quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Etapas do Holocausto - Segregação em Guetos



A Segregação

Os guettos

O Ghetto de Varsóvia (Warsaw)

Varsóvia, a capital da Polônia fora ocupada desde setembro/outubro de 1939

A ordem para a segmentação - criação do guetto – foi expedida em  setembro/outubro de 1940, ou seja, no momento em que a França se tornava 'colaboracionista' (com o Governo de Vichy), e a Grã-Bretanha lutava para se defender de uma 'invasão pelo Canal da Mancha'.




“Atrás dos Muros”

“Originalmente, cerca de 400.000 judeus – moradores da capital e refugiados das províncias – foram espremidos na área do gueto de Varsóvia, que em novembro de 1940 cobria 340 hectares, incluindo um cemitério judeu ... Posteriores reduções de tamanho produziram mudanças internas e consequente superpovoamento, de modo que milhares de famílias foram muitas vezes deixadas sem abrigo... A situação se agravou ainda mais quando 72.000 judeus do distrito de Varsóvia foram transferidos para o gueto, fazendo com que o total de refugiados chegasse a 150.000 e a população total do gueto atingisse mais de 500.000 ...

O número médio de pessoas por cômodo era de 13, enquanto milhares permaneciam desabrigadas ...

Os portões do gueto eram vigiados do lado de fora por policiais alemães e poloneses, e do lado de dentro pela milícia judaica (Ordnungdienst). Só quem tinha uma permissão especial podia entrar ou sair .. Em outubro de 1941 as autoridades anunciaram que o ato de sair do gueto sem permissão seria punido com a morte ...

A população do gueto recebia diariamente uma quantidade de comida que equivalia a 184 calorias per capita, enquanto os poloneses recebiam 634 e os alemães, 2.310 ... A média distribuída por pessoas era de 250 gramas de açúcar e dois quilos de pão por mês. Os ingredientes do pão eram misturados com serragem e casca de batata ...

O gueto sofria de desemprego em massa...

Havia uma grave carência de combustível para aquecer as casas. No inverno de 1941-42, entre os 780 apartamentos investigados 718 deles não possuíam aquecimento ...

Tais condições causavam epidemias, especialmente de tifo. As ruas ficavam cobertas de cadáveres vítimas de inanição e de doenças. Bandos de crianças vagavam pelas ruas em busca de comida ...

Estima-se que, até o verão de 1942, mais de 100.000 judeus tenham morrido no gueto propriamente dito.”


Encyclopedia Judaica, vol. 16
Varsóvia: período do Holocausto




In: BAUMAN, Janina. Inverno na Manhã. Uma Jovem no Gueto de Varsóvia. Jorge Zahar ed., 2005. trad. Carlos Alberto Medeiros


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Judeus no Leste


“Às 5 hs da manhã de 22 de junho de 1941, 130 divisões de Hitler, divididas entre três grupos de exércitos, tinham avançado através da fronteira para invadir a Rússia. Na retaguarda de cada grupo de exército vieram os enxames de esquadrões de extermínio SS, encarregados por Hitler, Himmler e Heydrich com a função de eliminar os comissários comunistas e as comunidades judaicas rurais das vastidões invadidas pelo exército, e cercar as grandes comunidades judaicas urbanas em ghettos de cada grande cidade para o posterior 'tratamento especial'.

O Exército conquistou Riga, capital da Latvia (Letônia), em 1º de julho de 1941, e no meio daquele mês os primeiros comandos SS chegaram. As primeiras unidades das seções SD e SP das SS se estabeleceram em Riga em 1º de agosto de 1941, e iniciou o programa de extermínio que deixaria a Ostland (nome dado aos três países bálticos ocupados) livre de judeus.

Então foi decidido em Berlim usar Riga como um transitório campo de morte para os judeus da Alemanha e da Áustria. Em 1938 haviam 320.000 judeus-alemães e 180.000 judeus-austríacos, cerca de meio milhão. Em julho de 1941 dezenas de milhares tinham sido repartidos, principalmente em campos de concentração dentro da Alemanha e Áustria, notadamente Sachsenhausen, Mauthausen, Ravensbrück, Dachau, Buchenwald, Belsen, e Theresienstadt na Boêmia. Mas os campos ficavam superlotados, e as terras obscuras do leste pareciam um lugar excelente para acabar com o resto. O trabalho começou a se expandir ou iniciar os seis campos de extermínio em Auschwitz, Treblinka, Belzec, Sobivor, Chelmno, e Maidanek. Até que eles estivessem prontos, contudo, um lugar foi encontrado para exterminar tanto quanto possível e 'armazenar' o resto. Riga foi escolhida.

