quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reconquista de Rangum / Burma - 1945





Guerra no Leste Asiático

Birmânia
Reconquista de Rangum

janeiro – março 1945


A RECONQUISTA DE BURMA

       “O plano do General Slim de avanço para Meiktila e Mandalay continuou em fevereiro de 1945, com a XV Corporação impedindo o 28º Exército japonês de se deslocar para ajudar a defesa de Mandalay contra a XXXIII Corporação. No entanto, isso não impediu uma luta dura quando a 20ª Divisão e o 15º Exército japonês se encontraram em Myinmu em 12 de fevereiro de 1945, parando o avanço a 48 km de distância do seu objetivo. A IV Corporação teve mais sucesso, graças a sua ação-surpresa de atravessar o rio Irrawaddy, e avançou praticamente sem encontrar oposição para Meiktila.

       Em 1º de março, a 17ª Divisão atacou a cidade e a conquistou em 48 horas. Os japoneses lançaram uma série de contra-ataques, mas não conseguiram retomar a cidade e sofreram muitas perdas no processo.

       Ao norte, a XXXIII Corporação atacou Mandalay, que foi evacuada por seus defensores em 20 de março. O Comando de Área de Combate do Norte, do General Stilwell, formado por soldados americanos e chineses, ocupou Hsenwi e Lashio, removendo o último foco de oposição significativa do norte de Burma. A 36ª Divisão então seguiu para Mandalay, para se unir às forças de Slim, que agora se preparavam para avançar para Rangum.

        Em 30 de abril, um bombardeio naval em Rangum precedeu o ataque à capital de Burma. No dia seguinte, um batalhão aéreo desembarcou na baía de Elephant e assegurou uma posição segura para o desembarque da 26ª Divisão Indiana (parte da XV Corporação); dois dias depois, a divisão conseguiu marchar para Rangum sem oposição, já que os japoneses tinham secretamente deixado a cidade em 1º de maio. A XXXIII Corporação conquistou Prome e, com isso, todas as principais cidades de Burma estavam sob o controle Aliado. O Exército Japonês da Área de Burma tinha, para todos os efeitos, deixado de existir, deixando ingleses e indianos com nada mais do que uma operação de limpeza para finalizar a ocupação. Burma finalmente tinha sido reconquistada.”

p. 240

fonte: Fonte: JORDAN, David e WIEST, Andrew. ATLAS da II Guerra Mundial. Volume III. São Paulo: Escala, 2008.



A RECONQUISTA DE RANGUM

      “Embora derrotados em Imphal, os japoneses mantêm o controle da Birmânia. Para os Aliados, é fundamental abrir um corredor para fazer passar os suprimentos destinados à China, de modo a manter empenhados os exércitos inimigos. Mountbatten elabora dois planos para desalojar os nipônicos da Birmãnia: uma ofensiva terrestre na área centro-setentrional (operação Capital) e uma anfíbia (Dracula) a ser levada a efeito na região de Arakan (no golfo de Bengala), que deverá culminar com um desembarque aeronaval perto de Rangum, de modo a fechar em pinça a retirada do inimigo perseguido a partir do norte.

      Em maio de 1944, os ingleses conquistam o aeroporto de Myitkyna. Depois da estação das monções, em outubro de 1944, parte de repente do norte a ofensiva do XIV Exército do general William J. Slim, que, por seu conhecimento das técnicas de combate em uma das regiões mais inóspitas do planeta, é considerado um dos mais brilhantes estrategistas da guerra no Oriente. Em seis meses os contingentes britânicos e indianos chegam a Mandalay (de onde parte a 'Burma Road' ) e, graças à sua superioridade aérea, rechaçam o XV Exército japonês (já reduzido em número). Depois que uma contraofensiva do inimigo é repelida, a Birmânia central está nas mãos dos Aliados, que se encontram a cerca de 500 km de Rangum.

