sexta-feira, 17 de maio de 2013

Relações do Papado com o Nazismo - 7






Relações do Papado com o Nazismo – continuação 7



fonte: CORNWELL, John. Papa de HitlerA História Secreta de Pio XII . (Hitler's Pope: the secret history of Pius XII. 1999) Trad. A . B. Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000



A Indiferença de Pio XII diante do Holocausto


Depois da encíclica Mit brennender Sorge [1937], de Pio XI , Pacelli tentou secretamente atenuar seu impacto, por meio de garantias diplomáticas particulares aos alemães.

Por uma variedade de evidências, fica patente que Pacelli acreditava que os judeus haviam atraído o infortúnio sobre suas cabeças; a interferência em defesa deles poderia levar a Igreja a alianças com forças – em particular a União Soviética – cujo supremo objetivo era a destruição da própria Igreja. Por este motivo, quando a guerra começou, ele estava disposto a se distanciar de qualquer apelo a favor dos judeus no nível da política internacional. Isto não o impediu de dar instruções para aliviar a situação crítica dos judeus no nível da caridade básica.

Nessas circunstâncias, somos obrigados a concluir que o seu silêncio tinha mais a ver com o medo e desconfiança habitual dos judeus do que com uma estratégia de diplomacia ou um compromisso com a imparcialidade. Pacelli demonstrou que era bem capaz de ser parcial quando a Holanda, a Bélgica e Luxembrugo foram invadidos, em maio de 1940. E quando os católicos alemães se queixaram, ele escreveu para os bispos alemães ressaltando que neutralidade não era a mesma coisa que 'indiferença e apatia quando considerações morais e humanas exigiam uma palavra franca'. Mas as considerações morais e humanas envolvidas no assassinato de milhões de pessoas não mereciam uma 'palavra franca' ?

A omissão em dizer uma palavra franca sobre a Solução Final em execução proclamava para o mundo que o vigário de Cristo não podia ser levado à compaixão e à raiva. Desse ponto de vista, ele era o papa ideal para o plano abominável de Hitler. Era um peão de Hitler. Era o papa de Hitler.

Como já registramos, a única quebra do silêncio auto-imposto de Pacelli sobre o extermínio dos judeus foi aquela frase ambígua durante sua homilia de Natal, em 1942, em que ele não usou as palavras judeus, não-arianos, alemães e nazista. “

Num discurso para os delegados do Conselho Supremo do Povo Árabe da Palestina, em 3 de agosto de 1946, ele declarou: 'É supérfluo para mim dizer que desaprovamos todo e qualquer recurso à força e violência, de onde quer que venha, assim como condenamos em diversas ocasiões no passado as perseguições que um anti-semitismo fanático infligiu ao povo hebreu'. Sua cumplicidade na Solução Final, pela omissão em expressar a condenação apropriada foi agravada por uma tentativa retrospectiva de se apresentar como um franco defensor do povo judeu. Sua justificativa grandiloquente, em 1946, revelou que era não apenas um papa ideal para a Solução Final dos nazistas, mas também um hipócrita.

Mas houve um teste muito mais imediato para o pontificado de Pacelli, ocorrido pouco antes da libertação de Roma, quando ele era a única autoridade italiana na cidade. Em 16 de outubro de 1943, tropas alemãs entraram no gueto de Roma, prenderam todos os judeus que puderam encontrar e levaram-nos para o Colégio Militar, na Via della Lungara, à sombra do Vaticano. Como Pacelli se comportou nessa situação?” pp. 332-34



Os Judeus de Roma


Em meados de 1943 os Aliados avançaram ao sul da Itália, o que provocou a queda de Mussolini e seus asseclas fascistas, e a posterior mudança de lado, quando o exército italiano (em nome da monarquia constitucional) aderiu à luta contra os alemães nazistas. Ao norte, os fascistas remanescentes fundaram um governo republicano ditatorial (a República de Salò) , atuando como um mero fantoche nas mãos dos seguidores do Führer.

O Papa se esforçou para manter Roma como uma 'cidade aberta', livre de combates, danos e mortes, mas em vão. A cidade sofria bombardeios dos aliados e invasões de tropas alemãs em busca de judeus e subversivos. O antigo gueto judeu, onde se abrigavam cerca de sete mil pessoas, passou a sofrer com as ocupações, perseguições e prisões (além de massacres), enquanto as autoridades do Vaticano negociavam com os alemães sobre o respeito às propriedades e territórios da igreja.

