sábado, 3 de setembro de 2011

mais discursos de Thomas Mann



Thomas Mann

“Ouvintes Alemães”

Discursos contra Hitler (1940-1945)

trad. Antonio Carlos dos Santos e Renato Zwick




Agosto de 1941


Ouvintes alemães!

Há uma polêmica no mundo sobre se é realmente possível diferenciar o povo alemão das forças que hoje o dominam e sobre se a Alemanha é mesmo capaz de se integrar de forma honesta a uma ordem das nações nova e socialmente desenvolvida, baseada na paz e na justiça, ordem que deverá resultar dessa guerra. Se me perguntassem, eu responderia assim:


Admito que isso que se chama de nacional-socialismo tem raízes profundas na vida alemã. É a forma virulenta de degeneração de ideias que sempre trouxeram em si o germe da corrupção assassina, ideias de modo algum alheias à boa e velha Alemanha da cultura e da formação. Aí elas viviam nobremente, chamava-se 'romantismo' e deixaram o mundo fascinado. Pode-se muito bem dizer que elas decaíram, que estavam destinada a decair, visto que foram desembocar num Hitler. Somadas à incrível adaptação da Alemanha à idade da técnica, elas formam hoje uma mistura explosiva que ameaça toda a civilização. Sim, a história do nacionalismo e do racismo alemão que resultou no nacional-socialismo é longa e terrível; ela vem de longe, é interessante no início e se torna cada vez mais vulgar e abominável. Mas confundir essa história com a própria história do espírito alemão e amalgamá-las numa só é pessimismo crasso e seria um erro perigoso para a paz. Sou, e assim respondo aos estrangeiros,otimista e patriota o suficiente para acreditar que a Alemanha que eles amam, a Alemanha de Dürer e Bach e Goethe e Beethoven, terá um longo fôlego histórico. A outra vai perder o fôlego – logo, logo: não se deve confundir seu bufar atual com um fôlego poderoso. Ela já se esgotou ou está em vias de esgotar, justamente no 'Terceiro Reich', que, como desnudamento de uma ideia através de sua concretização, representa algo intransponível e totalmente fatal. Exatamente nisso repousa toda a esperança. […]”

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Transmissão especial
Agosto de 1941


Ouvintes alemães!

O maior bem moral que se pode fazer ao povo alemão é contá-lo entre os povos oprimidos. Pois qual será o veredicto sobre a Alemanha e que esperanças se pode ter quanto ao seu futuro se os crimes praticados sob seu atual regime forem cometidos com livre-arbítrio e com a consciência clara? Vocês que escutam a voz da liberdade, uma voz que vem de fora, evidentemente se sentem membros de um povo oprimido, e o simples fato de ouvirem já é um ato de resistência espiritual contra o terror de Hitler e a sabotagem espiritual representada pela aventura sangrenta e interminável em que ele os lançou. Na Rússia, os jovens alemães sangram até a morte, aos milhões, seus déspotas admitem que essa única campanha vai adentrar o inverno e, enquanto isso, crescem as forças quase inesgotáveis do exército oponente em um mundo que queria paz, que só pensava em paz, e que no princípio esteve quase indefeso diante da máquina de guerra alemã construída ao longo de sete anos. É de se temer o que acontecerá com a Alemanha se a guerra prosseguir por mais um ano, dois anos – e ela vai continuar, pois nem sequer vocês mesmo ainda acreditam que vão derrotar a maioria da humanidade, maioria que se opõe aos planos de Hitler. Alemães, não deixem as coisas chegarem ao extremo! Vocês mesmos deveriam se livrar do governo infame, governo que os degrada indizivelmente e em cujas mãos vocês caíram por conta de um destino sombrio; vocês deveriam provar aquilo que o mundo ainda se esforça para acreditar, que o nacional-socialismo e a Alemanha não são uma e a mesma coisa. Se vocês seguirem Hitler por toda parte até o fim, então crescerá um afã de vingança que encherá de pavor todos aqueles que simpatizam com a Alemanha. Vejam como os povos oprimidos da Europa se armam contra o mesmo inimigo que também oprime vocês. Vocês querem ser inferiores a eles, ter menos caráter, ser mais covardes que eles? Pensem que a ferramenta para a escravização do mundo é obra de suas mãos e que Hitler não pode levar adiante sua guerra sem a ajuda de vocês. Neguem a ajuda de suas mãos, não contribuam! Fará uma enorme diferença para o futuro se forem vocês mesmos, alemães, a eliminar o homem do terror, esse Hitler, ou se isso acontecer por força externa. Só se vocês mesmos se libertarem terão direito a participar da ordem mundial justa e livre que está por vir.


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Setembro de 1941


Ouvintes alemães!

