terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Guerra no Pacífico - Ilhas Gilbert / Tarawa





Frentes de guerra no Pacífico


novembro 1943 - fevereiro 1944


AS ILHAS GILBERT


“Depois de expulsar as forças japonesas das ilhas Aleutas em meados de 1943, a atenção americana se voltou para a área do Pacífico Central das ilhas Gilbert. A conquista da ilha recebeu o codinome de Operação Galvânica, e o planejamento ficou por conta do Contra-Almirante Raymond A. Spruance. Spruance concluiu que as duas ilhas mais ao oeste, Makin e Tarawa, deveriam ser conquistadas, pois a ação neutralizaria as outras ilhas, que deixariam de receber abastecimentos. Makin foi atacada em 20 de novembro de 1943 e tomada depois de três dias de luta amarga, durante a qual apenas uma das oitenta guarnições japonesas se rendeu. Entre os americanos, 66 soldados foram mortos, e 150, feridos. Ainda assim, a operação em Makin foi relativamente fácil, mas a tomada de Tarawa seria muito diferente.


Uma das principais dificuldades em atacar Tarawa era a presença de recifes de coral submersos, que tornavam extremamente difícil a aproximação das embarcações e que deixariam os americanos vulneráveis ao fogo inimigo. Estava claro que veículos anfíbios de ataque (AMTRACs, ou 'tratores armados') teriam que ser usados. Quando o ataque começou, em 20 de novembro, as embarcações chegando à praia pararam nos corais, pois a água estava ainda mais baixa do que o antecipado – a força inteira foi obrigada a depender de carros-tanques e dos poucos soldados que conseguiram vencer as águas e chegar à praia, enfrentando fogo pesado.


Em certo ponto, parecia que as forças americanas não conseguiriam alcançar a praia, mas elas o fizeram. Os defensores japoneses lutaram até a morte – de uma guarnição de 4.750 homens, apenas 17 se renderam. A luta durou por três dias e mais de mil fuzileiros navais americanos morreram.”

[…]
pp. 220-221




TARAWA SANGRENTA


Batalha do Atol de Tarawa (20-23 de novembro de 1943)

Batalha do Atol de Makin (20-23 de novembro de 1943)


“Os ataques às Ilhas Gilbert e Marshall apontaram como a campanha de 'pular ilhas' deveria seguir. Certas ilhas importantes deveriam ser tomadas, mas outras, onde as guarnições japonesas ficariam isoladas pela perda das linhas de abastecimento, poderiam 'ficar em banho-maria'.


As campanhas foram notáveis por suas lutas ferozes. Tarawa foi difícil de atacar, pois o desembarque acabou sendo impossibilitado pelos corais de recife que cercavam as praias, e a natureza do terreno obrigou as forças americanas a desembarcar do lado oposto das linhas defensivas japonesas, em vez de tentar desembarcar em algum outro ponto do atol e flanquear os defensores. Da mesma forma, enquanto em Roi a ação foi relativamente simples por causa do sucesso do bombardeio preliminar, o terreno de vegetação fechada e os bunkers defensivos bem construídos em Namur e Kwajalein fizeram com que a ferocidade do bombardeio americano fosse mitigada, permitindo que os japoneses sustentassem uma resistência ferrenha contra os atacantes.


Além do valor estratégico, as batalhas no arquipélago das ilhas Gilbert e Marshall forneceram lições valiosas para operações futuras contra as ilhas em domínio japonês. Com a queda de todo o grupo Marshall em 23 de fevereiro de 1944, o cenário estava montado para a Batalha do Mar das Filipinas e a operação contra as ilhas Marianas.“ p. 212


fonte:JORDAN, David e WIEST, Andrew. Atlas da II Guerra Mundial. Volume III. Trad. Tatiana Napoli.São Paulo: Editora Escala, 2008.



mais em





...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Leningrado e Frente Carélia - janeiro 1944





Janeiro 1944


Frente Oriental


LENINGRADO E A FRENTE CARÉLIA


“Em janeiro de 1944, os alemães estavam envolvidos nos desastres no sul da União Soviética, e a atenção do Grupo de Exército do Norte estava focada na grande probabilidade de uma ofensiva soviética na Bielorrússia. Isso fez com que eles não percebessem as preparações para uma ação destinada a expulsar as forças alemãs dos arredores de Leningrado. A Frente Leningrado, do General Govorov, e a Frente Volkhov, do General Meretsov, se uniram para a ofensiva na área de Novgorod-Luga, com início em 14 de janeiro. Depois de uma hora de bombardeios, um ataque em massa da infantaria se voltou contra a primeira linha alemã. O ataque foi rápido, e durante os dias seguintes o 18º Exército alemão foi destruído.


