

sobre os nazistas e fascistas, iniciaram a discussão sobre a ordem internacional no pós-Guerra.

A Conferência de Ialta, às margens do Mar Negro, foi uma das três grandes conferências que

determinaram o futuro da Europa e do mundo no pós-Guerra (além da de Teerã, em 1943,

e a de Potsdam, em meados de 1945). Mesmo que a divisão do mundo não estivesse nos

planos das lideranças aliadas neste momento, a Guerra Fria acabou sendo uma das

consequências do encontro.

Para o historiador Jost Dülffer, da Universidade de Colônia, Ialta tinha boas chances de

estipular uma nova ordem de paz no pós-Guerra: "Foi aprovada uma declaração sobre a

Europa libertada e discutiram-se várias questões, cuja solução era apenas parcial. Por fim,

eles tiveram que se curvar aos fatos: os russos estavam às margens do rio Oder, no Leste,

e os norte-americanos na fronteira oeste da Alemanha".

 


 

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Ao encontrar-se na cidade de Yalta na Crimeia russa de 4 a 11 de fevereiro, Roosevelt,

Churchill e Stalin chegavam cada qual com sua agenda para a conferência. Para Stalin,

os principais objetivos eram a assistência econômica no pós-guerra e o reconhecimento

por parte dos Estados Unidos e da Grã Bretanha de sua esfera de influência na Europa Oriental.

Churchill tinha em mente antes de tudo a proteção do Império Britânico, mas também queria

esclarecer o status político da Alemanha no pós-guerra.

As metas de Roosevelt se concentravam no consenso para a criação das Nações Unidas e

em conquistar o apoio efetivo da União Soviética na guerra contra o Japão uma vez que Hitler

já estava praticamente derrotado. Nenhum deles deixou Yalta completamente satisfeito.

Não houve definição precisa quanto à ajuda financeira à União Soviética. Muitas questões

pertinentes a Alemanha foram diferidas para posterior discussão.

Quanto às Nações Unidas, Stalin queria que todas as 16 Repúblicas soviéticas estivessem

representadas na Assembleia Geral, mas concordou com três – a União Soviética como um todo,

a Bielorússia e a Ucrânia. Entretanto, os soviéticos concordaram em entrar em guerra contra o

Japão noventa dias após a capitulação de Berlim.

Foi sobre o estatuto de pós-guerra da Polônia, porém, que a animosidade e a desconfiança entre

Estados Unidos e a União Soviética que iria caracterizar a Guerra Fria se tornaram mais evidentes.

As tropas do Exército Vermelho já tinham a Polônia sob controle, um governo provisório

pró-comunista já se havia instalado e Stalin mostrou-se inflexível no sentido de os interessas

da União Soviética nessa nação fossem reconhecidos. Os Estados Unidos e a Grã Bretanha

acreditavam que o governo polonês anticomunista no exílio, baseado em Londres, fosse mais

representativo do povo polonês.”

 


 

 

 

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Libertação do Campo de Extermínio Auschwitz-Birkenau








Solução Final

Libertação do Campo de Extermínio Auschwitz-Birkenau

janeiro 2015

O Sistema dos Campos de Concentração

       “O campo de Dachau, construído em 1933 nos arredores de Munique, é o primeiro de uma longa lista de campos de concentração para os quais são deportados opositores políticos e elementos 'antissociais', sem qualquer intervenção das autoridades judiciárias. Depois da eclosão da guerra, a polícia secreta de Estado (Geheime Staatspolizei, abreviada para Gestapo), a polícia criminal do Reich (Kripo), os órgãos de segurança do Partido Nazista (Sicherheitsdienst, abreviado para SD), aos quais vai se juntar a polícia militar (Feldgendarmerie), deportam dos territórios ocupados da Polônia e da Rússia dezenas de milhares de pessoas para os campos de concentração. São homens, mulheres e crianças coagidos aos trabalhos forçados em condições que equivalem a uma condenação à morte.

