sexta-feira, 20 de abril de 2012





Posição das forças norte-americanas
no início de 1942
no cenário da Expansão Japonesa

No início da Guerra os comandantes norte-americanos precisavam tomar uma decisão crucial: qual o teatro de guerra que receberia a prioridade? Qual o ponto principal da estratégia global? A Europa-Atlântico Norte ou o Sudeste-Asiático-Pacífico?

Vejamos uma interessante fonte, o livro de Dexter Perkins,


[...] No fim do inverno de 1942 as forças inglesas foram obrigadas a evacuar a Tripolitânia numa retirada quase até a fronteira do Egito, e Mussolini se preparava quase, com a ajuda de seus amigos alemães, fazer uma entrada triunfal em Alexandria. Finalmente, nenhuma medida adequada tinha sido tomada contra os submarinos alemães que infestavam a costa do Atlântico e as águas das Antilhas. Navios eram afundados a trinta milhas de Nova York, ao largo das costas da Flórida e até nas proximidades do Canal do Panamá. Mais navios foram afundados do que construídos no período inicial da guerra.

Assim também tinha acontecido na I Guerra Mundial. 1917 tinha sido tão sombrio ou talvez ainda mais sombrio do que 1942. a ofensiva francesa sob o comando do General Nivelle em abril daquele ano tinha sido rechaçada e ocorriam motins no exército francês; no verão ocorreu a gradativa dissolução do poder russo; o outono testemunhou a derrota esmagadora dos exércitos italianos no Piave; e novembro assistiu à tomada do poder pelos bolcheviques e as primeiras iniciativas da Rússia para uma paz em separado com a Alemanha. Não obstante, um quadro mais amplo e uma perspectiva mais longa teriam uma história diferente para contar. E é um fato a ser lembrado que, pelo menos na História moderna, o poder de resistência das grandes democracias lhes granjeou uma vitória final. A margem de tempo pode não ser tão generosa no futuro; mas a consciência do perigo é mais viva nestes dias; e pelo menos pode-se dizer que os Estados Unidos não estão sujeitos a enfrentar uma nova guerra tão pouco preparados como estavam em 1917 ou mesmo em 1941.

O perigo dos japoneses era de certo modo o mais imediato e, apesar de muitos exemplos de bravura americana – a heróica defesa da fortaleza filipina em Bataan e de Wake - , havia muito pouco com que se contentar até maio e junho de 1942. nesses meses foram travadas as notáveis batalhas do Mar de Coral e de Midway, ambos novos na história da guerra marítima. Toda a ação no Mar de Coral foi levada a efeito com o auxílio de porta-aviões e nenhuma armada jamais avistara outra. Em Midway, embora os bombardeios de base terrestre na ilha de possessão americana desempenhassem um papel valoroso, mais uma vez aos porta-aviões tocou o papel principal. A batalha do mar de Coral infligiu aos japoneses pesadas perdas – perdas, entretanto, que quase foram compensadas pelas americanas; mas Midway foi de certo modo o ponto decisivo da guerra no Pacífico. Essa batalha desmantelou a força de uma frota japonesa de invasão que visava Havaí; ela pôs fim às ofensivas japonesas no Pacífico.

Entrementes a questão central tinha de ser respondida em Washington. Qual deveria ser a grande estratégia da guerra: deveria ser o maior esforço voltado contra a Alemanha ou contra o Japão? Não é que, naturalmente, alguém advogasse a inércia em um campo e empenho total no outro: a questão era relativa, mas, não obstante, de importância transcendente. Ficou decidido que em princípio a Alemanha era o inimigo mais perigoso. Esse foi o parecer dos assessores militares de maior confiança do Presidente; mas, pelo menos numa ocasião em que estiveram inclinados a enfraquecer, foram reforçados pelo próprio Presidente. Retrospectivamente, o argumento parece conclusivo para este autor: na Europa os Estados Unidos tinham aliados efetivos; na Ásia só Chiang Kaichek [na China], muito ineficiente, e o poder abalado da Grã-Bretanha. Além disso, na Europa os Estados Unidos enfrentavam uma força cujos poderosos recursos tecnológicos e engenho poderiam ser usados, com o progresso da ciência, para aterrorizar o Mundo.

Quase não é preciso dizer que o Primeiro-Ministro Winston Churchill aprovou essa decisão; na verdade, não perdeu tempo depois de Pearl Harbor atravessando o Atlântico para instar junto a Roosevelt por essa linha de ação. E desse modo foi iniciada a íntima associação desses dois homens notáveis e uma intimidade que, apesar de profundas divergências de pontos de vista (pois Churchill era fundamentalmente um tóri e imperialista e Roosevelt um liberal e anticolonialista), durou, com apenas algumas rugas ocasionais, até a morte do presidente.

Mas, admitido que a guerra na Europa tivesse prioridade, como seria atendida? Os chefes americanos nesse ponto, desde o início, tinham uma ideia clara do que queriam: uma invasão maciça do continente através do Canal da Mancha, que absorveria uma imensa quantidade de alemães, enquanto os russos os manteriam igualmente ocupados a leste. Para Churchill essa perspectiva era menos convidativa; ele se lembrava dos dias da triste guerra de trincheiras de 1914 e das perdas desconcertantes naquela guerra. Embora nunca ousasse – ou talvez desejasse – opor-se ao plano americano, era extremamente cauteloso com o que fosse programado ou resolvido, como veremos, para alarmes e excursões em outras áreas. Foi em parte por causa dele, em parte porque era impossível invadir com êxito a França em 1942, e por ser evidentemente necessário fazer alguma coisa, que a invasão da África do Norte foi decidida para o outono daquele ano.”

pp. 143-146


fonte: PERKINS, Dexter. A Época de Roosevelt. 1932-1945. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1967. trad. Edilson Alkimim Cunha



Expansão Japonesa


Enquanto a indústria e as forças armadas norte-americanas se preparavam, os japoneses avançavam na Ásia e Pacífico, até as beiradas do Mar Índico e norte da Austrália. Mas as forças japonesas mostravam debilidades.

Vejamos a História Ilustrada da II Guerra sobre o avanço japonês,


“Com a tomada de Rabaul no arquipélago Bismarck (janeiro de 1942), a ocupação de Lae e Salamaua na costa setentrional da Nova Guiné (março) e de parte das ilhas Salomão, o sistema de defesa marítimo japonês chegou à sua máxima expansão. No Pacífico, a potência militar do japão se ampliou com a força de um maremoto, das fronteiras da Índia até os limites da Austrália. As praças-fortes 'brancas' (Hong Kong, Rangum, Manila, Cingapura, Java, Corregidor) caíram uma após outra. O tremendo estrépito das derrotas aliadas parece fazer soar a hora do fim da tutela dos imperialismos europeus sobre as populações asiáticas.