Apesar desse sucesso, houve várias falhas no ataque russo. Muitos dos comandantes envolvidos na ofensiva tinham passado boa parte da guerra – se não toda – na área de Leningrado, sem ter tido a oportunidade de participar das (e aprender com as) ofensivas nas outras partes da União Soviética. Por isso, a fase inicial da operação foi marcada por erros táticos, como o uso de infantaria sem apoio e a falta de coordenação entre as divisões diferentes. Govorov ficou particularmente frustrado com estas falhas, pois suas forças pareciam incapazes de perseguir os alemães com a agilidade que ele desejava.


Mesmo os russos não sendo tão eficientes nessa área como nas outras, os alemães sofreram muitas perdas. As tropas se mantiveram organizadas e foram forçadas a recuar enquanto cidade após cidade caía diante dos soviéticos; mais uma vez, a lentidão da perseguição russa permitiu que eles evitassem o desastre. No entanto, apesar de decepcionados, os russos atingiram seu objetivo. Em 30 de janeiro, as forças alemãs tinham sido obrigadas a recuar entre 80 km e 100 km e desocupado a linha ferroviária ligando Moscou e Leningrado. Apenas em agosto todas as unidades alemãs foram expulsas da região de Leningrado, mas a batalha já estava vencida no fim de janeiro, e o cerco tinha terminado.


Restava ainda remover as forças finlandesas do território que ocupavam desde 1941. A Frente Volkhov, comandada pelo General Meretskov, foi enviada em fevereiro de 1944, enquanto as operações ao redor de Leningrado se desenvolviam, e recebeu o comando da Frente Carélia. Em 10 de junho, Meretskov lançou a ofensiva Svir-Petrozavodsk, e a Frente de Leningrado atacou o Istmo de Carélia, perto de Vyborg. As operações duraram até 9 de agosto, quando os finlandeses foram forçados a recuar para a linha que marcava a fronteira soviético-finlandesa em 1939. Cientes de que não havia mais nada a fazer, os finlandeses procuraram a paz, e o armistício foi assinado em 4 de setembro de 1944.

pp. 127-128



fonte:JORDAN, David e WIEST, Andrew. Atlas da II Guerra Mundial. Volume II. Trad. Tatiana Napoli.São Paulo: Editora Escala, 2008.




mais info em







video






quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

FEB - formação da força expedicionária






FEB

1943 / 1944


Arregimentação (e capacitando) homens

         “A FEB já existia no papel. Faltava agora cumprir a gigantesca tarefa de preencher as fileiras com homens capacitados. Seria necessário multiplicar por três cada um dos setores previstos na composição de uma divisão, e o alistamento e a seleção de pessoal deveriam entregar ao menos 75 mil homens aptos a ocupar as novas funções. Desse total, mais da metade deveria estar apta para entrar em combate. O contingente das Forças Armadas Brasileiras nessa época beirava os setenta mil homens, o que significava, no mínimo, dobrar a quantidade do efetivo apenas para realizar planos iniciais de formação da FEB. Dificilmente a meta seria cumprida apenas com o voluntariado, e o alistamento obrigatório dos reservistas estava previsto.

         O ministro da Guerra, general Dutra, procurava entre os militares de alta patente quem fosse mais capacitado para o comando da FEB, mas, aparentemente, ninguém se mostrou disposto a encarar tamanho desafio, já que todos recusavam o convite feito pelo chefe militar. Em agosto de 1943, o general João Batista Mascarenhas de Moraes aceitou o comando de uma das três divisões de infantaria previstas inicialmente para compor a FEB. Esse militar da ativa era comandante da Artilharia e estava servindo na 7ª Região Militar, sediada em Recife.