E a Santa Sé sabia sobre os extremos de crueldade das tropas SS nazistas, e o quanto de terror ameaçava os judeus que viviam em Roma, daí tomar providências locais. “O Vaticano também previra problemas para os judeus e aumentara suas atividades de caridade, em particular a ajuda para a emigração.” (p. 338)

Primeiro os alemães exigiram resgaste em ouro, o que mobilizou doações entre os judeus, e até um empréstimo (e não uma doação) junto ao Vaticano para que a fortuna de 50 quilos de ouro fosse paga aos oficiais da SS . Mas, mesmo com o 'resgate', Eichmann ordenou a deportação dos judeus, em outubro de 1943. Os líderes fascistas italianos não se esforçavam para apoiar a deportação e o extermínio, e “até setembro de 1943, não fora deportado um único judeu da esfera de ocupação italiana na Iugoslávia, Sudeste da França e Grécia.” (p. 340)

Depois da ordem de Eichmann, as tropas começaram a deportação em 16 de outubro de 1943, e muitos caminhões, com mulheres e crianças, passaram próximos da Praça de São Pedro, “num percurso deliberado, pelo que se diz, para que os soldados da SS levados a Roma para aquela missão pudessem ter um vislumbre da basílica famosa. Os judeus, pelo que também se disse, gritaram ao passarem pela praça, pedindo socorro ao papa.” (p. 341)

As cenas observadas naquela manhã já haviam ocorrido incontáveis vezes, em incontáveis lugares, nos dois últimos anos. A diferença é que havia naquela cidade um homem com uma voz poderosa, que comandava a fidelidade de meio bilhão de seres humanos, e cuja capacidade de protestar podia fazer com que até Hitler pensasse duas vezes.” (p. 341)

No final das contas, nem Pacelli nem seu cardeal-secretário de Estado tomaram a iniciativa de protestar, em seu nome pessoal ou sob os auspícios da Santa Sé, naquele dia ou nos dias subsequentes. A omissão em falar ou agir espantou a liderança alemã na cidade.” (p. 343) entenda-se: os alemães na Itália temiam que a ação brutal contra os judeus italianos desencadeasse uma 'propaganda antialemã'.

No domingo, 17 de outubro, notícias sobre a prisão em massa apareceram em jornais do mundo inteiro, junto com mitos que seriam perpetuados até hoje. O The New York Times, por exemplo, publicou um despacho da UPI, procedente de Londres, relatando que o papa pagara aos alemães o resgate exigido para a libertação de 100 reféns. 'Mas os alemães, depois de receberem o ouro, recusaram-se a libertar os reféns. Em vez disto, começaram a prender mais judeus. Os italianos ajudaram famílias caçadas a se esconderem e fugirem.(p. 345)

Os prisioneiros judeus foram deportados para Viena, onde chegaram em condições desumanas e em 'estado deplorável' de humilhação, fome e sede. O Vaticano sabia de tudopor onde passava o comboio e em que situação física e mental sobreviviam os deportadosmas Pacelli estava mais preocupado com os 'comunistas'qualquer partisans, os guerrilheiros italianos, que combatiam os fascistas. O Papa temia claramente mais aos comunistas que aos fascistas.

Cinco dias depois de o trem deixar a estação tiburtina, os 1.060 deportados morreram nas câmaras de gás de Auschwitz e Birkenau; 149 homens e 47 mulheres ficaram detidos para trabalho escravo. Apenas 15 sobreviveram à guerra, todos homens, exceto por uma moça, Settimia Spizzichino, que serviu como cobaia humana em experimentos do dr. Mengele. Quando Bergen-Belsen, o campo de extermínio para onde Settimia fora transferida, foi libertado, encontraram-na no meio de uma pilha de cadáveres, onde ela dormia há dois dias.” (pp. 347-48)

Pacelli temia os ousados alemães – capazes de resgatarem o abatido Mussolini, numa acrobática missão – pois imaginava que os SS não hesitariam em prendê-lo em pleno Vaticano. “Os responsáveis pela ocupação de Roma não eram os únicos alemães considerando as consequências de uma represália violenta contra o Vaticano, no outono de 1943. o próprio Hitler fora obrigado a considerar o problema , por causa de seu plano para capturar Pacelli e levá-lo para a Alemanha.” (p. 350)