Em abril de 1942 a Marinha e a aviação japonesa no Ceilão (atual Sri Lanka) fazem sua última incursão para conquistar o controle sobre o oceano Índico. A operação foi um fracasso, porque o Eastern Fleet britânica abandonou a região em tempo e encontrou refúgio perto da costa africana. Um mês antes os submarinos de Tóquio tinham chegado até Madagascar. A vitória final, depois do ansiado choque decisivo com a frota americana no Pacífico, parece estar no alcance das mãos do Japão.

A Esfera de Coprosperidade Asiática

Uma vez garantido o sucesso militar, o japão pode dar continuidade a seu projeto de subjugação militar e política da área. Do conceito de 'esfera de prosperidade comum da grande Ásia oriental' que Tóquio proclamou em 1942 surgem com clareza os objetivos de dominação imperialista nessa área do mundo. Tendo surgido nos ambientes nacionalistas do Exército e da Marinha japoneses antes do conflito, a noção de 'coprosperidade' espelha a convicção do país de exercer seu domínio absoluto na Ásia. O Japão deve atestar sua superioridade moral, cultural e econômica que seus exércitos obtiveram com a força militar sobre o 'individualismo e o materialismo ocidentais'.

A 'nova ordem' desejada pela política pan-asiática de Tóquio não tarda, porém, em demonstrar-se coisa bem diversa da perspectiva da independência – embora sob tutela – ansiada por muitas populações no momento da queda de administrações que duraram séculos. Embora tenha destronado o colonialismo europeu na Birmânia, na Malásia e na Indonésia, o Japão instaura regimes fantoches aos quais confia com brutalidade a tarefa de explorar os recursos vitais para a economia imperial. A 'niponização forçada' das populações submetidas trai as expectativas de todos aqueles que saudaram a chegada de um exército do qual se esperava uma administração rigorosa e eficaz, mas que que de libertador se transforma rapidamente em rapinante força de ocupação.


Os Pontos Fracos do Japão

As fulgurantes vitórias militares japonesas se apoiam em bases frágeis. Uma das principais razões que induziram o país a entrar em guerra com o ataque de surpresa a Pearl Harbor é a necessidade de evitar o estrangulamento econômico derivado do embargo americano aos materiais estratégicos. A conquista de grandes territórios não consegue, porém, eliminar a enorme diferença de recursos entre o Japão e os Aliados, e a economia de guerra de Tóquio é afetada pro graves carências. Não só porque não foram acumuladas consideráveis reservas de matérias-primas e de materiais para gerir a defesa e a administração de enormes territórios (a dependência do Japão das importações de petróleo é calculado em cerca de 90% de suas necessidades), mas também porque, apesar da conquista das jazidas indonésias, as necessidades bélicas de Tóquio são muito superiores à disponibilidade do óleo cru exigido. Aos cerca de 1,2 milhão de soldados aquartelados na China deve-se acrescentar outro 1,5 milhão de soldados das tropas dos governos fantoches, que necessitam de suprimentos nos territórios ocupados.

No momento de seu máximo esforço, em 1943, o Japão produz menos de nove milhões de toneladas de aço (contra 12 da Grã-Bretanha e 80 milhões dos Estados Unidos). Sua produção de minérios (cobre, ferro, manganês, carvão coque) é, em média, 50 % inferior às necessidades bélicas. Aumenta o racionamento dos produtos alimentícios para uma população nacional (cerca de 73 milhões) cujas necessidades alimentares não podem ser satisfeitas pela produção agrícola nacional nem pelas 'ofensivas do arroz' que as tropas de ocupação realizam periodicamente para requisitar colheita nas áreas agrícolas chinesas.

A produção de guerra do Japão sofre com a escassez de mão de obra qualificada; nem a mobilização de mulheres e adolescentes conseguirá preencher as lacunas de seu aparato industrial. O Produto Nacional Bruto cresce um quarto durante o conflito, mas as despesas de guerra aumentam cinco vezes. No fim do conflito, a população do país se encontrará à beira da fome. O Japão olha para a guerra em termos exclusivamente militares: os comandos supremos de Tóquio não consideram que a defesa de enormes conquistas territoriais dependerá especialmente do esforço econômico e produtivo do país.

Se a principal fraqueza das instalações defensivas do Japão reside – como foi visto – em sua economia, é transparente a diferença que o separa da economia industrial mais eficiente do século, isto é, a dos Estados Unidos.

Com um exército que até aqui deu provas de uma extraordinária capacidade de combate, o Japão se verá irremediavelmente prejudicado por graves carências que, graças a um formidável aparato de segurança, são ocultadas não só da população do país, ms também da espionagem ocidental.”


pp. 160-62, 164-65


fonte: FIORANI, Flavio. História Ilustrada da II Guerra Mundial. Volume 2. São Paulo: Larousse, 2009. trad. Ciro Mioranza




seleção : LdeM


mais info em


batalha do Mar de Coral





batalha de Midway





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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Holocausto - guetos, deportações para campos de concentração



A sistemática da eliminação

livro: Treblinka / J F Steiner


Prefácio de Simone de Beauvoir (trechos)

Uma preparação psicológica subitamente condicionada pelos SS assegurava a submissão dos condenados.”

Em Treblinka instalara-se um Sonderkommando, formado originalmente por judeus de Varsóvia, dos quais uma grande parte foi massacrada e substituída por outros que chegavam; em número aproximado de um milhar, sob as ordens dos alemães e vigiados por guardas ucranianos, executavam as tarefas de extermínio e de recuperação para as quais fora o campo criado.”

O conluio com os alemães das altas autoridades judias que constituíam o Junderat é fato conhecido e de fácil explicação: em todos os tempos e países – com raras exceções - , as altas autoridades colaboram com os vencedores: questão de classe.”


Alguns judeus se rebelaram – em resistência – tanto em Varsóvia quanto em Treblinka – mas era rapidamente dispersos nas seleções para extermínio. É uma amostra (ainda que de insucesso) de que os judeus não eram um “rebanho que se deixava conduzir ao matadouro”.

A despeito dos fracassos e das tentações de desespero, o comitê resistiu. […] Os membros do comitê [de resistência] haviam feito o sacrifício de suas vidas: seu papel seria o de reter os alemães enquanto os prisioneiros fugiriam para a floresta.” (Simone de Beauvoir)


Cap. I de Treblinka (Steiner) (p. 21)


Não conseguindo fazer emigrar todos os judeus que desejavam afastar do seu império, os fundadores do 'Reich de mil anos' resolveram exterminá-los.

A invasão da URSS, em junho de 1941, deu ao problema suas verdadeiras dimensões. Nos territórios ocupados pela Wehrmacht, na Polônia, na Ucrânia, na Bielo-Rússia, nos Estados Bálticos, vivia uma população judaica de vários milhões de homens. Em consequência, o Reichsführer SS Heinrich Himmler baixou a ordem de 'tratar' as terras novas conquistadas pelo Terceiro Reich na sua expansão rumo ao leste.