         Mascarenhas sempre esteve ao lado do governo constituído, durante as revoluções dos anos 1930, quando confrontou Vargas em duas ocasiões. Com isso, foi preso, e depois liberado  para reassumir seu posto. Entretanto, depois de lutar contra o levante comunista de 1935, ganhou a confiança do presidente. Foi enviado aos Estados unidos para o curso preparatório na Escola de Comando e Estado-Maior de Fort Leavenworth, no estado de Kansas, para onde posteriormente foram mandados 259 militares brasileiros, até fins de 1944. Era um homem reservado, conhecido pela sua personalidade introspectiva, mas cujas qualidades de comando e administração seriam de enorme importância ao longo do seu papel na liderança da FEB.

         Da teoria à prática, os militares brasileiros prosseguiam no processo de estruturação da FEB. Os equipamentos militares americanos que chegavam ao Brasil por conta do Tratado de Empréstimo e Arrendamento custaram mais de 350 milhões de dólares, uma fração do preço real, que teve o prazo de pagamento facilitado. As divisões, uma vez treinadas, receberiam o equipamento funcional assim que chegassem ao teatro de operações determinado.

         Depois de vencidas as barreiras políticas para a entrada de uma força brasileira no front de combate, o alto-comando Aliado escolheu o teatro de operações do mediterrâneo para receber o contingente brasileiro. Em novembro de 1943, uma comissão militar chefiada pelo general Mascarenhas foi enviada à Itália e à África para observação daqueles cenários de guerra. Antes de sua volta ao Brasil, o general Mascarenhas foi nomeado comandante da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária.”

pp. 106-107



Tirando o atraso

         “As dificuldades para a formação e o treinamento da FEB continuaram. Os americanos alegavam não dispor de armamentos suficientes para o Brasil, uma vez que, além de fornecer armas para vários países aliados, ainda precisavam reequipar seu próprio exército, que estava lutando em várias frentes. Os ingleses se opunham ao envio de uma força brasileira para o teatro de operações do Mediterrâneo, onde mais de vinte nacionalidades estavam engajadas em operações de combate.

         Tanto o general Harold Alexander – comandante do VIII Exército inglês – quanto Winston Churchill não viam com bons olhos mais uma tropa estrangeira adentrando aquele estágio da luta, o que poderia aumentar ainda mais os desafios estratégicos e logísticos já existentes. Foi preciso a insistência de Roosevelt para convencer Churchill sobre a importância política de os americanos cumprirem a promessa de que os brasileiros lutariam.

         Com a redução do efetivo esperado para compor o corpo expedicionário, já que se provou impossível convocar cem mil homens para três divisões, ficou definido que a FEB teria apenas uma divisão, formada por cerca de 25 mil homens.  Dos três centros de treinamento militar previstos, apenas o do Rio de Janeiro foi efetivado. Estava em andamento a total reforma na estrutura militar vigente, com a adaptação do Exército brasileiro para o modelo americano.

[…]

pp. 109-110


fonte: BARONE, João. 1942: O Brasil e sua guerra desconhecida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.


mais info em






 



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Discursos de dezembro 1943 - Thomas Mann






Ouvintes alemães


Discursos contra Hilter


Thomas Mann na BBC


[discursos de dezembro 1943]




9 de dezembro de 1943


Ouvintes alemães!


Não é preciso esclarecer a vocês que o histórico encontro de Teerã * não resultou no apelo ao exército do povo alemão, ao próprio povo alemão, anunciado pela propaganda nazista e tão falado quanto inútil. A intimação para a deposição das armas não teria sentido em um momento em que os soldados alemães lutam longe das fronteiras do Reich e em que sonora promessa de que armas novas e secretas transformariam a derrota em vitória anestesia a mente dos alemães. Na verdade, é certo que essas armas, se existirem, no máximo retardarão o resultado final da guerra, e, por causa dos danos que possivelmente possam causar, apenas aumentam o ressentimento contra a Alemanha e pioram sua situação. Mas tudo isso pertence ao destino e só podemos aguardar.


O fato de os estadistas da Rússia, da Inglaterra e dos Estados Unidos não terem enviado uma mensagem direta a vocês, alemães, significa que não se deseja uma capitulação antecipada que deixaria mais ou menos intacta a máquina de guerra alemã, uma capitulação com segundas intenções que servem a propósitos enganadores e que só poderia ser utilizada para a obtenção de um intervalo para descanso de algumas décadas: significa que o desejo é dar um fim claro, sólido e definitivo em termos militares à guerra. É preciso acabar para sempre com a mentira da punhalada pelas costas **, com o autoengano nacionalista do tipo ' não fomos vencidos no campo de batalha”. A única experiência que pode trazer a Alemanha à razão, a experiência de uma derrota catastrófica, inegável e concreta, a ocupação e a tutela provisória do país, enfim, todas as providências que são necessárias para tornar impossível para sempre qualquer nova agressividade – essa experiência não deve e não será poupada a vocês.