Em sua magnífica História da Guerra dos Trinta Anos, Schiller conta como os inimigos do cavaleiro Gustav Adolf espalharam propositalmente terríveis boatos sobre seu modo cruel de guerrear, boatos que não podiam ser refutados inteiramente nem pelos exemplos brilhantes de humanidade que o rei dava. “temia-se”, diz Schiller “que os outros nos fizessem o que sabíamos que faríamos em caso semelhante.” não é essa a exata definição do motivo pelo qual o povo alemão acredita ter de lutar até o mais extremo nesta guerra ilimitada e impossível de ser vencida, suportar infindáveis sofrimentos e ter de seguir seus líderes desesperados sempre mais além, até sabe Deus que fim? O povo alemão teme, caso abandone seus líderes, ter de sofrer isso que ele sabe que os nazistas, em caso de vitória, vão impingir aos outros: aniquilação. A propaganda de Goebbels grita isso todos os dias em seus ouvidos: vocês têm de vencer ou serão aniquilados. Vocês podem escolher apenas entre a vitória total ou a queda.


Mas primeiro, alemães, vocês deveriam pensar que uma liderança que leva seu povo até a beira do abismo de semelhante alternativa – subjugar o mundo ou morrer – é uma liderança  de aventureiros infames. E, segundo, deveriam pensar que a concepção da aniquilação dos povos e do extermínio das raças é uma ideia nazista – ela não é natural nas cabeças das democracias. O que será e tem de ser aniquilado para proteger a humanidade da escravidão mais repugnante que já violentou a face da Terra é o regime nazista, ou seja, Hitler e seus cúmplices, mas não o povo alemão. É pura loucura esperar que a Inglaterra, que em meio à guerra realiza talvez a mais significativa revolução social de sua história, e os Estados Unidos de Franklin Roosevelt cultivem intenções de aniquilamento de qualquer espécie contra o povo alemão, seja aniquilamento econômico, político ou diretamente físico. Essas nações e seus homens de Estado sabem que o mundo se encontra em uma crise que é usada por Hitler para uma campanha de conquista e escravização, crise que, na verdade, deve conduzir a humanidade a um patamar mais alto de maturidade e emancipação social. Eles não desejam nada além de ganhar a Alemanha, que é indispensável para uma ordem dos povos realizada na liberdade, para essa nova ordem nascida do espírito de uma democracia rejuvenescida. Além disso, o significado principal do encontro do Atlântico entre Churchill e Roosevelt repousa no fato de os Estados unidos assumirem uma corresponsabilidade na paz por vir – e quem pode acreditar que uma paz assinada em Washington terá a mais remota semelhança, sob qualquer aspecto, com uma paz ditada pelos nazistas? [...]”


(grifos meus)



Thomas Mann

“Ouvintes Alemães”

Discursos contra Hitler (1940-1945) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2009

trad. Antonio Carlos dos Santos e Renato Zwick



(Entre 1940 e 1945, a convite da rádio BBC, Thomas Mann dirigiu-se do exílio a seus conterrâneos alemães em breves discursos sobre a guerra. Mês após mês o escritor procurou transmitir-lhes confiança, comentou a realidade da guerra e conclamou-os a reverter a situação que haviam permitido e a se engajar na luta contra Hitler.)


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para ouvir
(discurso de novembro/ 1941, etc)



LdeM

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Batalha de Kiev - 1941




A Batalha de Kiev

23 agosto – 26 setembro 1941


“Entre os dias 7 e 9 de setembro, o General Halder, chefe do Estado-maior, elaborou, juntamente com o Marechal von Rundstedt, o plano da batalha de aniquilamento em torno de Kiev. O 2o Grupamento Panzer de Guderian, devia prosseguir velozmente seu avanço em direção ao sul, até a localidade de Romny, situada a leste de Kiev, e a li se uniria às forças o 1o Grupamento Panzer de von Kleist, que avançaria do sul. A conquista de Kiev e a destruição das forças ali concentradas seria realizada pelos 6o exército de von Reichenau e 2o de von Weichs. As unidades soviéticas que tentassem escapar iriam chocar-se contra a barreira formada pelos tanques de Guderian e Kleist, em Romny.


Em 9 de setembro, os blindados de Guderian arremeteram para o sul e, apoiados pelos Stukas, conseguiram abrir caminho através da furiosa resistência soviética. Com profunda preocupação, Guderian comprovou que suas tropas começavam já a perder o ímpeto combativo. A dura e prolongada luta fazia com que surtissem seus efeitos nos blindados extenuados. Além disso, o abastecimento de munições e combustíveis se tornava cada vez mais difícil.


Continuou, porém, o avanço para Romny. A Divisão Panzer III, capitaneada pelo General Model, convergiu sobre aquela cidade, envolvendo as unidades russas que encontrou em seu caminho. O braço norte da pinça fechou-se, assim, nas costas das forças russas que combatiam em Kiev. Apesar da mortal ameaça que pesava sobre seus exércitos, o Marechal Budienny não ordenou a retirada e, ao contrário, continuou mobilizando reforços para o interior do gigantesco bolsão. Guderian decidiu acelerar a manobra e foi até o posto de comando da divisão Panzer III, para incitar suas tropas a redobrar os esforços.