A operação devia processar-se em duas fases. Primeiro tempo: reagrupamento dos judeus num certo número de guetos. Segundo tempo: liquidação progressiva dos guetos assim criados. Segundo os 'técnicos', os judeus, raça inferior, devia deixar-se massacrar sem resistência. A perfeição do sistema nazista excluía a menor possibilidade de uma revolta.

Assim começou o tempo do gueto, primeira etapa da 'solução final'.

O reagrupamento dos judeus não apresentava praticamente qualquer problema. O anti-semitismo das populações autóctones era tal que os judeus chegavam mesmo muitas vezes a aceitar esse operação com alívio.” (p. 21)

Os judeus do leste não acreditavam na crueldade dos alemães – 'ora, um povo educado, tão culto!' - mas não sabiam que não eram os filósofos e músicos no poder, mas os milicianos racistas – os SS, os SD, a Gestapo.

O Judenrat procurava abafar as notícias dos fuzilamentos, para assim evitar o pânico – o Judenrat precisa manter os judeus sob controle – para facilitar o trabalho aos 'técnicos' da SS. (cap. 2) Os judeus da resistência (em dezembro de 1941, janeiro de 1942) buscavam algum contato com outro resistentes anti-nazistas.

Entrara-se em contato com todas as outras organizações: Poale Sion (partido operário sionista socialista), Bund (socialista não-sionista), Bétar (juventude sionista extremista) e comunistas.” (p. 54, cap. 3)


Enquanto o 'gueto-piloto' de Vilna fora um sucesso no 'tratamento prévio' dos judeus, Ponar, por outro lado, não dera plena satisfação aos 'técnicos'. As fraquezas do sistema tornaram0se rapidamente aparentes. Elas condenavam-no a ser utilizado exclusivamente em campos de interesse local do tipo Babi Yar para o 'tratamento' dos judeus de Kiev, ou Janowska para o dos judeus de Lwow.

As insuficiências do sistema – que eram de dois tipos, técnicas e psicológicas – decorriam do modo como era praticada a execução: o fuzilamento, que de um lado não permitia senão um rendimento muito baixo e de outro criava entre carrasco e vítima laços prejudiciais ao moral do primeiro.” (p. 73, cap. 5)

Cumpria inventar uma máquina de eliminação. Com o espírito metódico que os caracterizava, os 'técnicos' definiram-lhe o 'caderno de encargos'. Ela devia ser discreta para não despertar inquietação entre as vítimas e curiosidade entre as testemunhas, e eficaz para estar à altura dos projetos grandiosos dos promotores da operação 'solução final'; devia ainda reduzir a manutenção ao mínimo e, finalmente, proporcionar à vítimas uma morte suave.

Longos meses se passaram até que ecoasse o legendário 'Heureca!'

Foi um tal de Becker o responsável pelo grito famoso. Concebera um caminhão no qual o cano de descarga desembocava no interior da parte traseira, que era hermeticamente fechada. As vítimas eram asfixiadas pelo monóxido de carbono. [...]” (p. 74)

Os 'técnicos' deixaram-se imediatamente seduzir pela simplicidade e racionalidade do projeto, e trataram de pô-lo em prática sem mais delongas. Os primeiros caminhões de gás foram colocados em serviço no início da primavera de 1942. sua breve carreira resultaria numa sequência de dissabores para o pobre Becker.

Não fazia ainda um mês que os caminhões tinham começado a substituir os fuzis, e em Berlim as queixas começavam a chover de todos os lados. A crítica que aparecia em todos os relatório dizia respeito às más condições em que morriam as vítimas, […] “ (p. 75)


O gueto de Varsóvia era uma formidável concentração de quatrocentos mil judeus. Seu extermínio exigia a concentração de instalações proporcionais. O caminhão 'Becker' com seus quinze ou vinte lugares – de acordo com o modelo -, não podia pretender assumir tão pesado encargo. Os 'técnicos' recomeçaram a procurar. […] A solução não se fez esperar. Um 'pesquisador', cujo nome infelizmente não foi conservado, teve a ideia de colocar o caminhão 'Becker' num campo do tipo Ponar. […] Era preciso construir um local hermeticamente fechado, alimentado a gás por um motor. Nascia assim a primeira câmara de gás. Seria longa ainda a estrada a percorrer até as ultramodernas câmaras de Auschwitz, funcionando na base do Ciclon B; mas o caminho estava aberto. […] (p. 76)

...



trechos de “O Pianista” (1946) de Wladyslaw Szpilman (Polônia)
tradução de Tomasz Barcinski (Rio de Janeiro: Record, 2003)


Cap. 4 – O Gueto

Na segunda quinzena de novembro [1939], os alemães, sem qualquer explicação, começaram a isolar o lado setentrional da rua Marszalkowska com cercas de arame farpado. No final do mês surgiu um edital, no qual ninguém de início queria acreditar. Ultrapassava as nossas mais negras previsões; entre 1 e 5 de dezembro, todos os judeus deveriam munir-se de braçadeiras brancas com uma estrela-de-davi bordada em azul e branco. Dessa forma iríamos ser estigmatizados e diferenciados publicamente como seres 'destinados ao repúdio'. O edital eliminava vários séculos de avanços humanos, substituindo-os por métodos da mais negra Idade Média.

[…]

Nesses dias gélidos começaram a chegar a Varsóvia trens com judeus deportados da parte ocidental da Polônia. Apenas uma parcela deles chegava ao seu destino com vida. Eram embarcados em vagões selados, destinados ao transporte de gado – as pessoas ficavam enclausuradas sem comida, água ou calefação por dias e dias. Quando os trens chegavam ao seu destino, somente a metade delas ainda estava viva, e mesmo assim com terríveis ulcerações. Os demais, rígidos pelo frio, estavam em pé entre os vivos e caíam por terra, mortos, quando os vagões eram abertos.

Parecia que a situação não poderia piorar. Assim pensavam somente os judeus, pois os alemães tinham outra opinião. De acordo com a sua tática de implementar cada vez mais terror, emitiram novos decretos. O primeiro deles determinava a deportação para trabalhos forçados em campos de concentração, onde os judeus receberiam uma educação social, que lhes permitiria deixar de ser os 'parasitas do sadio organismo da raça ariana'. Referia-se a todos os homens válidos, com a idade entre doze e sessenta anos, bem como às mulheres entre quatorze e quarenta e cinco anos. O segundo decreto descrevia o processo de registro e da deportação. Os alemães não queriam se ocupar com isso e delegaram essa função ao Conselho Judaico. Teríamos que ser os nossos próprios carrascos, preparar o nosso extermínio nós mesmos, executar algo como um sancionado suicídio coletivo. A deportação foi planejada para o início da primavera [i. e. Março/abril 1940].” (pp. 50-51)

}}} Em 10 de maio, não uma ofensiva aliada, mas uma ofensiva alemã que dividiu e derrotou os aliados em menos de um mês!