[…]


Deixem a derrota militar se realizar, esperem chegar a hora que permita a vocês ajustar as contas com seus depravadores, de maneira tão radical e tão implacável quanto é necessário para o futuro da Alemanha. Então terá chegado também para nós o momento de atestar: a Alemanha está livre, a Alemanha se purificou de verdade, a Alemanha deve viver.


pp. 157-160


(*)Realizado em novembro de 1943, reuniu os três chefes de Estado aliados – Roosevelt, Churchill e Stálin – para definir as ações da última fase da Segunda Guerra Mundial após a derrota alemã em Stalingrado. (NT)






(**)Mann alude à chamada Dolchstoßlegende ('lenda da punhalada pelas costas') , a tese de que a Alemanha não perdeu a Primeira Guerra Mundial por razões de ordem militar e econômica, mas por derrotismo e traições nas próprias fileiras. (NT)










31 de dezembro de 1943




Ouvintes alemães!


Nosso país não consegue se livrar de uma imitação falsa, totalmente equivocada e infeliz da Inglaterra. A alcunha com a qual o mundo hoje chama você, alemães, 'raça de senhores', um nome que só pode ser ridículo, uma zombaria, chegou a ser levado muito a sério por vocês. Vocês viram nos ingleses uma raça de senhores e era isso que também queriam ser; vocês viveram sob a pressão invejosa de copiar a Inglaterra, de assumir para si o papel que atribuíam a eles; o sonho de vocês era suplantar a Inglaterra, colocar-se em seu lugar; não apenas um povo de senhores – vocês queriam ser o povo de senhores e arrebatar da Inglaterra o domínio dos mares, do qual depende sua existência, enquanto a de vocês nada deve a esse domínio. Esta foi a origem da Primeira Guerra Mundial.


Sua origem foi uma tolice invejosa; já a origem da Segunda Guerra, que a Alemanha também está perdendo, é apenas uma caricatura dessa tolice – assim como o nazismo é uma caricatura terrível de todas as fraquezas e loucuras da essência alemã, a ponto de corrermos o perigo de esquecer suas virtudes. Na cabeça dos nazistas, a ideia de um 'povo de senhores' levou à perda de qualquer resto de dignidade e atenção aos direitos humanos, de qualquer consciência de responsabilidade e de toda sensibilidade sã em relação àquilo que o mundo pode admitir ou não. Tornou-se apenas a justificativa para o roubo e o assassinato, para o saque, a opressão, a castração e a violação dos outros povos – para um empreendimento que estava destinado a sucumbir diante das forças unidas do mundo.




[…]


Acontece com a Alemanha exatamente o contrário do que aconteceu antes com a Inglaterra, e por isso a imitação é tão absurda. Será que a Alemanha em apuros espera o auxílio do mundo? Não, ela só pode esperar a queda progressiva dos mercenários que acreditavam na sua sorte de ladrões. A Alemanha não pode se recuperar como fez a Inglaterra, cujo caminho a levou das derrotas iniciais às vitórias. O caminho da Alemanha vai das vitórias deslumbrantes do começo, graças à vantagem de seu armamento, à queda inevitável. A stubborness [teimosia] da Alemanha, seu dito heroísmo e resistência, são desesperadores e infames, uma cópia totalmente falsa da coragem inglesa. Ela é não apenas um crime contra um mundo que não pode e não deve desistir da luta mais sacrificada até destruir o regime nazista; é também um crime contra a própria Alemanha, contra o povo alemão e suas obras culturais, contra as cidades alemãs que afundam em ruínas, contra sua força vital que pertence à humanidade e ao futuro e que não deve mais sangrar sem sentido e sem razão.