      Mountbatten dá início à segunda parte do plano para a reconquista do país: no fim de abril de 1945, desencadeia a operação Dracula. Esta responde a uma imperiosa exigência: a conquista de um porto no golfo de Bengala para fornecer provisões às forças de Slim, submetidas a duras provas por uma campanha desgastante, no momento em que a frota de aviões de transporte americanos é destinada ao teatro de guerra chinês. O lançamento de tropas aerotransportadas e os desembarques anfíbios na foz do rio Rangum fecham uma campanha que permitiu aos Aliados reconquistar a Birmânia em seis meses (dezembro de 1944 a maio de 1945).

pp. 242-243


fonte: Fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 3. São Paulo: Larousse, 2009.


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Almirante Mountbatten [UK]

General Slim [UK]

General Stilwell [USA]




terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Conquista de Monte Castello - 1944 / 1945


 



FEB na Itália


Conquista de Monte Castello

dezembro 1944 – fevereiro 1945

       “Os três primeiros ataques ao Monte Castello foram realizados pelo mais esquecido dos batalhões do mais esquecido dos regimentos que compuseram a F.E.B.: o III Batalhão do 6º Regimento de Infantaria. Aliás, o III/6º R.I. é o único batalhão, ao que parece, que pode orgulhar-se de ter participado de todas as vitórias brasileiras na Itália: Camaiore (pela 7ª companhia), Monte Prano, toda a campanha do vale do Sercchio até Barga e Gallicano, Monte Castello (três primeiros ataques), Castelnuovo e Soprasasso (ação preparatória sobre S. Maria Villiana e M. della Croce), Montesae (com a famosa patrulha a Monte Buffone), Collechio (8ª companhia e um pelotão da C.P.P. III [Companhia de Petrechos Pesados do 3º Batalhão]) e finalmente Fornovo di Taro. Vamos fazer um resumo do desenrolar dos combates de 24, 25 e 26 de novembro, para depois estudarmos algumas conclusões que, se verificadas na ocasião, teriam evitado, talvez, os ataques fracassados de 29 de novembro e 12 de dezembro de 1944.”

       “Nosso batalhão continuou nas mesmas posições, sendo reserva no ataque realizado dia 29 de novembro por dois batalhões recém-chegados ao fronte: I/1º R.I. e III/11º R.I. Com o fracasso desse ataque, foi o III/6º R.I. retirado da linha de frente, gozando de descanso de três dias (durante o qual teve algumas baixas por bombardeio inimigo) voltando a ocupar as mesmas posições na madrugada de 3 de dezembro. Somente em março de 45, após a conquista de Soprasasso-Castelnuovo, é que o batalhão teria dez dias de descanso em lugar abrigado (Vidiciatico).

      No dia 12 de dezembro houve novo ataque, com três batalhões tirados do 1º R.I. e 11º R.I., sem resultado. Somente em 21 de fevereiro, após o inverno rigoroso, com novo plano de ataque e empregando um regimento completo (1º R.I.), auxiliado por um batalhão do 11º R.I., é que Monte Castello Seria conquistado pelos brasileiros.”

      “Dentre os ensinamentos que poderiam ser tirados para orientar futuras ações no setor de Monte Castello, surge em primeiro lugar as condições de número, físicas e morais, que a tropa a ser empregada deveria preencher. Quanto ao número, ficou evidenciada a perfeita organização do inimigo e seu poderia no baluarte de Monte Castello, exigindo o emprego de pelo menos três batalhões em 1º escalão, e, se possível, do mesmo Regimento, para completa coordenação. Quanto às condições, seria necessária uma tropa ao mesmo tempo descansada e com bastante prática do terreno. Os ataques de 24, 25 e 26 foram feitos por um batalhão exausto e desiludido. Os de 29-XI e 12-XII, por batalhões recém-chegados ao fronte. Além disso, nenhum deles conhecia o terreno onde deveria operar.”


Clóvis Garcia

1º Tenente de Infantaria, nascido em Taquaratinga, São Paulo, 1921. C.P.O.R. de São Paulo, 

1941. Estágio no II/5o R.I. Convocado, como 2º Tenente, em 1943, segui no 1º Escalão da 

E.E.B., com o 6º R.I., como comandante de pelotão de metralhadoras, passando depois a 

comandante de morteiros. Promovido a 1º Tenente e, 15 de fevereiro de 1945. Ferido no 

ataque ao Monte Castello em 26 de novembro de 1944, em Casa M. di Bombiana. Medalhas 

“Sangue do Brasil”, “Cruz de Combate de 2ª Classe”, “de Campanha”, e “de Guerra”. 