No dia 10 de setembro, os tanques da vanguarda da divisão Panzer irromperam inesperadamente através das poderosas fortificações que cobriam o acesso a Romny e penetraram na cidade. O objetivo tinha sido alcançado. Guderian se dirigiu imediatamente a Romny e felicitou os oficiais e soldados que haviam participado da ação. Na metade da reunião, uma esquadrilha de aviões russos atacou com bombas e metralhadoras o grupo e obrigou Guderian e seus camaradas a procurar proteção no terreno lamacento.


As unidades de von Kleist conseguiram, finalmente, abrir caminho para o norte, em 13 de setembro. O outro braço na pinça fechou-se nas costas de Kiev. Nesse momento, o alto comando russo compreendeu finalmente o perigo mortal que suas forças corriam. Apinhando-se nas estradas, milhares de soldados russos empreenderam aceleradamente a retirada para o leste, com o fim de escapar da armadilha. Mas já era tarde demais. Os tanques de Kleist aniquilaram as forças que obstruíam sua avançada e, no dia 15 de setembro, estabeleceram contato com as forças de Guderian.” pp. 17-18


A cidade de Kiev foi ocupada em 19 de setembro e a batalha finda em 26 do mesmo mês.


“A propaganda alemã anunciou a vitória como a “batalha de aniquilamento mais gigantesca de todos os tempo”. Mais de 600.000 soldados russos caíram prisioneiros. Quatro exércitos soviéticos tinham sido aniquilados e os alemães conseguiram romper a frente numa extensão de 300 km.

Enquanto se desenrolavam as duras lutas de Kiev, Hitler tinha resolvido retomar o plano original de Halder e realizar o ataque contra Moscou. Numa reunião onde esteve com aquele chefe, no dia 5 de setembro, disse-lhe que, uma vez terminada as operações no sul, todas as forças Panzer seriam mobilizadas novamente para o centro, com a finalidade de lançar se demora o a ataque contra a capital. No dia 6, o Führer emitiu sua ordem n° 35 para a condução da guerra, segundo a qual estava formalmente ordenando o avanço sobre Moscou.

A Wehrmacht, enfraquecida pela luta ininterrupta (até 26 de setembro o exército alemão tinha perdido 500.000 homens), dispôs-se, assim, a desencadear a ofensiva que iria decidir a campanha contra a URSS. Restava, porém, uma grande ameaça incógnita. Na batalha de Kiev tinham-se perdido os últimos meses de bom tempo. Poderia o Grupo de Exércitos Centro alcançar a vitória antes da chegada do inverno?” p. 20



fonte: Segunda Guerra Mundial . Fascículo 13. Editora Codex. 1966






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Batalha de Kiev




seleção: LdeM


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domingo, 14 de agosto de 2011

Batalha de Smolensk - Neutralidade Japão e URSS




Operação Barbarossa

julho / agosto 1941



Batalha de Smolensk

(10 julho – 05 agosto 1941)



“No dia 10 de julho de 1941, Stálin assumiu pessoalmente a chefia suprema dos exércitos soviéticos e, ao mesmo tempo, criou três comandos encarregados do comando da guerra nas três grandes frentes ameaçadas pela invasão alemã. O Marechal Voroshilov foi designado chefe das tropas que combatiam no norte, sobre a costa báltica e Leningrado; o Marechal Timoshenko assumiu o comando dos exércitos encarregados da defesa de Moscou, e o veterano Marechal Budienny passou a exercer o comando das tropas localizadas ao sul, na região da Ucrânia.


Nesse mesmo dia, as tropas de assalto do grupamento Panzer IV, do General Guderian, iniciaram o cruzamento do rio Dnieper, ao sul da cidade de Smolensk. Ao norte, as colunas de tanques do grupamento Panzer III, capitaneadas pelo General Hoth, redobraram seus ataques e avançaram em direção a Smolensk, com o fim de cercar pela retaguarda as unidades russas que combatiam contra as forças de Guderian.

[…]

No dia 13 de julho, a 29a Divisão Motorizada, comandada pelo General von Boltenstern, penetrou profundamente através das posições russas e, enfrentando duros combates, aproximou-se a poucos quilômetros de Smolensk. Pela primeira vez desde o início da campanha, as tropas alemães viram-se diante de uma crítica falta de munições. As bases de abastecimento se achavam agora a 500 km, à retaguarda, e o serviço de abastecimento, tendo que enfrentar inúmeras dificuldades, já não podia cumprir adequadamente sua missão.