      Ao campo de Dachau seguem-se os de Sachsenhausen, Buchenwald, Flossenbürg, Mauthausen (nas redondezas da cidade austríaca de Linz) e o exclusivamente feminino de Ravensbruck. Seguir-se-á a construção, entre outros , de Chelmno, Belzec, Sobibor, Treblinka e Maidanek, verdadeiros campos de extermínio.

      As diversas categorias de detidos são assinaladas por distintivos de cores diferentes (vermelho para os políticos, rosa para os homossexuais, verde para os prisioneiros comuns, lilás para as Testemunhas de Jeová, preto para os antissociais, amarelo para os judeus). A população dos campos sofre um espantoso incremento com a chegada de prisioneiros de guerra e de núcleos de população dos territórios do Leste. Em 1942 a gestão dos campos passa para as mãos das SS, que se encarregam de organizar o trabalho forçado dos internados. Nas proximidades dos campos surgem muitas vezes fábricas (como a IG Farben, perto de Auschwitz), cuja produção é destinadas a usos bélicos.

       Depois da Conferência de Wannsee [perto de Berlim, em 20 de janeiro de 1942, onde a hierarquia nazista decidiu a 'solução final'],o extermínio dos judeus se torna uma prática sistemática. Precedida pelo decreto 'noite e nevoeiro' [Nacht und Nebel] (expressão em código que quer dizer 'em total segredo'), que em 1941 dispôs a transferência de todos os suspeitos para os campos de concentração, a política de aniquilamento racial registra um salto à frente com a construção de campos de extermínio na Europa do Leste, onde as câmaras de gás e os fornos crematórios são os instrumentos do extermínio em massa dos prisioneiros (judeus e não-judeus) julgados inaptos para o trabalho forçado. Calcula-se que o número de judeus mortos nos campos nazistas atinja cerca de seis milhões, enquanto chegam a cerca de 20 milhões as pessoas que, entre 1936 e 1945, são deportadas para os campos de concentração e de extermínio.

       Centenas de milhares de pessoas, alemães e do Leste europeu, com vários níveis de responsabilidade (transportes, administração, vigilância), foram envolvidas nessa gigantesca obra de eliminação das 'raças inferiores'. Aos seis milhões de judeus devem ser acrescentados 3,5 milhões de prisioneiros soviéticos, cerca de um milhão de detidos nos campos de concentração, cerca de 240.000 ciganos e não menos de 70.000 doentes mentais, objeto de eutanásia.”


O Símbolo do Genocídio

       “Em 1940, entra em funcionamento na Silésia (sul da Polônia) o mais extenso e eficiente campo de extermínio, que se tornou o próprio símbolo do genocídio: Auschwitz-Birkenau. Ele se transforma em pouco tempo em uma extensão do moderno sistema de produção industrial, no qual são empregados milhões de seres humanos como matéria-prima cujo fim é a morte por privações ou nas câmaras de gás. Nele coexistem os trabalhos forçados e o extermínio em massa planejado. É a única alternativa que aguarda os internados que chegam nos vagões de carga.

       O complexo do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau é composto de três campos diversos. O primeiro é o principal (Auschwitz I), onde foram instalados uma câmara de gás e um forno crematório para a matança de prisioneiros russos e doentes terminais. O segundo é o de Birkenau (Auschwitz II, a dois quilômetros do campo principal), onde se pratica o extermínio em massa dos judeus e dos ciganos, subdivido em dois bunkers, nos quais funcionam até janeiro de 1945 uma dezena de câmaras de gás de cerca de 240m2 cada uma, onde os internados são asfixiados com o Zyklon B, vendido como pesticida. Birkenau dispõe, além disso, de quatro fornos crematórios.