Bacharel em Direito.







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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ofensiva das Ardenas / Batalha do Bulge 1944-1945






 
Ofensiva das Ardenas
Batalha do Bulge ou Bolsão

dezembro 1944- janeiro 1945

preâmbulo

NAS FRONTEIRAS DO REICH

       “Os Aliados estão a postos ao longo de uma linha que corre das margens do rio Scheldt na Bélgica até o curso superior do rio Reno, na fronteira da Suiça. Mas sua marcha é refreada por problemas logísticos e de suprimentos e pela persistência de dissensões internas. Montgomery [general britânico] não cessa de reclamar a prioridade da 'incursão' na ala setentrional da frente de ataque aliado para ocupar a região do Ruhr (coração industrial da Alemanha); Eisenhower [comandante norte-americano] e Patton [general norte-americano] querem ultrapassar as fronteiras ocidentais do Reich [Alemanha nazista]. Os Aliados não aproveitam a queda do inimigo para transpor as pontes intactas sobre o rio Reno e entrar em profundidade no território alemão.

       Enquanto continuam os bombardeios estratégicos sobre as cidades alemãs (nos últimos três meses de 1944 foi lançada uma quantidade de bombas igual àquela de todo o ano anterior), a Wehrmacht [forças armadas alemãs] conta ainda com elevado número de efetivos, mesmo que sejam compostos, em sua maioria, dos inexperientes membros da Volkssturm (milícia civil) e do exército de reserva. A essa altura a Luftwaffe está quase ausente dos céus da Europa e o que resta da Marinha alemã só tem certa liberdade de movimento no mar Báltico. O esforço defensivo alemão na frente ocidental é sustentado pelo recrutamento de 25 divisões de Volksgrenadier (granadeiros do povo) e pela indústria bélica que, sob o comando de [ministro Albert] Speer, obtém excepcionais resultados (a produção de setembro de 1944 é superior à de qualquer outro mês de guerra)."



O CONTRAGOLPE ALEMÃO NAS ARDENNES

      “Na chancelaria de Berlim, [o ditador alemão Adolf] Hitler elabora um plano ofensivo a realizar-se no mesmo ponto em que os corpos blindados alemães haviam invadido a França em maio de 1940: a floresta de Ardennes. A Alemanha confia suas últimas esperanças de impedir a invasão dos anglo-americanos no coração do Reich ao êxito da operação Névoa de Outono [Unternehmen Herbstnebel]. Depois dos meses em que os Aliados exploram o sucesso de [operação] Overlord para invadir a França e chegar às fronteiras do Reich, sua marcha sofre uma parada. Na metade de dezembro, os alemães desferem uma ofensiva precisamente no ponto em que, quatro anos antes, a Blitzkrieg [guerra relâmpago] levou a França à capitulação em poucos meses.

      A operação Névoa de Outono tem seu epicentro na floresta de Ardennes e é conduzida por dois exércitos blindados (o V e VI) de fileiras incompletas, sob o comando de dois jovens generais, respectivamente Hasso von Manteuffel e Sepp Dietrich, em quem Hitler deposita plena confiança. Explorando as condições meteorológicas adversas, os alemães rompem as defesas americanas no setor e, também pela lentidão com que o quartel-general aliado de Eisenhower é informado da real extensão do ataque, conseguem sucesso em boa parte por causa do efeito surpresa. Desencadeada na aurora de 16 de dezembro de 1944, a ofensiva alemã se articula em duas direções: a primeira, a noroeste, aponta para a Antuérpia; a segunda, depois de atravessar o rio Meuse, para Bruxelas, com o objetivo de interromper as ligações entre ingleses e americanos, apoderar-se de seus centros de abastecimento e forçar os Aliados a retirar-se da Europa. Mas o sucesso da operação Névoa de Outono é ligado à ocupação do cruzamento rodoviário de Bastogne, onde a 101ª Divisão americana de paraquedistas [Airbone], que acorreu a toda pressa de Reims, opõe uma encarniçada resistência.