Avançando do Norte, o grupamento Panzer III cortou, no dia 15, a estrada principal para Moscou e conseguiu, desta maneira, cercar, sobre as margens do Dniéper, mais de 300.000 soldados soviéticos. Ao sul, as unidades de Guderian continuaram pressionando em direção a Smolensk e, em 16 de julho, as tropas de assalto da 29a Divisão Motorizada penetraram na cidade. A armadilha estava fechada.” pp. 1-2


Em 19 de julho, com a Instrução Nº 33, de Hitler, para reorganizar as tropas para as ofensivas ao norte (Leningrado) e ao sul (Kiev), o eixo central do avanço deixa de ser aquele rumo a capital Moscou. É quando os generais da Wehrmacht discordam do Führer: eles preferem a ofensiva concentrada contra Moscou, “no máximo até 20 de agosto”.


No dia 11 de agosto, Halder registrou em seu diário:

“... subestimamos a força do colosso russo, não só no campo econômico e do transporte, mas também, e principalmente, na esfera militar. De início, contamos enfrentar 200 divisões inimigas e já identificamos 360. Quando destruímos uma dezena dessas divisões, os russos lançam uma outra dezena.”


Em 18 de agosto, o general Brauchitsch apresenta argumentos para a conquista de Moscou, mas no dia 21 de agosto, Hitler rejeita o plano de Halder e Brauchitsch. De nada adianta a presença do general Guderian, em 23 de agosto na Cova do Lobo, onde faz um relato a partir dos informes da frente de batalha e insiste em argumentos a favor de um avanço concentrado para a capital russa Moscou. 


Hitler recusa o ataque e novamente alega razões econômicas – o trigo e o petróleo da Ucrânia – para desviar a ofensiva para Kiev, ao sul.


“No dia 5 de agosto, o Grupo de Exército Centro aniquilou as forças russas cercadas em torno de Smolensk. Três exércitos russos foram destruídos, caíram em mãos dos alemães cerca de 300.000 prisioneiros, 3.000 canhões e 300 tanques. Apesar de sofrer estas terríveis perdas; as unidades do General Timoshenko continuaram oferecendo uma resistência encarniçada às colunas de von Bock e lançaram repetidos contra-ataques contra sua frente e seus flancos.

[…]

Kiev ficou incrustada como uma profunda cunha nas linhas alemães. Poderosamente reforçada pelos russos, converteu-se numa grave ameaça para os flancos dos Grupos de Exércitos Centro e Sul. O marechal Rundstedt propôs, então, eliminar essa cunha mediante uma gigantesca manobra de pinças, lançando forças blindadas do norte e do sul.


Em sua ordem do dia 21 de agosto, na qual recusava a proposta de Halder para atacar Moscou, Hitler ordenou que se realizasse o aniquilamento das forças soviéticas entrincheiradas em torno de Kiev. A operação contra Moscou ficou por isto, definitivamente suspensa. (*) Sem saber, nesse dia, Hitler tomou a decisão que levou a Wehrmacht  à derrota.” pp. 11-14


“Diante da obstinada resistência dos soviéticos, o ataque alemão correu o risco de parar. Guderian pediu ao alto-comando que enviasse imediatamente reforços para dar um novo impulso ao ataque. No dia 2 de setembro, o regimento de infantaria motorizada Grossdeutschland cruzou o Desna e se incorporou às suas forças. No dia seguinte, uma divisão da SS reforçou seu flanco direito. A Wehrmacht, porém, havia ficado já praticamente sem reservas; somente uma divisão de infantaria e duas de Panzer permaneciam à disposição do alto comando. As baixas sofridas pelos alemães desde o início da campanha eram, por sua vez, muito elevadas. Mais de 380.000 homens haviam caído sob o fogo soviético e as divisões Panzer estavam reduzidas quase a 50% de seus efetivos. A tenaz resistência dos russos frutificava amplamente.” pp. 16-17


(*)A ordem de ataque a Moscou, a diretiva Nº 35, foi expedida em 5 de setembro e colocada em prática em 26 de setembro, ou seja, um mês depois da data aconselhada pelos generais Halder e Guderian, o dia 20 de agosto.



fonte: Segunda Guerra Mundial . Fascículo 13. Editora Codex. 1966


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Japão honra a neutralidade assinada com a URSS



Enquanto Hitler esperava uma ação ofensiva japonesa contra a URSS no extremo oriente – como acontecera em 1905, na Guerra Russo-Japonesa e depois em 1939, quando os orientais foram derrotados pelas tropas de Jukov – para melhor esmagar os soviéticos entre duas tenazes – à oeste e à leste – os planos dos militaristas japoneses era de explorar as matérias-primas do sudeste asiático, com isso arriscando a entrar em conflito com os Estados Unidos, não com a URSS.

Vejamos as consequências do fato de os japoneses não atacarem a URSS.