O Führer temia que Pacelli caísse em mãos Aliadas e que passasse a fazer proclamações antinazistas. Daí instruir oficiais SS para uma missão : invadir o Vaticano, recolher obras de arte e documentos, e 'salvar' o Papa. Tudo para melhor proteção do pontífice! O oficial encarregado da missão logo percebeu as inviabilidades da missão: como invadir o Vaticano e prender o papa? Como controlar a hostilidade do povo italiano tão apegado à católica? Antes, usar o poder papal para manter as massas populares apaziguadas.

Todos os fatos indicam, portanto, que uma tentativa de invadir o Vaticano e suas propriedades, ou de capturar o papa em reação a um protesto papal, acarretaria uma reação violenta por toda a Itália, que poderia prejudicar bastante o esforço de guerra nazista. Ou seja, até mesmo Hitler passou a reconhecer o que Pacelli parecia ignorar: que a mais vigorosa força política e social na Itália no outono de 1943 era a igreja católica, com uma imensa capacidade para promover a não-obediência e a reação geral aos alemães.” (p. 353)



O Silêncio Litúrgico de Pacelli


Em suma, as forças alemãs de ocupação haviam garantido a extraterritorialidade do Vaticano e suas instituições religiosas espalhadas por Roma. O preço dessa vantagem fora a submissão e a 'não-interferência' – o silêncio sobre as atrocidades nazistas não apenas na Itália, mas em todas as partes da Europa ocupada. Quando a prisão em massa de judeus começou, em 16 de outubro, as autoridades alemãs de ocupação estavam mesmo assim convencidas de que Pacelli iria protestar mais cedo ou mais tarde. Achavam que um protesto papal imediato poderia funcionar em seu favor, evitando a deportação e uma espiral de protestos papais posteriores e represálias, culminando com a invasão pela SS do território do Vaticano e uma violenta reação civil.” (p. 353)


Como os católicos podem aceitar que o bispo de Roma não tenha feito um único ato litúrgico pelos judeus deportados da Cidade Eterna? E, no entanto, ao saber da morte de Adolf Hitler, Adolf Bertram, a essa altura o cardeal-arcebispo de Berlim, ordenou a todos os padres de sua arquidiocese que 'celebrem um Réquiem solene em memória do Führer e de todos os membros da Wehrmacht que tombaram na luta por nossa pátria germânica, junto com as orações mais sinceras pela pátria e pelo futuro da Igreja católica na Alemanha'.(p. 354)



fonte: CORNWELL, John. O Papa de HitlerA História Secreta de Pio XII. (Hitler's Pope: the secret history of Pius XII. 1999) Trad. A . B. Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000



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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Afrika Korps se rende na Tunísia - maio 1943







foto: último acampamento do Afrika Korps - milhares de prisioneiros (POW)
entram nos campos da Tunísia



Afrika Korps se rende na Tunísia


maio 1943


Cercado na Tunísia pelo avanço convergente das tropas norte-americanas de Eisenhower e britânicas de Montgomery, o Afrika Korps, como todas as forças alemães, é obrigado a capitular. Com a proibição de Hitler de realizar uma retirada de suas tropas da África do Norte, o Eixo sofre um desastre comparável á destruição do 6o Exército diante de Stalingrado.

Em toda a campanha da Tunísia, segundo o secretário Stimson, os aliados capturaram 266.600 homens, mataram 30.000 e feriram gravemente 26.400. Suas perdas não ultrapassaram a 70.000 homens. Durante os três anos de guerra na África, que agora terminara vitoriosamente, as perdas do Eixo, segundo Churchill, foram de 950.000 mortos e capturados além da destruição de 8.000 aviões, 6.200 canhões e 2.550 tanques.” (fonte: http://www.tropasdeelite.xpg.com.br/GERMANY_afrika_korps.htm )



Mas a simples movimentação das forças de uma frente para outra criava problemas logísticos que já não podiam ser resolvidos. Durante semanas, o Grupo de Exércitos Afrika conseguira operar com o mais baixo consumo imaginável. A 31 de março, o 1º Exército Italiano, parado entre ações móveis, só dispunha de combustível para 64 km por veículo (sem qualquer reserva dentro de uma extensão de mais de 160 km) e pouco mais de duas distribuições de munição. O 15º Exército Panzer estava em pior situação. Em meados do mês [i.e., abril ] esta deteriorara ainda mais. Agora, as Forças Aéreas Aliadas e Real Marinha Britânica passavam a dominar as rotas de abastecimento. As importações não substituíam mais o consumo, e a cabeça-de-ponte tunisiana definhou numa confusão.