Vejam o link para o meu primeiro blog sobre a Segunda Guerra Mundial




O gueto ('organizado' até o fim de 1940) era então chamado de 'bairro especial'.

Os portões do gueto foram cerrados no dia 15 de novembro. […] Numa área já superpovoada há anos, que podia abrigar, no máximo, cem mil pessoas, teriam que viver agora mais de meio milhão.” (pp. 55-56)

Os alemães continuaram a caçar seres humanos para trabalhos forçados como se fossem animais em todos os territórios da Europa por eles conquistados. Talvez a única diferença fosse o fato de que , no gueto de Varsóvia, essa atividade foi interrompida na primavera de 1942. As suas vítimas iriam ter outro destino, […]

As fronteiras do gueto foram se estreitando. Sua área foi sendo sistematicamente diminuída, a exemplo do que ocorria nos territórios da Europa, onde os alemães, ao conquistar um país, criavam uma fronteira, dividindo-o em dois – um território livre e outro ocupado. […]” (pp. 57-58)


fonte: SZPILMAN, Wladyslaw. O Pianista. Rio de janeiro: Record, 2003. trad. Tomasz Barcinski.



O Gueto de Varsóvia (continuação)

O gueto fora dividido em duas partes: o grande e o pequeno. O pequeno gueto estava confinado pelas ruas Wielka, Sienna, Zelazna e Chlodna, e tinha, após a última redução, apenas uma ligação com o grande: na junção das ruas Zelazna e Chlodna. O grande gueto ocupava toda a parte setentrional de Varsóvia, com um mundo de fedorentas ruelas e de becos repletos de judeus paupérrimos, apinhados em meio à miséria e à sujeira. No pequeno gueto vivíamos também apertados, mas de uma forma ainda razoável. Em cada quarto viviam três, no máximo quatro pessoas. Nas ruas, andando com atenção, era possível passar sem esbarrar em outros. E mesmo se isso viesse a acontecer, não resultava daí qualquer perigo; no pequeno gueto viviam basicamente os intelectuais e a alta burguesia, relativamente pouco piolhentos, livres dos insetos que pululavam no grande gueto. O verdadeiro pesadelo iniciava-se quando se deixava para trás a rua Chlodna.” (p. 61)


O inverno de 1941-1942 foi especialmente difícil para o gueto. As pequenas ilhas do aparente bem-estar da intelectualidade judaica e da opulência dos especuladores eram minadas por um mar de judeus miseráveis, já completamente exauridos pela fome, cheios de piolhos e expostos ao frio terrível. O gueto estava infestado por insetos e não havia como evitá-los. […]

diante disso, o surgimento de uma epidemia de tifo no gueto não chegou a ser uma surpresa. O número de mortos chegava a cinco mil por mês. O tifo passou a ser assunto da conversa de todos – pobres ou ricos. […]

(pp. 76/77)

As deportações para Treblinka começaram em abril de 1942, com a cumplicidade da 'polícia judaica' (do Conselho Judaico, Judenrat). Citemos.

Ao anoitecer fomos informados de que o toque de recolher tinha sido adiado para meia-noite, a fim de que as famílias dos 'enviados para trabalho' tivessem tempo suficiente de lhes trazer cobertores, roupas e comida para a viagem. Tal 'generosidade' dos alemães era com certeza comovente. Os policiais judaicos, por sua vez, a citavam com o intuito de adquirir nossa confiança.

Somente muito tempo depois vim a saber que os mil homens aprisionados naquela ocasião foram enviados, diretamente do gueto, para o campo de concentração em Treblinka, onde serviram de cobaias para os recém-construídos fornos crematórios e câmaras de gás.” (p. 86)

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seleção : LdeM

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mais info em :

video sobre a Conferência de Wannsee (1942)
http://www.youtube.com/watch?v=aCCDcMF_444
http://www.youtube.com/watch?v=U-aj3drLcuQ&feature=related

HBO filme
http://www.youtube.com/watch?v=qfHHZWe7Qwc&feature=related

BBC Final Solution
http://www.youtube.com/watch?v=a6jnawYwm3E&feature=related

filme alemão (Wannseekonferenz)
http://www.youtube.com/watch?v=eGeaoUO0gfo&feature=related


Campos de Concentração / Extermínio
videos
http://www.youtube.com/watch?v=ofqK4iDVj6w&feature=related

sobre Auschwitz
http://www.youtube.com/watch?v=4BEglP6xuxs&feature=related


O fim dos ghettos
http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=590&Itemid=49


A Burocracia do Extermínio:

Eichmann in Israel - julgamento
http://www.youtube.com/watch?v=T3InADUFzX4&playnext=1&list=PL8356E8541CD01270

mais sobre Adolf Eichmann
http://www.youtube.com/watch?v=9wqSAb0ZAn8&feature=related

Eichmann (movie 2007)
http://www.youtube.com/watch?v=5x0qnEZ0nWY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=L_GjL6DXlPk&feature=related

trecho do interrogatório
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/people/e/eichmann.adolf/eichmann.006
sobre o livro Eichmann Interrogated
http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9E03EED71539F935A25754C0A965948260


Videos de Revisionistas
http://www.youtube.com/watch?v=KeMqWqdrfz4&feature=related

Judgement at Nuremberg (movie, 1961)
http://www.youtube.com/watch?v=GagXIYvnY1s

mais sobre os Julgamentos de Nuremberg
(documentário russo)
http://www.youtube.com/watch?v=FPXc8JjtidM&feature=related


filmes
 O Pianista
http://www.youtube.com/watch?v=A-GIOmbGoOM

O Menino do Pijama Listrado
http://www.youtube.com/watch?v=j3fK0p3x0RE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Shypz2_NshM&feature=fvwrel

Rosenstrasse (movie, 2003)
http://www.youtube.com/watch?v=Dyk48PH4y8s&feature=related

Ghetto (movie, 2006)
http://www.youtube.com/watch?v=7Q2vD0KaIi4&feature=related

Uprising (movie, 2001)
(o Levante do Ghetto de Varsóvia)
http://www.youtube.com/watch?v=4uIiMWxfUgI



livros

A Indústria do Holocausto
(Norman Finkelstein)
http://en.wikipedia.org/wiki/Holocaust_industry
http://www.vho.org/aaargh/port/norman.html
http://www.revistabula.com/posts/livros/historiador-denuncia-a-industria-do-holocausto


videos
http://www.youtube.com/watch?v=5BaJCRXsgt4

http://www.youtube.com/watch?v=TCKTKMFTprM


Mais Revisionismo

http://verdadehistorica.wordpress.com/category/s-e-castan/page/2/

http://www.youtube.com/watch?v=EIB-Q6sH9vY&feature=related

http://forumnacionalista.forumeiros.com/t512-revisionismo-castan




...