“Matsuoka [Ministro do Exterior do Japão], a caminho de Berlim, deteve em Moscou em 24 de março [de 1941] e pregou a Stálin e Molotov que os comunistas espirituais do Japão se opunham inteiramente aos ideais individualistas dos povos anglo-saxões. Stálin não quis ficar atrás em baboseiras orientais; respondeu que a União Soviética jamais tivera boas relações com a Grã-Bretanha e 'jamais teria'. As sondagens dos japoneses visando a assinatura de um pacto de não-agressão com os soviéticos foram menos felizes nessa conjuntura.” (cap. 4)


“Com racional encorajamento soviético e irracional encorajamento nazista, os japoneses encontravam-se livres para atacar os Estados Unidos, levando mais uma grande potência para a guerra contra a Alemanha. Por outro lado, apesar de toda a pressão americana subsequente em contrário, a União Soviética ia conseguir concentrar-se sozinha nos alemães. Com toda a certeza os russos evitaram a derrota na Segunda Guerra Mundial porque, por motivos particulares, os japoneses honraram o pacto estabelecido com eles.” (cap. 4)


“Em sua decisão de atacar os Estados Unidos em vez da Rússia, como observou Churchill, 'o Japão certamente perdeu a melhor oportunidade – pelo que valia – de realizar seus sonhos.' Chuva de Vento Leste – o plano japonês fundamental para a guerra contra os EUA – substituiu Chuva de Vento Norte – o plano japonês de guerra contra a Rússia; e em seu devido tempo, o erro fundamental do Eixo na Segunda Guerra, personificado em Chuva de Vento Leste, poria em ação Arco-Íris nº 5, o plano de guerra básico dos norte-americanos para intervir decisivamente na Europa sem pensar no que os japoneses poderiam fazer dali em diante.” (cap. 6)





fonte: HIGGINS, Trumbull. Hitler e a Rússia – O Terceiro Reich numa Guerra de Duas Frentes 1937/1943. trad. Leonidas Gontijo de Carvalho. São Paulo: Ibrasa, 1969.



Mais sobre o Pacto de Neutralidade Soviético-Nipônico





LdeM

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A Carta do Atlântico - Churchill e Roosevelt



A Carta do Atlântico


“Em agosto de 1941, ocorreu um fato altamente dramático. O Presidente Roosevelt e Winston Churchill encontraram-se na Baía de Argentia ao largo da costa de Terra-Nova e ali redigiram o notável documento conhecido como a Carta do Atlântico. Em toda guerra, juntamente com problemas seriamente práticos que suscitam, um esforço, provavelmente um esforço necessário e inevitável, é feito para afirmar seu propósito em termos ideais e amplamente persuasivos. Há sempre perigo nessa atitude, pois é fácil suscitar falsas expectativas e sonhos grandiosos para o futuro. De outro lado, o instinto de dar a um grande esforço nacional o caráter de uma cruzada pela justiça e pela paz é, talvez, típico dos povos anglo-saxônicos. E pode-se dizer que é melhor fixar um alto padrão a ser atingido, mesmo se falhar, do que nunca fixar nenhum. De qualquer modo, foi isso que a Carta do Atlântico, redigida por dois grandes líderes, pretendeu fazer. Foi cuidadosamente redigida: não era propriamente um programa no sentido literal da palavra. Mas falava da libertação de povos oprimidos, de comércio mais livre, de colaboração econômica, de uma paz em que os homens pudessem 'viver em segurança e atravessar os mares e os oceanos sem constrangimentos', da redução eventual dos armamentos. Uma vez que os Estados Unidos não estavam ainda em guerra, foi um ato de notável audácia da parte do Presidente associar-se assim ao Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha. Roosevelt indubitavelmente pareceu sublinhar a identidade de ideais e de objetivos entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

[...]

Um mês depois o Presidente foi mais adiante. Pediu autorização para armar os navios mercantes dos Estados Unidos e sugeriu que o tempo poderia ter chegado para a abolição da restrição segundo a qual os navios americanos, desde 1939, tinham sido proibidos de entrar em certas zonas específicas de guerra. Insistiu em que seria cada vez mais necessário 'entregar mercadorias americanas sob a bandeira americana', 'Digo-vos (ao Congresso) solenemente', declarava ele, 'que se os planos militares de Hitler alcançarem sucesso, nós, americanos, seremos obrigados a lutar em defesa de nossos próprios lares e de nossa própria liberdade numa guerra tão custosa e tão devastadora como a que ora se trava na frente russa. Hitler fez um desafio que nós, americanos, não podemos e não queremos tolerar.' Seria difícil encontrar um paralelo de uma linguagem tão belicosa da parte de um chefe de estado de uma nação que não estivesse ainda em guerra.”
pp. 120-121 (grifos meus)


fonte: PERKINS, Dexter. A Época de Roosevelt. 1932-1945. Rio de Janeiro: Cruzeiro, 1967. Trad. Edilson Alkimim Cunha

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Churchill entre Roosevelt e Stálin