Entre 1º de agosto de 1941 e 14 de outubro de 1944 quase 200.000 judeus alemães e austríacos, exclusivamente, foram embarcados para Riga. Oito mil ficaram lá, mortos; 120.000 foram enviados aos seis campos de extermínio do sul da Polônia já mencionados; e 400 sobreviveram, metade deles para morrer em Stutthof ou na Marcha da Morte de volta a Magdeburg. […]

O ghetto de Riga foi uma parte integral da cidade e sido antes o lar dos judeus de Riga. […] O ghetto ficava na borda norte da cidade, com zona rural aberta para o norte. Havia um muro ao longo do sul; os outros três lados eram isolados com fileiras de arame farpado. Havia um portão, no lado norte, através do qual se saía e entrava. Era guardado por dois vigias da SS letoniana. A partir deste portão, seguindo para o centro do ghetto para o muro sul, estava a Mase Kalnu Iela, ou Rua da Colina (Little Hill Street). À direita (olhando-se do sul ao norte ao portão) estava a Praça Blech, ou Praça da lata (Tin Square), onde ocorriam as seleções para execução, através de listas de chamadas, seleção para trabalho forçado, açoites e enforcamentos. As forças com seus oito ganchos de aço e os permanentes nós corrediços oscilando ao vento lá no centro da praça. […]

Todo o ghetto devia ter menos de duas milhas quadradas, um distrito que abrigava 12.000 a 15.000 moradores. Antes de nossa chegada os judeus de Riga, ao menos 2.000 deles restavam, haviam feito o trabalho de tijolamento, assim a área deixada para o nosso transporte de apenas pouco mais de 5.000 homens, mulheres e crianças foi espaçosa. Mas após termos chegado os transportes continuaram chegar dias após dia até a população da nossa parte do ghetto chegar a 30.000 a 40.000, e com a chegada de cada novo transporte um número dos moradores igual ao número dos novatos sobreviventes deviam ser executados para deixar espaço para os recém-chegados.”


pp. 32-35 (trad. LdeM)



mais sobre o Ghetto de Riga


“O trabalho era exaustivo, suficiente para arruinar a constituição de um homem saudável, pois trabalhávamos, verão e inverno, principalmente lá fora no frio e úmido das regiões baixas próximas a costa da Letônia.

Nossa refeição (ração) era meio litro de algo chamado de sopa, principalmente água tingida, às vezes com um naco de batata, antes de marchar para trabalhar nas manhãs, e outro meio litro, com uma fatia de pão preto e batata mofada, ao retornar para o ghetto à noite.

Trazer comida para o ghetto era punível com imediato enforcamento diante da população reunida à noite na chamada na Praça da Lata (Tin Square), apesar disso, correr este risco era o único modo para ficar vivo.”

p. 36 (trad. LdeM)


fonte: FORSYTH, Frederick. The Odessa File. USA, Penguin, 1972.




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Mais sobre o Ghetto de Varsóvia


wikipedia

livros

Janina Bauman
(“Winter in the Morning”)

videos




filmes

 O Pianista

A Lista de Schindler

La Vita è bella

Um Homem Bom (Good)

comentários sobre os filmes sobre Nazismo
(por Isabela Boscov)

Os falsários de Hitler
Prisioneiros usados em trabalho ilegais para o III Reich

filme (The Counterfeiters, 2007)

Os Carrascos Voluntários de Hitler
(Daniel Goldhagen)

A posição da Igreja Católica

Peça teatral “O Vigário” (Der Stellvertreter)
do alemão Rolf Hochhuth


O Papa de Hitler
(John Cornwell)

videos



1941/43 – URSS sofre a ação dos Einsatgruppen SS

videos

(français)

filme soviético


LdeM

sábado, 10 de setembro de 2011

Desacordos entre Hitler e os generais alemães



Operação Barbarossa


Agosto – Setembro - Outubro 1941

Desacordos entre Hitler e os generais alemães



“Apesar da rapidez de seu avanço, os alemães só conseguiram executar um daqueles grandes movimentos envolventes – base do conceito operacional da campanha da Rússia – no setor central. Nas outras batalhas, tiveram de se limitar a empurrar para a frente a grande massa de adversários. […]


Em agosto, as tropas alemãs, depois de conseguir atravessar a 'linha Stálin', obtiveram, em todos os setores do front, êxitos espetaculares, graças a manobras de envolvimento; todavia, pareceu ao mesmo tempo em que as previsões otimistas do mês anterior tinham sido enganosas: por mais fabuloso que tenha sido o número de prisioneiros, as reservas do inimigo, constantemente renovadas, pareciam mais fabulosas ainda. Além disso, os soldados se batiam com mais garra do que as tropas polonesas ou aliadas, e sua firmeza na resistência, depois de certas crises iniciais, intensificou-se ainda mais quando se deram conta do caráter implacável da guerra praticada por Hitler. E depois, o desgaste do material na poeira e na lama russas era infinitamente maior do que se havia calculado, e cada vitória arrastava o vencedor, cada vez mais profundamente, para dentro desses espaços imensos. Pela primeira vez, além disso, a máquina de guerra alemã parecia ter atingido o limite de sua capacidade.