      Além da escassez de combustível que prejudica as forças blindadas alemãs, o ataque fracassa pela enorme desproporção de forças entre os dois contendores. Mas esse contragolpe do Reich tira o otimismo de Washington e de Londres sobre a rápida conclusão do conflito.”

pp. 221-222

Fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 3. São Paulo: Larousse, 2009.



BATALHA DO BULGE

       “Em resposta aos sucessos Aliados, Hitler começou a planejar uma contra-ofensiva que ganharia a iniciativa da batalha para a Alemanha. O plano de Hitler era ambicioso ao extremo, com o objetivo de conquistar o porto de Antuérpia em um ataque-surpresa por Ardennes. Os generais de Hitler ficaram perplexos com a proposta, reconhecendo que o exército alemão não estava em condições de fazer um avanço dessa magnitude. Mas Hitler não foi dissuadido e deu ordens para que as tropas se concentrassem no lado oposto de Ardennes, mesmo que isso fosse privar a Frente Oriental de forças que eram desesperadamente necessárias lá.

       A ofensiva começou em 16 de dezembro de 1944. Alguns ganhos foram conseguidos, mas eles não eram substanciais o suficiente para realizar o objetivo de Hitler de alcançar a Antuérpia, exatamente como seus comandantes tinham previsto. O ataque ao norte pelo 6º Exército Panzer foi frustrado em alguns dias.

       A ação ao centro teve mais sucesso. De 18 a 22 de dezembro, a 101ª Divisão Aérea foi cercada em Bastogne e se manteve por alguns dias diante das condições difíceis. Mas, mesmo que os alemães forçassem caminho pela linhas Aliadas, quando os Aliados restabeleciam uma posição segura e o tempo melhorava o suficiente para seus aviões-caça operarem, uma reversão de cenários era inevitável. Um contra-ataque começou em 23 de dezembro, e Bastogne foi retomada em três dias. Um esforço final alemão foi realizado no dia de ano novo de 1945, mas o ataque foi frustrado pela oposição Aliada.

       Em 3 de janeiro de 1945, os Aliados lançaram um ataque contra os flancos sul e norte da saliência criada pelo avanço alemão, com a intenção de reduzi-los de uma vez. Durante as semanas que se seguiram, os alemães foram obrigados a recuar para suas posições originais. A ofensiva sem dúvida causou bastante preocupação aos Aliados nas fases iniciais, enquanto o avanço alemão crescia, mas logo ficou claro que a força alemã era insuficiente para alcançar uma vitória significativa. O resultado final foi que os alemães sofreram grandes perdas perseguindo um objetivo que era inalcançável desde o começo.”


ARDENNES

       “A ofensiva alemã em Ardennes tinha a intenção de mudar a situação estratégica na Frente Ocidental. O grande esquema de Hitler vislumbrava a conquista do porto de Antuérpia, dividindo os exércitos ingleses e americanos e usando a vantagem conseguida para negociar uma paz separada com os poderes ocidentais, permitindo que a Alemanha voltasse suas atenções para derrotar a União Soviética.

       O plano para a ofensiva inicialmente envolvia o uso de unidades disfarçadas como americanas para causar confusão por onde passavam, mudando a direção do tráfego e assumindo controle dos principais pontos de passagem. A ideia não foi para frente, já que havia poucos soldados alemães que falavam inglês e eles não haviam capturado equipamento americano o suficiente para garantir que a farsa fosse levada com sucesso.

       Um ataque aéreo deveria acontecer também, mas os paraquedistas ficaram tão dispersos que não conseguiram atingir nada."
 
pp. 166-169

Fonte: JORDAN, David e WIEST, Andrew. ATLAS da II Guerra Mundial. Volume II. São Paulo: Escala, 2008.