        A seis quilômetros dele está o complexo industrial (Auschwitz III) da IG Farben (na localidade de Monowitz), onde a mão de obra escrava produz metanol e borracha sintética. O comandante do campo Rudolf Hess coordena a seleção dos judeus deportados para o local de todos os cantos da Europa (Polônia, França, Holanda, Grécia, Alemanha, Itália, Noruega, Iugoslávia, Hungria, Bélgica, além dos guetos dos territórios ocupados pela Wehrmacht) e a organização do trabalho e dos procedimentos de extermínio executados pelas SS. Os presos aptos para o trabalho vivem em condições amedrontadoras: amontoados em barracos, acometidos de doenças infecciosas, em condições higiênicas espantosas e com rações alimentares de fome.

        Em 1943, Birkenau atinge sua ocupação máxima: 200.000 internados. Descoberto em janeiro de 1945 pelo Exército Vermelho em seu avanço sobre a Alemanha, o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau deu a morte a cerca de dois milhões de pessoas.

       Os mais recentes estudos sobre o funcionamento dessa organização para o extermínio em massa liberaram definitivamente o campo das tentativas de 'revisionistas' de redimensionar ou até mesmo de negar a existência dessa gigantesca máquina de morte, com a qual o regime nazista procurou exterminar um povo inteiro por motivos raciais. Auschwitz fica como uma admoestação para a memória de todas as consciências do mundo civil.”
pp. 139-142

Fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 2. São Paulo: Larousse, 2009.




Os Russos às portas da Prússia Oriental

      “Na Hungria, o Exército Vermelho teve muito trabalho para abrir uma brecha para chegar a Budapeste (cuja população está reduzida à miséria), onde a encarniçada resistência alemã só cessou nos primeiros dias de fevereiro de 1945, depois de dois meses de ásperos combates.

       No front do mar Báltico e de Leningrado, é coroada de sucesso a manobra com a qual os soviéticos conseguem isolar o grupo de exércitos Norte alemão, obrigado a abandonar a Estônia e sob a ameaça de ser esmagado em um enorme bolsão às margens do Báltico. Logo depois, ante o impetuoso avanço do segundo front bielo-russo de Rokossovsky, as portas da Prússia oriental se abriram, enquanto Stálin [comandante soviético] ordenou aos outros dois fronts – o ucraniano de Koniev e o bielo-russo de Zukov, que possuem quase um terço de toda a infantaria soviética e metade do total dos tanques do Exército Vermelho – preparar a grande ofensiva que deverá conduzir a Berlim.

       No dia 21 de janeiro de 1945 Rokossovsky ocupa Tannenberg, onde em 1914 os exércitos prussianos tinham vencido as tropas do czar [imperador russo antes da Revolução de 1917]. Os contingentes alemães na Prússia oriental se entrincheiraram em Konigsberg, cercada pelos soviéticos. Com uma série de terríveis golpes que têm o objetivo de aniquilar o inimigo, Koniev marchou para Breslávia, Cracóvia e para a região industrial da Silésia.

          No dia 27 de janeiro os russos entraram no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Com um intenso e aterrador bombardeio a partir da cabeça-de-ponte soviética às margens do Vístula, ao sul de Varsóvia [Warsaw], Zukov abriu a ofensiva que em poucos dias levaria à libertação da capital polonesa.”
pp. 254 e 256

Fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 3. São Paulo: Larousse, 2009.



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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reconquista de Rangum / Burma - 1945





Guerra no Leste Asiático

Birmânia
Reconquista de Rangum

janeiro – março 1945


A RECONQUISTA DE BURMA

       “O plano do General Slim de avanço para Meiktila e Mandalay continuou em fevereiro de 1945, com a XV Corporação impedindo o 28º Exército japonês de se deslocar para ajudar a defesa de Mandalay contra a XXXIII Corporação. No entanto, isso não impediu uma luta dura quando a 20ª Divisão e o 15º Exército japonês se encontraram em Myinmu em 12 de fevereiro de 1945, parando o avanço a 48 km de distância do seu objetivo. A IV Corporação teve mais sucesso, graças a sua ação-surpresa de atravessar o rio Irrawaddy, e avançou praticamente sem encontrar oposição para Meiktila.