Mas, enquanto os líderes do Eixo se recusavam cegamente a admitir o total desespero da situação que haviam criado na Tunísia e faziam ouvidos moucos aos pedidos dos comandantes de campanha para reduzir suas perdas, a hierarquia na Tunísia começou sutilmente a salvar alguns dos seus homens mais experientes para lutar na Europa. O antigo Ajudante-de-Ordens de Rommel, Schmidt, foi mandado para casa, para casar-se, vários oficiais graduados adoeceram e outros voltaram para participar de conferências. Nessa circunstâncias, merece críticas o sistema que sacrificou inutilmente tantos soldados, apenas algumas semanas depois que a nata do exército alemão bateu em retirada em Stalingrado [dezembro/1942-janeiro/1943].

Pouco depois que o 8º Exército chegou a Enfidaville, desfechou um ataque intenso e persistente, destinado a abrir caminho entre as montanhas – e fracassou. Entrementes, uma série de ataques aliados tiveram lugar ao longo da frente, continuando incessante e em diferentes graus de intensidade a partir de 22 de abril. Para von Arnim, o fato de esses ataques ocorrerem no vale do Medjerda ou arredores não era surpresa. O vale, com sua extremidade ocidental em mãos aliadas (muito embora seus flancos fossem defendidos pelos alemães) era, uma adaga apontada para o coração da resistência do Eixo – Túnis.

Pelo começo de maio, a despeito do protesto de Kesselring, von Arnim decidiu concentrar suas forças mais poderosas em Medjerda – muitas do AK [Afrika Korps], incluindo toda a sua força blindada. Naturalmente, movimentos como estes eram totalmente inúteis. Por volta de 30 de abril, a força blindada alemã queimara seus últimos cartuchos, sem desmerecer a fama de que gozava.

[…]


Lançando-se com a habilidade e fúria tradicionais contra Bou Aoukaz, este grupo heterogêneo [de tropas da AK] obteve resultados que teriam orgulhado ao próprio Rommel. Na luta intensa que persistiu até o ponto de exaustão, a 30 de abril, expulsou os britânicos de Djebel.

E, ali, o AK despediu-se do palco. Se tivesse podido lutar mais, ele o teria feito. Restavam ainda 69 tanques aptos para combate em quase tudo, exceto em combustível, de modo que tudo o que as tripulações podiam fazer era aguardar o fim, que final não se fez esperar muito, porque enquanto o 8º Regimento Panzer desaparecia na batalha, o General Alexander [britânico] pôs em ação os preparativos finais para esmagar o Grupo de Exércitos Afrika.”


A 6 de maio, Alexander lançou uma força maciça formada da 7ª Divisão Blindada, 4ª Divisão Indiana, 201ª Brigada de Guardas (de Enfidanville), da 4ª Divisão de Infantaria britânica e a 6ª Divisão Blindada (da entrada do vale do Medjerda), na direção de Túnis, completando seu avanço com retumbante bombardeio aéreo e de artilharia de dimensões espantosas. Nada poderia resistir `pressão do ataque e, na verdade, poucos aspiravam a fazê-lo. Vinte e quatro horas depois, todo o castelo de cartas do Eixo na África ruía.”

pp. 153, 157


fonte : MACKSEY, Kenneth. Afrika Korps – Rommel no deserto. Rio de Janeiro: Renes, 1974. trad. N. Japour






Tunísia


A 16 de fevereiro de 1943, abandonando o último farrapo do novo Império Romano, as retaguardas alemães e italianas, a Leste (AK) e Oeste (5º Panzer) se retiram, e formam atrás da linha de Mareth. Rommel traz de volta 129 tanques, cuja metade é rebocada. Reconduz, reduzidas de dois terços, as imortais divisões do Afrika Korps, a 15a Panzer, a 21a Panzer e a 90a Ligeira, assim como a 164a, que se reunira ao exército na véspera de El Alamein, e cinco pequenas divisões italianas procedentes da guarnição de Trípoli. 30.000 alemães e 48.000 italianos vem reforçar a cabeça-de-ponte do Eixo na Tunísia.