Onde estão aqueles dentre vocês, alemães, que entendem que a honra e a coragem alemãs não estão agora na 'resistência', mas sim na submissão aos desejos da humanidade?


pp. 160-163




Fonte: MANN, Thomas. Ouvintes alemães!: discursos contra Hitler (1940-1945). (Deutsche Hörer!) Trad. Antonio Carlos dos Santos e Renato Zwick. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.




sobre o autor alemão Thomas Mann










quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Libertação da Ucrânia e da Crimeia - 1943 / 1944









Frente Oriental


1943 -1944






Libertação da Ucrânia e da Crimeia


Contrariando as expectativas alemãs de que as ofensivas de 1943 terminariam em dezembro devido ao cansaço das forças soviéticas, os russos fizeram planos para começar a retomar a Ucrânia ocidental antes do fim doa no. Logo na manhã do dia 24 de dezembro de 1943, a 1ª Frente Ucraniana lançou um potente bombardeio contra as posições do Grupo de Exército do sul a oeste de Kiev. Em seguida, divisões de ataque entraram em batalha e lidaram rapidamente com a oposição. No fim do dia, as unidades russas tinham avançado mais de 32 km, com os alemães em total desordem. A posição alemã, no entanto, foi salva quando a chuva começou a cair no dia do natal. O dilúvio transformou a área em um lamaçal, tornando extremamente difícil para as forças soviéticas manterem seu ritmo inicial. Ainda assim, o ataque continuou. As forças alemãs foram obrigadas a recuar, e a ligação por ferrovias entre o Grupo de Exército do Centro e o Grupo de Exército do Sul foi cortada em 5 de janeiro de 1944.


Como resultado da ofensiva, um buraco de 240 km de largura e 80 km de profundidade foi forçado na frente alemã antes do avanço começar a diminuir. A perda de ritmo foi temporária, pois a 2ª Frente Ucraniana lançou uma ofensiva própria, atingindo a periferia de Kirovgrad. Depois de duas semanas de preparação, a 1ª e a 2ª Frentes Ucranianas atacaram, encurralando 50.000 alemães na saliência de Korsun-Shevchenkovsky.


[O ditador alemão Adolf] Hitler inicialmente se recusou permitir qualquer esforço de fuga, ordenando uma contra-ofensiva. No início os alemães conseguiram algum sucesso, mas o clima quente e as chuvas fora de estação tornaram o terreno um pântano, e o exército alemão ficou literalmente atolado. Ordens permitindo a retirada do bolsão Korsun-Shevchenkovsky foram dadas, mas, depois de um começo organizado, a ação se tornou uma debandada, e o comando de controle deixou de ser ouvido. Milhares de alemães morreram tentando atravessar o rio Gniloi Tikitsch, que estava completamente cheio por conta das tempestades causadas pelo tempo quente. Apesar disso, cerca de 30.000 dos 50.000 soldados alemães encurralados escaparam, mas eles não tinham condições de voltar à linha de frente de batalha em um futuro próximo. A raiva inicial de Stalin com a fuga de tantos alemães foi aliviada quando ele notou os paralelos com a vitória de Alexander Nevsky contra os Cavaleiros Teutônicos em 1242. A oportunidade de propaganda foi explorada à exaustão, e Koniev foi promovido Marechal da União Soviética.” pp. 123-125




fonte: JORDAN, David & WIEST, Andrew. Atlas da Segunda Guerra Mundial. As duas Frentes de Batalha. Trad. Tatiana Napoli. São Paulo: Escala, 2008.




mais info em










quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Campanha da Birmânia / Burma - 1943/1944 p2