       Em 1º de março, a 17ª Divisão atacou a cidade e a conquistou em 48 horas. Os japoneses lançaram uma série de contra-ataques, mas não conseguiram retomar a cidade e sofreram muitas perdas no processo.

       Ao norte, a XXXIII Corporação atacou Mandalay, que foi evacuada por seus defensores em 20 de março. O Comando de Área de Combate do Norte, do General Stilwell, formado por soldados americanos e chineses, ocupou Hsenwi e Lashio, removendo o último foco de oposição significativa do norte de Burma. A 36ª Divisão então seguiu para Mandalay, para se unir às forças de Slim, que agora se preparavam para avançar para Rangum.

        Em 30 de abril, um bombardeio naval em Rangum precedeu o ataque à capital de Burma. No dia seguinte, um batalhão aéreo desembarcou na baía de Elephant e assegurou uma posição segura para o desembarque da 26ª Divisão Indiana (parte da XV Corporação); dois dias depois, a divisão conseguiu marchar para Rangum sem oposição, já que os japoneses tinham secretamente deixado a cidade em 1º de maio. A XXXIII Corporação conquistou Prome e, com isso, todas as principais cidades de Burma estavam sob o controle Aliado. O Exército Japonês da Área de Burma tinha, para todos os efeitos, deixado de existir, deixando ingleses e indianos com nada mais do que uma operação de limpeza para finalizar a ocupação. Burma finalmente tinha sido reconquistada.”

p. 240

fonte: Fonte: JORDAN, David e WIEST, Andrew. ATLAS da II Guerra Mundial. Volume III. São Paulo: Escala, 2008.



A RECONQUISTA DE RANGUM

      “Embora derrotados em Imphal, os japoneses mantêm o controle da Birmânia. Para os Aliados, é fundamental abrir um corredor para fazer passar os suprimentos destinados à China, de modo a manter empenhados os exércitos inimigos. Mountbatten elabora dois planos para desalojar os nipônicos da Birmãnia: uma ofensiva terrestre na área centro-setentrional (operação Capital) e uma anfíbia (Dracula) a ser levada a efeito na região de Arakan (no golfo de Bengala), que deverá culminar com um desembarque aeronaval perto de Rangum, de modo a fechar em pinça a retirada do inimigo perseguido a partir do norte.

      Em maio de 1944, os ingleses conquistam o aeroporto de Myitkyna. Depois da estação das monções, em outubro de 1944, parte de repente do norte a ofensiva do XIV Exército do general William J. Slim, que, por seu conhecimento das técnicas de combate em uma das regiões mais inóspitas do planeta, é considerado um dos mais brilhantes estrategistas da guerra no Oriente. Em seis meses os contingentes britânicos e indianos chegam a Mandalay (de onde parte a 'Burma Road' ) e, graças à sua superioridade aérea, rechaçam o XV Exército japonês (já reduzido em número). Depois que uma contraofensiva do inimigo é repelida, a Birmânia central está nas mãos dos Aliados, que se encontram a cerca de 500 km de Rangum.

      Mountbatten dá início à segunda parte do plano para a reconquista do país: no fim de abril de 1945, desencadeia a operação Dracula. Esta responde a uma imperiosa exigência: a conquista de um porto no golfo de Bengala para fornecer provisões às forças de Slim, submetidas a duras provas por uma campanha desgastante, no momento em que a frota de aviões de transporte americanos é destinada ao teatro de guerra chinês. O lançamento de tropas aerotransportadas e os desembarques anfíbios na foz do rio Rangum fecham uma campanha que permitiu aos Aliados reconquistar a Birmânia em seis meses (dezembro de 1944 a maio de 1945).

pp. 242-243


fonte: Fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 3. São Paulo: Larousse, 2009.