Mas essas tropas tem no seu encalço a Leste o 8o Exército britânico de Montgomery, com sua extraordinária mescla de ingleses, escoceses, australianos, neozelandeses, sul-africanos, canadenses, indianos, malaios, gurkhas, maoris, canaques, somalis, senegaleses e franceses. A vanguarda é formada pelo corpo de exército do General Freyber, ao qual se unira a Coluna Leclerc, proveniente do Chade, através do Saara. As colunas cerradas encontram-se ainda ao redor de Trípoli e de Bengási, não dispondo de meios para entrar em ação - tem que esperar várias semanas para atacar a linha de Mareth.

A Oeste os aliados tinham o 1o Exército britânico, possuindo até então apenas um corpo de duas divisões, o 19o Corpo francês, com suas três divisões, e o 2o Corpo dos EUA, que apesar de ter desembarcado oito divisões, os americanos só tem formadas a 1a Blindada e a 1a de Infantaria.

As forças do Eixo que agora ocupavam o arco de posições elevadas que cobriam Túnis e Bizerta foram reunidas num comando único às ordens do general von Arnim. O fim do Afrika Korps, como unidade combatente separada, foi simbolizado por sua incorporação às outras forças que se encontravam na Tunísia, e pela partida de Rommel da África. A longa luta pelo domínio do deserto ocidental, durante a qual Rommel mostrara suas notáveis qualidades de comando, era coisa do passado, e suas forças fundiram-se com as de von Arnim para defender o baluarte montanhoso que era seu último ponto de apoio na África.”


fonte: Tropas de Elite. Afrika Korps. acessado em : http://www.tropasdeelite.xpg.com.br/GERMANY_afrika_korps.htm





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(USA)







sexta-feira, 19 de abril de 2013

Lista de livros sobre Nazismo / SGM / Holocausto






foto: ferrovia do campo de extermínio de Auschwitz





Lista de Livros

sobre

Nazismo
Segunda Guerra Mundial
Holocausto


Hitler – Joachim Fest






Hitler – Ian Kershaw






Dentro do III Reich – Albert Speer





Até o Fim – Traudl Junge






O Holocausto – Martin Gilbert





Sonderkommando – Shlomo Venezia







A Indústria do Holocausto – Norman Finkelstein





Cidadão do Mundo: Brasil diante do Holocausto
/ Maria L T Carneiro




Anti-semitismo nas Américas / org. Maria L T Carneiro





Anjos e Safados no Holocausto
/ Roberto Lopes





fonte : lista sugerida da

Revista de HISTÓRIA – Biblioteca Nacional

ano 8 – nº 88 – janeiro 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Papado, o Nazismo e o Holocausto - cont. 6






Relações do Papado com o Nazismo – continuação 6




fonte: CORNWELL, John. O Papa de HitlerA História Secreta de Pio XII. (Hitler's Pope: the secret history of Pius XII. 1999) Trad. A . B. Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000


Capítulo 16 – Pacelli e o Holocausto


A Solução Final evoluiu durante os três primeiros anos da guerra, coincidindo com os três primeiros anos do pontificado de Pacelli. Muito foi planejado e executado em sigilo, pois o regime nazista era sensível, apavorado até, à opinião pública descontrolada. Mas uma coisa tão ampla quanto um plano para destruir um povo inteiro não podia permanecer oculta por muito tempo. Além disso, Adolf Hitler deixara claro quais eram suas intenções para os judeus, em 3 de janeiro de 1939, quando declarou: 'Se o judaísmo internacional tiver êxito, na Europa ou em qualquer outro lugar, em precipitar as nações numa guerra internacional, o resultado não será a bolchevização da Europa e a vitória dos judeus, mas sim o extermínio da raça judia'. No final de julho de 1941, um mês depois do ataque à Rússia, em 22 de junho de 1941, Reinhard Heydrich recebeu ordens para efetuar todos os preparativos necessários para 'uma solução completa' da questão judaica na esfera de influência alemã na Europa. No outono de 1941, já estavam em andamento os preparativos para uma operação gigantesca e sem precedentes na História: a sistemática escravização, deportação e extermínio de um povo inteiro.” (p. 313)