REFERÊNCIAS

ARENDT, Hannah. Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil.
Nova York: Viking Penguin, Inc., 1963; Penguin Books, 1965.

BAUMAN, Janina. Inverno na Manhã – Uma Jovem no Gueto de Varsóvia.
Rio de Janeiro, Jorge Zahar D., 2005.

BLACK, Edwin, IBM e o Holocausto. (IBM and the Holocaust, 2001)
Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2001. trad. Afonso Celso da Cunha Serra

GOLDHAGEN, Daniel Jonah. Hitler's Willing Executioners: Ordinary Germans and the Holocaust. Nova York: Alfred A. Knopf, 1996; Vintage Books, 1997.

HILBERG, Raul. The Destruction of the European Jews. Nova York: Quadrangle Books, Inc, 1961; Harper Colophon Books, 1979.

HOESS, Rudolf. Commandant of Auschwitz: The Autobiography of Rudolf Hoess. Trad. Constantine FitzGibbon. Nova York: Popular Library, 1959

REITLINGER, Gerald. The Final Solution: The Attempt to Exterminate The Jews of Europe, 1939-1945. Beechhurst Press Inc, 1958, Nova York: Perpetua, 1961.

STEINER, Jean François. Treblinka. Rio de Janeiro: Abril Cultural, 1976. trad. Cristiano Monteiro Oiticica.

SZPILMAN, Wladyslaw. O Pianista. Rio de janeiro: Record, 2003. trad. Tomasz Barcinski.



segunda-feira, 26 de março de 2012

Expansão Japonesa no Sudeste Asiático - 1942



Guerra no Pacífico

Expansão Japonesa no Sudeste Asiático


(Filipinas, Singapura, Burma, Índias Orientais Holandesas, Nova Guiné)


março-abril 1942


Ataques no Índico

“Os ataques no Oceano Índico foram um duro golpe para a força naval inglesa na área – e levaria bastante tempo para a Marinha Real ser capaz de operar ofensivamente contra o Japão.

O desastre teve origem nas operações das forças do Almirante Nagumo, que contornaram os navios ingleses nas proximidades e atacaram o Colombo e o Trincomalee no Sri Lanka.

Os ingleses foram prejudicados por informações incorretas fornecidas pelo serviço de inteligência, o que fez com que sua força principal estivesse reabastecendo a centenas de quilômetros de distância quando a frota japonesa atacou. Os navios ingleses antigos não conseguiram impedir os invasores; na realidade, dado o tempo de uso, é bastante discutível se eles teriam capacidade de impedir a ação, considerando sua vulnerabilidade em relação ao impressionante poder naval e aéreo dos porta-aviões japoneses.

No ataque, os desgastados cruzadores Dorsetshire e Cornwall foram afundados em 5 de abril, enquanto o porta-aviões Hermes, sem qualquer avião a bordo, foi afundado quatro dias depois no percurso de volta de Trincomalee. Surpreendido pelas aeronaves japonesas e totalmente sem defesas, o porta-aviões foia fundado em questão de minutos.

Durante os ataques no Oceano Índico, os japoneses foram consistentemente superiores à marinha Real, demonstrando o equívoco da crença pré-guerra de que uma força pequena com navios obsoletos seria suficiente para deter superioridade sobre a marinha japonesa.” p. 187


“Não foi apenas contra a esquadra norte-americana que as forças do Almirante Nagumo tiveram considerável sucesso no início da guerra no Pacífico. Três meses depois da Operação Havaí, Nagumo causou um golpe similar à Marinha Real Britânica em um ataque no Oceano Índico.

Em 19 de fevereiro de 1942, quatro dos porta-aviões de Nagumo iniciaram uma operação contra Darwin e Broome no noroeste da Austrália, afundando uma dúzia de navios e danificando seriamente as instalações da base e as próprias cidades, tudo ao custo da perda de apenas uma aeronave. A ação foi seguida por um descanso de quatro semanas enquanto navios e tripulações se preparavam para a próxima missão. Em 26 de fevereiro, os porta-aviões começaram a navegar pelo Oceano Índico.

O Oceano Índico era uma fonte de considerável preocupação para os ingleses. A Marinha Real tinha cinco couraçados e três porta-aviões na área, mas um dos porta-aviões estava obsoleto e quatro couraçados eram antigos e não chegariam perto do que quer que os japoneses usassem no ataque. O comandante da força inglesa, Almirante Sir James Somerville, foi cuidadoso ao lidar com seus recursos, levando em conta as informações do serviço de inteligência de um ataque japonês contra o Sri Lanka no início de abril. Somerville manteve sua força avançando para o oeste na luz do dia e seguindo na direção da esperada linha de aproximação japonesa durante a noite.

Infelizmente pra Somerville, as informações estavam erradas. Na tarde do dia 2 de abril de 1942, a maior parte de seus navios precisava reabastecer. Eles seguiram para a base no atol de Addu, deixando dois cruzadores, um destróier e o porta-aviões Hermes seguir para o Sri Lanka. Assim que os primeiros navios de Somerville chegaram a Addu, em 4 de abril, ele recebeu a notícia de que a frota de Nagumo tinha sido avistada a cerca de 640 km a sudeste da ilha. O Sri Lanka estava desprotegido e, mesmo que Somerville começasse a navegar imediatamente, não havia esperança de alcançar as forças de Nagumo.” pp. 191-192, 194


“Com grande riqueza de recursos naturais, especialmente petróleo, as Índias Orientais Holandesas eram um alvo extremamente tentador para o Japão. Os soldados desembarcaram na costa de Sarawak no dia 16 de dezembro e, no início de janeiro, estava claro para os comandos americano, inglês, holandês e australiano (ABDA) que uma invasão a toda força da colônia era iminente.

Os japoneses dividiram suas forças de invasão em Forçar do Leste, Oeste e Central, com a ideia de que elas iriam – como indicado pelos nomes – atacar as Índias Orientais Holandesas pelos lados leste e oeste. O conceito por trás do plano era elegantemente simples, com os japoneses conquistando terreno, consolidando rapidamente a conquista e então seguindo para o próximo objetivo. A Força Leste atacou primeiro, conquistando Célebes e depois Ambon, Timor e Bali. Os defensores no timor se dispersaram e conduziram uma campanha de guerrilha contra os invasores por mais de um ano antes que o último membro do grupo fosse morto, mas em todos os outros lugares os japoneses encontraram poucos obstáculos. Um esforço naval Aliado nos Estreitos de Lombok na noite de 19 para 20 de fevereiro surpreendeu os japoneses, mas foi derrotado e apenas atrasou em algumas horas a ofensiva.