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Batalha das Ardenas / 1965


Saints and Soldiers / 2003




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Resistência / Partisans 1943 - 1944








Resistência / Partisans



A Luta da Resistência na Iugoslávia

1943-1944

      “A capitulação da Itália [em setembro de 1943] tem consequências imediatas no teatro de guerra iugoslavo, onde a resistência começou pouco depois da invasão dos exércitos do Eixo, em 1941. Várias formações guerrilheiras, que se reportam a ideologias distintas e às vezes contrapostas, combatem, com sabotagens e emboscadas, contra os ocupantes e contra o Estado, independente croata de Ante Pavelic, alinhado com o Eixo. Os chetniks (do termo 'bando') do nacionalista sérvio Draza Mihailovich atraem parte consistente dos homens do ex-exército monárquico e recebem suprimentos dos ingleses.

      Os chetniks e os comunistas liderados por Tito são inimigos irredutíveis. No final de 1941, os comunistas estabeleceram o primeiro território livre da Europa em uma Sérvia submetida ao jugo nazista. O grupo de Tito frequentemente obtém o apoio de bósnios e eslovenos, que sofriam as atrocidades da ustasha do governo croata de Pavelic. No Montenegro, os chetniks alinharam-se aos italianos na repressão dos 'bandos comunistas'.

      O destino do conflito interno das formações da Resistência mudou repentinamente com a capitulação da Itália: os guerrilheiros de Tito, que encontraram refúgio na Bósnia contra as repetidas ofensivas dos alemães, apoderaram-se de armas e equipamentos das tropas italianas e organizaram algumas brigadas com regimentos do exército de ocupação, que estavam ansiosos por vingar as humilhações infligidas à Iugoslávia pela política fascista. No fim de 1943, os homens guiados por Tito (cerca de 150.000 efetivos) resistiram com êxito às ofensivas alemãs (o número de divisões da Wehrmacht subiu de seis para 13). O movimento de Tito era agora o único movimento de resistência nacional.

      O colapso da Itália também minou o regime fascista de Pavelic na Croácia. Também aqui os comunistas fizeram alianças que lhes permitiram ampliar o apoio popular em torno da resistência dos guerrilheiros. Tito e seus homens combatem em diversas frentes: a da libertação contra os ocupantes, a guerra civil contra os chetniks que se declaram representantes do governo monárquico no exílio em Londres e aquela para o futuro das organizações político-institucionais do país uma vez terminado o conflito mundial. Em 1944, beneficiam-se com a ajuda dos ingleses, que cessam de fornecê-la a Mihailovic, que não hesita em estipular um pacto de colaboração com os alemães para combater os comunistas de Tito. Os Balcãs, atrás das linhas da Wehrmacht que batem em retirada da União Soviética, tornam-se, no início de 1944, um terreno crescentemente mais perigoso.”

pp. 196-197

Fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 2. São Paulo: Larousse, 2009.


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os resistentes

nacionalistas

fascistas

marechal Tito




A Guerra dos Partisans

      “Uma grande contribuição para a luta de libertação da Europa da ocupação nazista foi feita pelos grupos de resistência, os partisans, e a resistência civil também teve um papel de destaque. Muitos civis fizeram sua parte no combate aos regimes dos colaboracionistas e à ocupação nazista com várias ações não violentas – apoio aos clandestinos, assistência aos judeus, propaganda antifascista, greves e desobediência em massa.

      Um amplo movimento clandestino respondeu ao apelo de De Gaulle aos franceses para prosseguir a luta contra o Reich depois do trauma da derrota de 1940. em 1943 os grupos da Resistência e os principais movimentos de oposição ao governo de Vichy se uniram para formar o Conselho nacional da Resistência. Sabotagens e ações de guerra foram realizadas por jovens guerrilheiros franceses (os maquis), que se entregaram à guerrilha de resistência para fugir do recrutamento e do trabalho obrigatório na Alemanha.

     Houve uma resistência semelhante na Itália, que, iniciada em 8 de setembro de 1943, incluiu todos os que nas áreas rurais e nas cidades, no norte e no sul, se batiam contra a ocupação nazista e contra a tentativa de restaurar o fascismo com a República de Salò. O órgão de direção dos vários grupos resistentes – o Comitê de Libertação Nacional da Alta Itália (CLNAI) – reuniu os partidos antifastistas (comunistas, socialistas, liberais, democrata-cristãos, acionistas) e coordenou a resistência partisan, oferecendo uma contribuição essencial para a vitória com a libertação de algumas cidades do norte antes da chegada dos Aliados e restituindo dignidade moral e política a uma população e um país duramente provados pelo conflito.