A 'Solução Final' constituiu um teste sem precedentes da fé cristã, uma religião baseada no conceito de ágape, o amor que concede a cada pessoa, independente de qualquer diferença, o mesmo respeito com filho de Deus – o amor que, como Pacelli declarou em sua primeira encíclica de 1941, citando o pronunciamento de São Paulo sobre a universidade cristã, não discrimina 'grego ou judeu, circuncidado ou não-circuncidado, bárbaro ou cita, servo ou liberto, pois Cristo está em tudo e em todos'. Os cristãos defrontaram-se com um desafio moral histórico. Não era um dever cristão óbvio protestar e resistir ao extermínio dos judeus, quaisquer que fossem as consequências?

O cristianismo, e o catolicismo em particular, tinha uma longa história de antijudaísmo em termos religiosos, algo que não diminuíra no século XX. Não era parte da cultura católica perseguir judeus com base na ideologia racial hitlerista, muito menos justificar o extermínio da raça. E, no entanto, à primeira vista, o catolicismo parecia ter ligações com o nacionalismo de direita, o corporativismo e o fascismo, que propunham o anti-semitismo ou mantinham uma cumplicidade com o anti-semitismo em bases raciais. Praticamente todos os ditadores de direita dessa época nasceram e foram criados como católicos e especialmente Hitler, Horthy, Franco, Pétain, Mussolini, Pavelic e Tiso (que era um padre católico). Houve exemplos isolados mas significativos de bispos católicos expressando opiniões anti-semitas, no momento mesmo em que a perseguição aos judeus aumentava na Alemanha, em meados da década de 1930. [...] ” (p. 315)


Na última semana deste mês, junho de 1942, a terrível situação dos judeus na Europa nazista – um milhão dos quais já morrera a essa altura – tornou-se do conhecimento do mundo inteiro, por meio dos jornais e emissoras de rádio. O primeiro jornal a informar que os judeus não estavam apenas sendo perseguidos, mas sim exterminados, foi o Daily Telegraph, de Londres, que publicou uma série de reportagens a respeito com o maior destaque. A primeira, em 25 de junho, declarava: 'Mais de 700 mil judeus poloneses foram assassinados pelos alemães, nos maiores massacres da História do mundo'. A reportagem, baseada num despacho secreto de Shmuel Zygilebojm, o representante judeu no Conselho Nacional Polonês, alegava que os assassinatos estavam sendo cometidos com o uso de gás venenoso. Zygillebojm mais tarde se suicidou, em consequência do que achava ser a indiferença do Ocidente. Uma segunda reportagem, publicada em 30 de junho, tinha o título seguinte: 'MAIS DE UM MILHÃO DE JUDEUS MORTOS NA EUROPA'. Dizia que o objetivo dos nazistas era 'exterminar a raça do continente europeu'. As duas reportagens foram noticiadas pela BBC. Assim chegaram ao conhecimento do papa, por meio de Osborne. O The New York Times publicou as reportagens a 30 de junho e 2 de julho, o que levou a um comício de protesto no Madison Square Garden, em Nova York, em 21 de julho. Mais ou menos nessa ocasião, informações detalhadas sobre os campos de extermínio na Polônia vazaram para o Ocidente, por intermédio de três fugitivos judeus; seus relatos foram publicados por jornais americanos.” (pp. 318-19)

Segundo fontes do Vaticano, que legitimam o silêncio, o papa recebeu gradativamente as notícias 'estarrecedoras' das perseguições, deportações e massacres contra os judeus, na França, na Holanda, na Polônia, nos territórios do Leste, mas nada pôde fazer além de preocupar-se e abater-se compungido. Temia que uma condenação em público pudesse irritar ainda mais os líderes nazi-fascistas. Além de tudo, Pacelli temia uma invasão da cidade de Roma – daí a pressa do clero em desfazer-se de documentos comprometedores.