A Força do Leste chegou a Java em 1º de março, junto com a Força do Oeste, que tinha conquistado Sumatra no caminho, e a Força Central, que tomou áreas costeiras importantes na ilha do Bornéu. A chegada foi precedida pela Batalha do Mar de Java, na qual as forças Aliadas tentaram parar os japoneses, mas foram completamente derrotadas, restando apenas quatro navios de sua frota. Em grande desvantagem numérica, estava claro que não havia chance para as forças Aliadas restantes em Java.

Quando os japoneses exigiram falar com os comandantes holandeses locais em 7 de março, deixaram claro que iriam trazer a capital javanesa abaixo se a rendição não viesse logo. Sem alternativa, as forças Aliadas restantes nas Índias Orientais se renderam no dia seguinte.” pp. 198, 200-201



Sucessos japoneses

“Os japoneses tiveram sucesso em todos os lugares que atacaram. Uma atitude de desprezo em relação a um poder militar supostamente inferior e atrasado fez com que as forças inglesas, americanas e holandesas não estivessem equipadas à altura, e a noção de que os japoneses poderiam ser combatentes habilidosos na selva não tinha sequer sido considerada.

Os resultados foram desastrosos para os Aliados. Em oito meses, o Japão expulsou a Inglaterra da Malásia, de Singapura e de Burma; os norte-americanos foram retirados das Filipinas e de seus territórios no Pacífico, e os holandeses foram completamente massacrados nas Índias Orientais Holandesas. Em junho de 1942, parecia quase inconcebível que o Japão pudesse ser parado no objetivo de se tornar o poder dominante no Pacífico.” p. 187


fonte: JORDAN, David & WIEST, Andrew. Atlas da II Guerra Mundial. Volume III de III. A Batalha no Pacífico. trad. Tatiana Napoli. São Paulo: Escala, 2008.



Ataque no Oceano Índico


“Ao fim de fevereiro de 1942, os japoneses tinham conquistado a maioria de seus objetivos nas Índias Orientais, Malásia e Filipinas e, com as bases do poder aéreo bem estabelecidas, os porta-aviões da 1ª Frota Aérea tiveram um mês de merecido descanso antes de começar a navegar para o Oceano Índico em 26 de março.”

“Relatórios de inteligência indicavam grandes chances de um ataque japonês contra Ceilão por volta do dia 1º de abril de 1942, e Somerville manteve sua força ainda completa direcionada para o oeste durante o dia, quando ele se considerava em grande desvantagem, seguindo para o leste durante a noite na direção esperada da aproximação japonesa. Embora corretas em essência, as informações de inteligência de Somerville estavam erradas a respeito da cronologia das ações. Na tarde de 2 de abril, a força inglesa precisava se abastecer com combustível e mantimentos e teve que voltar para Addu, continuando apenas com os cruzadores pesados HMS Cronwall e HMS Dorsetshire, o antigo porta-aviões HMS Hermes e o destroyer HMS Vampire. Por conta de outros compromissos, esses foram mandados para Ceilão.

Somerville mal tinha chegado em Addu na tarde de 4 de abril quando uma busca aérea localizou Naguno a menos de 645 km ao sudeste da ilha. Pegos de surpresa, os ingleses começaram a navegar imediatamente, mas sem esperanças de impedir o ataque. Na direção de Ceilão, estavam os dois cruzadores desprotegidos enviados por Somervile, que se prepararam para a carnificina. Como em Pearl Harbor, os japoneses escolheram um domingo antes do café da manhã para o ataque, e radares com bases na praia localizaram a força de 126 aeronaves conforme ela seguia para o alvo, Colombo.

Protegido pelas defesas organizadas da AA e pela Royal Air Force (RAF), a Força Aérea Real do Inglaterra, o porto tinha vários navios ancorados. Metade dos cerca de 40 caças que confrontaram os japoneses foram perdidos sem conseguir parar o ataque. Mas, depois de 30 minutos de ação, que tinha custado aos japoneses sete aeronaves, o porto ainda funcionava. Infelizmente, pouco antes do meio-dia, um hidroavião Aichi E13A 'Jake' do cruzador Tone avistou os dois cruzadores. Por mais de três horas, as aeronaves os perseguiram até terem ambos no centro de um ataque de 90 aviões. Sem qualquer tipo de cobertura, os navios ingleses afundaram em 20 minutos, causando a perda de mais de 400 vidas. Procurando recuperar o equilíbrio na batalha, Somerville acelerou para interceptar Nagumo no amanhecer de 6 de abril. Os japoneses vitoriosos não aceitaram o desafio, provavelmente para a sorte dos ingleses, que certamente teriam levado a pior.”

“O Almirante Nagumo reuniu suas aeronaves e tomou o caminho de volta para casa. Ele tinha conseguido derrotar os ingleses com tanta competência quanto derrotara os americanos e, pelo menos por ora, as águas que iam além do perímetro japonês estavam seguras. Embora os japoneses nunca mais fossem conseguir penetrar no Oceano Índico com tamanha força, a escala de suas atividades tinha garantido que uma contra-ofensiva demoraria para ser organizada.”

pp. 190-191



fonte: BISHOP, Chris. II Guerra Mundial: campanhas dia a dia: a Guerra no Pacífico, Volume 3. trad. Tatiana Napoli. São Paulo: Escala, 2009.



seleção: LdeM


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sexta-feira, 16 de março de 2012

Reações do Afrika Korps . jan - março 1942



Reações do Afrika Korps após a derrota
na Operação Crusader aliada


Janeiro - Março 1942


Após a Operação Crusader (novembro e dezembro de 1941), a ofensiva aliada contra as forças do Eixo (italianos e alemães), o Afrika Korps foi obrigado a recuar, devolvendo muito terreno aos atacantes. As tropas do general Rommel, perseguidas de Gazala a Bengazi, acabaram por se render em janeiro de 1942.

No livro de Kenneth Macksey, “Afrika Korps – Rommel no deserto”, temos um relato das reações do Eixo, em retirada e rearmamento, antes de novamente atacarem – então com sucesso, até a conquista de Tobrouk em junho de 1942.

“Enquanto que os britânicos desfrutavam de potencial humano suficiente para frequente substituição de homens na frente, os alemães lutavam sem cessar, enviando cada reforço diretamente para a linha de frente, para ali ficar.