      Nos Balcãs, a resistência iugoslava desempenhou o principal papel na guerra contra as forças do Eixo; na Grécia, a contribuição significativa para a libertação do país – depois da rendição italiana – foi dada por um momento de resistência dividido. No momento da retirada dos alemães, nacionalistas e comunistas começaram a combater entre si, provocando uma guerra civil que se concluiria alguns anos depois do fim do conflito mundial.”

pp. 251-252


Fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 3. São Paulo: Larousse, 2009.


Resistance in France


Partisans na Itália


o hino dos partisans – Bela Ciao!



República de Salò (fascista)
setembro 1943 – abril 1945




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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Avanço Aliado na Europa - outubro - dezembro 1944




















Avanço Aliado na Europa


outubro - dezembro 1944

        “A controvérsia iniciou-se com um desacordo técnico entre Montgomery [general britânico] e Eisenhower [general norte-americano, comandante das forças aliadas] a respeito do modo como os aliados deveriam progredir para leste. Durante o mês de agosto Montgomery começou a pressionar o Comandante Supremo em favor da sua própria proposta, no sentido de que todas as prioridades logísticas fossem atribuídas a um grupo compacto de 40 divisões, retiradas do seu 21º Grupo de Exércitos e do 12º Grupo de Bradley, o qual deveria progredir como um ataque único, passando pelo franco esquerdo das Ardenas, atravessando o Ruhr sem se deter e alcançando Berlim através do terreno limpo no norte da Alemanha. Esta força deveria ter um comando único – ele próprio, de preferência, embora estivesse disposto a aceitar Bradley [general norte-americano]. Todavia, não houve nada que convencesse Eisenhower a deter as forças americanas no seu flanco direito para facilitar um ataque de 40 divisões no flanco esquerdo. Ao invés disto, ele insistiu em uma progressão com duas pontas, uma ao longo da linha proposta por Montgomery e outra orientada para leste, pelo sul das Ardenas, com a finalidade de penetrar na Alemanha pelo Sarre.

         No dia 29 de agosto Eisenhower endereçou uma carta extensa a Montgomery e a Bradley, na qual explicava suas intenções com absoluta clareza. Foi este o cerne de uma controvérsia que se prolongou pelos meses seguintes, alcançando a intensidade máxima quando Hitler desencadeou a ofensiva das Ardenas e que ressurgiu nas últimas semanas da campanha europeia. Além disto, o que se iniciara como um desacordo legítimo entre comandantes em campanha, a respeito de uma estratégia correta, ampliou-se em discussões sobre o restabelecimento de um comando único para as forças terrestres; desta forma, uma disputa no campo de batalha alcançou os círculos da alta política e penetrou nas áreas mais sensíveis do acordo anglo-americano.

       Embora Churchill e os Chefes de Estado-Maior estivessem naturalmente a par do que sucedia, mantiveram-se afastados da disputa na sua fase inicial.

        Oficialmente, os Chefes do Estado-Maior Conjunto não foram chamados a opinar sobre a divergência de ideias. Em que pese o vulto e a gravidade da divergência, por sua própria natureza ela não constituía assunto da alçada deles. As alternativas ocorriam exclusivamente no seio de um plano de campanha cujo objetivo e forma eles já haviam aprovado, e envolvia forças enquadradas em um teatro de operações e que não poderiam ser imediatamente reforçadas por nenhuma resolução que tomassem. Os Chefes de Estado-Maior americanos e ingleses, e o Primeiro-ministro, recebiam informações pessoais sobre a discussão e acompanhavam-na com interesse, mas não estavam envolvidos de nenhuma forma no resultado. Trata-se, sem dúvida, de uma bom exemplo, no mais alto escalão, da divisão de responsabilidade entre um teatro de operações e o comando central.