“A frase chave desta carta [de Churchill para Stalin] era: ‘ainda podemos tomar algumas providências para a campanha de 1942’; na realidade, elas se achavam ao alcance da mão. Tudo começou a parir daquele dia no começo de agosto [de 1941]  quando Churchill encontrou-se com Roosevelt pela primeira vez, navegando para a baía de Placentia, na Terra Nova, a bordo do Prince of Wales, o mais moderno encouraçado inglês. O resultado mais fecundo deste encontro não foi a Carta do Atlântico, um documento respeitável e cheio de boas intenções, mas que não teve nenhum impacto visível na conduta da guerra. Não foi o debate sobre o Extremo Oriente, embora Churchill haja revelado ao Gabinete a sua confiança na disposição de Roosevelt em advertir os japoneses de que ‘qualquer nova usurpação que o Japão praticasse no sudoeste do Pacífico criaria uma situação que forçaria o governo dos Estados Unidos a adotar represálias, mesmo que estas pudessem provocar uma guerra entre os dois países’; ao regressar a Washington o Presidente cedeu diante de Cordell Hull, que considerou o texto como ‘perigosamente forte’. Assim, eliminou-se a palavra ‘guerra’ e tudo o que os japoneses receberam foi uma menção delicada à ‘salvaguarda dos interesses e direitos legítimos dos Estados Unidos e dos americanos.’

Além da renovação da confiança entre os dois líderes e do estímulo que Churchill hauriu do simples fato de ter havido um encontro, os subprodutos da conferência foram específicos e definidos. Um, por exemplo, foi a ajuda direta na Batalha do Atlântico – artifício através do qual se permitia que qualquer número de navios mercantes ingleses desfrutassem da segurança do comboio, desde que os navios de guerra dos Estados Unidos estivessem escoltando pelo menos um navio americano. Todavia, a decisão mais importante encontrava-se em um telegrama conjunto, enviado a Stalin no dia 12 de agosto:

‘As necessidades do seu e dos nossos exércitos só podem ser determinadas à luz do conhecimento completo dos diversos fatores que devem ser levados em consideração nas conjeturas que fizemos. A fim de que todos nós possamos ficar em condições de chegar a decisões rápidas a respeito da distribuição dos nossos recursos comuns, sugerimos que se prepare uma reunião, a ser realizada em Moscou, para a qual enviaremos representantes de alto nível, a fim de discutirem os assuntos diretamente com o senhor. Se esta reunião lhe convier, queremos informar-lhe que, independentemente das decisões tomadas nela, continuaremos a enviar suprimentos e material o mais rapidamente possível.’

Esta proposta e esta promessa, comunicadas a Stalin pelos dois chefes de Estado antes mesmo da conclusão de um encontro simbólico, confirmavam e ampliavam os diversos gestos de boa vontade e boas intenções que recebera de ambos os lados do Atlântico desde o dia de Barba-Roxa [ 22 de junho 1941]. Para os ingleses e os americanos elas impunham, de imediato, a necessidade de examinar exatamente o que poderia ser enviado para a Rússia e como; para s ingleses em particular, proporcionavam a experiência amarga de visualizar, na medida em que se especificava cada categoria de material. Precisamente o que a Rússia obteria do ‘arsenal da democracia’ americano, com prejuízo da Grã-Bretanha.”

pp. 108-109 (itálicos meus)


fonte: LEWIN, Ronald. “Churchill – O Lord da Guerra” [Churchill as Warlord]
Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979 (trad. Cel. Álvaro Galvão)


seleção: Leonardo de Magalhaens


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mais sobre a Carta do Atlântico


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LdeM

domingo, 24 de julho de 2011

As Etapas do Holocausto / Shoah / Solução Final



Endlösung der Judenfrage

Final Solution

ou Holocaust

ou Shoah


As Etapas do Holocausto


1/ Recenseamento (desde 1933/34)

2/ Segregação (na Alemanha)
após as Leis de Nuremberg (1935)

3/ Segregação na Europa (1939-42)

4/ Trabalhos forçados

Eliminação (Einsatgruppen SS)

Solução Final (pós-1942)
Conferência de Wannsee
(os Carrascos Voluntários)

1942: Ápice do Eixo
antes das Derrotas em El Alamein e Stalingrad

5/Tentativa de eliminação de vestígios
(principalmente no Leste)
(desenterrar e incinerar)




O que foi o Holocausto ou Shoah?


documentário BBC

outros


Shoah o filme
(diretor: Claude Lanzmann)

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O Recenseamento


O recenseamento possibilita - além de contagem da população – um controle, uma supervisão, tudo atraveś de uma instrumentalização de estatísticas demográficas.

Os dados devidamente classificados possibilitam uma política de exclusão social, econômica e geográfica. Primeiro os judeus perdem os empregos, o acesso ao consumo (lojas não negociam mais com judeus, ou 'judeus não são bem-vindos'), depois são segregados em certos bairros das cidades – formam-se os guettos.

O governo nazista sistematiza o 'monitoramento' dos cidadãos, e a IBM (Internacional Business Machine, através da 'filial' Dehomag, Deutsche Hollerith Maschinen Gesellschaft) fornece os serviços de catalogação, fichamento, computação e estatística. Ou seja, o que chamamos de 'processamento de dados'. Tudo através das máquinas tabuladoras 'alimentadas' com os cartões perfurados (os 'hollerith').