[…]

O OKH e o general-comandante do grupo de exércitos do setor central intercederam para que se concentrassem todas as forças numa ofensiva contra Moscou. Quando estivessem às portas da capital, o inimigo, pensavam eles, reuniria todas as tropas disponíveis; esforça-se-ia por travar uma batalha decisiva  e, assim, provocaria o fim da campanha com o triunfo da guerra-relâmpago. Por seu lado, Hitler queria que se atacasse ao norte, a fim de cortar aos soviéticos o acesso ao Báltico; queria também que se prosseguisse a grande avançada em direção ao sul, tomando como objetivo as regiões agrárias da Ucrânia e a zona industrial da bacia do Don. Toda a operação devia ser coroada pelo embargo das entregas de petróleo do Cáucaso; era um plano que, pela sua miscelânea quase exemplar, demonstrava, ao mesmo tempo, a superioridade de Hitler e até que ponto ele se deixaria encurralar; pois, embora ostentasse o ar de alguém que pode dar-se o luxo de ignorar a capital, ele tentava de fato por fim à enorme tensão – que começava a se fazer sentir seriamente – da situação econômica. 'Meus generais não conhecem nada da economia de guerra...' - não se cansava de repetir. Uma cerrada discussão, que mais uma vez evidenciou a instabilidade das relações entre Hitler e seus oficiais generais, terminou pela remessa de instruções ao grupo de exércitos do centro, ordenando que pusessem suas unidades motorizadas à disposição dos setores do norte e do sul. 'Insustentável', 'inaudito', anota Halder, e sugere a Brauchitsch que os dois se demitiam de suas funções. Mas o comandante-chefe recusou.”

pp. 772-74



fonte: FEST, Joachim. Hitler. (Hitler, eine Studie über die Angst)
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976.


seleção: LdeM

sábado, 3 de setembro de 2011

mais discursos de Thomas Mann



Thomas Mann

Ouvintes Alemães

Discursos contra Hitler (1940-1945)

trad. Antonio Carlos dos Santos e Renato Zwick




Agosto de 1941


Ouvintes alemães!

Há uma polêmica no mundo sobre se é realmente possível diferenciar o povo alemão das forças que hoje o dominam e sobre se a Alemanha é mesmo capaz de se integrar de forma honesta a uma ordem das nações nova e socialmente desenvolvida, baseada na paz e na justiça, ordem que deverá resultar dessa guerra. Se me perguntassem, eu responderia assim:


Admito que isso que se chama de nacional-socialismo tem raízes profundas na vida alemã. É a forma virulenta de degeneração de ideias que sempre trouxeram em si o germe da corrupção assassina, ideias de modo algum alheias à boa e velha Alemanha da cultura e da formação. Aí elas viviam nobremente, chamava-se 'romantismo' e deixaram o mundo fascinado. Pode-se muito bem dizer que elas decaíram, que estavam destinada a decair, visto que foram desembocar num Hitler. Somadas à incrível adaptação da Alemanha à idade da técnica, elas formam hoje uma mistura explosiva que ameaça toda a civilização. Sim, a história do nacionalismo e do racismo alemão que resultou no nacional-socialismo é longa e terrível; ela vem de longe, é interessante no início e se torna cada vez mais vulgar e abominável. Mas confundir essa história com a própria história do espírito alemão e amalgamá-las numa só é pessimismo crasso e seria um erro perigoso para a paz. Sou, e assim respondo aos estrangeiros,otimista e patriota o suficiente para acreditar que a Alemanha que eles amam, a Alemanha de Dürer e Bach e Goethe e Beethoven, terá um longo fôlego histórico. A outra vai perder o fôlego – logo, logo: não se deve confundir seu bufar atual com um fôlego poderoso. Ela já se esgotou ou está em vias de esgotar, justamente no 'Terceiro Reich', que, como desnudamento de uma ideia através de sua concretização, representa algo intransponível e totalmente fatal. Exatamente nisso repousa toda a esperança. […]”

 ...

Transmissão especial
Agosto de 1941


Ouvintes alemães!