        Entretanto, na medida em que corriam os meses aumentava inevitavelmente a impaciência em Londres – tendo Arnheim [i.e. o objetivo da operação Market Garden] constituído um desapontamento, continuando a Antuérpia a não poder ser utilizada como porto e com os exércitos aliados parecendo uma força impotente estendida ao longo da fronteira alemã, como resultado da estratégia de frente ampla de Eisenhower. Ao surgir a ideia de interpor um oficial competente entre o Comandante Supremo e seus exércitos, Londres teve que examinar qual a ação prática a adotar, diante de um assunto que afetaria diretamente as relações com Washington. E havia implicações mais profundas. A progressão aparentemente frouxa na Europa era mais ameaçadora para Churchill e o governo inglês do que para os americanos. A economia inglesa distendera-se ao máximo e as reservas em recursos humanos eram nulas – na verdade, depois da Normandia, foi preciso dissolver uma divisão de Infantaria para proporcionar recompletamento para outras.

        Além disto, os ingleses tinham uma finalidade tanto política como militar quando se colocavam a favor de um avanço contra Berlim pelo norte da Alemanha, comandado por Montgomery, se possível. Por exemplo, isto significaria uma rápida libertação da Holanda (por quem a Grã-Bretanha sentia grande responsabilidade) e a limpeza dos locais de lançamento das V-2, além da conquista dos portos e bases navais alemães (de interesse capital para a Inglaterra) e a presença britânica na capital germânica antes da chegada dos russos (de importância incalculável para Churchill).

        De qualquer maneira, Churchill manteve-se comedido até a última fase da guerra. Seu repúdio desdenhoso (e injusto) a Eisenhower por inépcia militar ficou circunscrito a Alanbrooke e Montgomery. Em particular, o Primeiro-ministro não era favorável à ideia de um comando geral para as forças terrestres. Em face da sua grande afinidade por Alexander, estava pronto a ventilar a ideia de chamar Tedder de volta ao Estado-Maior da Aeronáutica, em Londres, e trazer Alexander do Mediterrâneo para ser subcomandante de Eisenhower. Mas nunca fez muita força por isto. Na verdade, foi Hitler quem resolveu a controvérsia temporariamente, lançando através das Ardenas, em dezembro, o Exército Panzer reunido sigilosamente.

        Ao nascer do dia 16 de dezembro o problema deixou de ser como avançar na Alemanha para ser como deter o avanço dos alemães. Churchill escreveu a Smuts: 'Na tarde do dia 20 falei com Eisenhower pelo telefone e sugeri que ele atribuísse a Montgomery o comando das tropas situadas ao norte da penetração inimiga e a Omar Bradley tudo o que ficou ao sul, mantendo com ele o comando geral da operação. Respondeu-me que já havia expedido ordem exatamente neste sentido na parte da manhã'. Assim, as circunstâncias criaram as condições desejadas por Montgomery e seus superiores, mas Montgomery desperdiçou a oportunidade, em que pese a sua contribuição legítima para a vitória na Batalha do Bolsão [ou Bulge]. Alanbrooke chamara a sua atenção para isto.”

pp. 293-295


fonte: LEWIN, Ronald. Churchill – O Lorde da Guerra. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979.







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Comandante Supremo Eisenhower






Ofensiva das Ardenas / dezembro 1944 
 






bombas voadoras V-1 e V-2











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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Final do Governo Roosevelt e a vitória 1944-45









Final do Governo Roosevelt e a vitória sobre o Eixo


1944/1945



       “Franklin Roosevelt não veria os grandes acontecimentos que poriam fim à luta no Oriente. Ele sofreu um forte derrame cerebral e nunca recuperou a consciência, morrendo no dia 12 de abril [de 1945]. Tocou a um novo e despreparado Presidente, Harry Truman, tomar a última decisão no Extremo oriente, assumir a terrível responsabilidade do emprego da bomba atômica e, de outro lado, facilitar a capitulação final dos japoneses permitindo-lhes conservar seu Imperador.