Ofensiva Japonesa
1943-44


Durante os últimos meses de 1943, [Tenente-General no comando do XV Corpo] Christison avançara suas forças metodicamente pela península de Mayu, de modo que em meados de janeiro de 1944 ele estava em condições de poder disparar uma ofensiva geral contra os japoneses que defendiam a estrada Maungdaw – Buthidaung. Os japoneses, possivelmente para atrair os britânicos mais ainda pela península abaixo, antecipando seu próprio contra-ataque, evacuou Maungdaw, mas se mantiveram firmes na área dos Túneis no centro da linha. Slim deslocou a Divisão indiana para a frente do Arakan, colocando-se na reserva naquela área.
O 143º Regimento japonês defendia a área dos Túneis, com um destacamento no rio Kalapanzin (Mayu), diante da 7ª Divisão indiana.
O General Giffard (11º Grupo de Exércitos) estava concentrando o XV Corpo no Arakan para, se pudesse, fazer um ataque à linha Maungdaw – Buthidaung em meados de janeiro de 1944, mas o XV Corpo já estava atrasado.
A 5ª Divisão indiana finalmente atacou Rabazil, a 26 de janeiro, mas, após quatro dias de luta intensa, não avançou nada. A 30 de janeiro, Christison moveu sua artilharia média e seus tanques para o outro lado da serra de Mayu, para juntar-se à 7ª Divisão, a fim de lhe dar condições de prosseguir no ataque. A 2 de fevereiro, antes de iniciar um giro pela frente do Arakan, ele visitou o Q-G de Slim. Como resultado do exame a que procedeu, ordenou que a 36ª Divisão britânica se concentrasse em Chittagong, atrás do XV Corpo, mas com ordens para que não a movimentassem sem sua permissão. Por conseguinte, Slim dispunha de cinco divisões na frente do Arakan.
A 3 de fevereiro, a 5ª divisão defrontava os japoneses na área dos Túneis com suas três brigadas na linha. Duas brigadas da 7ª Divisão estavam espalhadas por uma distância de 16 km, desde o sopé da serra de Mayu até o outro lado do rio Kalapanzin (Mayu). A terceira brigada, com tanques, encontrava-se pronta para atacar Buthidaung. O Q-G do XV Corpo ficava em Bawli Bazar.
Uma ‘Área Administrativa’, situada em Sinzweya, recebera gasolina, munição e suprimentos vários.
O Tenente-General Hanaya, Comandante da 55ª Divisão, fora encarregado da ‘Operação Ha-Go’, cujo objetivo era, depois de cortar a comunicação da 7ª Divisão britânica, destruí-la e fazer o mesmo com a 5ª Divisão, na faixa costeira. Para esta ofensiva Hanaya dispunha, além da guarnição de Akyab, de quatro regimentos, cada um equivalente a uma brigada britânica. Ele não tinha blindados, artilharia média e nenhuma unidade aérea. Sua artilharia era levada em dorso de animais.
[...]
A principal força atacante da Hanaya consistiria de um regimento, reforçado por mais dois batalhões e um regimento de sapadores, totalizando cerca de 5.000 homens. Colocados sob o comando do Major-General Sakurai, ordenou-lhe Hanaya que passasse pelas linhas da 7ª Divisão indiana a leste do rio Kalapanzin e tomasse Taung Bazar. Depois, deveria atravessar o rio, bloquear o Passo de Ngakyedauk, na área dos Túneis, e destruir as formações britânicas (7ª Divisão) que estavam entre a serra de Mayu e o rio Kalapanzin. Ao mesmo tempo, a coluna Doi atacaria do sul. Um grupo incursor da coluna Sakurai também atacaria e destruiria a ponte de Briasco, cortando assim as comunicações rodoviárias com a 5ª Divisão.


[...]
O movimento de penetração, executado com arrojo, surpreendeu por completo os britânicos, embora algumas patrulhas de reconhecimento especial tivessem previsto esta operação, baseando-se em informações que haviam recolhido. Suas advertências foram ignoradas. O Q-G da 114ª Brigada ouvira o ruído de homens e animais movimentando-se na noite, mas julgou tratar-se de grupos de transporte de rações que se dirigiam para a frente.
Quando o Major-General Messervy (Comandante da 7ª Divisão, que possuía considerável experiência de batalha, pois estivera no Deserto Ocidental) ouviu, às 9h do dia 4 [de fevereiro 1944], a notícia de que cerca de 800 japoneses estavam avançando sobre Taung Bazar, ordenou que sua brigada de reserva (a 89ª) os localizasse e destruísse.
[...]
General Giffard, que estava visitando Slim, ordenou a concentração de toda a 36ª Divisão em Chittagong.
Pelo anoitecer do dia 5, portanto, as duas divisões avançadas (5ª e 7ª) estavam ocupando suas posições. Como haviam sido colocadas em regime de abastecimento aéreo, o corte das suas comunicações rodoviárias não foi importante. Ao mesmo tempo, poderosos reforços das duas divisões estavam avançando, vindos do norte.” pp. 73-76


Fonte: CALVERT, Michael. Campanha da Birmânia. Trad. Edmond Jorge. Rio de Janeiro: Renes, 1978.


Mais info em :






...