O maior bem moral que se pode fazer ao povo alemão é contá-lo entre os povos oprimidos. Pois qual será o veredicto sobre a Alemanha e que esperanças se pode ter quanto ao seu futuro se os crimes praticados sob seu atual regime forem cometidos com livre-arbítrio e com a consciência clara? Vocês que escutam a voz da liberdade, uma voz que vem de fora, evidentemente se sentem membros de um povo oprimido, e o simples fato de ouvirem já é um ato de resistência espiritual contra o terror de Hitler e a sabotagem espiritual representada pela aventura sangrenta e interminável em que ele os lançou. Na Rússia, os jovens alemães sangram até a morte, aos milhões, seus déspotas admitem que essa única campanha vai adentrar o inverno e, enquanto isso, crescem as forças quase inesgotáveis do exército oponente em um mundo que queria paz, que só pensava em paz, e que no princípio esteve quase indefeso diante da máquina de guerra alemã construída ao longo de sete anos. É de se temer o que acontecerá com a Alemanha se a guerra prosseguir por mais um ano, dois anos – e ela vai continuar, pois nem sequer vocês mesmo ainda acreditam que vão derrotar a maioria da humanidade, maioria que se opõe aos planos de Hitler. Alemães, não deixem as coisas chegarem ao extremo! Vocês mesmos deveriam se livrar do governo infame, governo que os degrada indizivelmente e em cujas mãos vocês caíram por conta de um destino sombrio; vocês deveriam provar aquilo que o mundo ainda se esforça para acreditar, que o nacional-socialismo e a Alemanha não são uma e a mesma coisa. Se vocês seguirem Hitler por toda parte até o fim, então crescerá um afã de vingança que encherá de pavor todos aqueles que simpatizam com a Alemanha. Vejam como os povos oprimidos da Europa se armam contra o mesmo inimigo que também oprime vocês. Vocês querem ser inferiores a eles, ter menos caráter, ser mais covardes que eles? Pensem que a ferramenta para a escravização do mundo é obra de suas mãos e que Hitler não pode levar adiante sua guerra sem a ajuda de vocês. Neguem a ajuda de suas mãos, não contribuam! Fará uma enorme diferença para o futuro se forem vocês mesmos, alemães, a eliminar o homem do terror, esse Hitler, ou se isso acontecer por força externa. Só se vocês mesmos se libertarem terão direito a participar da ordem mundial justa e livre que está por vir.


...


Setembro de 1941


Ouvintes alemães!

Em sua magnífica História da Guerra dos Trinta Anos, Schiller conta como os inimigos do cavaleiro Gustav Adolf espalharam propositalmente terríveis boatos sobre seu modo cruel de guerrear, boatos que não podiam ser refutados inteiramente nem pelos exemplos brilhantes de humanidade que o rei dava. “temia-se”, diz Schiller “que os outros nos fizessem o que sabíamos que faríamos em caso semelhante.” não é essa a exata definição do motivo pelo qual o povo alemão acredita ter de lutar até o mais extremo nesta guerra ilimitada e impossível de ser vencida, suportar infindáveis sofrimentos e ter de seguir seus líderes desesperados sempre mais além, até sabe Deus que fim? O povo alemão teme, caso abandone seus líderes, ter de sofrer isso que ele sabe que os nazistas, em caso de vitória, vão impingir aos outros: aniquilação. A propaganda de Goebbels grita isso todos os dias em seus ouvidos: vocês têm de vencer ou serão aniquilados. Vocês podem escolher apenas entre a vitória total ou a queda.


Mas primeiro, alemães, vocês deveriam pensar que uma liderança que leva seu povo até a beira do abismo de semelhante alternativa – subjugar o mundo ou morrer – é uma liderança  de aventureiros infames. E, segundo, deveriam pensar que a concepção da aniquilação dos povos e do extermínio das raças é uma ideia nazista – ela não é natural nas cabeças das democracias. O que será e tem de ser aniquilado para proteger a humanidade da escravidão mais repugnante que já violentou a face da Terra é o regime nazista, ou seja, Hitler e seus cúmplices, mas não o povo alemão. É pura loucura esperar que a Inglaterra, que em meio à guerra realiza talvez a mais significativa revolução social de sua história, e os Estados Unidos de Franklin Roosevelt cultivem intenções de aniquilamento de qualquer espécie contra o povo alemão, seja aniquilamento econômico, político ou diretamente físico. Essas nações e seus homens de Estado sabem que o mundo se encontra em uma crise que é usada por Hitler para uma campanha de conquista e escravização, crise que, na verdade, deve conduzir a humanidade a um patamar mais alto de maturidade e emancipação social. Eles não desejam nada além de ganhar a Alemanha, que é indispensável para uma ordem dos povos realizada na liberdade, para essa nova ordem nascida do espírito de uma democracia rejuvenescida. Além disso, o significado principal do encontro do Atlântico entre Churchill e Roosevelt repousa no fato de os Estados unidos assumirem uma corresponsabilidade na paz por vir – e quem pode acreditar que uma paz assinada em Washington terá a mais remota semelhança, sob qualquer aspecto, com uma paz ditada pelos nazistas? [...]”