      Os acontecimentos militares e navais de 1941-45 constituíram apenas uma parte da história da guerra. Como os narramos, tendem a salientar excessivamente o papel dos Estados Unidos na luta. Afinal de contas, a guerra foi uma guerra mundial e não uma guerra americana; é preciso encará-la numa perspectiva mundial. Ela não poderia ter sido ganha sem a ajuda dos aliados dos Estados Unidos.”

[…]

     As diferenças políticas que surgiram já foram na maior parte comentadas. Franklin Roosevelt refletia o sentimento da maioria em sua aversão por aquela coisa vaga chamada de imperialismo britânico; e às vezes arreliava o Primeiro-ministro [i.e. Churchill], provocando-lhe verdadeira indignação. Mas, na maior parte das vezes, a controvérsia era mantida em sigilo; e só uma vez a indignação de Churchill se manifestou em público, quando declarou no Parlamento que não se tornara o Primeiro-Ministro do rei para 'presidir à liquidação do império britânico'. O antiimperialismo do Presidente, conforme seus críticos de hoje afirmam frequentemente, pôs em ação forças altamente inconvenientes para o Ocidente; mas é exagero atribuir a crescente consciência de si mesmos dos povos assim chamados dependentes do mundo de hoje à influência de um único homem. Parece provável, na realidade – se não certo – que, com Roosevelt ou sem Roosevelt, o mundo contemporâneo teria contado com um nacionalismo militante entre as irrequietas populações da África e da Ásia.

        Já se disse algumas vezes que o Presidente e o Primeiro-Ministro cometeram um dos erros capitais da guerra na conferência em tiveram em Casablanca no inverno de 1942. ali promulgaram a assim chamada doutrina da 'rendição incondicional' [unconditional surrender] que teria concorrido para o prolongamento da luta enrijecendo a resistência do inimigo. Não é fácil ver a força desse argumento. Certamente, os italianos capitularam logo quando se viram pressionados; em 1944 e 1945 contingentes italianos estavam lutando ao lado das democracias.

      Quanto à Alemanha, vale notar que a ideia de 'rendição incondicional' não impediu a formação de um complô contra Hitler que quase conseguiu assassinar o ditador no verão de 1944 [i.e. a Operação Valkíria, deflagada em 20 de julho, com participação de militares e civis da resistência alemã]. Só a sorte salvou o Führer de ter sido mortalmente ferido por uma bomba introduzida em seu próprio quartel-general e que explodiu numa conferência a qual comparecera. Mas além disso. Não era uma doutrina correta recusar negociações com esse tirano sinistro e insistir numa capitulação total enquanto ele permanecesse no poder?

         Os erros, entretanto, são inevitáveis nos grandes negócios e em duas matérias em que agiram de comum acordo, o Presidente e o Primeiro-ministro indubitavelmente erraram. Um erro, o compromisso de reduzir drasticamente o poder industrial da Alemanha 9o assim chamado plano Morgenthau), assumido em Quebec no outono de 1944, foi logo corrigido. O outro foi mais sério. Muito antes do fim da guerra, fora feito um acordo com os russos sobre as zonas de ocupação das grandes potências quando terminado o conflito. O efeito desse acordo foi entregar, praticamente, ao sereno arbítrio do Kremlin [i.e. O governo soviético] áreas que tinham sido invadidas pelas forças americanas e que poderiam ter sido preservadas para a liberdade.

         Consideramos essa espécie de coisas, entretanto, numa perspectiva hoje diversa daquela dos anos de guerra. Afinal de contas, o papel dos russos na guerra foi fundamental. Eles estiveram lutando com grandes exércitos alemães e sua colaboração foi essencial. […]

            Vez por outra ocorreram pequenas rusgas [entre ocidentais e soviéticos], mas de modo geral, o ano de 1944, o ano do desembarque aliado na França e das extraordinárias vitórias sobre os alemães, marcou o auge da cooperação com o Kremlin.”

pp. 153-157

fonte: PERKINS, Dexter. A Época de Roosevelt. 1932-1945. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1967.





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a rendição incondicional

[na Conferência de Casablanca]






Operação Valkíria







Presidente Harry Truman







Plano Morgenthau