Assim, os alemães, que julgavam ter perdido a “Operação Cruzado” por causa da falta de apoio aéreo, de suprimentos, de informações, de ajuda da Alemanha ou dos italianos, praticamente não sentiam o hálito frio do fracasso nesse momento. Poucos então, e menos ainda agora, perguntavam se a arremetida de Rommel para a fronteira, com a cessão de terreno vital para as forças inimigas no momento crítico, não seria a razão do fracasso. Porém, por mais brilhantes que tivessem sido Rommel e Cruewell na condução do Afrika Korps e na organização de todo o Grupo Panzer em, pleno calor da batalha, fatores de importância fundamental não estavam a seu lado, fatores como o tempo e material. Por conseguinte, só uma vitória avassaladora, em curto espaço de tempo, poderia resultar numa decisão final favorável ao Eixo, na África do Norte.”

“Por outro lado, o AK havia conseguido aumentar seus efetivos. Graças a travessia segura de comboios até Tripoli, os efetivos alemães em tanques subiram para 84 e os dos italianos, para 89; combustível e munição fluíam novamente, abrindo a possibilidade de por em operação a qualquer momento mais de 300 aviões alemães e italianos. Portanto, era chegado o momento – enquanto o Grupo Panzer desfrutava de vantagem temporária – de desfechar um golpe para eliminar a ameaça a Tripolitânia. Uma vez convencido de que seus recursos em transportes atendiam as prováveis necessidades. Rommel permitiu a incursão – mas evitou cuidadosamente informar aos seus colegas italianos ou ao Alto-Comando alemão, escondendo o plano inclusive ao Afrika Korps até cinco dias antes do seu início, 21 de janeiro.

Duas colunas alemãs partiram de Mersa Brega na noite de 20 de janeiro – uma delas, o Grupo Marcks, composta da 90ª Ligeira e parte da 21ª Panzer, percorrendo a estrada da costa: a outra, o Afrika Korps, contornando o flanco do deserto, ao longo de Wadi Faregh. Os britânicos recuaram, com o Grupo Marcks seguindo-os de perto, mas o AK ficou preso na areia fofa. […]

A fraqueza demonstrada fugia à compreensão do inexperiente Comandante do 8º Exército, o Tenente-General Ritchie, que via Rommel espichando o pescoço para dar-lhe 'uma oportunidade única de atingi-lo realmente duro', a despeito do fato de a 1ª Divisão Blindada estar sendo aniquilada pelo AK. Ia alta a tarde de 22 de janeiro quando a coluna Marcks, infiltrando-se por entre os espantados britânicos em Antelat, provocou o caos nos escalões de abastecimento da 1ª Divisão Blindada, até que, ao anoitecer, a 15ª Panzer conseguiu unir-se ao AK, uma vez mais, para a tarefa de explorar o sucesso inesperado.

Caracteristicamente, a 23 de janeiro o Q-G do Panzerarmee Afrika (o Exército Blindado da África), que havia sido elevado ao status de exército no dia anterior, atribulou-se com dissensões, já à beira da vitória. [...]”

Entenda-se dissensões entre os comandos italianos (que, ao não gostarem das ousadias de Rommel, que só fazia destacar a liderança e eficiência alemãs, logo proibiam avanços) e os alemães (que seguiam o 'Raposa do Deserto', sempre disposto a adiantar-se aos britânicos), até que o Afrika Korps atingiu a cidade de Bengazi, de onde se retiraram um mês antes.


Enquanto aproveitavam combustível conquistado dos britânicos, as tropas de Rommel avançavam, entre contra-ataques de flanco, recuperando terreno e empurrando os aliados rumo a Gazala.

“A 25 de janeiro, a frente tornou a explodir. O AK, avançando lentamente para o norte com a 15 ª Panzer, chocou-se com a 1ª Divisão Blindada, reduzindo-a a confusão total, até que, como um tigre movido a corda, o avanço alemão, feito a 24 km/h, parou de repente em Msus, como se a corda houvesse acabado. Faltava gasolina. Rommel chegara, em escala reduzida, ao estágio da noite do 'Totensonntag'. A força blindada britânica, enfraquecida e espalhada, colocara a infantaria à beira do aniquilamento, e o comando britânico só tardiamente compreendera a importância de seu rápido colapso. Ritchie ainda falava de ação ofensiva quando lhes restavam menos de 40 tanques, e visava a conservar Bengazi ainda na crença de que suas forças móveis pudessem dominar o flanco do deserto. Mas Bengazi jamais poderia ser outra Tobruk, mesmo que se tivesse iniciado um processo defensivo adequado. Todavia, também Rommel podia fazer muito pouco, até que lhe tivessem trazido suprimentos extras e que o campo de batalha recém-conquistado fosse vasculhado, em busca do que pudesse sustentar seu próximo avanço devolvendo a mobilidade ao Afrika Korps.

[…]

No dia seguinte [29 janeiro], Rommel entrou em Bengazi, trazendo no bolso um comunicado de Mussolini, autorizando-o a começar o avanço que vinha de terminar, seguido , quase que imediatamente, de outro cabograma promovendo-o a Coronel-General. Suas provisões aumentaram muito, seu nome transformou-se num símbolo de esperança na Alemanha, para compensar os reveses impostos pelos russos a Wehrmacht, que a fizeram recuar das cercanias de Moscou. Agora, Rommel gostaria de ganhar mais, atacando mais para leste; porém, com as reservas de combustível que mal davam para a jornada, quanto mais para um batalha que encontrasse no caminho, não ousava pensar nisso. Só podia sondar – o que era de enlouquecer, porque suas perdas materiais haviam sido leves e seus homens estavam descansados e cheios de confiança nele. Além disso, Rommel podia contar, entre sues admiradores, com os soldados do 8º Exército, que reconheciam nelo o tipo de gênio tristemente ausente entre seus próprios líderes. Até mesmo Churchill ajudou a consolidar sua imagem, referindo-se a Rommel como 'um grande general' – em parte como desculpa, mas também com um toque de melancolia.

Na verdade, Churchill mostrou maior admiração por Rommel do que por Mussolini ou seus generais. Estes, apenas atormentavam o general germânico, advertindo-o para não ir longe demais, dizendo-lhe que is suprimentos de combustível haviam acabado e que seu plano apoiava-se apenas na defesa da Tripolitânia e nada mais. A falta de orientação de Berlim confundia Rommel, como sempre acontecera, pois a estratégia de Hitler omitia a costa africana, enquanto seus olhos estavam voltados para a Rússia e , dentro em pouco, para os campos petrolíferos do Cáucaso. Para os que trabalhavam em Berlim e Roma naquele inverno, o Oriente Médio parecia distante demais. Ideias de combinar um movimento pelo Cáucaso com um avanço por Suez até o Iraque já preocupara a imaginação do Eixo, mas os golpes de Estado pró-Eixo na Síria, Iraque e Pérsia haviam sido laboriosamente anulados pelos britânicos e russos no verão anterior. Agora, em 1942, o Feldmarechal Kesselring, responsável sobretudo pelo abastecimento da área do Mediterrâneo, pouco podia fazer para influenciar os planos do Eixo, quando estes não abrangiam o palco europeu.”


fonte: MACKSEY, Kenneth. Afrika Korps – Rommel no deserto. Rio de Janeiro, Renes, 1974. trad. N Japour. pp. 57, 60, 62, 65-67.