(grifos meus)



Thomas Mann

Ouvintes Alemães

Discursos contra Hitler (1940-1945) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2009

trad. Antonio Carlos dos Santos e Renato Zwick



(Entre 1940 e 1945, a convite da rádio BBC, Thomas Mann dirigiu-se do exílio a seus conterrâneos alemães em breves discursos sobre a guerra. Mês após mês o escritor procurou transmitir-lhes confiança, comentou a realidade da guerra e conclamou-os a reverter a situação que haviam permitido e a se engajar na luta contra Hitler.)


mais em


para ouvir
(discurso de novembro/ 1941, etc)



LdeM

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Batalha de Kiev - 1941




A Batalha de Kiev

23 agosto – 26 setembro 1941


“Entre os dias 7 e 9 de setembro, o General Halder, chefe do Estado-maior, elaborou, juntamente com o Marechal von Rundstedt, o plano da batalha de aniquilamento em torno de Kiev. O 2o Grupamento Panzer de Guderian, devia prosseguir velozmente seu avanço em direção ao sul, até a localidade de Romny, situada a leste de Kiev, e a li se uniria às forças o 1o Grupamento Panzer de von Kleist, que avançaria do sul. A conquista de Kiev e a destruição das forças ali concentradas seria realizada pelos 6o exército de von Reichenau e 2o de von Weichs. As unidades soviéticas que tentassem escapar iriam chocar-se contra a barreira formada pelos tanques de Guderian e Kleist, em Romny.


Em 9 de setembro, os blindados de Guderian arremeteram para o sul e, apoiados pelos Stukas, conseguiram abrir caminho através da furiosa resistência soviética. Com profunda preocupação, Guderian comprovou que suas tropas começavam já a perder o ímpeto combativo. A dura e prolongada luta fazia com que surtissem seus efeitos nos blindados extenuados. Além disso, o abastecimento de munições e combustíveis se tornava cada vez mais difícil.


Continuou, porém, o avanço para Romny. A Divisão Panzer III, capitaneada pelo General Model, convergiu sobre aquela cidade, envolvendo as unidades russas que encontrou em seu caminho. O braço norte da pinça fechou-se, assim, nas costas das forças russas que combatiam em Kiev. Apesar da mortal ameaça que pesava sobre seus exércitos, o Marechal Budienny não ordenou a retirada e, ao contrário, continuou mobilizando reforços para o interior do gigantesco bolsão. Guderian decidiu acelerar a manobra e foi até o posto de comando da divisão Panzer III, para incitar suas tropas a redobrar os esforços.


No dia 10 de setembro, os tanques da vanguarda da divisão Panzer irromperam inesperadamente através das poderosas fortificações que cobriam o acesso a Romny e penetraram na cidade. O objetivo tinha sido alcançado. Guderian se dirigiu imediatamente a Romny e felicitou os oficiais e soldados que haviam participado da ação. Na metade da reunião, uma esquadrilha de aviões russos atacou com bombas e metralhadoras o grupo e obrigou Guderian e seus camaradas a procurar proteção no terreno lamacento.


As unidades de von Kleist conseguiram, finalmente, abrir caminho para o norte, em 13 de setembro. O outro braço na pinça fechou-se nas costas de Kiev. Nesse momento, o alto comando russo compreendeu finalmente o perigo mortal que suas forças corriam. Apinhando-se nas estradas, milhares de soldados russos empreenderam aceleradamente a retirada para o leste, com o fim de escapar da armadilha. Mas já era tarde demais. Os tanques de Kleist aniquilaram as forças que obstruíam sua avançada e, no dia 15 de setembro, estabeleceram contato com as forças de Guderian.” pp. 17-18


A cidade de Kiev foi ocupada em 19 de setembro e a batalha finda em 26 do mesmo mês.


“A propaganda alemã anunciou a vitória como a “batalha de aniquilamento mais gigantesca de todos os tempo”. Mais de 600.000 soldados russos caíram prisioneiros. Quatro exércitos soviéticos tinham sido aniquilados e os alemães conseguiram romper a frente numa extensão de 300 km.

Enquanto se desenrolavam as duras lutas de Kiev, Hitler tinha resolvido retomar o plano original de Halder e realizar o ataque contra Moscou. Numa reunião onde esteve com aquele chefe, no dia 5 de setembro, disse-lhe que, uma vez terminada as operações no sul, todas as forças Panzer seriam mobilizadas novamente para o centro, com a finalidade de lançar se demora o a ataque contra a capital. No dia 6, o Führer emitiu sua ordem n° 35 para a condução da guerra, segundo a qual estava formalmente ordenando o avanço sobre Moscou.

A Wehrmacht, enfraquecida pela luta ininterrupta (até 26 de setembro o exército alemão tinha perdido 500.000 homens), dispôs-se, assim, a desencadear a ofensiva que iria decidir a campanha contra a URSS. Restava, porém, uma grande ameaça incógnita. Na batalha de Kiev tinham-se perdido os últimos meses de bom tempo. Poderia o Grupo de Exércitos Centro alcançar a vitória antes da chegada do inverno?” p. 20



fonte: Segunda Guerra Mundial . Fascículo 13. Editora Codex. 1966






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Batalha de Kiev




seleção: LdeM


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domingo, 14 de agosto de 2011

Batalha de Smolensk - Neutralidade Japão e URSS




Operação Barbarossa

julho / agosto 1941



Batalha de Smolensk

(10 julho – 05 agosto 1941)



“No dia 10 de julho de 1941, Stálin assumiu pessoalmente a chefia suprema dos exércitos soviéticos e, ao mesmo tempo, criou três comandos encarregados do comando da guerra nas três grandes frentes ameaçadas pela invasão alemã. O Marechal Voroshilov foi designado chefe das tropas que combatiam no norte, sobre a costa báltica e Leningrado; o Marechal Timoshenko assumiu o comando dos exércitos encarregados da defesa de Moscou, e o veterano Marechal Budienny passou a exercer o comando das tropas localizadas ao sul, na região da Ucrânia.