A IBM que crescera ao longo do governo de Roosevelt, que se notabilizou por uma crescente burocratização, com intervenção estatal na economia (ver 'New Deal'), com fartura de formulários, relatórios, etc. O importante era catalogar, classificar, quantificar, identificar. Então eis o serviço da IBM.

Na Alemanha, o recenseamento começou em abril de 1933, primeiramente no leste (na Prússia), onde o Censo recolhia informações tais como nome, idade, descendência, escolaridade, profissão, religião, etc.

Além do serviço de Censo, a Dehomag cuidava de outras informações vitais para o centralismo alemão da época: horário dos trens, peças para armamentos e aviões, etc.

Enquanto o III Reich se preocupava com a 'higiene racial' e almejava a segregação (e posterior eliminação, a 'ethnic cleasing' da Endlösung) a IBM atuava com o processamento de informação na política demográfica, através do serviço de estatística.

“A identificação dos judeus foi apenas o primeiro passo da trajetória de destruição anti-semita na Alemanha.” (p. 49, c. 2)

e mais,

“Mas só seria possível extinguir a vida judaica se os nazistas primeiro conseguissem identificar os judeus. Quais dos 60 milhões de cidadãos alemãos eram judeus? E qual era extamente a definição de 'judeu'? Os judeus alemães estavam entre os mais assimilados de toda a Europa.” (p. 58, c. 3; grifo meu)

Os judeus viviam na Alemanha desde o século IV d.C., e numa processo de 'assimilação', ao integrarem o modo de vida europeu, a religião cristã, considerando mesmo europeu, ou alemão. Outros seguiam um 'Judaísmo Reformista', enquanto outros eram 'livre-pensadores' – jornalistas, filósofos, poetas, etc. Os ortodoxos eram aqueles judeus que mantinham a religiosidade judaica, recusando a 'assimilação'.

Na criação do II Reich (1871) houve mais liberdade (i.e., menos restrição) para os judeus assimilados, que ascenderam a vários cargos pequenos-burgueses (comércio, advocacia, vida acadêmica, etc)

O Censo se inicia com o recenseamento prussiano (segundo o capítulo 3, “Identificando os Judeus”),

“Em 16 de junho de 1933, meio milhão de recenseadores, recrutados nas fileiras dos imbuídos de 'mentalidade nacionalista', partiram para a jornada porta a porta em busca de informações. Quadros de milicianos nazistas [SA] e de oficiais das SS também se juntaram ao empreendimento, constituindo um verdadeiro exército censitário. Em algumas localidades, quando o recrutamento se mostrava insatisfatório, as pessoas eram arregimentadas à força. As entrevistas abrangiam perguntas diretas sobre a religião do chefe de família e se no caso o casamento era misto.

Basicamente, a quantidade de dados armazenados num cartão era função do número de orifícios e colunas. [...] Esses 600 orifícios nos cartões, distribuídos em infindáveis combinações, proporcionavam milhares de permutações demográficas. [...] Em breve, o Reich tinha condições de iniciar o processo de identificação – quem era ariano e quem era judeu.

As estatísticas demográficas haviam transposto a fronteira crucial entre ciência das massas anônimas e a investigação das características pessoais.”

p. 62

“Uma vez perfuradas [nos cartões hollerith], as colunas passavam a dispor de informações pessoais sobre os indivíduos: local de residência, comunidade, sexo, idade, religião, língua materna, quantidade de filhos, ocupação atual e segundo emprego, se existente.” p. 64

“Quando se descobriam judeus dentro da população, registrava-se o local de nascimento num 'cartão de contagem de judeus', com características especiais, processados à parte.” p. 64


Dehomag (Deutsche Hollerith Maschinen Gesellschaft)


“As preciosas informações da Dehomag agora ajudaram a impelir a nova e florescente parelha oficial de pseudociência e ódio racial. Na flata de estatísticas genuínas, higiene racial, política étnica e uma constelação de disciplinas anti-semitas correlatas eram até então nada mais do que conversa fiada. Agora, a capacidade de identificar os judeus pelo nome deflagaria toda uma tormenta trovejante de leis e regulamentos anti-semitas, restringindo a presença de judeus em todas as manifestações da vida acadêmica, profissional, comercial e governamental. [...]” (grifos meus)



ver as Leis de Nuremberg / 1935



A perseguição aos judeus – banimento da vida profissional e econômica – ocupava as páginas do New York Times nos anos de 1933-34 – logo, não havia 'inocência': quem era 'informado' (tinha acesso aos jornais) sabia das práticas racistas dos novos governantes alemães.

Tanto que várias comundidades judaicas realizaram manifestações de protesto em cidades americanas e capitais europeias. Havia uma tendência de boicote aos produtos alemães em New York – além de pressão sobre empresas que negociavam com alemães.