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Almirante Mountbatten [UK]

General Slim [UK]

General Stilwell [USA]




terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Conquista de Monte Castello - 1944 / 1945


 



FEB na Itália


Conquista de Monte Castello

dezembro 1944 – fevereiro 1945

       “Os três primeiros ataques ao Monte Castello foram realizados pelo mais esquecido dos batalhões do mais esquecido dos regimentos que compuseram a F.E.B.: o III Batalhão do 6º Regimento de Infantaria. Aliás, o III/6º R.I. é o único batalhão, ao que parece, que pode orgulhar-se de ter participado de todas as vitórias brasileiras na Itália: Camaiore (pela 7ª companhia), Monte Prano, toda a campanha do vale do Sercchio até Barga e Gallicano, Monte Castello (três primeiros ataques), Castelnuovo e Soprasasso (ação preparatória sobre S. Maria Villiana e M. della Croce), Montesae (com a famosa patrulha a Monte Buffone), Collechio (8ª companhia e um pelotão da C.P.P. III [Companhia de Petrechos Pesados do 3º Batalhão]) e finalmente Fornovo di Taro. Vamos fazer um resumo do desenrolar dos combates de 24, 25 e 26 de novembro, para depois estudarmos algumas conclusões que, se verificadas na ocasião, teriam evitado, talvez, os ataques fracassados de 29 de novembro e 12 de dezembro de 1944.”

       “Nosso batalhão continuou nas mesmas posições, sendo reserva no ataque realizado dia 29 de novembro por dois batalhões recém-chegados ao fronte: I/1º R.I. e III/11º R.I. Com o fracasso desse ataque, foi o III/6º R.I. retirado da linha de frente, gozando de descanso de três dias (durante o qual teve algumas baixas por bombardeio inimigo) voltando a ocupar as mesmas posições na madrugada de 3 de dezembro. Somente em março de 45, após a conquista de Soprasasso-Castelnuovo, é que o batalhão teria dez dias de descanso em lugar abrigado (Vidiciatico).

      No dia 12 de dezembro houve novo ataque, com três batalhões tirados do 1º R.I. e 11º R.I., sem resultado. Somente em 21 de fevereiro, após o inverno rigoroso, com novo plano de ataque e empregando um regimento completo (1º R.I.), auxiliado por um batalhão do 11º R.I., é que Monte Castello Seria conquistado pelos brasileiros.”

      “Dentre os ensinamentos que poderiam ser tirados para orientar futuras ações no setor de Monte Castello, surge em primeiro lugar as condições de número, físicas e morais, que a tropa a ser empregada deveria preencher. Quanto ao número, ficou evidenciada a perfeita organização do inimigo e seu poderia no baluarte de Monte Castello, exigindo o emprego de pelo menos três batalhões em 1º escalão, e, se possível, do mesmo Regimento, para completa coordenação. Quanto às condições, seria necessária uma tropa ao mesmo tempo descansada e com bastante prática do terreno. Os ataques de 24, 25 e 26 foram feitos por um batalhão exausto e desiludido. Os de 29-XI e 12-XII, por batalhões recém-chegados ao fronte. Além disso, nenhum deles conhecia o terreno onde deveria operar.”


Clóvis Garcia

1º Tenente de Infantaria, nascido em Taquaratinga, São Paulo, 1921. C.P.O.R. de São Paulo, 

1941. Estágio no II/5o R.I. Convocado, como 2º Tenente, em 1943, segui no 1º Escalão da 

E.E.B., com o 6º R.I., como comandante de pelotão de metralhadoras, passando depois a 

comandante de morteiros. Promovido a 1º Tenente e, 15 de fevereiro de 1945. Ferido no 

ataque ao Monte Castello em 26 de novembro de 1944, em Casa M. di Bombiana. Medalhas 

“Sangue do Brasil”, “Cruz de Combate de 2ª Classe”, “de Campanha”, e “de Guerra”. 

Bacharel em Direito.







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