Nesse mesmo dia, as tropas de assalto do grupamento Panzer IV, do General Guderian, iniciaram o cruzamento do rio Dnieper, ao sul da cidade de Smolensk. Ao norte, as colunas de tanques do grupamento Panzer III, capitaneadas pelo General Hoth, redobraram seus ataques e avançaram em direção a Smolensk, com o fim de cercar pela retaguarda as unidades russas que combatiam contra as forças de Guderian.

[…]

No dia 13 de julho, a 29a Divisão Motorizada, comandada pelo General von Boltenstern, penetrou profundamente através das posições russas e, enfrentando duros combates, aproximou-se a poucos quilômetros de Smolensk. Pela primeira vez desde o início da campanha, as tropas alemães viram-se diante de uma crítica falta de munições. As bases de abastecimento se achavam agora a 500 km, à retaguarda, e o serviço de abastecimento, tendo que enfrentar inúmeras dificuldades, já não podia cumprir adequadamente sua missão.

Avançando do Norte, o grupamento Panzer III cortou, no dia 15, a estrada principal para Moscou e conseguiu, desta maneira, cercar, sobre as margens do Dniéper, mais de 300.000 soldados soviéticos. Ao sul, as unidades de Guderian continuaram pressionando em direção a Smolensk e, em 16 de julho, as tropas de assalto da 29a Divisão Motorizada penetraram na cidade. A armadilha estava fechada.” pp. 1-2


Em 19 de julho, com a Instrução Nº 33, de Hitler, para reorganizar as tropas para as ofensivas ao norte (Leningrado) e ao sul (Kiev), o eixo central do avanço deixa de ser aquele rumo a capital Moscou. É quando os generais da Wehrmacht discordam do Führer: eles preferem a ofensiva concentrada contra Moscou, “no máximo até 20 de agosto”.


No dia 11 de agosto, Halder registrou em seu diário:

“... subestimamos a força do colosso russo, não só no campo econômico e do transporte, mas também, e principalmente, na esfera militar. De início, contamos enfrentar 200 divisões inimigas e já identificamos 360. Quando destruímos uma dezena dessas divisões, os russos lançam uma outra dezena.”


Em 18 de agosto, o general Brauchitsch apresenta argumentos para a conquista de Moscou, mas no dia 21 de agosto, Hitler rejeita o plano de Halder e Brauchitsch. De nada adianta a presença do general Guderian, em 23 de agosto na Cova do Lobo, onde faz um relato a partir dos informes da frente de batalha e insiste em argumentos a favor de um avanço concentrado para a capital russa Moscou. 


Hitler recusa o ataque e novamente alega razões econômicas – o trigo e o petróleo da Ucrânia – para desviar a ofensiva para Kiev, ao sul.


“No dia 5 de agosto, o Grupo de Exército Centro aniquilou as forças russas cercadas em torno de Smolensk. Três exércitos russos foram destruídos, caíram em mãos dos alemães cerca de 300.000 prisioneiros, 3.000 canhões e 300 tanques. Apesar de sofrer estas terríveis perdas; as unidades do General Timoshenko continuaram oferecendo uma resistência encarniçada às colunas de von Bock e lançaram repetidos contra-ataques contra sua frente e seus flancos.

[…]

Kiev ficou incrustada como uma profunda cunha nas linhas alemães. Poderosamente reforçada pelos russos, converteu-se numa grave ameaça para os flancos dos Grupos de Exércitos Centro e Sul. O marechal Rundstedt propôs, então, eliminar essa cunha mediante uma gigantesca manobra de pinças, lançando forças blindadas do norte e do sul.


Em sua ordem do dia 21 de agosto, na qual recusava a proposta de Halder para atacar Moscou, Hitler ordenou que se realizasse o aniquilamento das forças soviéticas entrincheiradas em torno de Kiev. A operação contra Moscou ficou por isto, definitivamente suspensa. (*) Sem saber, nesse dia, Hitler tomou a decisão que levou a Wehrmacht  à derrota.” pp. 11-14


“Diante da obstinada resistência dos soviéticos, o ataque alemão correu o risco de parar. Guderian pediu ao alto-comando que enviasse imediatamente reforços para dar um novo impulso ao ataque. No dia 2 de setembro, o regimento de infantaria motorizada Grossdeutschland cruzou o Desna e se incorporou às suas forças. No dia seguinte, uma divisão da SS reforçou seu flanco direito. A Wehrmacht, porém, havia ficado já praticamente sem reservas; somente uma divisão de infantaria e duas de Panzer permaneciam à disposição do alto comando. As baixas sofridas pelos alemães desde o início da campanha eram, por sua vez, muito elevadas. Mais de 380.000 homens haviam caído sob o fogo soviético e as divisões Panzer estavam reduzidas quase a 50% de seus efetivos. A tenaz resistência dos russos frutificava amplamente.” pp. 16-17