Ao longo do verão de 1942, cerca de 15 mil judeus holandeses foram deportados para os campos de extermínio.” (p. 321) 
 
Até 124 de setembro de 1942, o número total de todos os judeus deportados da Holanda era de 20.588, segundo os dados publicados por Martin Gilbert.” (p. 323)

No final do ano [1942], cerca de 42 mil judeus haviam sido despachados da França para Auschwitz. Como os documentos do Vaticano comprovam, o núncio na França deu informações completas à secretaria de Estado sobre cada estágio da deportação.” (p. 323)

Os líderes norte-americanos queriam que a Santa Sé, na figura do Papa, fizesse uma condenação explícita ('declaração clara e objetiva') do massacre sistemático do povo judeu por ordens dos nazistas. Que o Vaticano não temesse, pois os Aliados certamente venceriam a guerra - tanto militarmente quanto moralmente. Na época da destruição do Gueto de Varsóvia, com a deportação de seus habitantes, mesmo com resistência, em julho de 1942, “os Aliados obtinham o sucesso militar em vários teatros de guerra: a humilhação alemã em Stalingrado, a notícia de El Alamein, os desembarques americanos na África do Norte – mesmo assim, Pacelli continuou evasivo.” (p. 326)


A Homilia da Véspera do Natal


Em 24 de dezembro de 1942, depois de ter feito vários esboços, Pio XII transmitiu pelo rádio sua homilia de Natal para o mundo. O tema foi Direitos Humanos e os problemas do indivíduo em relação ao Estado. Ele começou por asseverar que o desequilíbrio entre o Estado e o indivíduo fora provocado pelas 'políticas econômicas perniciosas' das últimas décadas, em que tudo se tornara 'subordinado ao motivo de lucro'. Isto fizera com que o indivíduo fosse reduzido a ser um mero instrumento de 'utilidade do Estado, com a exclusão de todas as considerações éticas e religiosas'. Não havia nenhuma distinção ou percepção no sentido sobre o contraste entre totalitarismo e democracia, democracia social e comunismo, capitalismo e capitalismo de bem-estar social. De sua visão geral papal, Pacelli declarava que o mundo carecia da ordenação pacífica da sociedade oferecida pela fidelidade à Santa Madre Igreja. Seu conceito de uma sociedade ideal, no entanto, além de apelos à devoção individual e familiar, era uma mistura de panaceias corporativistas e exortações ao espírito 'cristão responsável'. A base de tudo era a premissa da supremacia papal.” (pp. 327-28)

Veio em seguida a famosa declaração, que devia ser compreendida como um repúdio claro ao extermínio do povo judeu pelos nazistas, como ele mais tarde alegou: 'A humanidade deve esse voto às centenas de milhares de pessoas que, sem qualquer culpa pessoal, às vezes apenas por causa de sua nacionalidade ou raça, estão marcadas para a morte ou extinção gradativa.'

Era o ponto máximo a que iria seu protesto e denúncia, depois de um ano de encorajamento, súplica, argumentação, prova depois de prova do que acontecia na Polônia e em toda a Europa. Haveria de permanecer como o máximo de seu protesto e denúncia pelo resto da guerra.

Não era apenas uma declaração insignificante. O abismo entre a enormidade do extermínio do povo judeu e essa forma de palavras evasivas é chocante. […] Não mencionara em parte alguma nazista ou Alemanha nazista. O próprio Hitler não poderia desejar uma reação mais enrolada e inócua do vigário de Cristo ao maior crime da história humana.” (pp. 328-29)


fonte: CORNWELL, John. O Papa de HitlerA História Secreta de Pio XII. (Hitler's Pope: the secret history of Pius XII. 1999) Trad. A . B. Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000


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a imprensa britânica e o Holocausto


trecho: “Some reports of a systematic policy to exterminate Jews were published in newspapers. On 25 June 1942 the Daily Telegraph reported that 700,000 Polish Jews had been killed, some by mobile gas chambers. Most newspapers by the end of June were writing of more than a million dead, and Hitler's plan to exterminate all Jews.” (trad. LdeM : 'Algumas notícias de uma política sistemática para exterminar os judeus foram publicadas em jornais. Em 25 de junho de 1942 o Daily Telegraph noticiou que 700.000 judeus poloneses foram mortos, alguns em câmeras de gás móveis [i.e. caminhões adaptados]. Muitos jornais ao fim de junho relatavam mais de um milhão de mortos, e o plano de Hitler para exterminar todos os judeus.”)


Timeline do Holocausto