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seleção de textos: LdeM

segunda-feira, 5 de março de 2012

Frente Oriental - Reações soviéticas após a Defesa de Moscou


 
Frente Oriental


Reações soviéticas após a Defesa de Moscou
(dezembro 1941/ fevereiro 1942)


fonte: Zhukov. Marechal da União Soviética. Rio de Janeiro: Renes, 1976. trad. Alcídio M. de Souza. pp. 91-93.


Num exame crítico da situação, feito durante o inverno de 1941/42, Zhukov diz em suas memórias que os chefes, no alto comando, avaliaram de forma bastante incorreta a situação existente em Vyazma. Subestimaram a capacidade de recuperação dos alemães e, o que foi pior, ordenaram uma ofensiva (marcada para março) numa ocasião que os soldados estavam exaustos e se registrava aguda falta de material e equipamentos. Zhukov acrescenta que a situação era tão ruim, que cada vez que era convocado à Stavka, nada mais fazia senão suplicar a Stalin que lhe enviasse canhões anticarro, pistolas e, pelo menos, uma quantidade mínima de obuses e munição para suas peças de artilharia. O que quer que conseguisse, era rapidamente enviado às unidades mais necessitadas.

Zhukov recorda, ademais, a desesperadora situação em que vivia, no tocante à escassez de munições, citando estatísticas, a fim de provar o que assevera. Da munição planejada para ser entregue nos primeiros dez dias de janeiro, a Frente do Ocidente recebeu, apenas, um por cento de obuses de 82 mm e entre vinte e trinta por cento de obuses de outros tipos. Durante todo o mês, a quantidade recebida orçou em apenas 2,7 por cento dos obuses de 55 mm necessários, 36 por cento dos 120 mm, 55 por cento dos 82 mm e 44 por cento das granadas de artilharia.

A cota estatuída para fevereiro não foi entregue e dos 316 vagões de munições que deveriam ser entregues nos primeiros dias, nenhum foi enviado. A munição para os foguetes era tão escassa que as unidades que os utilizavam tiveram que ser enviadas para a retaguarda. “É difícil de acreditar”, lembra Zhukov, “mas tivemos que estabelecer limites de um ou dois tiros por canhão, por dia, e isto durante uma operação ofensiva!”


A 14 de fevereiro, Zhukov escreveu a Stalin: “A experiência de combate nos mostra que a escassez de munições impede o correto apoio da artilharia e, desde que o sistema de fogo inimigo não foi destruído, nossas tropas, ao atacar posições defensivas não neutralizadas, sofrem perdas pesadíssimas, sem obter os resultados desejados.”

A 1º de fevereiro, reconhecendo a multiplicidade de tarefas do Comando do Ocidente e a necessidade de assegurar maior coordenação entre as Frentes de Kalinin e do Ocidente, a Stavka restabeleceu o cargo de Comandante-Chefe do Comando do Ocidente e nomeou Zhukov para ocupá-lo, acumulando-o com suas obrigações de comandante da Frente do Ocidente.

À época em que a Stavka decidiu reforçar as Frentes do Comando do Ocidente, em fins de fevereiro e princípios de março, os alemães estavam reagrupando e reforçando suas unidades. As operações levadas a cabo pelos alemães em fins de fevereiro redundaram em pesado castigo para os russos. O já destroçado XXIX Exército, cercado pelas forças de Guderian durante os contra-ataques realizados no início daquele mês e reduzido a cerca de seis mil homens, só com muita dificuldade conseguiu romper o cerco, e assim mesmo deixando atrás de si toda a artilharia.

Tornava-se cada vez mais difícil para os exaustos soldados russos sobrepujar a resistência alemã. As frequentes solicitações de Zhukov, no sentido de que lhe fosse permitido conservar e consolidar suas posições, eram sumariamente recusadas. Stalin insistia em que se continuasse a ofensiva. “Se você não obtiver sucesso hoje, poderá obtê-lo amanhã. Se o inimigo não pode ser obrigado a recuar aí diante de nossos ataques, os resultados poderão fazer se sentir em outros setores da frente.”

Mas o curioso é que nenhum avanço foi feito, nem pela Frente de Kalinin, nem pela do Sudoeste. A Frente de Leningrado e a ala direita da Frente Noroeste estavam empenhadas em luta sangrenta, tanto quanto as unidades que combatiam na região meridional do país. “Apesar das perdas elevadas e da falta de resultados estratégicos”, recorda Zhukov com amargura, “a Stavka exigiu novamente, em diretiva enviada a 20 de março, que as missões anteriormente determinadas para as diversas Frentes tivessem prosseguimento, com renovado vigor. Mas com os insignificantes reforços recebidos, as Frentes do Comando do Ocidente não puderam cumprir a tarefa […]”.


Durante a contra-ofensiva de janeiro a março, as tropas da Frente do ocidente avançaram de 60 a 90 quilômetros, em alguns setores. Zhukov declara, no entanto, em suas memórias, que as forças soviéticas poderiam ter, inquestionavelmente, obtido resultados melhores, se lhe tivesse sido permitido concentrar maior quantidade de tropas em sua Frente, a fim de capitalizar o sucesso da contra-ofensiva iniciada em dezembro. As Frentes de Leningrado, Volkhov e Noroeste ficaram estacionárias, porque lhes faltaram homens e materiais necessários para abrir as defesas alemãs. Pela mesma razão, a ofensiva levada a cabo pelas Frentes Sudoeste e Meridional tiveram, também, fôlego curto.

Mesmo assim, concluiu Zhukov, esses problemas, de maneira alguma, podem minimizar a importância da vitória soviética na grande batalha que se travou diante de Moscou. A sangrenta campanha fez os alemães recurar, em média, cerca de duzentos e cinquenta quilômetros, nos vários setores que dominavam. A razão principal de não ter conseguido os soviéticos vencer em definitivo, diz Zhukov, pode ser encontrada na escassez de blindados. Sem eles, como a própria guerra evidenciou, torna-se impossível levar a termo operações ofensivas com objetivos definidos e em larga escala. Somente com tanques poderosos e formações mecanizadas “é possível flanquear o inimigo com rapidez, penetrar em sua retaguarda e, depois, cercar e dizimar suas unidades.”

Zhukov saíra vitorioso das batalhas que travara ao longo do ano de 1941 e nas campanhas do início do ano de 1942. Mas novas crises já se avizinhavam, e Stalin, insistentemente, o chamava para, às pressas, tentar resolvê-las.”



fonte: Zhukov. Marechal da União Soviética. Rio de Janeiro: Renes, 1976. trad. Alcídio M. de Souza. pp. 91-93.



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