(*)A ordem de ataque a Moscou, a diretiva Nº 35, foi expedida em 5 de setembro e colocada em prática em 26 de setembro, ou seja, um mês depois da data aconselhada pelos generais Halder e Guderian, o dia 20 de agosto.



fonte: Segunda Guerra Mundial . Fascículo 13. Editora Codex. 1966


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Japão honra a neutralidade assinada com a URSS



Enquanto Hitler esperava uma ação ofensiva japonesa contra a URSS no extremo oriente – como acontecera em 1905, na Guerra Russo-Japonesa e depois em 1939, quando os orientais foram derrotados pelas tropas de Jukov – para melhor esmagar os soviéticos entre duas tenazes – à oeste e à leste – os planos dos militaristas japoneses era de explorar as matérias-primas do sudeste asiático, com isso arriscando a entrar em conflito com os Estados Unidos, não com a URSS.

Vejamos as consequências do fato de os japoneses não atacarem a URSS.


“Matsuoka [Ministro do Exterior do Japão], a caminho de Berlim, deteve em Moscou em 24 de março [de 1941] e pregou a Stálin e Molotov que os comunistas espirituais do Japão se opunham inteiramente aos ideais individualistas dos povos anglo-saxões. Stálin não quis ficar atrás em baboseiras orientais; respondeu que a União Soviética jamais tivera boas relações com a Grã-Bretanha e 'jamais teria'. As sondagens dos japoneses visando a assinatura de um pacto de não-agressão com os soviéticos foram menos felizes nessa conjuntura.” (cap. 4)


“Com racional encorajamento soviético e irracional encorajamento nazista, os japoneses encontravam-se livres para atacar os Estados Unidos, levando mais uma grande potência para a guerra contra a Alemanha. Por outro lado, apesar de toda a pressão americana subsequente em contrário, a União Soviética ia conseguir concentrar-se sozinha nos alemães. Com toda a certeza os russos evitaram a derrota na Segunda Guerra Mundial porque, por motivos particulares, os japoneses honraram o pacto estabelecido com eles.” (cap. 4)


“Em sua decisão de atacar os Estados Unidos em vez da Rússia, como observou Churchill, 'o Japão certamente perdeu a melhor oportunidade – pelo que valia – de realizar seus sonhos.' Chuva de Vento Leste – o plano japonês fundamental para a guerra contra os EUA – substituiu Chuva de Vento Norte – o plano japonês de guerra contra a Rússia; e em seu devido tempo, o erro fundamental do Eixo na Segunda Guerra, personificado em Chuva de Vento Leste, poria em ação Arco-Íris nº 5, o plano de guerra básico dos norte-americanos para intervir decisivamente na Europa sem pensar no que os japoneses poderiam fazer dali em diante.” (cap. 6)





fonte: HIGGINS, Trumbull. Hitler e a Rússia – O Terceiro Reich numa Guerra de Duas Frentes 1937/1943. trad. Leonidas Gontijo de Carvalho. São Paulo: Ibrasa, 1969.



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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A Carta do Atlântico - Churchill e Roosevelt



A Carta do Atlântico


“Em agosto de 1941, ocorreu um fato altamente dramático. O Presidente Roosevelt e Winston Churchill encontraram-se na Baía de Argentia ao largo da costa de Terra-Nova e ali redigiram o notável documento conhecido como a Carta do Atlântico. Em toda guerra, juntamente com problemas seriamente práticos que suscitam, um esforço, provavelmente um esforço necessário e inevitável, é feito para afirmar seu propósito em termos ideais e amplamente persuasivos. Há sempre perigo nessa atitude, pois é fácil suscitar falsas expectativas e sonhos grandiosos para o futuro. De outro lado, o instinto de dar a um grande esforço nacional o caráter de uma cruzada pela justiça e pela paz é, talvez, típico dos povos anglo-saxônicos. E pode-se dizer que é melhor fixar um alto padrão a ser atingido, mesmo se falhar, do que nunca fixar nenhum. De qualquer modo, foi isso que a Carta do Atlântico, redigida por dois grandes líderes, pretendeu fazer. Foi cuidadosamente redigida: não era propriamente um programa no sentido literal da palavra. Mas falava da libertação de povos oprimidos, de comércio mais livre, de colaboração econômica, de uma paz em que os homens pudessem 'viver em segurança e atravessar os mares e os oceanos sem constrangimentos', da redução eventual dos armamentos. Uma vez que os Estados Unidos não estavam ainda em guerra, foi um ato de notável audácia da parte do Presidente associar-se assim ao Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha. Roosevelt indubitavelmente pareceu sublinhar a identidade de ideais e de objetivos entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

[...]