Mas os protestos antinazistas não desencorajaram o Sr. Watson da IBM. Por mais que os nazistas agora limitassem, e até proibissem, a saída de capitais – e lucros – das empresas multinacionais na Alemanha, pois as empresas estrangeiras também se ajustavam à 'coordenação total' [Gleichschaltung] dos nazistas – se submeter, se integrar, a estrutura organizacional do estatismo fascista – o Estado controla os negócios ( o anti-liberalismo do 'mercado livre', afinal o fascismo é um capitalismo antiliberal, do tipo 'corporativo').

Para as corporações importa ganhar dinheiro, ter lucros, “com verdadeiro 'darwinismo social', culto corporativo, chauvinismo dinástico e ganância egocêntrica” (p. 77), não importam os 'imperativos morais', mas se há Lucro. Assim se negociam vendas de armas, segredos de Estado, assim se é cúmplice com guerras civis, guerras mundiais e genocídios.

Watson tinha contatos no alto escalaão nazista, com o embaixador alemão nos EUA, além de 'livre entrada' no governo de Roosevelt, reeleito. E há uma correspondência entre Watson e Roosevelt sobre política. Watson foi convidado para cargo no governo [Secretário de Comércio], mas preferiu ficar na IBM.

A IBM tinha outras filiais importantes na Europa – em Paris e Genebra – para transferir lucros da Alemanha, ao mesmo tempo em que mantinha vigilância sobre os negócios da Dehomag.

[...]

fonte:

BLACK, Edwin, IBM e o Holocausto. (IBM and the Holocaust, 2001)
Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2001. trad. Afonso Celso da Cunha Serra


internet

fontes:

sobre a IBM


videos sobre IBM e Holocausto

material da TV Globo





Mais sobre estatísticas e segregação

Minha fonte é o livro “IBM e o Holocausto” (Edwin Black)
(pp. 100-101)


“A ideologia nazista definia judaísmo não em função da prática religiosa, mas pelo sangue. Até onde remontar? Os teóricos nazistas discutiam sobre o rastreamento das origens. Alguns limitavam-se aos avós. Outros sugeriam que se pesquisassem quatro gerações. Ainda outros se fixavam no ano de 1800, antes da emancipação dos judeus, ou seja, anterior à assimilação na sociedade alemã.

[...] Os especialistas raciais judeus desenvolveram uma fórmula matemática bizarra que classificava os descendentes de judeus numa série de graus, como judeu pleno, meio judeu, um quarto judeu, dependente de quantos ancestrais judeus eram identificados nas respectivas estirpes. [...]” (pp. 103-104)

“[...] Cadastros de não alemães se espalhavam por delegacias policiais, birôs de emprego, associações profissionais, organizações religiosas, unidades locais do Partido nazista e a Agência de Segurança da SS, Sicherheitsdienst, conhecida como SD, sob o controle de Reinhard Heydrich, alcunhado o carrasco.” p. 106


Catalogação e discriminação
Tabulação e Eugenia

“As denúncias e as avaliações de rotina, de natureza genética, eram julgadas pelas Cortes de Saúde Genética, com base na acombinação de provas circunstanciais e dados Hollerith. Os acusados abrangiam pais culpados por não mais do que a infelicidade de darem à luz crianças com defeitos de nascença; os inocentes recém-nascidos dos estatisticamente suspeitos; indivíduos desamparados, condenados por depressão e outros problemas psiquiátricos, num mundo enlouquecido; e os que simplesmente não se ajustavam ao novo ambiente nazista.” (p. 111)

“Em fins de 1934, as atividades médicas, de benefícios sociais e de seguros foram integradas nos programas de registro em cartões perfurados pelos asilos de idosos e pelos sanatórios de doenças crônicas, assim como por um número cada vez maior de profissionais da área de assistência médica. Iniciou-se o cadastro de pessoas anti-sociais. Heinrich Himmler, chefe da SS, inaugurou o Anuário Estatístico da SS. Além disso, cursos de 'educação continuada' em higiene racial, ministradas por renomados estatísticos, recebiam ampla publicidade.” (p. 119)


A segregação – carteiras de trabalho e cartões de racionamento

Quem não tivesse carteira de trabalho não podia conseguir emprego, e muito menos acesso aos cartões de racionamento. Estava, assim, condenado a mendicância ou a morte por fome.

“Finalmente, cartão por cartão, seleção por seleção, todas as pessoas de qualquer estirpe judaica seriam erradicadas de todos os segmentos da sociedade alemã, por mais que tentassem ocultar-se.” (p. 120)

“A alvorada da Era da Informação começava com o ocaso da decência humana.” (p. 120)




BLACK, Edwin, IBM e o Holocausto. (IBM and the Holocaust, 2001)
Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2001. trad. Afonso Celso da Cunha Serra

internet

fontes:

sobre a IBM

resumo da obra

sobre o processamento de dados
durante a Segunda Guerra Mundial e depois


LdeM