Um mês depois o Presidente foi mais adiante. Pediu autorização para armar os navios mercantes dos Estados Unidos e sugeriu que o tempo poderia ter chegado para a abolição da restrição segundo a qual os navios americanos, desde 1939, tinham sido proibidos de entrar em certas zonas específicas de guerra. Insistiu em que seria cada vez mais necessário 'entregar mercadorias americanas sob a bandeira americana', 'Digo-vos (ao Congresso) solenemente', declarava ele, 'que se os planos militares de Hitler alcançarem sucesso, nós, americanos, seremos obrigados a lutar em defesa de nossos próprios lares e de nossa própria liberdade numa guerra tão custosa e tão devastadora como a que ora se trava na frente russa. Hitler fez um desafio que nós, americanos, não podemos e não queremos tolerar.' Seria difícil encontrar um paralelo de uma linguagem tão belicosa da parte de um chefe de estado de uma nação que não estivesse ainda em guerra.”
pp. 120-121 (grifos meus)


fonte: PERKINS, Dexter. A Época de Roosevelt. 1932-1945. Rio de Janeiro: Cruzeiro, 1967. Trad. Edilson Alkimim Cunha

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Churchill entre Roosevelt e Stálin


“A frase chave desta carta [de Churchill para Stalin] era: ‘ainda podemos tomar algumas providências para a campanha de 1942; na realidade, elas se achavam ao alcance da mão. Tudo começou a parir daquele dia no começo de agosto [de 1941]  quando Churchill encontrou-se com Roosevelt pela primeira vez, navegando para a baía de Placentia, na Terra Nova, a bordo do Prince of Wales, o mais moderno encouraçado inglês. O resultado mais fecundo deste encontro não foi a Carta do Atlântico, um documento respeitável e cheio de boas intenções, mas que não teve nenhum impacto visível na conduta da guerra. Não foi o debate sobre o Extremo Oriente, embora Churchill haja revelado ao Gabinete a sua confiança na disposição de Roosevelt em advertir os japoneses de que ‘qualquer nova usurpação que o Japão praticasse no sudoeste do Pacífico criaria uma situação que forçaria o governo dos Estados Unidos a adotar represálias, mesmo que estas pudessem provocar uma guerra entre os dois países’; ao regressar a Washington o Presidente cedeu diante de Cordell Hull, que considerou o texto como ‘perigosamente forte’. Assim, eliminou-se a palavra ‘guerra’ e tudo o que os japoneses receberam foi uma menção delicada à ‘salvaguarda dos interesses e direitos legítimos dos Estados Unidos e dos americanos.

Além da renovação da confiança entre os dois líderes e do estímulo que Churchill hauriu do simples fato de ter havido um encontro, os subprodutos da conferência foram específicos e definidos. Um, por exemplo, foi a ajuda direta na Batalha do Atlântico – artifício através do qual se permitia que qualquer número de navios mercantes ingleses desfrutassem da segurança do comboio, desde que os navios de guerra dos Estados Unidos estivessem escoltando pelo menos um navio americano. Todavia, a decisão mais importante encontrava-se em um telegrama conjunto, enviado a Stalin no dia 12 de agosto:

‘As necessidades do seu e dos nossos exércitos só podem ser determinadas à luz do conhecimento completo dos diversos fatores que devem ser levados em consideração nas conjeturas que fizemos. A fim de que todos nós possamos ficar em condições de chegar a decisões rápidas a respeito da distribuição dos nossos recursos comuns, sugerimos que se prepare uma reunião, a ser realizada em Moscou, para a qual enviaremos representantes de alto nível, a fim de discutirem os assuntos diretamente com o senhor. Se esta reunião lhe convier, queremos informar-lhe que, independentemente das decisões tomadas nela, continuaremos a enviar suprimentos e material o mais rapidamente possível.’

Esta proposta e esta promessa, comunicadas a Stalin pelos dois chefes de Estado antes mesmo da conclusão de um encontro simbólico, confirmavam e ampliavam os diversos gestos de boa vontade e boas intenções que recebera de ambos os lados do Atlântico desde o dia de Barba-Roxa [ 22 de junho 1941]. Para os ingleses e os americanos elas impunham, de imediato, a necessidade de examinar exatamente o que poderia ser enviado para a Rússia e como; para s ingleses em particular, proporcionavam a experiência amarga de visualizar, na medida em que se especificava cada categoria de material. Precisamente o que a Rússia obteria do ‘arsenal da democracia’ americano, com prejuízo da Grã-Bretanha.”

pp. 108-109 (itálicos meus)


fonte: LEWIN, Ronald. “Churchill – O Lord da Guerra” [Churchill as Warlord]
Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979 (trad. Cel. Álvaro Galvão)


seleção: Leonardo de Magalhaens


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